Poesias sobre Pássaros
DRAGÂO
Ela chega à noite, vendada e apreensiva,
Traz uma gaiola cheia de borboletas...
Pássaros pousam na sua cabeça...
Ela se deita e se entrega...
Eu sou um dragão de meio milênio
Soltando fogo pelas narinas,
Numa caverna úmida, fria e escura
Prestes a desabar...
Isso não pode dar certo... isso não pode dar certo...
Não respiro para não queimá-la
Não falo para não assustá-la
Não acaricio para não arranhá-la
Não abraço para não esmagá-la
Tenho a ternura de Lúcifer antes da queda,
Tenho a beleza de Lúcifer antes da vaidade
A caverna se enche de luz com gotas de diamantes,
As borboletas se soltam, os pássaros cantam...
Ela está possuida, ela está possessa...
flutua sobre asas de cardeais e cacatuas,
Delira num sétimo céu, mas continua vendada...
Isso me arranha, isso me queima, isso me esmaga...
Mas eu suporto, eu sou o dragão...
Aqui Jaz o Amor...
Na vereda tem uma tumba,
Uma coroa de flores,
Pássaros que cantam,
Uma brisa reconfortante
E uma melancolia
Quando leio no epitáfio,
‘’Aqui jaz o amor...’’
Este lugar não está dentro de mim!
Este lugar não está dentro de mim!
Eu queria ter esta certeza,
Mas as borboletas vão se transformando
Em lagartas como uma metamorfose ao contrario
As flores vão se fechando,
Uma por uma, os pássaros silenciam
Pessoas que acompanham um féretro
Aproximam-se e alguém coloca
O caixão naquela tumba,
Percebo que todos que estão ali
São pessoas que eu já vi morrer,
É um funeral ao contrário...
Este lugar não está dentro de mim!
Este lugar não esta destro de mim!
Agora todos sorriem,
E os pássaros voltam a cantar,
E as flores se abrem novamente,
As borboletas se transformam novamente,
A brisa volta a soprar, é um ciclo,
O amor morre de novo,
Porque a vida continua para novos amores...
JURUNA no PLENÁRIO
O passarinho te viu tão sozinho,
Que se fosses passarinho
Jamais serias um bem-te-vi,
Tão triste, que se fosses
Rouxinol, jamais terias alpiste,
E se fosses um pardal, jamais estarias tão mal
E se fosses um canário, não sairias do armário
Se fosses corrupião, morrerias de paixão...
O passarinho te viu tão só,
Que jamais serias um curió,
Tão aflito que jamais serias um periquito
Tão jururu que, jamais ouvirias um uirapuru,
E nesse mundo de penas,
Tanta pena tenho de ti,
Que te trago do cacique, um cocar guarani,
Te trago penas de pavão,
Pra te lembrar da paixão,
Te trago tons de lilás, tons celestiais
De um mundo colorido de araras e tuiuiús
Te trago lembranças do pajé,
que cuida de bichos de pena...
De todo índio com fé...
condor
O trigésimo andar me seduz
Salto livre no vazio,
Talvez me torne passarinho,
A vertigem é mais que adrenalina,
Talvez traga um crepúsculo só para mim...
O condor já foi homem um dia,
O homem um dia já foi condor,
Então se jogou do penhasco,
Flutuou até o horizonte,
E guardou o sol atrás da colina...
Na paixão o homem volta a ser condor,
Mas esquece que já não sabe voar,
E quando surgem ressentimentos com dor,
Com dor o homem não consegue flutuar,
Então esta queda no vazio,
Do azul do firmamento,
E nas estrelas do olhar da menina
Até achar o horizonte, o ocaso e a colina
E redescobrir o condor que há em mim...
Os sonhos são como pássaros,
que preenchem o vazio na alma,
a esperança é como a brisa,
que alivia os corações dos desvalidos...
ETERNIDADE
A noite ouço sons de violino,
passarinhos e a brisa abre meus caminhos
há muito tempo eu fui livre...
tipo de ícaro e astronauta
tocando flauta...
um dia empunhei a espada,
peguei meu escudo, montei raio de luz,
alazão branco, romântico...
eu galopei e de tanto sonhar
eu aprendi que eternidade é esta fantasia
que só dura um instante,
então acontecem todos os nascentes
e todos os poentes,
os pássaros cantam a profusão de luzes
ao tom de tua silhueta, sons de violinos...
Ela pensava que era passarinho
E sonhava com as manhãs,
Ela pensava que era passarinho
E sonhava com as nuvens...
O amor lhe dava segurança
Como qualquer gaiola,
Mas ela pensava que era passarinho...
E sonhava ver a tarde morrendo
Na parte mais alta do bambuzal
Um dia o amor lhe abriu as portas
E ela se perdeu na imensidão de seus delírios,
Sentiu falta da segurança que lhe dava o amor,
Mas sem o calor de sua presença
O amor pereceu no frio da noite...
AS CORUJAS PIAM
Nem sempre tudo está muito claro,
E de pijamas tudo é sempre obscuro,
Os pássaros silenciam e as corujas piam,
Os gatos fazem um escândalo...
Eu tento entender as constelações
E tudo mais que me parece ininteligivel
Como supor que alguém me espiona
Ou imaginar monstros debaixo da cama...
O resto se sintetiza nos olhares perdidos no vazio,
Famílias que mendigam nas calçadas,
Essas coisas que fontes luminosas de shoppings luxuosos
Ou flores raras de jardins irreparáveis não conseguem maquiar.
