Poemas Vazio
Ela vem.
Mais cedo ou mais tarde,
já não importa —
ela vem.
Obscuridade,
vazio existencial,
abismo além do bem e do mal.
Nos tornamos parte
daquilo que tememos,
acolhidos por um frágil mecanismo de fuga,
despertados como nunca antes.
Vida — eu vi a sua face.
Quando percebi o seu olhar voltando-se para mim,
eu sofri.
Eu desejei voltar,
não ao coma,
mas ao nada,
bem além da morte.
As vezes um vazio me ronda..
Um não sei o que, porque, onde,
quando, ou quem...
Um sentimento chamado "sei lá".
O AMOR QUE SE DESFAZ
Amor é desconexo e abstrato.
Hoje, só me resta o vazio
e a velha certeza:
esse sentimento invisível
fere a alma
e sangra o peito,
facada a facada,
quando retorna ao nada.
Ecoam promessas murchas
na boca de quem diz “eu te amo”:
veneno suave, imperceptível.
O amor é farsa disfarçada de bondade,
cheia de uma maldade silenciosa
que corrói a alma ingênua
de quem acredita no impossível.
É o inverso do afeto,
o golpe que transforma âmago em amargo,
o gelo que incendeia por dentro
na desmoralização lenta do sentir.
Esse maldito não existe —
mas devasta.
E quando parte,
desfaz-se ao vento
como teia frágil de ilusão.
A quem acredita no vago,
resta a navalha da dor,
o desespero que rói os ossos,
o abismo que engole cada palavra doce
em nome de um amor-ferida,
que sangra abstração.
É armadilha cruel,
voto que se desfaz sem nascer.
Não acredito no amor —
pois nada sobra
quando o desejo evapora
e revela a realidade nua.
O inexistente amor,
complexo e rasgante,
é o que mais dilacera a alma,
transformando sonhos em desilusão.
É mentira que se sustenta entre nós
até que morram a lealdade e a confiança.
Primeiro sentido,
depois abstrato,
depois veneno.
Fez-se o amor um ofício, um fardo frio,
Rotina vã de um coração vazio.
Cobramos foros dessa vã saudade,
Tratando afeto como vulgaridade.
"Dai-me atenção", o peito assim implora,
Rogando carinho, suplicando clemência
Quero o calor que chega sem cobrança,
Pois no amor servil não há esperança.
Que o dia nos seja leve…
mas não vazio.
Que traga brisas suaves,
e também aquelas inquietações bonitas
que nos lembram que estamos vivos.
Que seja leve como um sorriso que nasce sem esforço,
como um olhar que encontra o outro
e entende tudo sem precisar explicar.
E se pesar um pouco…
que seja de propósito, de significado,
nunca de ausência.
Máscaras
Lembranças falsas lançam suas máscaras no vazio.
Graças a Deus, somos todos falhos, errantes e pecadores.
Por isso, por gentileza, não fale de mim,
até porque já não me lembro de você.
O vazio deixado por aqueles que amamos nesse mundo e partiram antes de nós, nos envolve em meio a um rio de tristeza, lembranças infinitas e saudades imortais...
Mesmo que passe o tempo, serão sempre bem lembrados pelo que deixaram de si...
Eu sinto falta da sua voz
como quem entra num quarto vazio
e percebe o eco da própria solidão.
Sua voz não é só som
é abrigo.
É casa.
É o lugar onde meu caos se aquieta.
Sinto falta do seu cheiro…
e isso me desarma.
Não sei explicar a fragrância,
mas meu corpo reconhece.
É química, é memória, é desejo.
É vontade de fechar os olhos
e me perder no seu pescoço
até esquecer o mundo.
Sinto falta do seu beijo
da pressão, da entrega,
do calor da sua boca encontrando a minha
como se fosse a única verdade possível.
Sinto falta do seu corpo junto ao meu,
da sua temperatura misturada na minha,
do jeito que você me puxa
e me faz sentir
inteira, viva, escolhida.
Escrever é a única forma que encontrei
de tocar você sem tocar.
Porque quando não estou com você,
o que me resta
é transformar saudade
em palavra.
