Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Em verdade te digo
Que de um dia estar contigo
Eu não tenho muita esperança
Pois não temos nenhuma semelhança
Também te digo
Que apesar disso
Ainda te quero comigo
Mesmo que eu não demonstre isso
Para terminar
Tenho que te avisar
Que não sei como me comportar
Nem sei como é amar
Mais de uma coisa eu sei
Ao seu lado quero estar.
Ela é sete mares
Tão profunda como o mar
Cheia de tesouros como o mar
Misteriosa como o mar
Não é tão dificil poder ama-la
Ela é sete mares
As vezes de maré baixa
As vezes mar de ressaca.
COISINHA
Sabe coisinha...
Se não fosse, tantas coisas!
Eu iria comprar uma coisa.
_ Que coisa! Coisa p'ra que?
_ A coisa, p'ra coisá por aí.
_ Por aí... Por onde?
_ Pela estrada pela rua
pela linha de bonde.
Pelo dia e fantasia
pela noite que se zua
na gola na prata da lua
no açoite da gula sua.
Antonio Montes
CLÁUSULAS DO PODER
Quem fez, quem não fez...
Quem fez... Quem não fez!
E a demanda segue pelos bastidores
de suas leis, e nesse emaranhado todo,
mesmo quando vão presos, saem em
poucos meses. Nem com foto, nem com
filme, gravação aprova... A prova da prova
dos mandões desviadores do poder, onde
eles próprios, estão mais preocupados
em editar nas leis, cláusulas que lhes safem
dos seus fardos do que arrumar algo bom,
para a população.
A democracia esta ai, toda rendada, as
condenações d'ela é rede p'ra peixe pequeno
e só pega, aqueles que não tem nada, nada
do país. E a grande população dança com
chamego todo vesgo, tanto imposto, tanta
terceirização, os poderosos da democracia
terceirizam até mesmo, a sua profissão
seu cargo, seus embargos e os bam, bam,
bans... Ganham com isso, uma duas três e
muito mais vezes do que deveria de ganhar.
Seus atos ilícitos, seus caminhos farpados...
Seus jogos fictícios, seus falsos mandados...
Tudo para desviar e perseguir os salários dos
assalariados. Quem fez, quem não fez...
Quem fez essas leis, tão áspera aos pobres!
quem fez essas proteções aos desviadores
ricos... Os grandes nobres que pegam de cá
o que não é deles... Para depositar do lado
de lá.
Antonio Montes
Infinito querer
Primeiro deseja o pouco,
Mas do pouco deseja o muito.
Não sustentado,
Do muito queres muito mais.
O pouco só é desejado,
Pois primeiro só á ele tinha.
Aquele muito,
Jamais será bastante,
Pois sempre tornarás pouco.
Afinal,
De pouco em pouco,
Vai se tornando muito,
De muito em muito,
Vai se tornando pouco.
o vento roça de leve
o segredo que há em nós
e as palavras não ditas
uma a uma caem
no abismo do infinito
manchando de blues
os rubros corações...
TRUPE DE VENTO
Um trupe de vento passou por aqui
vindo, não sei de onde,
Indo... Sei lá e não sei se esconde
... Sem asas sem bonde,
Sem respeitar saia de moça
nem charuto de conde.
Esse vento, ouriçou placa...
Bandeira, roupa no varal!
Provocou... Carreira em potro,
tombo de bêbado
e voar de pombos.
Levantou pipas da molecada
poeira das estradas e atiçou...
Atiço areia sobre as águas.
Aquele trupe de vento que passou por aqui
.... Vindo não sei de onde...
Fazendo corrupio no cisco,
alegrando, cardumes de piabas dos rios...
Pássaros no estio,
farfalhou as folhas
disparou as hélices eólicas
espatifou o bocado da farinha antes da boca
ouriçou os cabelos da velha louca
e badalou os sinos das igrejas.
Aquele trupe de ventos que passou por aqui...
Passou trazendo águas e nuvens
levando as chuvas
alegrou, melou os olhos
Destampou as rolhas,
farfalhou as folhas...
Aquele vento que passou por aqui,
abrindo porta e fechando janelas...
