Poemas Góticos
"A tristeza é mãe da poesia
Mas se o Poeta, mesmo triste
Não as faz assim
Seu problema não é de alegria
Tem dias em que o Poeta
Está passando por uma frase ruim"
Edson Ricardo Paiva
Só eu acho triste ter bilhões de dólares investidos na corrida especial, no turismo pra fora do planeta, enquanto temos tantos problemas pra resolver aqui....
Desigualdade social extrema, há países de terceiro mundo que só olham problemas de primeiro mundo?
Quem está no topo da pirâmide deveria parar de olhar além do topo da piramide e olhar um pouco pra baixo..
Ver o mundo plural que vivemos hoje...
EU POR MIM MESMO
Eu queria ficar triste, juro!
Mas, não consigo parar de rir;
Por mergulhar na própria alma e refletir,
Descobrir quem realmente sou:
Me achei um cara legal!
Vem a vontade de saltar e rolar no chão,
de rir e chorar, de um mais pura emoção;
Dizer a Deus: Poder fazer outro de mim?
Pois, acho que valeu a pena, ser eu !
Se me der a chance de nascer de novo,
Eu não quero ser ninguém mais,
além de ser eu mesmo,
E quero ser do jeitinho que sou,
senão não darei certo!
Hoje acordei triste
A mente gritando: DESISTE.
O gás está para acabar
O aluguel que tenho que pagar
A comida na mesa que não pode faltar
Os boletos não param de chegar
Não sei onde isso vai parar,
Quando penso em economizar
Surge um problema para atrapalhar...
O salário mínimo não sobra
Mesmo assim a gente se desdobra
Para manter tudo em dia
E transformar nossa frustração em poesia.
vi você mostrando amor à vida
tão triste sonho de não ter você na vida
porque eu penso em você todo dia
você é a minha alegria
Solitário
Segue solitário uma estrada triste, melancólica.
Amores perdidos... passos desperdiçados...
Em seu peito habita um coração pulsante...
Pela dor sentida completamente ferido.
Só buscava um hoje diferente do de antes.
Tantos são os perigos da vida.
Depois de cada curva o que pode encontrar?
No fim da rua o que lhe está a esperar?
Noites mais escuras...
Segue trôpego seu caminhar.
Imenso esse espaço por onde vagueia.
São tantas rotas pra seguir.
Sente-se preso por amargas teias...
Sofre com o medo de não conseguir: o próximo passo, apagar as lembranças, ferozmente prosseguir.
O que virá depois do hoje cinzento?
Que sentido seguir no cruzamento?
Olhar perdido.
Pés machucados.
Coração pelos enganos envenenado.
Só... sente só vontade de para bem além do agora fugir.
Tristeza tão triste
Tenho razão de sentir tristeza.
Meu coração de teu amor nunca teve certeza.
Foram tantas idas e vindas...
Muitos silêncios... muitos desencontros...
Quanto amor foi perdido.
Meu coração vive tão sentido
em não ver nesta vida nenhum sentido.
Alma triste, desolada...
Muito silêncio, muitas sombras...
São muitos os perigos desta estrada.
As árvores olham-me tristemente.
As flores exalam um perfume que quase ninguém sente.
Vestem-se de mistérios os rios caudalosos...
‘Siga’... dizem-me... ‘mas siga dando passos cautelosos’.
Alma triste
Alma triste delirante...
Ouviu na porta alguém bater.
O medo a paralisou...
‘Será a saudade que veio aqui me ver?’
Tem-na perseguido a dor...
Tem-na feito sofrer.
Alma triste e palpitante,
Pra bem longe tens que correr.
Anoitece quando o sol nasce.
Anoitece no meu coração.
Meu espírito melancólico
vive um infeliz viver.
DEMÊNCIA
Eu vou te beijar, quando você ficar triste...
E quando você ficar alegre, eu vou chorar...
E quando chegar a noite nostálgica e solitária
eu vou me esconder...
Entenda esta demência quando eu não sorrir...
Entenda esta ternura quando eu te agredir...
Quando eu chegar com algumas flores
Eu vou te possuir...
Posso te falar de tudo, menos o que você quer ouvir...
Posso ir a qualquer lugar, menos onde você quer ir,
Posso beijar a naja e caçar javali
Poderemos se esconder em Parati...
Pra te agradar, quando tiver vontade de chorar,
eu vou sorrir,
Vou morrer quando você quiser partir,
Vou odiar quando sentir vontade de te possuir...
Assim vou descobrir a realidade
Amar-te não depende da minha vontade
introspecção
O que é mais triste que uma noite fria e chuvosa? Mendigos nessa noite...
O que é mais triste que despedidas? A solidão
O que é mais triste que uma criança faminta? A sua mãe
UM POUQUINHO DE MIM
Todos os poemas que fiz,
Nos momentos que pensei
Que era triste ou infeliz,
Todas as palavras que falei
Ou tudo que deixei de dizer,
Todos os beijos por compaixão,
Por paixão ou por prazer...
Por tudo que eu disse sim,
Ou tudo o que eu calei
Quando não dizia não,
Por algum motivo á toa,
Todas as lembranças boas
Ou que eu julgava assim...
Foi por uma doce ilusão,
Que já ficou esquecida
E deixada para trás
Porque pensava infinito
O que era apenas bonito
Mas que logo tinha fim...
