Poesia eu sou Asim sim Serei
NEOWISE
(Dedicatória ao cometa que passa nos céus)
Passei a noite vendo o cometa.
Sentado bem no topo do monte,
olhei para a linha do horizonte,
e vi o Neowise de minha luneta.
Aos dez anos, criança espoleta,
vi o Halley por alguns instantes.
Como eles, somos só visitantes
por tempo certo nesse planeta.
Como era linda a cauda brilhando!
Nem acredito que era só de poeira!
No alto do céu lembro dele voando!
Mas é triste e dói na alma inteira
sentir todo o mundo ir passando...
Tal qual cometa, vida é passageira!
Verso inverso
Reverso verso
Com verso
Converso
Sem nexo
Verso adverso
Universo
Unir verso
Verso a verso
Verso versus verso
ORAÇÃO DO DOMINGO
Toda semana é um recomeço
Momento para que cresça
Desejo que a evolução floresça
Antemão agradeço
Ao ar que vem de graça
Comida que muitos na África morrem por essa causa
Visão que muitos nascem sem ver as cores na imensidão
Ansiedade foi tirada com a mão
Desamarrei os nós do coração
Peço a Deus para abençoar sonhos que fogem do padrão
Essa é sempre a oração
Tudo que eu tenho e não reconheço
Tem coisas que eu nem mereço
Leio um Salmo quando estou angustiado
Olho esse céu lindo
Planto flores em um dia de domingo
Uma árvore para que meu sorriso nunca acabe
De brinde força de vontade, coragem e lealdade
O Décimo - Primeiro Dedo
Era uma vez, uma mulher que tinha guardado em si um segredo. Como a palavra indicava, era silencioso, deitava no mistério.
Mas quem guarda um segredo e não resgata o enigma
fica infeliz, doente.
E o imaginar veio como acalento e cirurgia para sua alma
...transformou-se em caneta, tenra, macia, perspicaz e mordaz, transformando tudo em verso.
Mas o verso é masculino e falou com a imaginação:
– Quem sou eu que visita esta página?
E a imaginação respondeu:
– Você é meu desejo, meu mundo e agora vou transformar-te em realidade.
E o segredo se escondeu, a realidade estampou, o tempo absorveu o perfume e a existência percorreu as ruas e labirintos desesperado como urgência.
E nesta briga a estação passou e o ser caneta não se
cansou, roncou tudo e virou o escritor, o artífice.
A fantasia é feminina.
Em paz com a realidade.
Quer ser verbo e decifrada como o décimo-primeiro dedo dominado pelo imaginar.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Rita
Rita ficou brava e, numa correria que a raiva desperta subiu onde o pensamento não aliança e ficou lá como alma penada, a chorar acima na comunheira da casa.
Chorou os minutos.
Chorou as horas.
Chorou por dias.
Os meses.
Longos anos.
Chorou tanto e por resumidos até que alguém percebeu que o choro amoleceu o pau da comunheira.
As paredes derretiam, aí notaram que lá estava Rita a chorar e ia fazer a casa desabar.
Como fazer, era rezar para Nossa Senhora do Pilar para calar seu choro.
Mais oravam, mais choro caía.
E a casa dissolvia lentamente sem solução. Rita na comunheira da casa a lacrimejar.
E o pior, agora rangia, trepidava raiva e vergava os paus da construção.
E a casa deteriorou, desmanchou.
E todo mundo abandonou o que era uma construção. Ficou a casa ali vergada, desabitada
Por anos.
Até que alguém teve a graça de falar da desgraça com Rita.
Amassar a argila onde suas lágrimas se derramaram. Deus fez o homem do barro sem as lágrimas de Rita. Era tempo de magia, reconstruir.
Rita, desistir de ser lamento e assombração de um passado que se despedaçou sem lembranças, banhado de tanto chorar.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Cercados
A idéia feita na ilusão em acreditar na capacidade de vivermos sempre em comboio, trombando uns com os outros...
...assim, feito barulho provocado pelo ranger do atrito nos trilhos, lustrando nossa carga de paciência cada vez mais longa, numa simetria infinita e solitária.
Vão ficando vagões cada vez maiores, se amontoando ao longo da penosa existência, deixando tudo de ser
paraíso para
morrer na fina linha que retorce nos trilhos.
