Poemas Nordestinos
NO SERTÃO.
Fui morar lá na cidade
onde tem outra cultura
um apelido sem maldade
dizem que é palavra dura
do sertão tenho saudade
por lá tem dificuldade
mas não tem essa frescura.
O SERTANEJO.
Salve o povo do sertão
gente de simplicidade
onde um aperto de mão
representa uma amizade
cada amigo é um irmão
e pode até faltar o pão
mas não falta honestidade.
NORDESTE.
Aqui na nossa região
de azul o céu se veste
passe as férias no sertão
no litoral ou no agreste
e descubra a razão
de não ter nessa nação
lugar melhor que o nordeste.
A VOLTA.
Sem chuva e a coisa feia
no sertão tudo arrasado
fui viver em terra alheia
passei fome fui negado
por aqui ninguém proseia
mas eu fiz um pé de meia
pra voltar pro meu roçado.
SAUDADE TEU CORAÇÃO - João Nunes Ventura
Saudade a lua brilha lá no sertão
Saudade do teu olhar teu coração
Saudade que vem me atormentar,
A saudade o vento traz por um fio
Saudade das águas mansas no rio
Saudade que não me deixa sonhar.
SERTÃO.
Meu sertão tão castigado
pela chuva que não vem
sem alimento pro gado
e a colheita que não tem
vem presente, sai passado
que desde o plano cruzado
aqui não chega um vintém.
No sertão!
Aqui eu tenho felicidade
nos arvoredos do sertão
a comida é de qualidade
e faz gosto a educação
aqui não tem ansiedade
só paz e tranquilidade
e muito amor no coração.
Guibson Medeiros.
FEITO DE GADO
O que é feito d'aquele gado
tocado, lá no alto do sertão
piola, boiadeiro bravo
berrante tocando fado
estralo na palma da mão.
O gado que passou porteira
ploc-ploc, pelo chão...
Cruzou rios com piranhas
alvoroçou grandes façanhas
... Poeira amor e paixão.
O que é feito d'aquele gado
do sol quente pirambeira
lua fria escuridão...
Que passou pelos quatro ventos
curandeiros e seus ungüentos,
coloral pimenta açafrão.
O que é feito d'aquele gado
e do pasto secando no campo
d'aquele ar tísico no tempo
da distancia ao sentimento
das lagrimas enxugando encanto.
D'uma saudade adoidada
vivendo os sonhos do amar
d'aquela flor na estrada
do amor por quase nada
chorando além do mar.
O que é feito d'aquele gado
que passou pela corrente
do rio cheio de peixe
do rastos da estrela cadente...
do sangue brotando n'água
da fogueira conto de fada
da chuva nascendo semente.
O que é feito d'aquele gado
do sol escaldante do dia...
Da sombra d'aquele oitão!
Do segredo e da paixão,
que sentiu dona Maria...
O que é feito d'aquele gado
que embarcou nas quatro rodas
deixou p'ra traz, ribeirão...
Campo, bosque e a grande grota
deixou lá no rancho o seu João
vivendo a vida que gosta.
Esse orgulho eu carrego
porque me faz muito bem
pelo sertão que trafego
um pouco de tudo tem
sou nordestino e não nego
a minha origem a ninguém
SONETO DA PARTIDA
Ao despedir do cerrado, central sertão
na noite, eu deixarei a luz da lua acesa
a minha admiração posta, fica na mesa
e as lembranças largadas no árido chão
Os cuidados, ao pai, deixo minha certeza
que o bem é mais, mais que a ingratidão
que a vida com amor é repleta de razão
e que o sono só descansa com nobreza
Talvez sinta falta ou talvez só indagação
o que importa foi a história com clareza
e paz que carrego no adeus com emoção
E nesta canção de laço e fé no coração
a esperança na bagagem, única riqueza
se parto, também, fica a minha gratidão
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, maio
Cerrado goiano
Vida no sertão!
Viver no sertão não tem
estresse nem ansiedade
aqui todos vivem bem
com vida de qualidade
e a chuva quando vem
a terra vira um harém
que não se vê na cidade.
Filhos do sertão!
Pra você que é patrono
que comanda esse país
desça já desse seu trono
e escute o que o povo diz
desperte desse seu sono
que não é no abandono
que o sertão vai ser feliz.
Meu sertão
Quando no sertão cai a chuva rega as plantações
Quem cedo madruga colhe emoções
Na varanda tomo um café e fumo um cigarro
Enquanto observo a brisa embaçar os vidros do meu carro
Escuto o canto dos pássaros no pé de goiabeira, e as cigarras melodicas no pé de serigueira
Quando no sertão chega a seca racha os solos e seca as águas
E as enxadas ja não cultivam mãos calejadas
Na varanda, descontente substituí os cafés por aguardente
E a brisa fresca pelo sol quente
No pasto seco vejo as vacas magras
E no terreiro urubus famintos devoram uma carcaça de cabra
Quando no sertão cai a chuva rega a emoção
Quem cedo madruga colhe a plantação
Tranquilidade!
Vivo em paz no meu sertão
com o suor do meu batente
colho o trigo e faço o pão
com o milagre da semente
de que adianta uma mansão
em cada conta um milhão
mas a cabeça dormir quente.
Rumo!
Sinto o clima sem mudança
o chão rachado no sertão
o sertanejo faz andança
sem rumo e sem direção
e pela seca que avança
só as águas da esperança
ainda irrigam o coração.
ÁGUAS DO MEU SERTÃO
As doces águas do meu sertão
Tocadas qual boi na invernada
Lentamente se fazendo represada
Tornando em mar o ribeirão.
As águas doces do meu sertão
Revolvidas manipuladas pelo homem
Mata vida gera vida mata a fome
Produz luz pondo fim à escuridão.
Quantas vidas duramente massacradas
Fauna e flora simplesmente desgraçadas
Por um justo vil conforto social?
Desbravamos céus, terra e mar
Manipulamos águas, vales, serras e ar
Sustentando nosso sonho capital!
CANTAROLANDO O SERTÃO
E essa minha canção
tem cheiro de terra molhada
atravessando a estrada
no meio do mato verde.
É uma cantiga faceira
que traz lembrança estradeira
e na fonte de água docinha
eu vou matar a minha sede.
Cantando eu sigo os caminhos
canta o galo e os passarinhos
a chuva que molha essa terra
e a semente que vou plantar.
A vida aqui no sertão
que alegra o meu coração
e a lua da cor de prata
me convida a enamorar.
E quando é de tardezinha
com aquela beleza todinha
as cores lá no poente
presente no mesmo prazer.
Mas quando chega o dia
o sol é quem irradia
seu brilho e a sua luz
que a natureza quer viver.
No sertão urbano
mais uma criança chora
de fome,
que já perdura
por uma semana.
A sociedade
segue indiferente.
Silêncio das
horas mais
agudas da noite.
A desigualdade
faz vítimas inocentes.
A periferia
alimenta
rostos sem formas,
gentes sem nome.
Mas outras crianças,
gulosas e
inconscientes
se empanturram
descontraidamente.
A alegria
burguesa
contrasta
com a tristeza
dos olhos cinzentos
e das bocas sem vozes
da vizinhança.
O choro desperta
o condomínio.
Nasceu mais um João
que ninguém esperava.
Mais um no meio
dessa multidão,
que calada,
ordinariamente
vive.
Mais um
sem esperança.
Morena do sertão
Morena charmosa
Morena teimosa
Morena linda e maravilhosa
Morena amorosa
Morena cheirosa
Morena que mora no sertão
Morena que vive no meu coração.
