Poemas sobre Ruas
Veja as guerras das gangues de ruas, sempre vão chegar até mim
Mas eu não quero estar pra baixo com essa situação cara
Mas eu estou aqui, se eu tivesse alguma coisa melhor pra fazer o faria
Se não fosse pela minha música
me diga onde eu estaria provavelmente
estaria nas ruas vendendo pedras de crack
correndo na rua deles, correndo na rua deles
Ainda que o mundo em dissesse meu fim
eu andaria pelas ruas mesmas
de todos os dias, a esmo e entre
ruas e calçadas, tão suas
me diz o porquê tudo converge em você,
e meus pensamentos se moldam em tua face
roldando o mundo nesse turbilhão de frases
confusas, — no fim o difuso, eu tropeço obtuso
nós pés de um homem sentado na calçada
me olhando feio, sujo, ele sujo, feio
eu sujo, feio; feio e sujo — eu fujo
DOMINGOS
Ruas deitadas sobre o chão dos domingos
descançam do pisotear das multidões
que no atravessar corrido das esquinas
são indiferentes aos seus sentimentos
Nas sombras do tempo, ele caminhava solitário pelas ruas de memórias desbotadas. Seu coração, um mausoléu de amor, guardava o fogo sagrado por ela. Ela, a musa imortal de seus sonhos, vivia na penumbra de sua ausência, uma presença tão vazia quanto as ruínas de um templo esquecido.
Anos haviam se passado desde que suas vozes se entrelaçaram em canções de promessas e suspiros. Anos desde que seus olhares se perderam nos labirintos da alma um do outro. Mas para ele, o tempo era apenas uma cortina fina entre o que foi e o que poderia ser.
Ela era como a névoa da manhã, presente, mas intangível. Ignorava-o como se ele fosse uma sombra indesejada em seu horizonte. Seu silêncio era uma sentença, sua indiferença, uma espada que dilacerava sua alma a cada dia.
Mas mesmo na morte ficta de sua conexão, ele persistia, seu coração como um farol na escuridão, esperando por um vislumbre da chama que um dia ardeu tão intensamente entre eles. Ele a amava além das palavras, além do tempo, além da própria morte.
Em seu amor, ele encontrava uma imortalidade que transcende os limites do mundo físico. Seu amor era uma epopeia, uma saga de esperança contra toda a lógica, contra toda a razão.
E assim, nas brumas do esquecimento, ele continuava a tecer os fios do seu amor, esperando pelo dia em que a morte ficta que os separava se dissolveria, e eles se encontrariam mais uma vez nos braços do destino, onde o tempo não teria poder sobre o eterno laço que os unia.
O Rei de Outro Planeta
Num mundo cinza de ruas sem cor,
Vivia um homem sem brilho, sem flor.
Sem ouro, sem trono, sem lar, sem pão,
Vagava sozinho na escuridão.
Mas eis que um dia, no céu a brilhar,
Uma luz estranha veio o buscar.
Um portal se abriu no véu do além,
E sugou seu corpo por entre o além.
Acordou perdido em terra estranha,
Sob um céu de fogo e lua castanha.
Criaturas de pele azul e olhar sagaz
O cercaram, atentos, sem gesto voraz.
"Quem és tu, forasteiro sem nome?"
Perguntaram com vozes de eco e fome.
"Sou apenas um homem sem sorte,
Que outrora vagava à mercê da morte."
Deram-lhe abrigo, deram-lhe voz,
Ouviram suas lutas, sentiram-lhe a foz.
Mas um mal sombrio assolava a terra,
Um tirano cruel, senhor da guerra.
Com astúcia e força, ergueu-se o pobre,
Ensinou estratagemas aos guerreiros nobres.
Lutou com coragem, sem medo ou recuo,
Até ver o déspota cair ao seu júbilo.
Eis que o povo, com olhos brilhantes,
Ergueu-lhe um trono de pedra radiante.
O homem sem nada, sem lar e sem sorte,
Tornou-se o rei de um mundo mais forte.
Assim, num planeta distante e altivo,
Um pobre terrestre tornou-se cativo
Não mais da dor, da fome e da perda,
Mas de um destino de glória e lenda.
Há um engarrafamento em minha cabeça.
Não de carros — desses já me cansei nas ruas —
mas de pensamentos.
Ideias que bateram uma na outra como caminhões desgovernados.
Palavras estilhaçadas. Conceitos esmagados.
E eu, no meio,
como um pedestre distraído que atravessou fora da faixa da lógica.
Meu psicológico está acidentado.
Não é figura de linguagem, não!
É um fato clínico — e ninguém sinalizou o caos.
E tudo continua fluindo lá fora —
gente indo, vindo, vivendo!
E eu? Eu estou aqui, preso entre as ferragens,
num cruzamento sem sinal,
onde todos os caminhos levam ao mesmo lugar:
nenhum.
Eu te vejo nas ruas,
mas te trato como um estranho
O que é que nos separou,
se o nosso amor era tamanho?
Será que foi o orgulho ou só a dor que nos calou?
Eu ainda guardo as lembranças, mas você já se foi...
Olhares
Chove... e chove torrencialmente.
As ruas estão atravancadas de carros
As calçadas, de pessoas...
Guarda-chuvas coloridos
colorem tudo em todo e qualquer sentido.
Ouço uma sirene
Coração acelera.
Na boca um gosto de fel.
O barulho da cidade grande é ensurdecedor.
Ainda sinto dor...
Olho atentamente para os rostos que passam por mim...
Ninguém fixa os olhos em mim.
Zumbis?
Busquei por olhares que demonstrassem compreensão, comprometimento... compaixão.
Não vi nenhum...
Sussurro teu nome... como um lamento.
No teu olhar eu encontraria
Tudo o de que precisasse... lá com certeza estaria.