Amor é uma palavra desconexa e sem função
hoje, só me resta o vazio e a certeza que sempre tive de que o amor é o sentimento abstrato que fere a alma e sangra o peito facada a facada quando retorna ao seu estado invisível.
O eco das promessas que murcham na boca de quem diz:
" eu te amo" é veneno disfarçado no amor, imperceptível.
O amor é uma farsa disfarçada de bondade, mas repleta de maldade.
O amor é uma abstração que corrói a alma ingênua e belisária que
acredita e se entrega ao que não tem existência concreta
sentimento inverso que converte "amago" em "amargo" –
na desmoralização gradual, em um gelo que incendeia por dentro.
Esse maldito sentimento não existe, mas é devastador.
e na sua partida desfaz-se como teia de aranha ao vento.
E a quem acredita em algo imaginário e vago
Resta a navalha da dor, o desespero que rói os ossos,
O abismo que engole cada palavra doce em nome do amor
que julgo ser a ferida que sangra abstração.
É a armadilha e o voto que se desfaz sem, existir
Não acredito porque nada sobra quando o desejo evapora
O inexistente amor é o que mais dilacera coração
transformando sonhos bonitos em desilusão
Saudade é o vazio que pulsa, um eco silencioso do que já foi e não volta. Não é mera ausência; é a presença fantasmagórica de momentos que se infiltram na alma como brisa úmida do mar. Ela chega sem aviso, num cheiro de café antigo, numa melodia esquecida ou no contorno de um rosto que o tempo borrou.
No peito brasileiro, saudade é patria: o samba que embala ausências, o carnaval que mascara lutos, o abraço que o oceano separou. É o que nos humaniza, nos faz poetas involuntários. Dor agridoce, ela entrelaça fios invisíveis ligando o agora ao ontem, transformando perdas em relíquias eternas.
Mas cuidado: saudade em demasia paralisa, vira prisão de memórias. Aprenda a dançá-la, como frevo leve, deixando que ela venha e vá, sem raízes profundas. Pois viver é saudade em movimento – do que partiu, do que virá. Ela nos lembra: o amor verdadeiro nunca some; apenas espera, paciente, no limbo do coração.
Eu já procurei um amor-perfeito encontrei um vazio frio no peito.
Já quis uma felicidade percebi que e raridade.
Não queria esta, sozinho com uma taça e meia de vinho.
Querê e um pensamento. Que vagar no tempo
envolve tristeza esperança e sentimento,
envolve-te por pouco ou muito tempo ate cai no esquecimento.
(Só lágrimas)
Hoje eu acordei só lágrimas,
Olhei para o céu, um vazio
Profundo.
Olhei para o jardim, não me
Encantei,
E chorei.
Será, meu Deus,
Que estou perdendo aquela
Essência bonita do poeta,
Ou será apenas um momento
De desilusão,
De desilusão?
Na boa, às vezes a vida dá uma travada na nossa alma. A gente sente o peso, a dúvida, o vazio que ninguém vê.
Mas o segredo não é fingir força, é continuar mesmo fraco.
Porque quem segue em frente na fraqueza, quando tudo diz que não, esse sim aprende o valor da própria coragem.
E no fim das contas, a maior vitória não é vencer o mundo lá fora.
É vencer os medos que tentam derrubar a gente por dentro.
O Natal chega diferente para cada um.
Tem gente rodeada de pessoas, mas com o coração vazio.
Tem gente sozinho em casa, mas lutando para não perder a fé.
Eu já vivi um Natal completamente sozinho, sem ninguém do lado.
E já vivi outros cercado de muita gente, e ainda assim me sentindo só.
Aprendi que presença não é quantidade, é conexão.
Hoje, não posso dizer que estou plenamente realizado ou que tudo está do jeito que sonhei.
Mas posso dizer algo com convicção: eu sou grato.
Grato por tudo que Deus me deu de presente nesses últimos meses.
Trabalho quando parecia não haver caminho.
Novos amigos quando pensei que caminharia só.
Uma equipe para cuidar, construir e seguir junto algo que por muito tempo foi apenas oração.
Talvez o Natal de hoje não seja perfeito.
