Poemas sobre a Morte
"Que a chuva traga alívio imediato"
A morte é bem mais leve para os que têm fé num reencontro, para os outros, cuja racionalidade não lhes permite tal consolo, resta o refúgio da razão, onde os momentos vividos devem ser mantidos no melhor lugar da mente, sob pena de dores no âmago, pois para estes a eternidade é agora.
Do pó tu viestes, seu nascimento ocorreu aqui, do pó retornaras, sua morte aconteceu aqui.
quando você vem ao mundo, terás que aproveitar o máximo de tempo possível quando estiver presente aqui de forma física, mas quando chegares a hora e você estiveres na ponta do fim, lembre-se do que você fez, e relembre, não há volta para o que já aconteceu.
... E tudo isso parece tão PEQUENO diante do “Não!” que a Senhora Morte sussurra, quando minha Alma grita “Sim!”.
É ela que há de me ensinar a diferença entre a acolhida e a despedida, entre aquilo que “possuo” e aquilo que sou - desse aprendizado, depende a felicidade ou a dor que hão de conduzir minha mão, enquanto escrevo minha história.
A Senhora Morte tudo pode sobre aquilo que “possuo”, e nada pode sobre aquilo que sou. Talvez porque só na minha imaginação, as coisas e pessoas são minhas; talvez porque minha real natureza pertença à dimensão da Vida que sussurra “Não!”, quando a Senhora Morte grita “Sim!”
A Vida Chega Tarde -
A vida chega tarde
quando breve vem a morte
e sem fazer alarde
vem num golpe de má-sorte!
Entre a vida e a morte
quem escolhe nunca pensa
estar vivo é ter sorte
porque aos mortos só lamenta!
Quando vi no teu regaço
amortalhada, sem esperança,
tanta mágoa, só cansaço,
morreu em mim a confiança!
E em silêncio fui embora
dei à morte a minha vida
e num segundo se fez hora
de partir sem despedida!
Glória, Poder e Guerra -
É breve a glória deste mundo
chega com o Tempo, vai-se com a morte,
chega d'um silêncio tão profundo
como os braços negros da má-sorte!
E o porquê de tão vis separações?!
Credos e raças que se odeiam,
homens que se aglutinam, destroem corações!
Porque não se tocam nem se amam?
E é tão breve o tempo - passageiro ...
A vida passa p'ra quem vai chegando ...
Tanta guerra no mundo inteiro
e tanta gente que apenas vai passando!
Se tu fosses a morte, eu me despreenderia da vida para ir encontrar-te
E por trás de todos os seus mistérios, poder amar-te
'Se tu fosses um porto e eu um barquinho, sobre esse mar de ondas eu podia remar, na aventura de amar e procurar me aportar
Longe de ti, me sinto como um peixe fora do mar
Sem ti, sou como uma noite sem estrelas, nem luar.
Sou como um poeta sem nenhuma alma para encantar.
Na Rota do Vazio -
Trago num pensar feito de nadas
memórias que um dia serão morte
não lamento se as horas estão contadas
não sinto do meu corpo as passadas
passam breves, não é que isso me importe
afinal, minhas asas estão quebradas!
Já não tenho as asas que antes tive
no meu dorso as sinto consumindo
regresso a cada sitio onde estive
àqueles onde a morte fui vestindo
nada lá encontro, nada vive
tudo a cada dia vai fugindo!
Já não tenho esse regaço onde dormi
já não sinto o teu olhar profundo
já não sei daquela vida que vivi
daqueles versos que outrora te escrevi
da vontade de ser dono do mundo
quando afinal vivia só p'ra ti!
A morte não é sorte
A morte é destino
A morte é fim ou será um novo caminho.
A vida eterna
A música que atravessa o tempo
O artista e sua obra
A vida que nos deixa
A morte tem sua hora.
Que não seja em breve
Que não seja agora.
