Rosahyarah Alves

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Entre o abismo e o sopro


Perdi-me em mim, num silêncio que ninguém ouve, num vazio que devora por dentro, numa dor inexplicável que não encontra tradução. Era como se o mundo me chamasse para fora dele, como se uma voz sussurrasse: “deixa ir, solta, termina…”. E eu, sem forças, só queria calar aquela angústia, só queria pular da ponte para escapar da ponte que havia em mim. Mas não era escolha, não era vontade, era um medo escondido, um segredo escuro, uma batalha sem testemunhas. Até hoje carrego essa luta constante: não cair nas armadilhas da vida, não ceder ao convite da desistência, não desejar apagar a própria luz. E quando sorrio, ninguém vê que por trás do riso há uma alma cansada, travando guerras invisíveis. A cada amanhecer, sou sobrevivente de um combate silencioso, uma rosa vermelha perfumada, com espinhos que perfuraram a alma. E ainda que doa, escrevo, choro, respiro… porque a vida insiste em mim, mesmo quando eu não consigo insistir para viver.

Escolhida para Cuidar


Para muitos eu era o ninguém que ninguém via,um rascunho torto perdido na vida. Carregava no peito o peso de ser diferente,e doía ser estrangeira até de mim mesma.


Mas Deus...aaah, Deus!!!! Viu onde ninguém enxergou, tocou onde ninguém ousou tocar, e chamou pelo nome quem o mundo não chamou.


Ele levantou pessoas ao meu redor
como faróis em noite sem lua, mãos que me enxergaram quando eu já duvidava de mim, e Deus soprou meu nome nos ouvidos dessas pessoas para que me escolhessem , mesmo sem me conhecer.


E quando Deus ordenou, tudo se alinhou. O que era fim virou começo,
o que era ferida virou caminho, o que era eu… virou propósito.


Hoje eu ainda curo o que um dia doeu em mim, toco vidas, escuto histórias,
sou voz onde antes havia silêncio.


Porque aos olhos de Deus, aquela que era “ninguém” sempre foi escolhida.

Entre o Barulho e Deus


Pareço igual a todos, mas minha alma sempre soube: sou diferente. Carrego um silêncio pesado, uma mente que grita verdades que não posso dizer.
E foi nesse barulho secreto que Deus me encontrou.Ele ouve o que ninguém ouviu, cura o que ninguém vê e fez da minha diferença o meu chamado.
Por quê?
Porque onde o mundo vê estranheza,
Deus enxerga destino. Porque aquilo que me doeu era exatamente o que Deus usaria para curar outros.
Porque minha voz nasceu para alcançar
quem sofre no silêncio.
Por isso.

Ainda Respiro


Às vezes a dor aperta tanto que nem sei dar nome a ela. E há momentos em que a vida pesa como se meu peito não coubesse mais nada.
Mas então lembro: mesmo no fundo do abismo, há um sopro que insiste, há uma luz que não se apaga, há um Deus que me segura quando eu já não consigo.
E entre o “quero desistir” e o “ainda estou aqui”, existe um milagre silencioso que me segura, me mantem viva: eu respiro e enquanto eu respiro, ainda há caminho.

O Eco dos Que Se Fingem Cheios


Há pessoas que colecionam “amigos”
como quem coleciona vitrines. Abraçam todo mundo, beijam todo mundo, fazem questão de serem vistas em todos os lugares possíveis, como se presença fosse prova de valor.


Perguntam da sua família, do seu trabalho, até da loja onde você comprou a roupa, como se interesse fabricado fosse sinônimo de afeto.


Vivem famintas por rostos, forçando vínculos que parecem naturais, mas que sempre cheiram a mentira; manipulam com facilidade, moldando a própria imagem como quem esculpe uma versão vendável de si.


Mas basta olhar de perto, bem de perto pra enxergar o vazio. Um buraco fundo, frio, incômodo, de quem quer abraçar o mundo inteiro enão sustenta ninguém.


Gente que fala com todos pra não ter que conversar consigo. Gente que sorri demais para quem chega e pra esconder o silencio que dói. Gente que parece cheia, mas se desmonta quando fica só.


No fim, essas pessoas fazem parte de multidões ambulantes com almas desertas: muita festa por fora, nenhum lar por dentro.

