Poemas Góticos
Silêncio!!
Existem determinados momentos na vida, que apenas um olhar, responde tdas as perguntas.
As palavras são desnecessárias. !!
Simone Vercosa
Às vezes,
precisamos nos tornar
uma biblioteca —
um lugar
de silêncio profundo,
consciência
e sabedoria.
O Mar de Dentro
O peito às vezes pesa, o horizonte estremece,
E no silêncio da noite, a angústia aparece.
Vem com passos discretos a tal melancolia,
E esconde, por instantes, a luz que antes guiava o dia.
Mas nenhuma nuvem é eterna no céu do coração,
Sempre há espaço para o abraço da superação.
Se a tristeza hoje insiste em ser visita ou maré,
Amanhã o chão se firma na força da minha fé.
Renasce nos pequenos gestos a pura alegria,
Que brota como semente, sem ter hora nem dia.
Lembro quem sou, acolho minhas próprias dores,
E rego a auto-estima pra florescer novas cores.
Resgato a autoconfiança em cada passo que dou,
Firmando a alma no chão de quem eu sempre fui e sou.
Entre o medo e a esperança, deixo fluir o amor,
Que cura os desgastes e transforma toda a dor.
Sem pressa do amanhã, sem carregar o passado,
Vivo o tempo presente, com o peito abençoado:
Só por hoje eu sinto, cuido de mim e sigo em paz,
Pois sei que dentro de mim reside o ser que é capaz.
Poesia:
Luciano Bento
A Metamorfose do Afeto
Há um silêncio sagrado nas coisas que não se explicam apenas pela lógica, mas que encontram morada na sensibilidade de quem sabe escutar o mundo com os olhos da alma. É nesse território onde a espiritualidade do eu se funde à espiritualidade com a natureza que se compreende a verdadeira dimensão da existência. As árvores não questionam suas raízes; apenas sustentam o peso do vento com uma força ancestral, ensinando que a autoconfiança e a autoestima não nascem do aplauso alheio, mas da certeza silenciosa de quem aceita o próprio ritmo e a própria coerência.
Às vezes, perde-se nas ilusões de um amor platônico, idealizando silêncios e distâncias que só existem na curva dos pensamentos. Mas a vida, em sua infinita sabedoria, devolve ao chão fértil do real quando transforma esse amor platônico em um amor de amizade — aquele que se disfarça de carinho cotidiano e se sustenta no cuidado mútuo de quem não exige nada, senão a presença. É o verdadeiro amor amigo, que chega sem estrondo, trazendo a certeza do bem querer e a paz de um abrigo seguro.
Nessa troca genuína, descobre-se o valor raro da reciprocidade. Não há balança pesando o que se dá ou o que se recebe; há apenas o fluxo natural de duas almas que se reconhecem e se validam. É a manifestação viva de um amor verdadeiro, despido de vaidades, que lembra que ninguém caminha só neste vasto labirinto da vida.
Por tudo isso, fica o profundo agradecimento à terra que sustenta os passos, ao vento que sopra o supérfluo e às mãos amigas que se unem quando a tempestade ameaça. Viver é a arte de traduzir em versos o que o coração, com seu ouvido absoluto, capta na sinfonia do universo.
Luciano Bento
Experiência
Eu não nasci em palavras,
nasci em silêncio.
Primeiro, uma nota.
Pequena, quase tímida,
como quem ainda não sabe
se deve ficar.
Então outra responde.
E, de repente,
há uma história inteira
crescendo dentro do peito.
Eu fui aquilo que passou,
aquilo que doeu,
aquilo que quase ficou,
mas escolheu partir.
Fui o medo antes do salto,
a lágrima antes de cair,
o último olhar
antes de seguir.
E quanto mais eu caminho,
mais alto eu me torno.
Não porque a dor desapareceu,
mas porque aprendi
a carregá-la sem me curvar.
As notas correm,
como memórias sem destino.
Sobem.
Insistem.
Transbordam.
E quando parecem chegar ao fim,
eu descubro que era apenas
o começo de outra coisa.
Talvez viver seja isso:
perder algumas versões de nós
para encontrar outras
no caminho.
E talvez a música diga
aquilo que eu nunca soube dizer:
eu estive aqui.
eu senti tudo.
eu sobrevivi ao que me mudou.
e ainda estou caminhando.
Então as notas diminuem.
O silêncio volta.
Mas agora eu sei:
o silêncio nunca foi vazio.
Era apenas
a parte da história
que ainda não tinha aprendido
a cantar.
sozinha
já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais
Minha pesquisa atua na tensão entre silêncio e forma, onde o íntimo se afirma como presença.
A partir desse território, expande-se para questões coletivas e políticas, atravessando os impactos da colonização, as violências contra povos indígenas e mulheres, e os conflitos ambientais ligados à monocultura do eucalipto, ao uso do mercúrio e à exploração de energia fóssil.
Lilian Morais
Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.
Lilian Morais
Entre o abraço e a despedida,
o amor ensina a coragem,
a dor ensina a verdade.
E no silêncio do coração, ambos coexistem.
K.B
Vi você partir,
e o mundo desabou em silêncio.
Cada passo seu afastando-se
era uma lâmina no meu peito,
cada suspiro deixado para trás
uma dor que se instalava devagar.
E mesmo sem você,
aprendi a caminhar sozinho,
com a memória do que vivemos
como guia na estrada do que virá.
K.B
Você se foi,
e o silêncio se tornou mais pesado que o mundo.
Os olhos tentavam segurar o que já se ia,
as mãos, impotentes, deixavam escapar o que amavam.