Por tudo isso eu digo,
Que todos os poemas que escrevi
Tinha um pouquinho de mim...
PARTES
A minha parte triste nunca parte,
A minha parte alegre é deserta,
Aminha parte de luz povoa a triste,
A minha parte alegre inexiste...
O que eu tenho de todo as vezes se parte,
Tem parte que as vezes se encorpora,
E sentimentos estranhos apavoram
Dividindo o meu ser em muitas partes
A parte boa de mim alaga desertos
No nordesre do meu ser tem secas iminentes
Gente morrendo de fome, muitos espectros
Arrogantes e outros subservientes...
PERFIL
Você brinca, fala, gargalha, e cantarola um falso contentamento, mas o ar triste não te abandona, e o teu perfil lacônico se eperde no infinito, em contraste com o horizonte, a divisar o inatingível dos astros; você é um vulto, você é quase uma miragem que eu envolvo e apesar de tudo eu consigo entender a tua abstração; a tua incompreensão; só não posso crer, que você queira se furtar aos sentimentos que eu não te nego. Eu reconheço os meus defeitos e aceito os teus, mas a indiferença é uma imposição, e se compõe na tua tentativa de de uma integração; isso passa a ser fingimento e isso eu não suporto. Compreendo a inconstância e a estupidez de tudo, mas aceito e sofro essas mesmas vicissitudes, só não entendo que você não perceba que temos algo, que nem a vicissitude das coisa consegue mudar, e, é isso que me faz ansiar a tua espera, é isso que me faz ter esperança e desesperar o teu desespero, é isso que consola a minha angústia e me faz sofrer a tua aflição, é isso que me liberta demim mesmo e me faz ser escravo de você; é isso que me faz existir na tua vida, e não viver a minha existência, é isso que me liberta de mim mesmo e me faz ser escravo de você, não, eu não sou o ideal que você idealizou, sou um cara cheio de defeitos, de ambições e limitações; mas é esse cara cheio de defeitos, que chora a tua tristeza e que tem como objetivo o teu ideal; sim eu sou o reflexo de você, mas você não se olha e eu perco a minha imagem, olhe pra mim, sim eu te amo, mas o que há de errado nisso? O que há de absurdo, se para cada pecado teu eu tenho um perdão, se para cada olhar eu tenho uma promessa, o que há de absurdo? Eu te amo, e, isso nem a inconstância das coisas, nem a instabilidade da vida vai mudar, porque eu não te idealizei, mas se você não existisse eu teria que te inventar...
Penso as vezes,
as vezes de ficar triste
Que se eu fosse alegria,
se é que alegria existe
Eu andaria nos guetos,
secando os olhos tristes
Que vivem ensaiando o samba,
desfilando fantasias
Tentando enganar a vida
mostrando tons e matizes
Formas brilhos e adornos
num carro de alegoria
escondendo todo o medo
cantando seus sambas enredos
inventando o carnaval
SONETO TRISTE
Criei um soneto tão triste
Que meu soneto chorava
Saiu triste porta afora
Entristecendo a aurora
Calou mamíferos e aves
Calou os bichos das águas
Silenciou toda tarde
Choramingando suas mágoas
Nem a noite estrelada
Do meu poema tristonho
Que triste e desconsolado
Sonhava com a namorada
Que um dia saiu sem rumo
Levando todos os sonhos
TEMPORAL
Mais triste que uma tarde chuvosa
Ela respingava suas tristezas
Nas incertezas dos pingos da chuva
Mas se chovia ela se alegrava
E cantava Ben Jor: "chove chuva..."
E, se alagava, ela secava
Mas o que encharcava o seu ser
Nem era chuva de chover
Agora tente entender: neblina era querer
Chuvarada era fantasia
Mas relampejava e trovejava
Um temporal com ventania...
Na adolescência eu era um anjo triste
Desses que perambulam,
que caem, que existem
melancólicos, sonhadores,cinzentos
Como os finais de tardes dos dias invernosos
A minha solidão respingava nas vidraças
Como a neblina fria jogada pelo vento
Que doía fundo na minha carapaça
E a minha angústia,
a dor daquele sentimento
A solidão de me sentir sozinho
Não era solitária, era uma multidão
E como cada um faz seu rumo, seu destino
De fazer da multidão, a sua poesia
Aquele garoto triste um dia teve o tino
Eu fiz um samba tão triste
que quando saiu minha escola
desabou um temporal
chuva, vento e trovoada
e a minha batucada
parecia um berimbau
a letra do samba enredo
citava mistérios e segredos
de um sobrenatural
sob o frio tive medo
tremi voz, pernas e dedos
suei frio e passei mal
Triste eu não fico
Eu dou qualquer motivo pra felicidade
Eu canto uma canção de amor,
Eu planto uma flor, eu faço uma viagem
Que solidão que nada, eu flerto com a lua
Paquero as estrelas até de madrugada...
A minha namorada ainda não é minha
Mas sorrir e se despe enquanto
Caminha suave na minha direção
Nos momentos mágicos das minhas fantasias...
Ou na monotonia da minha solidão
Eu não sei se sou triste
ou se é só mais uma ilusão que eu alimento,
mas esta felicidade ninguém tira de mim...
