Poemas famosos de Loucura
A tua mão nas costas,
a minha na cintura,
somos loucura pura
rodopiando no salão
ao ritmo do bugio,
Você sabe que caímos
no truque do destino,
És meu amor sacudido
e eu sou a poesia
que te fez a voltar
a ter coração de menino.
Eu sou senhora
dos cantos e becos
mais escuros,
A minha loucura
é metódica,
O resto para mim
é retórica,
Ninguém me interna
ou me enterra.
Para uns pode parecer
loucura não sei
o porquê ainda quero
saber quem é você.
Não avento que não
venha me querer
e mesmo assim quero
saber quem é você.
No Perú sob uma Quina
em nós o tempo embala
em silêncio toda a poesia.
Veremos chover estrelas
nesta Pátria Grande
porque em nós há o romance.
Sapienciais 2:14
A sabedoria de Deus parece loucura para os homens tolos, mas para os retos, tementes e sinceros, é a única esperança verdadeira.
Da minha curvatura
No teu hemisfério,
De toda a loucura
No teu mistério,
És meu império...
Do meu ministério
No teu paraíso,
Do avanço firme
No teu saltério,
És meu desidério!
De todo o beatério:
Na verdade prefiro
De vagar em vagar,
No teu corpo chegar
És nascido para amar...
Do meu alucinante olhar
No teu brilho a desnudar,
Do teu invadir discreto
No meu corpo a revelar,
És meu caminho sem reverso.
És a minha loucura,
És a minha sanidade,
És a minha ternura,
És a minha saudade,
És tudo o que me livra,
És toda a minha vida.
Você chega com a noite,
E também com a manhã.
És o meu Sol,
És a minha Lua,
És o meu sal,
És o meu mel,
És o meu céu,
És a minha doçura.
Você chega com a brisa,
E nunca vai embora.
És a minha batalha,
És a minha unção,
És a minha glória,
És a minha preferência,
És a minha história,
És a minha paixão.
Você nunca chega,
É porque nunca foste.
És a minha poesia,
És o meu verso,
És a minha prosa,
És o meu poema,
És a minha biografia,
És a minha trova.
Você sempre dentro,
da minha pele e do sentimento.
És o meu tudo,
És o meu nada,
És o meu recato,
És o meu tempo,
És o meu corpo,
És a minha vontade depravada.
Amar-te com as tuas mãos ao redor da
minha cintura, não é vã loucura;
é querer matar a sede contigo
no ribeirão da ternura.
Amar-te gravitando ao redor de mim,
farejando como animal selvagem
o teu cheiro não é um pecado inteiro;
é ser argila nas mãos do oleiro.
Amar-te é deixar você me modelar
ao teu jeito, não que eu não tenha jeito;
é querer estar a cada dia mais próxima
do que é o amor perfeito, e bem feito.
Amar-te nas nossas danças de corpos,
na comunhão de sonhos,
na conjugação de gostos,
não será doçura ao léu;
é um convite para tocarmos o céu.
"Criança: uma criatura amada por todos"
Criança, tu és a cura da minha loucura, a razão do meu sorriso e a luz que me ilumina quando estou triste.
Criança, tu és o meu cajado que sustenta os meus passos, o alarme do meu levantar e o motivo da minha existência.
Criança, teus olhos resplandecem a luz que ilumina os meus passos. Tu és a criatura que todo humano quer ser e ter.
Criança, tu tens o amor verdadeiro, incondicional e incomparável.
Tu és tudo o que as palavras não conseguem dizer, és simplesmente tu, criança.
Foi ajudar um mendigo a despertar, então despertou e se ajudou a virar mendigo.
Loucura do desapego autêntico.
O que o amor é? Alem de uma droga que nos vicia,
que faz os sentidos não ter sentido, loucura pura,
e que nos faz mais perdido a cada encontro, só desculpas,
e não deixa dois seres ser um só, e nem arruma uma saída...
(Saul Belezza -Patife)
Não vejo mistério em ser simples, nem loucura em ser sincero, apenas levo as coisas da maneira como gostaria que elas fossem. Apenas vivo o meu destino na esperança de que, seja lá onde este caminho der, o final vai ser sempre o melhor possível, não para mim, mas para a minha história e, independente do espetáculo ou do fracasso, das lágrimas que vão cair ou das gargalhadas que vão ecoar, no final, eu vou estar ali feliz por tudo que fiz e resignada com o próximo passo que vou dar. Acho que este é o encanto da vida.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
Sinceridade muitas vezes é loucura, alcoolismo, insensatez. Mas são raros os que assumem seus erros e esses eu guardo no peito.
O sentido poético mais profundo sobrevive à loucura, a melodia sobrevive à lógica, o ritmo à palavra.
Você encerrava em mim eu mesma e era uma loucura tudo, como eu sentia, como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único pião que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinho. Era uma loucura tudo. Mas a morte, o fim, nós, andando calmos, ao lado um do outro, isso me permitiu estar de alguma forma sem querer habitar cada instante do estar e para isso me retirando o tempo todo. E isso pode ser viver mas viver é terrível. E antes, quando eu não sabia viver e me sentia amada, era ainda mais terrível. Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da p*** mil vezes pois em nada dá pra ser com você. E tudo bem, não é você, nunca foi, mas escuta a maluquice: é que nada disso impede que eu sinta um amor absurdo por você.
- Acho, senhora, que pela primeira vez na vida Artur foi golpeado por uma loucura que ele não pode contrololar.
- O Amor?
Olhei-a e disse a mim mesmo que não estava apaixonado por ela, e que seu broche era um talismã apanhado aleatoriamente. Disse a mim mesmo que ela era uma princesa e eu no filho de uma escrava.
- Sim, senhora.
- Você entende essa loucura?
Eu não tinha consciência de coisa alguma na sala, exceto Ceinwyn. A princesa Helledd, o príncipe adormecido, Galahad, as tias, a harpista, nenhum deles existia pra mim, assim como os tecidos pendurados nas paredes ou os suportes de bronze das lamparinas. Só tinha consciência dos olhos grandes e tristes de Ceinwyn e de meu coração batendo.
- Entendo que é possível olhar nos olhos de alguém - ouvi-me dizer - e de súbito saber que a vida será impossível sem eles. Saber que a voz dessa pessoa pode fazer seu coração falhar e que a compania dela é tudo que sua felicidade pode desejar, e que a ausência dela deixará seua alma solitária, desolada e perdida.
[...]
- Isso já lhe aconteceu, Lorde Derfel?
(As Crônicas de Artur)
A loucura de muitos se chama amor, mas a obsessão de outros se chama paixão.
ALMEIDA, Bruno de Souza. "Reflexões". Resende, 27 de Novembro de 2015.
