Poemas Góticos

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Um ano depois

Sentimentos sombrios
Transpassados de um humor sórdido
Lembanças embebedadas no mais elevado teor alcoólico
E o cheiro a contrastar com estes meus lençóis frios

Aqui da janela, tudo parece uma pintura
Verniz escorrendo no acabamento mal feito
Feio como o conhecido pacto desfeito
Bem-vindo à famosa ausência de compostura

O sangue escorre por meu braço
Lágrimas orvalham meu rosto
No espelho só me vem desgosto
O importante é que rompi o laço.

Cortei as linhas que nos ligavam
Sequei todo sentimento
E por um feliz momento
Desejei poder não dar ouvidos a tudo que falavam.

Por vezes precisei me entorpecer para não sentir
Do meu cigarro favorito foram sete maços
Nas paredes do meu quarto vários traços
A lua me mostrava ser melhor deixar partir.

Thaylla Ferreira Cavalcante

Inserida por ThayllaCavalcante

A gente se mata um pouquinho a cada dia...
A gente se mata um pouquinho quando diz "tudo bem" quando não está tudo bem, quando está tudo péssimo e a vontade de gritar se enrola na garganta de tanta angústia.
A gente se mata um pouquinho quando pede desculpas mesmo sabendo que não estava errado, e mesmo sabendo que não se deve pedir desculpas estando certo... mas a gente pede pra ver tudo "parecer" bem... e se mata um pouquinho.
A gente se mata um pouquinho quando se põe em segundo lugar, quando se deixa sofrer pra ver a felicidade no outro. A gente se mata um pouquinho quando se deixa de lado para por o outro no centro...
E de pouquinho em pouquinho... a gente se mata por dentro.

Inserida por Manu_miranda

O cemitério


Lugar de tristeza e lembranças. E por fim, foi lá que eu enterrei você, a gente, e principalmente o meu honesto amor que foi guerreiro ousou de verdades, mas merecia a morte. Pulei no teu cachão, cuspi nas flores e gargalhei o passado e sorri para o recomeço. É meu amor, eu, finalmente, enterrei você.

Inserida por sandylopes

Hoje minha avó morreu
A verdade é que foi tudo tão rápido e automático que não pensei nela
Só conseguia pensar no meu pai.
Sei que é loucura mas não consigo imagina-la morta
Pra mim ela sempre vai estar na frente da casa sentada na cadeira de macarrão proseando com os vizinhos.
Já meu pai não,
Ele está aqui e vejo os anos pesando sobre seus ombros.
Eu vi ele chegar hoje andando devagar, eu vi a dor nos olhos dele
E eu vi lágrimas que não via há muito tempo
Talvez nunca tenha visto como aquelas.
E me doeu tanto
Doeu na alma ver (incapaz de reverter) alguém que amo tanto exalando aquela dor tão real, tão intensa.
Pai tudo o que eu queria era arrancar isso de você, mas seria egoísmo demais não deixar você viver o seu luto.
O tempo tudo cura, você só precisa saber que ela está nesse momento, sentada na cadeira de macarrão, com a caixa de fumo do lado, fazendo pacientemente o próprio cigarro. Ela vai pedir um café pra depois do cigarro e vai rir de tudo isso. Daquelas gargalhadas doidas que se seguiam de um beliscão que era a forma dela dizer Te amo.
Ela está melhor que nós.
Eu te amo demais.
Eu queria que você nunca esquecesse disso.

Inserida por paulo_sousa_2

Ao longo da rua
A fila de espera
Ajoelhados olhando pro chão

Saem rolando feito laranjas
Repolho melão
Cabeças de alface
Americana

Na avenida das guilhotinas
É em massa a execução
Se espalha feito molho
no chão, de tomate
Beterraba e açafrão;

A ceiva do colhedor.

Inserida por crislambrecht

Um talvez poeta
Taxado de louco
Sobre o asfalto negro
Sussurra vermelhas palavras

Feliz, sim
Expressa sentimentos
Enquanto anda
Em busca do silencio

Uma cinzenta e densa massa metálica
Ameaçada pelo que não vê
Por detrás dos muros mandam sinais
E escondem-se debaixo do cobertor

A covardia medrosa uniformizada surge
Violentamente calam o suposto insano
Plantando uma rosa vermelha no asfalto preto
Como as palavras que subiam ao céu noturno
Invisível

Inserida por crislambrecht

Antigas utopias

Enquanto o frio maltrata lá fora
Cá me esquento no vazio desta imensidão
O vento assanha os meus cabelos,
O único cá inerte tem sido este coração.