Ficou o eco das palavras não ditas,
e eu, sozinho, aprendendo que despedida
é carregar a ausência e ainda seguir.
K.B
O Idioma do Teu Silêncio
Sou a maré calma que deságua nos teus pés,
o sopro suave que devolve ao teu peito o desejo de voar.
Aprendo o idioma em que tua alma sussurra
e sou o abrigo perfeito quando o mundo te cansar.
Toco o teu tempo com a delicadeza do vento,
desarmo tuas certezas e desfacho qualquer solidão.
Sou a luz branda que ilumina os teus escuros
e o mapa secreto que guia o teu coração.
Decifro o mistério que habita a tua pele,
transformo cada instante da tua vida em poesia.
Te amo na fresta mais quieta da noite
e te vejo despontar como o próprio nascer do dia.
Invento para nós um refúgio sem pressa,
onde o medo não ousa entrar e o tempo aprende a parar.
Sou para você o que a lua é para a noite:
a razão mais bonita e serena de se iluminar.
ENTRE A LUA E O SEGREDO
Há quem goste da Lua,
eu gosto do que ela esconde.
Do silêncio que ilumina,
mas nunca revela de onde
vem aquilo que se sente
quando ninguém está olhando.
Há quem prefira o Sol,
eu prefiro o seu calor.
E talvez seja por isso
que eu tenha tanto medo do amor:
porque algumas coisas aquecem
antes mesmo de serem chamadas de amor.
Tem o café,
sempre quente entre as mãos,
e aquele gosto amargo
que guarda doces intenções.
Tem livros abertos sobre a mesa,
páginas cheias de histórias,
enquanto uma coruja observa
como quem conhece todos os mistérios
que eu ainda não tive coragem de contar.
Talvez seja no ensino
que eu tenha aprendido a esconder.
Ensinar palavras,
ensinar caminhos,
ensinar tantas coisas...
menos a mim mesma
a explicar o que sinto.
E existem as crianças,
com seus olhos sinceros,
que ainda não aprenderam
a disfarçar sentimentos.
Talvez por isso eu tenha medo delas:
porque criança pergunta,
percebe,
e às vezes enxerga
o que adulto passa a vida tentando esconder.
Há girassóis,
que insistem em procurar o Sol.
E há orquídeas,
que florescem em silêncio,
como certos sentimentos
que ninguém vê nascer,
mas que, quando percebidos,
já criaram raízes.
E então existe você.
Sem explicação.
Sem aviso.
Sem motivo que eu consiga nomear.
Eu apenas sinto.
E talvez esse seja o meu maior segredo:
não ter medo de sentir,
mas de descobrirem
por quem eu sinto.
Porque se alguém perguntar,
talvez eu fale da Lua.
Do Sol.
Do café.
Dos livros.
Das flores.
Das crianças.
Do ensino.
Da coruja...
Falarei de tudo,
menos de você.
Porque existem sentimentos
que não precisam ser confessados
para serem verdadeiros.
Alguns só precisam
continuar florescendo
onde ninguém consegue ver.
O silêncio da falta de assunto afasta os interesseiros;
Pois os verdadeiros não precisam de assunto para estar presente.
O silêncio é a maneira mais simples e direta de perceber quem realmente tem sintonia com você. Fique em silêncio na presença de alguém. Se essa pessoa começar a se incomodar, demonstrar impaciência, fazer gestos excessivos, buscar distrações ou inventar desculpas para se afastar, é um sinal claro de que a conexão entre vocês não é espontânea.
Quem realmente combina com você não precisa preencher o silêncio com palavras forçadas. O verdadeiro encaixe acontece quando a presença do outro, mesmo sem dizer nada, é confortável e natural.
O Topo e o Silêncio
Duvido do passo incerto dos homens,
Da palavra que o tempo desfaz.
Duvido de quem sou e de quem somos,
Na busca constante por paz.
Mas nunca, nem por um instante,
Duvidei de Quem tudo refaz.
Quero a fartura do verbo e do verso,
Um mar de palavras para falar ao mundo.
Mas se a voz de Deus ecoar na minha alma,
Quero o silêncio mais puro e profundo.
Que a minha fala se cale no peito,
Diante da Força que rege o segundo.
Tudo o que penso, o que sinto e o que sou,
Minhas emoções e o meu próprio caminhar,
Não nascem de mim, pertencem a Ele,
Que é o topo e a luz a guiar.
Que todo o meu saber se dobre em reverência,
Pois sem a Sua mão, não há onde chegar.
E quando a hora do adeus me chamar,
Partirei leve, de mãos para o ar.
Não levo nada da terra ou do chão,
Mas deixo o que a alma pôde ofertar:
Tudo escrito, gravado no tempo,
Para quem quiser ler e sentir o meu amar.
O poeta incomoda incomoda o silêncio
até que ele sai da frente de frases prontinhas nas coisas que tão...
que são que acontecem...
Incomoda a ausência
de assistência
poética.
O mais do mesmo é vírus malicioso
inimigo da linguagem ele ataca
o pensamento prova falta de
imaginação levando a
repetição que não
cuidada bloqueia
a autenticidade
Cuidado se sentiu vício delinguagem procure um trava-língua
próximo a sua razão
E imagine com mais imagens.
(Leonardo Mesquita)
A experiência do borbulhar de palavras
chamando o olhar ao barulho do silêncio que da mente brota
fluindo frases que leva
o olhar poema afora
com o barulho das palavras
rolando a história
nessa brincadeira agente olha
a água que molha
a garganta da mente
que tagarela corre com a palavra
certa para a frase inquieta
que sem a palavra: puf
Leonardo Mesquita
