Poemas Vazio

Cerca de 7167 poemas Vazio

Existe um silêncio em mim que não é vazio, é vigilância. Enquanto o corpo cansa e a mente humana busca refúgio no esquecimento, algo mais profundo permanece de pé. Não é uma escolha, é uma natureza. É a presença de quem guarda os portais e registra as intenções antes mesmo que elas se tornem palavras. Habitar essa pele é entender que, embora eu caminhe entre os homens, meus olhos enxergam em planos onde o tempo não faz curva.


DeBrunoParaCarla

Entre estrelas que nascem e morrem
existe um tempo que não se mede…
um vazio cheio
de tudo o que não precisa existir para ser real.

O espaço não é vazio…
é apenas um lugar onde tudo existe
sem precisar ser visto.

A tua falta não é um vazio, Carla; é uma presença constante e pesada. Mesmo quando não estás fisicamente na sala, o eco da tua risada e o rasto do teu perfume ocupam todos os cantos. O meu lado que busca o equilíbrio tenta convencer-me de que a saudade é apenas uma prova de afeto, uma espera mansa. Mas o meu lado mais impaciente não aceita a distância. Para ele, cada minuto longe de ti é um desperdício de existência. Aprendi a viver contigo dentro de mim, transformando a tua ausência num diálogo interno onde continuo a contar-te os meus segredos, esperando o momento em que os meus olhos possam, finalmente, descansar nos teus outra vez.


DeBrunoParaCarla

Palavras para o que a alma guarda.
Nem todo silêncio é vazio.
Alguns só precisam ser ouvidos.
Estamos aqui para ouvir… e dar voz ao que você sente.

Trapézio


No palco vazio da minha memória
um sopro acendeu teu nome no ar
era só ensaio, mas virou história
um tropeço da alma querendo cantar.


Te mandei um áudio, foi quase oração,
palavras nuas, sem máscaras, sem véu,
teu silêncio virou multidão
meu peito virou carrossel.


E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.


Tua resposta foi espelho quebrado,
metade verdade, metade invenção,
um truque barato de ator ensaiado
pra esconder do público a contradição.


Mas eu não sou plateia perdida,
nem boneca esperando aplauso.
Eu sou corda bamba erguida,
sou estrela cadente que risca o espaço.


E eu danço sozinha no circo da vida,
meu coração é trapézio sem rede.
Se não me seguras, não é despedida,
é voo de quem já não teme a queda.


Entre palhaços, luzes e cortinas,
aprendi que a solidão é camarim.
E quem não sabe ler suas próprias linhas
não pode escrever um final em mim.


Hoje desamarro as fitas do destino,
não carrego amarras, nem cordéis.
Se um dia tua alma buscar o caminho,
vai me encontrar voando em outros papéis.

Ao devorar o mundo, com todos os seus tons sutis e amargos,
o vazio permanecia teimoso
no coração daquele que jamais soube beber a vida
como se fosse um vinho quente e doce que alegrara a alma...

"O Silêncio de Não Ser Pai"


Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.


Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.


O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?


Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.


Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.


Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.

⁠entre o ver e o encontrar vem a saudade
olhos emocionados, horizonte vazio.
A vida como desejo e o amor como saudade.

Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim

Cada um oferece o sentimento que tens... Uns amores outros ódio...
Em um caminho de espinho vazio sem nada importante nasce uma florzinha, na qual ofereça a beleza e esperança para quem passa ao local...
Por tanto não se exime, mas compreenda as suas dificuldades para que tu faças honrado pelo que és e não pelo que tens;

O Equívoco do Olhar


Em meu peito reside o desalento,
De um querer que se perde no vazio;
É como o sopro incerto de um momento,
Que traz o fogo e logo após o frio.


Pergunto ao tempo o que o destino traz,
Se este laço é de seda ou de corrente;
Pois busco o porto e a minha própria paz,
Mas sinto o abismo à frente, de repente.


Não sei se é alma que em silêncio chama,
Ou se é o medo de se dar à sorte;
Pois quem muito se entrega, muito inflama,
E faz da dúvida um castelo forte.


Se o amor é mestre de tamanha ciência,
Que me ensine a ler o que o coração diz;
Pois viver na penumbra da indecisão,
É querer ser maré e ser apenas infeliz.⁠

Oração da Vocação que Clama


Senhor Deus,


Tu vês o que ninguém vê.
Há um vazio dentro de mim que não é falta de pessoas,
não é falta de trabalho,
não é falta de sonhos.


É algo mais profundo.


É a sensação de que existe uma vocação que ainda não está sendo cumprida.
Eu não sei explicar.
Se me perguntarem, eu não saberei responder.
Mas Tu sabes.


Porque isso é coisa da alma —
e da alma só Tu entendes.