Ontem -
Ontem a Morte que parecia só miragem
é hoje um campo de papoulas carmesim
é os passos de um romeiro em viagem
nos últimos dias que o encaminham para o fim.
Ontem a tristeza que parecia não ser nada
é hoje a roupa que carrego sobre o corpo
do silêncio que fica nas paredes desta casa
ou dos olhos que se fecham no teu rosto.
Ontem a vida que parecia tão real
é hoje um acto de vazio e contrição
é um eco de amargura, um eterno vendaval
porque o Ontem, afinal, já não volta à nossa mão.
Morte eis o milagre da vida!
Arrasta egos, antropomorfisa crenças e desidentifica-nos de orgulhos, purifica, e nos torna imaculados.
Uma vez percebido quem somos nos!
A Morte -
A morte é um campo de alfazema e alecrim,
um canteiro d'açucenas, rosas brancas,
traz um cheiro de malvasia e jasmim,
pairando triste de amargura, sobre as campas!
A morte é um anjo que esvoaça pelos Céus,
é um lírio, é um grito de vingança,
é a porta que nos leva um dia a Deus,
o silencio d'um adulto ou um choro de criança!
A morte é o claustro denso d'um convento,
a tela d'um pintor, pintada ou em branco,
o espaço que viaja, cada átomo do tempo,
é a pauta que se lê e dá suporte ao canto!
A morte é apenas o silencio da passagem,
destino que nos espera, ali, mais adiante,
todos a seu tempo, não é miragem,
verdade que nos despe, mais perto ou mais distante!
Um dia quando a morte chegar
Espero ter deixado saudades
Tanto aos meus amigos
Como aos meus inimigos
De quem eu fui nesta vida
Deste caminho da imortalidade.
A saudade mata
Já a morte é certa
Mas morria mil vezes
Para voltar a fazer
O que eu mais amo
Fazer poesia a dançar
As pessoas insistem em tentar ter o controle de tudo, elas mantém esse pensamento até sua morte, não deixam isso de lado até morrerem.
Sua carne definha, sua voz esvanece e só então veem que nunca estiveram no controle, e almejando ainda o controle, matam a si e aos outros,
sacrificando a tudo quanto amou, para que o que eles querem se realize.
Qual é o valor do dinheiro se após a morte não se pode comprar a vida?
A vida nos é concedida e tem o tempo determinado não definido pelo homem.
Viva, de abraços, ame seja feliz.
Viver é um bem precioso!
Não permita que nada e ninguém atrapalhe a sua vida.
Sonhar é não realizar, a realização é o ato final de matar os sonhos. A morte existe como fim, fim da vida, fim de um universo, fim dos sonhos, mas, contudo é preciso realizar.
Realizar, mesmo sendo um ato vil, abre margem para novos sonhos, é cíclico, é natural. Ter medo da morte me impede de viver, viver é consequência de sonhar.
Jaz aqui meus sonhos, nasce aqui minha vida. Eu escolho ser um sujeito de ação Pessoa...
A VISITA DA MORTE
Às vezes a morte grita nos meus ouvidos, por sorte, já não me assusto mais. Tornou-se comum para mim, gritar, buscando ofuscar o grito do fim. A morte não tem feição! Aparece sempre quando estou sozinho, me oferecendo seu abraço em meio a carência, e por mais doloroso que seja recusar, nunca o aceitei. Vivo nessa torre como Rapunzel, esperando que pelos meus cabelos alguém me salve; a verdade é que há anos aguardo esse momento, mas é difícil encontrar alguém! Eles nunca pensam que quem está em cima precisa de ajuda para descer.
Fui assassinada incontáveis vezes, vivencio um lupim de renascimento e morte.
Cada vida vivida intensamente e morta pela mesma boca que prometeu a vida.
Regada pelo próprio sangue, vingada pelas próprias cicatrizes e vindo com uma nova alma, mas, com o mesmo objetivo de ainda encontrar o amor.
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