Caminhos Diferentes


No silêncio, há voz que canta,
No passo lento, há força que encanta.
O mundo mede o que é igual,
Mas cada caminho tem seu sinal.
Olhos que veem de outra forma,
Mãos que tocam sem norma.
Corpo que fala, mente que dança,
Tudo é vida, tudo é esperança.
Não é fraqueza, não é dor,
É jeito de sentir, é jeito de amor.
Portas se fecham? Abrimos janelas,
Transformamos limites em estrelas.
Cada gesto, cada ser,
Tem seu valor, tem seu poder.
E no abraço da diferença,
Nasce a mais pura excelência.

Portas Invisíveis


Existem portas que não se veem, mas nos barram o caminho.
São muros feitos de olhares, de palavras que pesam mais que ferro.


Dizem o que podemos ser, julgam o jeito de andar, de falar, de sonhar. Erguem limites invisíveis, onde só deveria haver espaço para crescer.


Mas cada gesto de empatia, cada mão estendida, cada escuta sincera, rasga o véu das atitudes fechadas, e deixa entrar a luz da compreensão.


Não é a diferença que nos separa, éo preconceito que nos prende.Quebremos as barreiras atitudinais, para que todos possam caminhar livres.

Olhos de Universo


Cada corpo tem seu jeito, cada mente, seu universo secreto. Não há linha reta, não há molde, há caminhos que brilham sem alarde.
O que alguns chamam de limitação, é só a porta para outra percepção. Osom, o toque, o gesto, o olhar, todos têm formas de amar.
Não é sobre o que falta, mas sobre o que transborda, a coragem, a força, a vida que em cada ser se mostra.
Respeito não é favor, éreconhecer que cada pessoa tem direito de ser, de existir, de voar, de sonhar.

A força que não se vê.



No silêncio de quem não grita, reside a voz mais alta que se escuta.
No passo que o mundo acha lento, bate um coração que é movimento.


Não há limite onde há coragem, nem barreira que contenha a passagem.
O mundo mede pelo que enxerga, mas a vida floresce na diferença que se guarda.


Mãos que desenham o invisível, olhos que leem o indizível, corpos que reinventam o espaço, almas que escrevem seu próprio compasso.


Não é sobre compaixão, ésobre respeito em ação.
Cada pessoa é universo inteiro, cada deficiência, um novo roteiro.


E quem ousa olhar além da aparência, descobre que a verdadeira força não está no que o corpo faz, mas no que o coração alcança.

Olhos de Girassol


Dizem que meus olhos se arregalam, que minha mente sempre se preocupa,
Mas poucos veem o sol que guarda, a luz que em silêncio se descobre.
Meus olhos são girassóis que buscam a luz, que seguem o dia. Não há medo, há cuidado profundo, há coração atento, há poesia.
E se eu me volto para o mundo, épara sentir, para cuidar, para ver.
Não é fraqueza, não é inquietude, é vida que floresce, ésol que queima barreiras e revela minha verdade.
Olhos arregalados, coração atento: vejo o mundo em cores que ninguém mais percebe.

Calçadas ao mundo.
Andamos sobre concreto, mas muitas vezes tropeçamos na própria indiferença. Calçadas que deveriam ser caminhos, setornam muros que se erguem sem aviso.
O cadeirante encontra barreiras, o cego tropeça no invisível, o idoso sente o peso do mundo que outros ergueram sem perceber.
Não é só pedra ou cimento, éfalta de olhar, de cuidado, de consciência.
O ego sobe alto, enquanto a empatia fica no chão.
Cada passo é responsabilidade, cada gesto é construção. Não fique esperando só pela prefeitura da sua cidade. Seja você a pessoa que fará a diferença, será que você vai esperar
Seu filho, sua mãe ou alguém que você ama sofrer para fazer a calçada acessível?

Um dia morri antes de morrer.
Não foi no corpo, foi no silêncio que me engoliu, foi quando o mundo pesou demais e eu deixei de caber dentro de mim.
Morri quando calaram minha voz, quando a vida me pediu mais força do que eu tinha, e eu me vi pequena, espremida entre o que senti e o que ninguém quis enxergar.
Morri quando esperaram que eu sorrisse enquanto meu peito gritava, quando o cansaço virou casa, e a espera virou esquina onde meus sonhos sentavam para descansar.
Um dia morri antes de morrer, e ninguém percebeu.
Porque a morte mais cruel é aquela que acontece em silêncio, por dentro, bem antes de qualquer adeus.
Mas também renasci. No instante em que recolhi meus pedaços, no momento em que decidi me mover mesmo ferida, mesmo frágil, mesmo sem aplausos.
Renasci quando entendi que sobreviver já é coragem, que respirar depois de uma dor profunda é milagre diário, e que viver, às vezes, é voltar do fundo trazendo luz.
Um dia morri antes de morrer, e foi justamente ali que descobri quem eu era: não a queda,mas a força que me levantou.