Serpenteou por todas vielas!
Urrando que nem lobo...
Rangendo que nem dentes
esturrou, como se fosse um leão.
Aquele vento que passou por aqui
chiou venenoso, que nem serpente
desfez, procissões e saravas
jogou cisco na cuia do almoço
no momento de cear...
Despedaçou exame de abelhas
desmanchou rasto de ratos,
destrambelhou, voar de pato
provocou e oscilou as ondas do mar.
O bando de pássaro se foi com ele
voltou por causa dele
as borboletas ficaram alem dele
aquele vento, levou as velas da canoa
e o canoeiro, perdeu o dia de chegar.
Antonio Montes
Vozes perseverantes
És deficiente, claro amigo!
Sim, uma casa bem construída,
Mas não se faz um abrigo,
Não sentes o amor desmedido...
Verdade! Meus olhos não veem.
Confesso, sonhei enxergar,
Vejo com o coração, não minto!
Enxergas, mas teu afago não sinto!
Não tenho pernas fortes!
Cadeira, rodas... Sina minha.
Você comigo não caminha
Mas sou asa mesmo sozinha!
Dizem que é lindo o cantar.
Gonzaguinha, Keréto, o sabiá...
Mesmo sem ouvir, voam cantos.
Muitos me ignoram, são tantos!
Sei que a fala sempre me faltou,
Nunca a encontrei na língua.
Deixas-me no silêncio profundo
Mas meus gestos reviram o mundo!
Estou na estrada e sou como você,
Nado, brinco, faço o acontecer...
Do cume ao fundo profundo do ser
Surfo, paraquedas... Menos temer
QUANDO MORTO
Claro que os animais,
com alma ou sem alma
quando morto, suas almas,
não nos assombram...
Nem nunca irão nos assombrar!
Pois vivos, são ininterruptamente,
assombrado por nós.
Nós os assombramo-los
o tempo todo, todo tempo...
Com nossas ações, nosso dividir
e nossas ganâncias para com eles.
Os animais vivos...
Vivem o mártir o flagelo
a prisão sem condenação
noites longas de escuridão
e dias muitos amarelos.
Muitos das vezes
eles vêem a óbito amarrados,
fechados, engaiolados
e tudo isso é claro...
Sem nunca terem sidos, condenados.
Antonio montes
DEPORTAÇÃO
Eu vou me candidatar! É... E se eu ganhar...
Não vou aceitar imigrantes clandestinos,
zanzando por aqui, no meu lugar.
Se eu ganhar...
Mandarei expulsar, as areias e as pedras
as chuvas, que cruzam as fronteiras, todos
os dias... As enxurrada as encosta dos morros
o temporal com trovoadas os relâmpagos, os
degelos, e também as labaredas dos fogos.
É... Eu vou me candidatar, e se eu ganhar...
As águas dos oceanos, que fiquem por lá
não quero leito de rios, cruzando p'ro
lado de cá. Não quero, voar de águia imigrando
ou voou de falcão, peneirando no meu ar.
Não quero, tempestades de chuvas de lá...
Nem assopro de tufão ou ciclone, cruzando
a cerca da minha nação. Se eu ganhar!
Não quero lua de lá, com seu lençol de prata,
prateando o lado de cá! Nem esse sol de lá...
Atrevido! Olhando meu torrão tão belo, com
esses seus raios amarelos, todos descabidos...
Cruzando a minha fronteira sem nunca
bisbilhotar. Se eu ganhar...
Mandarei expulsar, as chuvas e os temporais,
o anoitecer e o amanhecer que não tiverem
passaporte, assim também, como os rumos
do sul, e do norte. Se eu ganhar...
Deportarei as estrelas de lá, esse tempo
dividido, que por aqui apareceu, e essa
velha estação do ano, filha de outra nação,
essas religiões e os afoito de Deus.
Deportarei as doenças de lá, as curas e os
remédios com, essa dama da foice que nos
visita pelos momentos baixos dos dias...
E pelas altas horas das noites.
Deportarei as modas as poesias as musicas...