Meu mundo grita e se apavora,
Porque a maquiagem já não basta para esconder
Já nem sei o que me perturba agora
Se é a monotonia ou a falta de você

Sei que nada me seria o bastante
E que a vida não tem sido muito mais
Do que uma lástima desinibida
Um filme fracassado, ainda em cartaz

Pois dentre todas as promessas
Apenas uma se cumpriu
“fico aqui, ainda que as avessas”
E ficastes, mas foi dentro de mim.
Todo o resto sucumbiu

O que me sobrou foi um punhado de entranhas
De lástimas e secreções
Destas, as mais estranhas
Sobras póstumas de velhas paixões

E se é certo não dizer,
Eu digo! Que a vida tem dessas de nos fazer inquilino
De amores onde nem se devia estar
Mas se é certo não fazer,
Eu faço! Porque pior é não amar.

Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

Inserida por ThayllaCavalcante

Acenderei mil velas e farei penitências
Queimarei meus lábios com vinagre e abrirei meu peito
com mil navalhas.
Meus olhos arrancarei e atirarei aos corvos.
Eloi! Eloi! Derramei uma lágrima de meu sangue impuro sobre o pó da estrada.
Eloi! Não vejo tua face.
Cuspirei no chão, farei lodo e cobrirei minhas chagas.
Eloi! Meu peito inflama e minha alma abrasa.
Eloí, Eloí, lemá sabaktani?

Inserida por onne

Na noite
encontramos o desejo,
o calor,
o toque,
o beijo
que acelera nosso coração.

A mão
que percorre o corpo,
o desejo
de sentir,
de gritar,
de ouvir.

O corpo
cada vez mais perto,
mais único,
mais entrelaçados
pelo abraço
que nos tornava um

Nos passos da morte,
no toque frio
da noite escura
todos definhamos,
a passos lerdos
do inevitável.

Inserida por astharsharan

As noites em
solidão,
cheias de paixão.

Os vestígios tem
cheiro,
do amor eterno.

Aos poucos
vem a morte de quem eu amo
e a felicidade de quem eu desprezo.

Inserida por astharsharan

"Um pedido de ajuda"

Isso tudo não é culpa minha
Isso tudo não é culpa de ninguém

É uma fase ruim eu sei
Fases ruins existem
Como as boas existem também

Mas não foi escolha minha
Eu só quero ficar bem

Posso estar sendo egoísta
Mas no final tudo ficará bem

É tão fácil ir embora
Por que é tão difícil pra mim?

A morte me chama agora
Mas a vida vem me impedir

Queria ser mais forte, queria compreender
Por que a morte me chama sendo que eu tenho a vida toda pra viver?

Talvez seja melhor assim
Talvez eu deva morrer
Talvez eu deva pedir ajuda
Mas eu sinto que eu gosto de sofrer

A dor me liberta
A tristeza me satisfaz
Mas o medo me apavora
Deixando a morte para trás

No dia que a morte vencer
Minha dor irá desaparecer
E só restará esse poema
Para ninguém esquecer
Da menina que sofria
E com a morte parou de sofrer

Inserida por Milenaflormend

De Tati para Jm
"A eternidade do amor"

Ah, se a eternidade do amor te trouxesse de volta!
Ah, se a tua partida não me deixasse tão sozinha!
Desde a dolorosa mudança descobri, amor meu, o real sentido da expressão "uma só carne".
A carne que por metade se encontra.
Metade, sim, metade que pulsa sozinha, metade sem o teu todo.

Eternidade!!! Oh, eternidade quero meu amor de volta!
Amor que corajosamente amei e continuo a amar.
Oh, morte cruel que levou o amor meu, a metade do meu luar
Hoje, eternamente, hoje, para sempre, hoje, a metade do meu ser dorme sem o teu pulsar.
Oh, amor dos meus olhos, quanto amor te tenho, mas a eternidade não permite de contar!
A eternidade sepultou o corpo, mas não conseguiu matar a beleza do brilho do teu olhar.
Ah, morte, morte cruel!
Amarei- te até os meus dias findar!