Conhecer diferentes teorias não significa acumular conceitos, mas ampliar o olhar para compreender que cada sujeito aprende de maneira única. É nessa diversidade de saberes que a Psicopedagogia encontra sua maior riqueza.

A Psicopedagogia se fortalece quando integra diferentes conhecimentos para compreender o sujeito em sua totalidade e promover aprendizagens significativas.

Nada sobre nós , sem nós.
Não fale por mim... Antes, pergunte quem eu sou. Não escolha o meu caminho sem saber para onde quero ir. Não diga que conhece meus limites se nunca parou para me ouvir.
Eu não sou a minha deficiência. Não sou o diagnóstico sobre a mesa, nem o laudo guardado em uma gaveta, nem a palavra que alguém usa para definir a minha existência. Eu sou uma história. Sou desejos, sonhos e possibilidades.
Tenho uma voz, mesmo quando não consigo falar como você espera. Tenho escolhas, mesmo quando preciso de apoio para realizá-las. Tenho sentimentos, mesmo quando você não consegue compreendê-los.
E quando você faz tudo por mim, sem sequer me perguntar, talvez pense que está cuidando... Mas pode estar me ensinando que a minha vontade não importa. Quando você decide por mim, quem está sendo protegido? Quando você fala em meu lugar, quem está sendo respeitado?
Eu não quero que você me veja com pena. Quero que me veja com dignidade. Não quero uma escola que apenas permita a minha presença. Quero uma escola que reconheça que eu também pertenço, que minha opinião transforma, que minha presença ensina e que minha participação importa.
À família, eu peço: não tenham medo das minhas possibilidades. Acreditem em mim, mas não me obriguem a ser aquilo que vocês imaginaram. Aos professores, eu peço: não planejem apenas para mim. Planejem comigo. Perguntem o que preciso, o que desejo, como aprendo e como posso participar. Aos meus colegas, eu peço: não me convidem apenas por obrigação. Enxerguem em mim um amigo, um companheiro, alguém que também quer rir, brincar, aprender e fazer parte das histórias.
E a você, que trabalha pela inclusão, eu peço que nunca se esqueça: nenhuma decisão sobre a minha vida deve acontecer sem a minha voz. Porque inclusão não é abrir uma porta e esperar que eu agradeça por entrar, iclusão é perguntar se a porta está acessível; é ouvir o que penso; é respeitar o que escolho; é caminhar ao meu lado sem tomar o meu lugar.
Talvez um dia você perceba que a maior barreira nunca esteve na cadeira de rodas, na muleta, no meu corpo, na minha comunicação, no aparelho auditivo que uso ou na minha maneira de aprender. Talvez essa barreira esteja no olhar de quem não acreditou, na palavra de quem me diminuiu, na decisão de quem nunca me consultou.
E quando esse dia chegar, não chore apenas por aquilo que eu enfrentei; chore pelo tempo em que poderíamos ter construído juntos e você escolheu decidir sozinho. Depois, enxugue as lágrimas. Mude a atitude. Abra espaço. Escute.
Porque eu não preciso que você seja a minha voz, preciso que você ajude a garantir que a minha voz seja ouvida. E se algum dia perguntarem o que significa inclusão, não responda apenas com palavras bonitas, mostre uma escola onde ninguém seja invisível; uma família que respeite escolhas, um professor que acredite nas possibilidades, uma sociedade que não fale sobre nós sem primeiro ouvir a nós.


Porque nós não somos apenas aqueles que precisam ser incluídos, nós somos parte da construção, nós somos presença, nós somos potência, nós somos sujeitos da nossa própria história.


E enquanto houver alguém decidindo por nós, sem nos ouvir... que a nossa voz continue dizendo: NADA SOBRE NÓS SEM NÓS. ❤️