Se esse chamado vem de Ti, confirma-o no meu coração.
Se esse desejo de servir e anunciar é Teu, fortalece-me.
Arranca de mim o medo que paralisa
e dá-me coragem para obedecer.

Tramas tensas sob o teto claro
Vento vem varrer vago vazio
Rastro curto e ralo
Tecendo em silêncio o nosso fio
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fia trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sol toca as pontas do papel
Céu emaranhado cai
Voo leve sem chapéu
Tudo que é bonito logo sai
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fina trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sem peso nenhum
Sem rastro algum
Seda que some
Muda de nome
Esquece de ser
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio

​O Vazio Suspenso
​De repente, o ar vira chumbo e os pensamentos se tornam avalanche.
Habito a fronteira exata entre o caos e a ausência.
A crise invade sem pedir licença: o peito colapsa, o mundo se complica em segundos e a mente vira vórtice.
É o passado que ressurge, desenterrando memórias sepultadas apenas para me assombrar.
​Para sobreviver ao terror que ninguém vê, quando a pressão interna ameaça me desintegrar, eu fujo para dentro.
Arquitetei uma porta secreta na minha própria cabeça; furei uma fenda no meu consciente.
​Cruzar essa brecha é o meu único refúgio.
Um cômodo de brancura estéril, um espaço de brancura absoluta e vazio suspenso.
Onde não há som, peso, tempo ou julgamento.
Flutuo no nada apenas para não ter que ruir do lado de fora.
Enfim imune à dor da minha própria existência neste terror infinito.


​___ John Rabello de Carvalho


@j.rabello.c_888oficial


#jrabellodecarvalho

Dizem “dar tempo” como se fosse remédio,
mas tempo vazio só deixa o tédio.
Não cura ferida, não cola pedaço,
só cria distância, só aumenta o espaço.


Amor não espera sentado na esquina,
precisa de gesto, de voz que ilumina.
Quem dá só o tempo,
sem se entregar,
vai ver que a vida levou sem voltar.

🎤
Cansei das histórias que inventam do tempo,
fuga disfarçada, vazio por dentro.
Diz que é remédio, que tudo se ajeita,
mas no fim só deixa a ferida perfeita.
Eu vi em pessoas que você testou,
o tal “tempo ao tempo” que nunca curou.
Não falo por eles, só falo por mim,
talvez eu não caiba no teu próprio fim.
Difícil aceitar, mas levo comigo:
pra você eu jamais fui mais do que um desejo.

No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.

Não romantizo a dor,
eu a reconheço.
O que ficou não é vazio,
é resto em estado ativo,
pulso discreto,
vida em continuação.
Eu não preciso entender agora.
Preciso apenas atravessar.

Um homem que grita como se fosse dono do mundo,
mas é só eco vazio em peito profundo.
Grande no corpo, pequeno na alma,
carrega a força, mas não carrega calma.
Veste palavras de Deus como armadura,
mas nunca deixou que elas curassem sua própria fissura.
Usa o sagrado como palco e disfarce,
mas no silêncio é o ódio que ele abraça e reparte.
A verdade dele não é verdade...
é crença inflada pela própria vaidade.
Ele acredita, então impõe.
Ele impõe, então destrói.
Bruto no gesto,
agressivo no tom,
ignorante no modo de existir ...

acha que mandar é construir.
Quem não o conhece pode até acreditar,
mas quem já viu de perto sabe:
por trás da soberba existe medo,
e por trás do medo, um homem pequeno demais para amar.
E no fim, o que se diz não é ameaça, é fato:
sozinho ele volta...
porque ninguém suporta por muito tempo
o peso de um coração fechado e exato.
Ele traz o amargo no nome,
como se já tivesse nascido marcado,
como se o destino tivesse sussurrado:
“serás peso, não abrigo”.
Há homens que aprendem a amar.
Ele aprendeu a dominar.
Confunde respeito com medo,
confunde fé com discurso,
confunde força com excesso.
Ele não conversa... Ele impõe.
Não escuta... Interrompe.
Não sente... Reage.
O amargo não está só no nome,
está na forma de olhar,
no jeito de tocar que não acolhe,
no silêncio que antecede o ataque.
Há algo nele que sempre ameaça voltar...
Não por amor,
não por saudade,
mas por necessidade de controle.
E o mais duro de admitir?
Ele acredita na própria versão.
Se convenceu de que é justo,
de que é certo,
de que o mundo é que o provoca.
Mas quem carrega ódio como combustível
não constrói... Consome.
E no fim…
o amargo que ele espalha
é o mesmo que o corrói por dentro.
Porque ninguém vive em guerra constante
sem se tornar o próprio campo de batalha.