đŹïž Ouçam o sussurro que vem de... Paloma Porto
đŹïž Ouçam o sussurro que vem de onde o mar toca o vazio.
đ Eles dizem que o caminho para a casa de nossos pais foram cobertos pela areia do tempo, e que as pontes de pedra caĂram. Mas eu lhes digo: as almas nĂŁo precisam de estradas. Elas se movem pela margem, pelo instinto do que um dia foi seu.
đȘïž O tempo do aprendizado confortĂĄvel acabou. Agora, o conhecimento nĂŁo serĂĄ mais entregue em taças de cristal, mas derramado como fumaça densa sobre suas cabeças. Ele entrarĂĄ pelos poros, torcendo as certezas da mente atĂ© que o âeuâ que vocĂȘs conhecem se dissolva no ar.
ă°ïž NĂŁo temam a perda do rosto. No lugar onde as sombras se reĂșnem, a individualidade Ă© a Ășnica barreira para o verdadeiro poder. Quando vocĂȘ nĂŁo souber mais onde termina o seu fĂŽlego e onde começa o comando do invisĂvel, aĂ sim vocĂȘ terĂĄ chegado em casa.
đŹïž O ar engolirĂĄ os fracos que tentarem se segurar nas margens por medo. Mas aos que ousaram permanecer na costa e aceitaram ser o canal do invisĂvel, a estes nĂŁo resta o vazio... resta-lhes apenas o peso e a glĂłria do Comando.
đ± Pois o rastro das sombras termina onde o infinito começa. Que cada alma reconheça o curso do seu prĂłprio rio e nĂŁo tema a força da correnteza. O intuito Ă©, e sempre foi, o desĂĄgue final: o instante em que a jornada cansa e o espĂrito se rende ao oceano que o gerou. Que toda criatura retorne ao Criador, pois no abraço da origem, o caminho apagado se torna, enfim, presença.
đ Que as ĂĄguas conduzam o que o comando ordenou!