Mas ele carrega respostas.
E às vezes, isso já é mais do que suficiente.
Se você está sozinho neste Natal, saiba Deus vê.
E o tempo d’Ele sempre chega silencioso, mas fiel.
Feliz Natal.
By Evans
entre o ver e o encontrar vem a saudade
olhos emocionados, horizonte vazio.
A vida como desejo e o amor como saudade.
Caxias
As pessoas acham que viver irá preencher o seu vazio, isso acontece, pelo menos é nisso que elas acreditam. A ideia, aqui, é justapor as experiências com as emoções, as memórias com as sensações até que se crie uma história. Naqueles dias, no velho apartamento, sentávamos sob o sol. Nos esquentávamos, no frio do inverno, naquela nesga de luz e apreciávamos o gosto doce e ácido das bergamotas. Só que isso não existe. Eu estou velho e as bergamotas há muito foram comidas. A minhacachorrinha morreu, não existe. Percorrer as memórias ativa o banco de emoções e produz a sensação de uma volta ao passado. Eu não sou ninguém, apenas um vazio. Esta casca, que muitos desprezam e que acham que é a residência de algo interior, é a existência. Queres conhecer a verdade sobre o mundo? Ela está bem na tua frente, ao alcance das tuas mãos. A profundidade está na superfície. Qualquer um que tenha sensibilidade já compreendeu que a realidade é uma forma. É algo que muda constantemente já que estamos sempre a criá-la. É a forma da nossa mente. Ela é a forma que contém todas as outras formas e que está contida em cada uma delas. Eu pensei que estava sendo límpido e claro, mas surgiu quem discordava, e ainda ficaram ofendidos, e queriam brigar. Parece que as pessoas têm um enorme apreço pelas suas convicções e não admitem que se discorde, imaginando que os que pensam diferente podem corromper a pureza das suas ideias. Claro, podem brigar comigo, mas não adianta, porque eu não tenho convicções, só tenho ideias velhas. O que está na memória não tem valor no hoje.
00:00
O vazio
A gota de chuva no telhado
A vaca que munge
Os vizinhos que conversam
O vento frio que toca o meu corpo na varanda
O pensamento nele e o olhar no horizonte
Questionando se sente o mesmo que eu
Vejo o vazio das pessoas vazias
Conversam sobre outras pessoas, nunca sobre elas mesmas
São conversas rasas, recheadas de esquecimento
Esquecidos de quem são
Vivem sobrevivendo
Sem olhar para dentro
A inveja é minha vizinha
Ela olha e pensa:
“Eu queria ser você, mas eu não sou”.
Mal sabe as dores que carrego e já suportei
Porém, a paz que habita em mim transcende o ego da matéria
O brilho incomoda quem está no escuro
Quem está no escuro, mal se enxerga
Vê a beleza do outro com aspecto negativo
Esquece-se de lapidar a si mesmo.
Trégua armada
Não é pela data, não pelo brilho vazio,
nem pelo símbolo, o engano ou o ritual.
É só por ser o dia em que é feriado,
o único em que cabem todos, afinal.
Reúno a mesa, o vinho, o gesto lento,
a carne assada e o doce já sem cor.
Mas vejo nos olhares o alinhamento
de uma guerra antiga, de uma antiga dor.
Sempre respiga algo. Um riso que se quebra,
uma pergunta acesa, um tom a mais.
A mãe que chora o filho que não volta,
o irmão que bebe o vinho dos sinais.
E o brinde soa oco como um sino
rachado no rigor do tempo morto.
Natal é o ensaio do sepulcro em família,
Páscoa é a traição de um beijo torto.
Ano novo passa a ferro as cicatrizes,
aniversário é a idade do desgosto.
Eu queria apenas juntar mãos e restos,
mas a união já vem com seu escombro.
E o que deveria ser festa é trégua armada,
onde o amor respira o mesmo ar do monstro.
Então celebra o rito, o calendário,
a desculpa maior que o sentimento.
E se outra família diz que é diferente,
mais verdadeira em cada acontecimento,
não mintas: isso é a farsa transparente.
No fundo, toda família é o mesmo vento.