A filosofia é um bálsamo pra alma,
Não que explique tudo, pelo contrario,
Talvez o seu maior encanto é caminhar vendada
À beira de um precipício;
Mas isso não deixa de ser uma lógica.
Quando temos a teoria: o que me encanta são os desencantos...
O que me encanta são os desencantos...
Então não parece muito claro, por mais claro que possa parecer...
Queremos o sempre por mais obscuro que possa ser
As tardes vazias por mais vazias que sejam sempre
As fontes , as flores...e o que vai mudar o que somos ?
O que vai mudar o que somos?...
Se a pureza de nossos olhares se perderam
Nos lampejos vespertinos dos nossos desejos
Tem vezes que ao olhar o céu
Vejo pássaros voando tão veloz!
Pássaros brancos, parecem tão lindos
Voam alto, muito alto… mais alto!
Faz-me sentir a sensação de como estivesse no fundo do oceano, sem som, ouvidos tampado e nos olhos só observando a névoa. As nuvens estão lindas, adoro ver como se movimentam… certos momentos, pássaros atravessam essas nuvens velozmente, como estivessem fugindo… sobem mais alto e desapareceram… em um passar de tempo
Olhos fixo e mente vagando
Amo tudo isso
A consciência é o céu
do coração.
Os pensamentos sejam bons ou maus, são
os pássaros que sobrevoa este céu.
<*•*>
O coração,
este grande andarilho,
vive sempre cheio de emoção,
e num vôo de passarinho,
cria caminhos, atalhos e estradas...
Vias que só o Criador scaneia e viaja por elas...
🕊️
Sou pássaro arisco
não me arrisco,
quando a companhia não é saudável,
levanto vôo e vou pousar onde o ar é agradável...💚🕊️💙
***
Sente-se satisfação em ver os Pássaros voando em suas liberdades.
Satisfação dupla quando abre-se a gaiola dos outros para libertar os Pássaros de todos.
Pássaro Kinnara:
Seu canto veio anunciar
Que uma nova estação vai começar
Nuvens negras a se dissipar
Noite escura a se passar
Seu voar é oração
Seu mover é uma canção
Que revela a direção...
O mapa está no coração
Nas asas do vento...
Nas manhãs sempre acordo com a sensação
Que sou pássaro sobrevoando o céu...
Em meus lábios um sorriso ao pensar
Num provável reencontro de sentires
...mas só encontro as asas do vento...
Arrancando meus sonhos em meio a tempestades
Sem conseguir acalmar a dor... Da solidão...
Queria lembrar estes sonhos ao amanhecer
Mas... Perco-me em pensamentos e sentires...
Fecho os olhos a divagar sobre as lembranças...
Muitas vezes felizes...
Minha inquieta alma não me deixa ver onde jaz
A verdade ou a ilusão... E eu sigo voejando nas manhãs
Em devaneios...levada pelo vento!
Quando as palavras são mais profundas...
Hoje não vi passarinhos... Sobrevoando no alto verde
Das arvores...
Descubro que minhas lágrimas dilaceram horizontes...
Uma agonia disfarçada de inquietude e revolta
E no meu silencio planto saudades
Deste meu anoitecer sem ti...
Mar atravessando montanhas e rasgando as rochas
Mas há uma estrela que insiste em não ir embora...
Exalando aroma deste amor que veio sereno do nada...
No êxodo deste instante escrevo canções
Em sutis tremores toca ainda minha essência...
Regresso ao tempo onde guardei minhas memórias...
...passarinhos chegam sempre no final do dia!
Sou pássaro que passa em revoada...
Migrando em firmamentos azuis...
No crepúsculo de um dia de outono
Fui nativa hoje sou partida
Fui amor hoje desamor...
Puro desencanto
Pássaro cativo... De uma saudade que a brisa levou...
Sou poesia em rimas a cantar...
Um pássaro que tem alma delirante... Onde a poesia é
Meu respirar constante... Cuja alvorada brota junto
Ao meu poente!
E vi o sol... Radioso
E vi nas manhãs sorridentes
Passarinhos acenando com suas asas
Dando boas vindas a mais um dia...
Senti a fragrância de devaneios passados...
E eu quieto como as pedras...escuto o mar...
Com olhos serenos... Ausentes de dor...
... e retorno ao encontro de uma saudade
Busquei o alento deste Sol de verão
Sou pescador de ilusões e brisas
Poeta das encantadas almas...
celina vasques
Aprecio um sol no crepúsculo...
Porque será que eu canto ao entardecer
Igual aos pássaros...
E fico de alma apertada...Numa nostalgia tão grande...
Quais ondas que gemem sussurrando
Cantigas na areia da praia...
Onde gaivotas observam
As espumas... Extensos véus de noivas
Arrastando rumo ao altar...
Olho o horizonte meu coração inquieto
Queda-se na esperança de ver as estrelas
Pois a lua me esqueceu...
Minha alma de poeta acelera o coração de mil perdões...
Ah como eu queria te ver
Para sentir um infinito arrepio viajando na emoção...!
Até o ultimo arrepio...
Prisioneira que sou
Do teu amor...
Um pássaro sem voo... Sem partida...
Como num sonho entre brumas...
Procuro por ti... Em algum lugar
No firmamento... Entre céus...
Talvez...
Onde perdi também a alma e a paixão...
Já me reinventei dentro de todas as viagens...
Por entre mares... Por sobre as ondas
Sem chegar nem partir... Sempre no mesmo lugar
A te procurar... Até o ultimo arrepio...
Mas apenas um olhar pra trás onde
Somente um vazio e as palavras que versam
Quais gritos de amor... Nas rimas do meu poema...
A tua ausência e nada mais...!
