Poeta
13 de Outubro #DiaDoEscritor
O poeta quando nasce
não chora como todos
os recém-nascidos...
Ele/Ela declama sem saber
o seu primeiro verso...
@MiriamDaCosta
O destino ambicioso do Poeta
Ele nasce para Ser,
vive para Escrever,
morre para ser lido,
renasce sem nunca ver
e torna-se eterno sem nunca saber...
Ele nasce com o verbo latejando nas veias,
a alma em chamas de dizer o indizível,
vive entre o gozo e o abismo das palavras,
sangra no papel como quem se oferece ao tempo.
Morre quando a tinta seca,
mas o eco de sua febre permanece.
Renasce em cada olhar que o lê,
sem jamais saber que ainda pulsa
na carne do silêncio dos outros...
Ele vem ao mundo com um sopro de eternidade,
vive escrevendo para compreender
o próprio mistério.
Morre deixando rastros de si em cada verso,
renasce no coração de quem o lê,
e permanece, suave e invisível,
no murmúrio das páginas que o guardam...
✍©️@MiriamDaCosta
O poeta é um ser múltiplo,
amorfo como a névoa
antes de ganhar forma no horizonte.
Vive em permanente desintegração,
como estrela antiga
que se desfaz em luz.
E, no entanto,
recompõe-se em silêncio
num outro organismo,
um corpo de palavras
que respira além da carne,
um corpo poético
que transcende
a breve matéria do seu criador.
✍©️@MiriamDaCosta
Um verdadeiro poeta
não faz poesia para os leitores,
prefere fazer leitores
para as suas poesias.
Ele escolhe descrever
as nuances da alma humana
em seus versos,
e assim vai...
acariciando
ou golpeando
cada leitor.
Um verdadeiro poeta
não corteja aplausos,
não se curva à pressa
do entendimento,
nem adestra palavras
para caberem em bocas distraídas.
Ele escreve
como quem acende incêndios
em territórios ainda intactos,
como quem abre fendas
na superfície lisa do pensamento.
Escolhe habitar
as multifaces da alma humana,
as zonas de sombra,
os excessos de luz,
os silêncios que gritam
e as verdades
que ninguém ousa nomear.
E assim vai...
verso após verso,
sem pedir licença,
ora acaricia,
como quem reconhece feridas
e sopra delicadeza sobre elas,
ora golpeia,
como quem rompe couraças antigas
e expõe o que o leitor
passou a vida inteira evitando ver.
Porque sabe,
não é o leitor que encontra o poema,
é o poema que encontra o leitor
e o atravessa.
E, quando isso acontece,
já não se sai ileso,
algo se desloca,
algo se inaugura,
algo se ganha ou se perde
para sempre.
E é nesse instante,
silencioso, íntimo, irreversível,
que nasce, enfim,
um leitor.
✍@MiriamDaCosta
O poeta quando nasce
não chora como todos
os recém-nascidos...
Declama sem saber
o seu primeiro verso.
Os poetas não conhecem o tempo
eles são a eternidade evanescente
do tempo em sí...
Os poetas não olham o mundo
eles refletem a imensidão
do mundo em sí...
Os poetas não se reconhecem como tais
a poesia se reconhece neles...
✍©️@MiriamDaCosta
Se o poeta disse que amar é um verbo intransitivo
e entre outros adjetivos tem seu sentido completo,
eu te digo que o amor é um tanto quanto relativo,
um sentimento cativo, que não aceita decreto.
Se ele se basta em si mesmo e não pede complemento,
como explicar o aperto que dá no meu coração?
Como entender esse laço, esse doce tormento,
que me rouba o pensamento e me joga na tua mão?
O amor pode até ser livre na teoria da gramática,
mas na vida prática ele é dependente sim.
Precisa de um sujeito que lhe dê a voz exata,
que mude a sua fonética e faça ninho em mim.
Não me venha com a lógica de que o amor é isolado,
pois quando estou do teu lado a regra perde o valor.
O meu amor só é pleno se for conjugado contigo,
no presente do indicativo...
No plural do nosso amor.
