O Topo e o Silêncio Duvido do passo... Fatima Gomes Cardoso de...
O Topo e o Silêncio
Duvido do passo incerto dos homens,
Da palavra que o tempo desfaz.
Duvido de quem sou e de quem somos,
Na busca constante por paz.
Mas nunca, nem por um instante,
Duvidei de Quem tudo refaz.
Quero a fartura do verbo e do verso,
Um mar de palavras para falar ao mundo.
Mas se a voz de Deus ecoar na minha alma,
Quero o silêncio mais puro e profundo.
Que a minha fala se cale no peito,
Diante da Força que rege o segundo.
Tudo o que penso, o que sinto e o que sou,
Minhas emoções e o meu próprio caminhar,
Não nascem de mim, pertencem a Ele,
Que é o topo e a luz a guiar.
Que todo o meu saber se dobre em reverência,
Pois sem a Sua mão, não há onde chegar.
E quando a hora do adeus me chamar,
Partirei leve, de mãos para o ar.
Não levo nada da terra ou do chão,
Mas deixo o que a alma pôde ofertar:
Tudo escrito, gravado no tempo,
Para quem quiser ler e sentir o meu amar.