Na bruma perdida da madrugada
falo com a boca de poucas palavras.
As ruas estreitas,
as frases mal feitas
um radio a encher o vazio de som
e o frio soprando além da janela
o céu com límpidos pontos de luz e a lua prateando telhados
de prédios velhos e condenados
na antiga parte da cidade da Bahia
O odor das ruas
atiça meu olfato
lembra de um tempo
tão longe
porém me é familiar
O cais,o porto
as naus afundadas
cobertas, escondidas
sob as águas
jazem em sussuros
ecos de um passado glorioso
Dia tempestuoso
que as arrastou para o fundo
este mundo que a noite descortina
e se faz adormecer
nas retinas dos meus olhos
31/07/95
Lord -
Nossos olhos se cruzaram
pelas ruas do Chiado em horas de temor
e em nossos Corações
logo soçobrou a expectativa d'um Amor!
Foi entre gentios que o nosso encontro
brotou! ... e ficamos a sós!
Alvo, esguio, sereno,
trazia charme nas mãos!
- um Lord -
Vivia nas recepções da embaixada
entre a Corte e a Diplomacia
mas era uma Alma atormentada,
quando só, tão só, se revia!
Culto, fino, bem-talhado,
mas só, tão só, se sentia! Dizia!
Mas quem acreditaria,
ante aquele encanto,
que o Cônsul do Consulado
vive-se num pranto
sem Amar nem ser amado?!
Depois de horas de Mistério,
olhares, ternuras e abraços,
num imenso desidério,
o Cônsul do Consulado,
saiu à pressa, muito sério ...
"- Até breve! Em breve regresso …"
Telefonou!
" -Perdão, mas tenho que voltar
àquele que me deixou!
Tenho que tentar ...
Teria sido para Nós um bom começo!
Adeus ..."
E não voltou!
Era o que temia!
Alguém a quem amava
mas que junto a mim não existia!
Tudo desfeito! Conta errada!
Eu de novo sem expectativa,
ele de volta à Embaixada!
De Mim -
Saio à noite pelas ruas da cidade,
imerso em tristeza, mil horas de solidão!
Ai minha curta mocidade,
já sem orgulho ou ilusão ...
Ausente, alguém me vem à Alma,
e meu triste coração, pensa sempre e sempre em vão,
nesse Amor que grita, clama,
pelas ruas da cidade, pisando folhas pelo chão ...
E o vento chega sem perdão,
deixa sempre um lastro,
gelando o corpo e a solidão ...
Este Outono não tem fim,
já não passa outro Astro,
o que virá a ser de Mim?!...
Évora Morta -
Évora morta curvada à solidão,
ruas tristes, tristes ermos, calçadas e janelas
que na dolência, ao passar, ansiando por perdão,
gemem pelas horas a desgraça das vielas …
Évora morta deleitada à solidão
terra seca de melancolia
que o tempo leva pela mão,
na brancura, dia-a-dia …
Évora morta num silêncio que vigia,
num espasmo de quimera
numa noite que inicia … e quase desespera!
Mas quando manhã alta o Sol desponta,
Évora desperta, Évora amanhece,
para logo anoitecer, e voltar a ser, Évora morta!
Pelas ruas!...
""" Brasileiríssimas e assustadoras multidões!
Empacadas pelaí...
Enquanto absolutamente improdutivas
Mas fedendo à mordomias e direitos...
...O mais das vezes malandramente adquiridos.
Desses tantos, quantos admiráveis indivíduos...
- Ainda moralmente eretos, ativos e confiantes! -
Poderiam seguir exalando aqueles saudosamente "antiquados"
Mas civicamente saudáveis, agradáveis, estimulantes
E exemplares aromas...
...Dos próprios deveres cumpridos?!? """
#ArmenizMüller.
...Oarrazoadorpoético.
O que há
Em todas as ruas há alguém em prantos,
não há o sorriso puro, apenas dor
Nas esquinas das ruas há aqueles que vendem sonhos
Não aqueles que pode-se almejar ou até se quer tê-los em segredo, mesmo que guardados ou escondidos, pois estes sonhos não são meus
O que há nestas pessoas que dizem sempre "como antigamente"
O que não há na atualidade
Há nada porque o ontem já passou e o que pendura é o hoje
O mesmo rio que nasce em sua fonte não sera mais o mesmo onde deságua...
Se ontem te respeitava e hoje anda pelas ruas falando mal de ti com os amigos, não precisas te assustar esse é o comportamento de bugigangas. Mesmo fazendo o bem, sempre te rebaixam.
Daniel Perato Furucuto
MINHA TERRA
Minha cidade, um cromo mineiro
Ruas largas, a Matriz, árido chão
Maritacas na praça, povo faceiro
Pasmaceira, tudo calmo, ramerrão
Curicacão em bando no ar, ligeiro
Os sonhos além duma porteira, vão
O tempo no seu tempo corriqueiro
E o passado descascado no casarão
No alto da planície, cerrado e serra
Araguari, das Gerais, a minha terra
Altaneira, hospitaleira, bela cidade
Cada canto um encanto de sensação
Do meu peito canta numa só emoção
Já ida a mocidade, aboio de saudade!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 dezembro, 2021 – Araguari, MG
Ruas de Limeira
Sem dúvidas
Apenas
Mais um
Fruto
De
Seu tempo
Esvaindo
Exaurindo
Gradativa
Mente
Inexorável
Mente
Inevitável
Mente
O vazio
De sua
Inútil
Idade
O sorriso atravessa as ruas e estampa-se na história do tempo.
As vezes, desmancha-se pelo rosto e ilumina o dia.
Outras vezes, escorrega pelo canto da boca, tímido, anunciando a descoberta do amor.
O sorriso muda o mundo.
Valnia Véras