Inserida por izabela_galvao

"Não sinto nada a muito tempo.
Me sinto fria. Incerta. Incapaz.
Quanto tempo se passou?
Arranco partes de mim,
Pouco a Pouco.
Mas não sinto mais nada.
Há um buraco em meu peito,
Não sei de onde ele veio.
Nem do que ele é feito.
Mas ele me impede de ter forças.
Meus medos agarram minhas pernas,
Será que terei forças?
Mas quanto tempo se passou?
Será que vou ficar bem?
... Não... talvez seja a hora de partir.
Agora eu sei,
Quase 20 anos se passaram...
Mas, e se eu não tiver outra vida?
Será que eu vive o suficiente?
Não que isso importe,
Não quero voltar...

Nunca mais...

..."

Inserida por InsaneHannah

As vezes a fumaça do meu cigarro tem mais peso que as lágrimas que não saem dos meu olhos.

Formam uma nuvem densa de odio,tristeza e morte.

Inserida por arcanjozer0

Brotos de cristal
Na serra sinuosa
Planando sobre o impacto
São pedaços do vidro
Ao longo do asfalto

Acidentado

Pedaços de vida
Atirados e removidos
Partes de um todo
Partem daqui

Boa viagem

Inserida por crislambrecht

Medo da tão chegada hora de sua visita
O tempo rege esse momento sem julgar
Restando somente esperar com plenitude
Tentamos supri-lá com esperanças falsas
E acreditar de que o outro lado é melhor

Inserida por Samuelimenez

Se eu morrer amanhã!
Eu não quero nada mesmo porque não cabe muita coisa em um caixão.
Nem mesmo a fita amarela, com o nome dela, porque uma fita não caberia tudo o que ela foi em minha vida, cantem como se eu estivesse vivo, lembrem das poucas coisas boas que eu fiz, sem demagogia, não quero discursos de qualquer seguimento religioso, deixe que meus filhos falem, doe meus órgãos, meu celebro principalmente gostaria muito de continuar pensando por aí.

Doce amor que da cor
Do frio ao calor, do conforto a dor
Os olhos que me amavam agora me julgam
As doces palavras do passado agora me machucam

Sinto minha vida esvaindo por entre meus dedos
As mãos de um assassino que trucidou sua própria felicidade
Antes livre para amar, agora sem direito de tal liberdade
Agora sozinho, esquecido para viver apenas com meus medos

Jogado como lixo dentro de quatro paredes frias e escuras
Deixado para apodrecer
Sem sentimentos, inútil.
O peso dos pecados me esmaga, sufocando

E agora, tomei uma decisão sem volta
Fraco, o perigo era eu, não consegui te defender de mim
Sonolento, a dor e a culpa vão embora com o vermelho carmesim
Mas do que isso tudo adiantou se nunca terei seu perdão?

Inserida por gustavo_brunner

NESTA NOITE

Nesta noite de insónia tento escrever
Mas não consigo será desatino ou não
Ânsia que me aflige nas memórias
De um passado tão presente
Onde habitam os meus fantasmas
Embriago-me nesta solidão nostálgica
Perco-me em sussurros na vastidão da mente
Regresso ao silêncio das manhãs eternas
Rasga as rochas enfurecidas pelos ventos
Atravesso montanhas, serras em fúria
Mergulho as dores nas geladas águas deste mar
Sonho os retalhos da solidão do tempo
Das saudades dos intensos momentos vividos
Na mais profunda ilusão desta noite de insónia.
ღღ

Inserida por Sentimentos-Poeticos

Dor substitui amor

Você nem ao menos disse adeus
Apenas deixou uma carta,
Sangue e um frasco de remédios

Eu sei que a vida não fazia sentido
Que a vida não importava
Mas eu estava aqui ao seu lado
Isso não importava?

Agora só tenho lágrimas
Lágrimas neste dia de preto
Soluços e choros e me mantenho quieto

Sempre foi assim
Você trocava nosso amor
Por coisas como lâminas
Drogas e dor, muita dor

A dor que você não sente mais
Mas sou eu que sinto agora
Desde o dia em que você ficou assim
Só dor substitui o amor

Agora estou sozinho
Sem você ao meu lado
Alguém que me completava
Alguém que eu amava

Agora só tenho lembranças
De cada lindo sorriso seu
Que tropeçava ao sair do seu rosto
Quando eu fazia algo bobo

De seus olhos negros
Tão negros quanto o céu
Mas que, ao fundo, existia um brilho...
Irradiante como a lua

Nada disso existe mais
Seus lábios que tinham um sorriso
Agora são gélidos
Como o seu corpo em meus braços

Inserida por Victorfrei