Poeta
O alvo do poeta
é a poesia que recolhe
onde quer que vá,
ele pensa que inspirou-se,
mas é ela que o acolhe
Quem poderá entender um poeta que fala a linguagem do coração, não do dele, muitas vezes e sim aquele da inspiração? Manda assim palavras ao léu para que caiam onde sejam necessárias, aconchegando almas como num céu ou dando alento aos que lutam sem vitórias.
Ser poeta não é apenas escrever. A poesia não é o que foi escrito e sim o que foi sentido.
Ser poeta é desnudar a alma.
Ladrões de palavras
Sou poeta, sim senhor,
por isso ninguém vá reparar
poemas e cantos de amor
é o que mais gosto de espalhar
Muito normal, acho, não sou,
mas tenho a felicidade,
meu coração se bastou,
nem precisa de realidade
Caminho em letras e sons,
não desafino, nem erro,
pinto o mundo nesses tons,
encontro poesia onde quero
Não preciso de bengala
buscando em outros ajuda,
nem modificar textos e falas,
isso é caminho para a Papuda!
Trovando
Meu poema não soa triste,
não sou poeta triste, não !
apenas retrato o que existe
pelas plagas deste mundão
O poeta nasce pronto, se fortifica com o diálogo de seu interior e tudo que o rodeia, muitas vezes em luta insana. Em letras, sofre o poeta, subjugado por amores, desilusões, saudades, iras ou sorrisos. Mas elas mesmo o curam e ele traça com maestria seus versos. Mesmo que seja apenas no cofre de sua mente, onde guarda seus tesouros secretos.
O poeta con[vida],
Vem comigo, pintar o céu
com cores transparente de instantes
vem contempl[ar] as aquarelas
Tu olharás pela janelas
Verás o mundo
com outros olhos.
§
O poeta é um diálogo,
monólogo,
solilóquio,
consciência em modo
quântico,
holístico,
pássaro em pleno vôo
Diante de nós,
temos apenas um céu aberto,
essa é nossa nova morada,
bem-vindo: dizia o poeta!
podes entrar...
VERSO & REVERSO:
O poeta expressa seu sentimento lúdico
Buscando a rima e a simetria,
Para muito ouvir o que não devia
Deixando cândida a linha da harmonia.
Se a réplica antecede a tréplica
A métrica embeleza o verso
Criando frases enriquecendo a guia.
CONTRADITÓRIO:
O poeta expressa toda sua alma
Num instante de infinita euforia
Na mesma velocidade toda sua aura
Num toque de tão pura magia
De certo não finge sua verdade
Oculta deveras, sonhos e desencantos
Exibindo com ardor, toda sua vaidade
Por ser matrix de todo o encanto
Recuso-me, desatrelado ao pudor
De entender a razão da métrica e simetria
Quando se diz em refrão, o poeta é fingidor.
POESIA
Alucinante dialogo poeta, coisas e objetos.
Viagem fantástica...
Ao universo subjetivo.
Sonhos e emoções.
Verdades e mentiras
Loucura ou razão?
Não é propriedade do artista
É patrimônio imaterial, universal!
A gente apenas formula para os leitores
Inspirado em coisas, pessoas ou objetos.
Deem-me uma flor do campo!
Para que eu plante e com esmero. Hoje.
Porque a primavera que nascera ontem
Morre agora num discurso delirante.
ALMA POÉTICA
O poeta pôs-se a dizer que a dor da alma,
Antagônica à física, remedia-se com a suavidade do silêncio e, a amorosa companhia noturna.
Ou, quiçá, uma moda do Jonh Cale para aplacar seus males.
E, que o poema não!
O poema, apenas lhe oferecerá carinho.
Ah, o poema!
Esse sim, é lenitivo à alma e os males que aflige o poeta.
AUTOCONSCIÊNCIA
O poeta diria que não há comunicação com a alma.
Senão, a própria.
Alheia...
Apenas alhares, gestos ou palavras.
Meu âmago é seco porque minh'alma
Dialoga com a tua em pleno hecatombe existencial.
O abismo entre mim e você se reflete no soprar do vento aos meus ouvidos.
Como será o interior de outrem,
Alguém se atreveria sonhar?
A lei do espelho fala por si.
O poeta não apenas escreve
Reflete pensamentos.
Sobre a literatura comercial, permeiam-se dois tipos de poeta e escritor.
Há aquele que reverbera o discurso em voga, cujo a crítica precisa ouvir. Hoje, por exemplo, destaca-se o discurso identitário para abrir portas. É o atalho ao púlpito dos intelectuais.
Outro, ainda que não dê vasão ao que a crítica e burguesia intelectual convenciona, possui capital financeiro podendo bancar sua obra independente. Talvez não comercial, mas igualmente palatável.
A escrita não deve complacência às convenções da elite intelectual. Ela é, em si, fomento do grito encerrado dos marginais.
Caminhar á beira do precipício, e sobreviver, é tão inspirador que sente-se a dor do poeta que só de pulsar vive.
aquiles disse que antes de virar poeta
quis ser instrutor de escalada na serra do cipó
mas como de tudo na vida
acabou desistindo
que pena
seria bonito ganhar a vida
ensinando às pessoas
a leitura das pedras
a sabedoria das quedas
o que fazer com as mãos
