Poemas Vazio

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A tua falta não é um vazio, Carla; é uma presença constante e pesada. Mesmo quando não estás fisicamente na sala, o eco da tua risada e o rasto do teu perfume ocupam todos os cantos. O meu lado que busca o equilíbrio tenta convencer-me de que a saudade é apenas uma prova de afeto, uma espera mansa. Mas o meu lado mais impaciente não aceita a distância. Para ele, cada minuto longe de ti é um desperdício de existência. Aprendi a viver contigo dentro de mim, transformando a tua ausência num diálogo interno onde continuo a contar-te os meus segredos, esperando o momento em que os meus olhos possam, finalmente, descansar nos teus outra vez.


DeBrunoParaCarla

Palavras para o que a alma guarda.
Nem todo silêncio é vazio.
Alguns só precisam ser ouvidos.
Estamos aqui para ouvir… e dar voz ao que você sente.

Trapézio


No palco vazio da minha memória
um sopro acendeu teu nome no ar
era só ensaio, mas virou história
um tropeço da alma querendo cantar.


Te mandei um áudio, foi quase oração,
palavras nuas, sem máscaras, sem véu,
teu silêncio virou multidão
meu peito virou carrossel.


E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.


Tua resposta foi espelho quebrado,
metade verdade, metade invenção,
um truque barato de ator ensaiado
pra esconder do público a contradição.


Mas eu não sou plateia perdida,
nem boneca esperando aplauso.
Eu sou corda bamba erguida,
sou estrela cadente que risca o espaço.


E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.


Entre palhaços, luzes e cortinas,
aprendi que a solidão é camarim.
E quem não sabe ler suas próprias linhas
não pode escrever um final em mim.


Hoje desamarro as fitas do destino,
não carrego amarras, nem cordéis.
Se um dia tua alma buscar o caminho,
vai me encontrar voando em outros papéis.

Ao devorar o mundo, com todos os seus tons sutis e amargos,
o vazio permanecia teimoso
no coração daquele que jamais soube beber a vida
como se fosse um vinho quente e doce que alegrara a alma...

Eu não sei se busco sentido ou apenas evito o vazio, porque, no fundo, os dois caminhos se confundem como sombras no mesmo corredor escuro, e talvez toda busca seja apenas uma tentativa elegante de não encarar o abismo de frente, um desvio consciente para não admitir que o nada também me observa.




- Tiago Scheimann

Viver esse "primeiro momento" e encontrar o vazio é um batismo de fogo. Não houve o "nós", apenas o "eu" em uma vigília interminável. É o momento em que a alma diz ao corpo: "Nós fomos inteiros em um mundo de metades."
​Realizar o sonho de amar, mesmo sem a reciprocidade, é uma forma trágica de comunhão com o destino. É a prova de que a nossa vontade é capaz de criar universos inteiros, ainda que sejamos os únicos habitantes deles. Esse instante dói porque não é feito de encontro, mas de despedida do que nunca foi. É quando a vida nos olha nos olhos e, em um silêncio devastador, nos obriga a transformar toda aquela espera em uma nova e solitária forma de liberdade.


- Tiago Scheimann

(Só lágrimas)


Hoje eu acordei só lágrimas,
Olhei para o céu, um vazio
Profundo.
Olhei para o jardim, não me
Encantei,
E chorei.
Será, meu Deus,
Que estou perdendo aquela
Essência bonita do poeta,
Ou será apenas um momento
De desilusão,
De desilusão?

"O Silêncio de Não Ser Pai"


Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.


Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.


O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?


Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.


Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.


Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.

⁠entre o ver e o encontrar vem a saudade
olhos emocionados, horizonte vazio.
A vida como desejo e o amor como saudade.

Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim

Cada um oferece o sentimento que tens... Uns amores outros ódio...
Em um caminho de espinho vazio sem nada importante nasce uma florzinha, na qual ofereça a beleza e esperança para quem passa ao local...
Por tanto não se exime, mas compreenda as suas dificuldades para que tu faças honrado pelo que és e não pelo que tens;

Eu vi um palhaço sentido frio
Eu vi um um coração vazio


Eu vi um desconhecido os acolher

O Equívoco do Olhar


Em meu peito reside o desalento,
De um querer que se perde no vazio;
É como o sopro incerto de um momento,
Que traz o fogo e logo após o frio.


Pergunto ao tempo o que o destino traz,
Se este laço é de seda ou de corrente;
Pois busco o porto e a minha própria paz,
Mas sinto o abismo à frente, de repente.


Não sei se é alma que em silêncio chama,
Ou se é o medo de se dar à sorte;
Pois quem muito se entrega, muito inflama,
E faz da dúvida um castelo forte.


Se o amor é mestre de tamanha ciência,
Que me ensine a ler o que o coração diz;
Pois viver na penumbra da indecisão,
É querer ser maré e ser apenas infeliz.⁠

Oração da Vocação que Clama


Senhor Deus,


Tu vês o que ninguém vê.
Há um vazio dentro de mim que não é falta de pessoas,
não é falta de trabalho,
não é falta de sonhos.


É algo mais profundo.


É a sensação de que existe uma vocação que ainda não está sendo cumprida.
Eu não sei explicar.
Se me perguntarem, eu não saberei responder.
Mas Tu sabes.


Porque isso é coisa da alma —
e da alma só Tu entendes.


Se esse chamado vem de Ti, confirma-o no meu coração.
Se esse desejo de servir e anunciar é Teu, fortalece-me.
Arranca de mim o medo que paralisa
e dá-me coragem para obedecer.

"Quero estar ao teu lado...em todos os momentos... preencher o teu vazio...com um puro sentimento.
Te trazer um sorriso...e felicidade de viver...sonhar os teus sonhos...em cada anoitecer.
Te embalar no sereno ofuscante da madrugada...fazer de cada noite...uma eterna caminhada.
Sinto tua ausência...mas tenho esperança...de um dia te conquistar... não somente na lembrança."

Tramas tensas sob o teto claro
Vento vem varrer vago vazio
Rastro curto e ralo
Tecendo em silêncio o nosso fio
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fia trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sol toca as pontas do papel
Céu emaranhado cai
Voo leve sem chapéu
Tudo que é bonito logo sai
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fina trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sem peso nenhum
Sem rastro algum
Seda que some
Muda de nome
Esquece de ser
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio

"Andei pelas ruas tentando não pensar em você
Estava tudo vazio, num domingo, e eu queria tanto te ver
e os minutos nunca passavam das horas.
O tempo parou com sua face soprando na minha alma a sua memória."

No frio, teu abraço
Acalenta o vazio
Da minha alma.
Teu calor
Alegra meu coração.

O tempo, cruel, passou em vão.
Viu a estação mudar, o ponteiro avançar.
Mas o vazio aqui, no meu coração,
recusa-se a sair, a se findar.
​Somos dois mundos, sem a ponte.
Distantes, sim, e o drama é meu.
Vejo o futuro lá no horizonte,
mas ele é igual ao dia que você partiu.
​Nada mudou.
​Na quietude fria da sala,
onde só o silêncio me acompanha,
escutei, em uma onda, uma farra,
o murmúrio da sua voz, tão estranha.
​É o toque final desta melancolia:
saber que a dor tem seu nome, sua morada.
O amor se foi, mas a saudade é magia
que te traz de volta, em cada madrugada.

Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
​Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
​Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
​Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
​O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.