Poemas Góticos
Não tenho medo da morte
Nunca tive
Meu medo era viver
Esta vida
Na qual não se vive
Nunca tive medo de tempestade
Tenho medo deste Sol que arde
Não Existe apenas a chuva
O problema é a palavra
Que me vem e tanto machuca
São lembranças
Piores que a morte
Que fizeram estes cortes
Sem cura
Não tenho medo do escuro
Meu receio é a claridade
Ela invade a vida
E me impede de esconder
Ou de esquecer
A dor
de ver tanta vida
assim
Perdida
Eu vi a luz que se apagou
Eu vi a morte flutuar no espaço
Algo ali surpreendeu
E fez com que de repente
Eu pensasse não ser eu
Eu vi o homem que galgava
Cada degrau daquela escada
A caminhar pro cadafalso
E cada passo dado em falso
Era uma aproximação verdadeira
Do seu derradeiro laço
Eu ouvia todos os hinos
Louvando e glorificando
A condenação simples e pura
de todos os juízes
Traídos, em suas sentenças
Atrelados e atados
Às duras barras, onde amarraram
Lado a lado
No lodo dos tribunais
Com sua justiça de barro
Eu vi a cara da fome
e suas irmãs, felizes
Eu vi sete celeiros cheios
Para alimentar sete juízes
Eu vi caírem
Todos os governos deste Mundo
Num lapso de tempo
Que não durou
Mais que um segundo
A Morte é uma viagem sem volta
A vida também
A diferença entre as duas
É que ninguém cuida da sua Morte
O vento, a fome o medo
a pouca sorte
e a visita periódica
da morte
Não me importa
O importante
é corrigir a vida torta
As notícias que nos chegam de manhã
dizem que o Mundo amanheceu pior
Pior seria se não tivesse amanhecido
eu não veria
a flor pintada em teu vestido
Já não posso mais correr como eu corria
mas ainda passo caminhar no fim do dia
Perdoe minha falta de atitude
Eu não sabia
das vicissitudes da vida
eu não sou nada
Sem você por esta estrada
Sinto alguns medos
Não por mim
dei de frente com a morte
Algumas vezes
E, feliz ou infelizmente
Até agora ela optou
por me deixar aqui
Eu sinto medo
de segredos
Guardados nos corações humanos
Alguns deles
Legítimos antros de falsidade
Escondendo planos que
Se ocultos não fossem
Revelariam
Toda sorte
da sua ausência de humanidade
Não tenho o menor medo
da Justiça de Deus
Não tenho medo de leões
Nem de crises
Nem de trabalho
Não tenho medo de não ser feliz
O que me assusta de verdade
São certos atalhos
Que o mal sempre nos revela
E que a maioria ignora
Mas aos olhos de gente ruim
Lugares assim
São verdadeiros oásis
onde vão
beber e abrir as asas
Quando asas lhes dão
Acredite
Existe neste mundo
Muitas pessoas assim
E seus voos
Apesar de efêmeros
e tão baixos quanto o seu caráter
Muitas vezes
Causam estragos imensos
Antes
Que a sua maldade os consuma
Meu medo daquilo que é mal
é que muita gente se compraz
Outros acham bom
E querem fazer igual
Eu sinto medo porque
Isso acaba se tornando banal
E todo mundo se acostuma
Pois
A gente sempre encontra
gente assim.
Edson Ricardo Paiva
Pra cada dia uma noite
Uma morte a cada vida
E pra cada norte um rumo
Vários ventos sem direção
Em cada mar, muitos naufrágios
A saudade que se vê tão só
A pá de terra sobre o tempo
O erro que me acerta
A resposta certa eu nunca soube
A tarde que não me cabe
Antes que o Céu
Desabe por sobre essas nuvens
Há pra cada chuva, um Céu
Mas não sei dizer
de quantos Céus há sobre nós
Sob meus pés
Estrada e pó
Simplesmente mais nada
Pra cada vida
Uma morte apenas
Viver de espera
Termina
Na serena morte
De sorte que ela vence no final
Pra cada um
Há outro igual
Só não se sabe onde.
Edson Ricardo Paiva
NASCER É COMEÇAR A MORRER
A morte nos atormenta, nos aterroriza, porque nos deixa na fronteira de nossas ilusões, pois,esquecemos que já nascemos morrendo.
Não tentes reconciliar-me com a morte, ó glorioso Odisseu.
Eu preferiria estar na terra, como trabalhador agrícola de outro,
até de homem sem herança e sem grande sustento,
a reinar sobre todos os mortos falecidos.
Reflita por alguns instante sobre a morte, inicialmente será levado pelos seu sentimento, envolvido a diversos pensamentos do fim, de dor e esquecimento, mas se observar com um pouco mais, buscando a racionalidade e a profundidade, verá que morrer é passar de um estado para outro, ainda que este seja desconhecido, mesmo para o corpo a morte é a mudança de estado através da degeneração das partículas, e reintegração ao ambiente sendo consumido por insetos e decompositores.
Falarei sobre a passagem da morte, um batismo através das aguas, onde morre o informe para ganhar uma nova forma.
você já pensou que vai morrer e talvez nunca tenha vivido ?
Palavra da Vida
“Morte na panela ó homem de Deus.”
Trazei farinha.
Tira de comer para o povo.
E já não havia mal nenhum na panela. 2Reis 4:38 – 41
#RuisdaelMaia
Isaias 9;
1a Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos.
2 O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.
3 Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha.
Em todos os momentos, ó Senhor, necessito dos méritos da Tua morte.
Cartas a "Srta. March" (IV, 208).
Marcas? Várias situações vividas, histórias de vida ou morte, tempo que passa.
Sim, tenho muitas.
Não, elas não deixam meu corpo mais bonito nem me fazem mais desejada.
Não, não me importo em mostrar cada uma delas.
Sim, tenho orgulho das superações que elas contam.
Tenha orgulho das suas marcas também, elas mostram o quanto você lutou para estar aqui, agora.
COLÍRIO
madrugada é uma estrada tão distante pro passado,
sono é estágio pra morte,
eu tenho sorte,
eu tenho o olhar
num outro trópico, num outro signo ...
meu verso é um mendigo,
indigno de jornais ou revistas...
eu quero entender sargitario
e entender por que qualquer otário
pensa que é o “bicho”
cancer e capricórnio não são mais que carrapichos
não sei dizer te amo, todos sabem disso
queria entender Cristo, todos sabem...
queria durar tanto quanto Matusalém,
queria pertencer a tribo de Araquém ,
a madrugada ´´e uma estrada tão solitária
meus lábios suplicam ósculos
meus olhos suplicam óculos
tua figura é um colírio pros meus olhos
como deixar de ser poeta???
Fui à guerra e conheci o medo, a insanidade e a morte.
E foi no campo de batalha que descobri uma verdade:
Na guerra coragem nada mais é que desespero por sobrevivência.
A vida e a morte são inseparáveis em todas as religiões:
-Se eu não existisse, tu não viverias. (Vida)
-Se eu não vivesse, tu não evoluirias. (Morte)
A vida nos quebra
O tempo nos monta
O amor nos dá vida
A morte nos convida pra dançar com ela
E quem dança somos nós sozinhos.
A Morte ela não existe
Ela é uma passagem
Da vida aqui na Terra
É o trem para viagem
Que a gente vai num vagão
Para outra dimensão
Viver a nova linhagem.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
18/03/2024