Deportarei as artes cênicas o humor o riso
a alegria, vindos de outras terras, pousando
em nossos dias. Se eu ganhar... Deportarei
os pássaros e o arco-íres esse céu que
também cruzou o mar, com o seu azul incrível.
Antonio Montes
Eu tenho um desejo intenso
Se realizar não consigo
Mas nele eu persisto e penso
E ele a vagar vai comigo.
Se tenho mãos por que não luto?
se tenho pernas por que não corro mais?
mais o problema é que me inludem
com a Tv e os jornais.
a familia se reune
pra eleger corrupção
a verdade, já nao justa
primo distante da nação
e nessa festa pobre
o dj não paga imposto
a vergonha é vulgar
na batida de um som
é pra fazer revolução
e levantar uma nação
que na próxima ocasião
os seus filhos fazerão ''revolução''
parasquedas
para quedas para
quem não sabe a
gravidade de manter os
pés no chão
para aquelas
paralelas
ruas que nos levam
sem direção
por que tantos carros?
por que correr
se é muito mais raro
estar com você?
aqui e agora!
para a queda
daquelas flores
um momento de
contemplação
os mais belos
ramos de cores
alimentam o
meu coração
aqui e agora!
MÁSCARA DE CARNAVAL
Máscara de Carnaval...
És da folia aguerrida,
não és fingida...
Pulsa, faz-se gente,
brilha, não mente,
da alvorada ao poente...
Na quimera presente.
Afinal,
é CARNAVAL...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2018 fevereiro
Cerrado goiano
ESPERA DO PERDÃO
Estou aqui, me desmanchando
em lagrimas diante de ti.
Não espero piedade dos seus olhos
... Compreensão, quem sabe?!
Uma lagrima de coerência do seu coração.
Eu errei, sim, sim! Eu sei... Mas agora,
soltei dinamite no meu orgulho
para tentar viver outra vez...
Não espero perdão assim
mas tudo que quero
e que você de uma chance para mim.
Noites em branco,
momentos enterrado no silencio
solidão... Ah solidão!
Quantas lagrimas despedaçada por ti!
Em fim, acho que paguei pelo meu erro
... Quero viver, tudo que espero
o perdão vindo de você... O sorriso...
Sorrir amar, amor é tudo que venero.
Antonio Montes
"Não são apenas palavras que se esvai com o tempo
É sensibilidade, sutileza e êxtase de compreensão
São traduções de momentos
Poesia é a voz da alma que sofre e sorri ao mesmo tempo."
A porção do meu poema
Não sei o que há de tão especial em ti moço
Mas quando estou ao teu lado a vida acontece.
A terra estremece nas articulações do corpo teu.
As estrelas brilham no céu da tua boca
quando me ofereces teus beijos
à minha boca louca de desejo...
... Talvez o que nos completa
seja nossa incompletude de tudo o que resta.
Somos cada um a pedra que preenche a lacuna no outro.
Talvez isso seja muito
Talvez seja pouco
Mas jamais será nada.
... És a porção do meu verso que o poema translada.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
Desapegue…
Desapegue das coisas
Mas não das pessoas.
Desapegue das frustações
Da carreira, do dinheiro
Mas não das chances de viver por ai.
Desapegue das dores
Dos pensamentos ruins
Mas não do seu sorriso.
Desapegue das redes sociais
Das selfies, dos likes.
Mas não da sua liberdade.
Desapegue do passado, do futuro
Mas não do agora.
Dessa vida só se levará tua alma.
O resto, desapegue…
Olhava as crianças brincando
com os pássaros na calçada
e não conseguia distinguir
de quem eram as asas
A RETA E O GATO
Seu gato... Cadê a reta, cadê a reta
que você cerca, para que não
possam passar?!
Que flecha é essa, de qual arco ou
retrato... Que atiram e acerta...
Na asa d'essa caneca,
na roda que breca...
Ou na proa da canoa
que aborda na velha borda abobada
na hora incerta do velho mar...
Seu gato... Gatuno noturno
infortúnio! O que tem feito ao
velho mundo, por qual você acha,
que só você pode andar!
Não vê, que a vida assim sem mim...
Só você navegando por ai, por aqui,
não terá meio inicio,
muito menos... Meio fim.
Antonio Montes