Desgastadas e tortas.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
PERDIÇÃO
É um querer ardente do que não se pode ter
É ter o amor tão perto impossível de alcançar
É olhar para o ser fingindo que não o vê
É um desejo louco sem poder provar
É se esconder para não morrer de paixão
É olhar os lábios sem poder beijar
É sentir o perfume sem poder cheirar
É cobiçar o próximo sem poder chegar
É desejar um corpo que não pode abraçar
É afogar pensamentos para não deixar minar
É sentir a sede sem poder beber
É ter o pássaro na mão e deixar voar
É ter o corpo perto sem poder amar
É olhar os cabelos sem poder acariciar
É sentir o frescor do hálito sem poder se refrescar
É café com leite que não pode misturar
Amor proibido...
É uma dor na alma
Um choro sufocado
É traição profana
É invasão domiciliar
É novela sem final feliz
É imaginação fantasiosa.
Sinto saudade de sei abraço
Dos seus doces beijos
Do seu cheiro
De você por inteiro
Sabe quando o peito aperta
O coração se sente triste
E a saudade só aumenta
É assim que fico
quando estou longe de você
- Sheila Tinfel
Quando te conheci foi mero acaso
Coisas relacionadas ao trabalho,
Lógico que de sua simpatia não fiz descaso
E conforme conversávamos, cometi um ato falho
Notei o quanto tínhamos em comum
Pensamentos, gosto pela música e poesia
Tão compativelmente incomum
Que meu coração palpitou, e a sinestesia
Me pegou, como não sei ter sentimentos rasos
Logo estava eu apaixonada
Éramos dois poetas de sentimentos intensos
Me via refletida em seu olhar
E olhar em seus olhos, desejava e não queria mais nada
Todo o dia de trabalho, já nem me fazia cansar
Na sua companhia, sentia-me a rima e você versos
Mas notei que olhava na altura dos meus ombros
E lá estava quem lhe atraia seus olhares
Moça linda, corpo perfeito, cabelos rubros
Dei me conta que eu tinha perdido,
Quando me pediu para opinar em um poema
Que iria entregar para ela, mesmo com coração partido
Ajudei a tornar seu poema o mais lindo
Porque te ver feliz seria a minha recompensa
E com um beijo na testa me agradeceu.
A linda tarde pede calma,
mas ela é a própria
que assim veste -se,
entra n`alma provocando
admiração e prece
Seus sonhos são seus
Em nada se parece com outros
As semelhanças são a ocultação de suas motivações
As particularidades são o repertório de sua vida
Por mais ordinário que você seja
Seus sonhos são seus
A guerra perde todas as vezes que desafia a paz
Pois elas não são forças opostas
Em nome da guerra matamos uns aos outros
Em nome da paz matamos uns aos outros
Você é a ordem, a sorte e a lei
Você é a corte real e o rei
Você é a joia da coroa
Você é o trono de governo em pessoa
Tudo acontece como tem que acontecer,
O destino está chamando, não há necessidade de relaxar,
A cada reviravolta, encontraremos nosso caminho,
Quem tem que ficar fica, quem tem que ir, vai.
Fiquem em alerta
Vocês que moram no campo de batalha
Mas não sabem guerrear
Vocês que se afogam nas águas acusadoras
Por não saberem nadar
A condenação desce sobre vocês com grande cólera
E a mão pesada do seu deus esmagará sua moralidade
É tudo uma grande invenção do romantismo
Sempre um fará mais por outro
Sempre um sentirá mais do que o outro
Como tudo na vida não é uma verdadeira escolha
É mera vaidade do ser humano
Escolher a prisão que se vai viver não é liberdade
O elevador do purgatório só vai para cima
A salvação é difícil de ser conquistada
Existe um caminho de sofrimento e dor
Mas o propósito é sempre a redenção
No paraíso todas as árvores podem ser tocadas
Todas as pessoas podem ser desejadas
Todas as ideias podem ser conversadas
Todas as coisas podem ser melhoradas
Ausência.
Antes nos viamos dia a dia
Hoje já não espero o teu ver
Agora a noite é tardia
Insônia no anoitecer
Dedico a fina
Camada de adormecer
Que tu seja sina
Quando não mais
Te ter
20 de agosto de 2023
Em uma das vezes em que a cortina do tempo se abre, o presente irá compensa-lo com alguém que falará seu dialeto. Pois, não será necessário uma totalidade pura e completa de tal existência soletrando sua alma para outra pessoa.
@poeticainterstelar
