Poemas e Poesias
DESDE JÁ
Um dia desses quando eu partir
não quero tristeza
e se quiserem chorar
chorem com leveza
Não perturbem minha paz
entendam…
estarei ocupado
escrevendo a derradeira página
da poesia de minha vida
Partirei tranquilo
não sintam pena
minha vida foi plena
Sorriam…
deixem minha alma partir serena.
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
DOCE DESCANSO
Numa estrada sem fim
atravessando o vento
paro para descanso
num pequeno estabelecimento
com um sorriso nos lábios
sou atendido de pronto
por uma menina morena
de tão linda, um encanto
como fosse passarela
entre mesas desfilou
seu corpo magro e bem feito
logo me conquistou
seus andares faceiros
meu café adoçou
seus olhares sorrateiros
minha alma alimentou
EU
Eu...
no verde da mata
no topo da serra
no campo da várzea
na água do rio que vai
Eu…
no sol que ilumina
na sombra da noite
na brisa serena
na lua que sai
Eu…
no canto do pássaro
no vento que sopra
no sorriso da alma
no orvalho que cai
Eu…
poeta que sou
que canta em versos
a musa que encanta
Eu…
poesia que sou.
FRUTO DA CRIAÇÃO
Sou fruto da criação
de sábios progenitores
cultivado com sacrifícios
crescido sem dissabores
infância de maravilha
juventude de amores
vividas na plenitude
sem traumas e sem rancores
sou fruto da criação
de sábios progenitores
NOITE NO CAMPO
Neste mundo encantado
de mistério e sedução
criaturas que vagueiam
na imensa escuridão
vida intensa e silenciosa
revelando seus enredos
deixam rastros apagados
preservando seus segredos.
PAIXÃO (3)
Que sentimento é esse?
que ilude a razão
faz gostar sem reparar
perdoar sem ser perdoado
ser contente na tristeza
e vai deixando sem noção
Que sentimento é esse?
que acende a luz e vai embora
que me deixa assim
prisioneiro de mim
querendo não te querer
pensando em ti não pensar
esquecendo de te esquecer
que me deixa assim...
escrevendo para lembrar.
SOL
Iluminando caminhos
que a escuridão oculta
revelando encantos
que a natureza nos brinda
chegas sem pressa
anunciando o amanhecer
proclamando a cada dia
o milagre da vida.
orfandade
os soluços secaram
não choro mais
as lágrimas me sufocaram
perdi você no cais
e amanhece o dia
pra vida, tanto faz
o pranto é da minha poesia...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2019
Cerrado goiano
"Quem é você para julgar a minha dor?
Nas noites frias, na solidão do corredor, sou eu quem sente o vento soprar dentro do meu estômago vazio.
Sou eu quem dança na sala deserta.
Sou eu...
num ritmo de vai e vem,
num ritmo de que não sabe mais quem é quem...
E você, quem é você para julgar a minha dor?".
Alma dedicada
“No meio do caminho tinha um professor
Tinha um professor no meio do caminho”
Todos os caminhos seguidos, sejam por médicos,
engenheiros, nutricionistas e professores, tiveram antes uma alma dedicada, chamada professor.
Em alguns países é reverenciado até por imperadores...
Em outros, nem tanto...
Porém, o professor não deixa de acreditar em dias grandiosos,
em pessoas com enorme potencial,
e em si mesmo...
Ele não deixa de ser “o professor”
Para ele:
Cada dia é um novo dia;
Cada dia é um recomeço;
Cada dia é uma nova história,
E para isso ele trabalha com dignidade, criatividade,
esperança e dedicação...
Para o professor, orientar com afeto, é um grande passo para humanizar a nova geração, pois o diálogo deve ser constante e a empatia algo muito importante.
Para o professor o final do dia só é gratificante quando ele vê que seu trabalho gerou frutos e que o que fez não foi em vão.
O professor, que ajuda e trabalha pela educação,
merece nosso respeito e gratidão.
“Aos meus amigos, que dedicam seu tempo, sua vida... e
que com sabedoria desempenham esse importante papel na sociedade, agradeço e parabenizo, pois são todos corajosos orientadores e “fascinantes” professores.”
Feliz Dia dos Professores!👏👏👏
♥️ Leandra Lêhh ♥️
Poetar...
... não é só escrever
é mais que sonhar
é mais que ser
é o poeta chorar
rir, olhar
e viver...
É a extasia da rima certa
é o achado sem se ter...
Pois, a poesia não é do poeta
é de quem primeiro ler.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Ponteiros
Os ponteiros do relógio que levam
As horas boas de nosso viver
Também grifam no tempo as que elevam
E trazem assim, pra sorte, saber
Iguais às águas dos riachos
Carregam rio abaixo as folhas caídas
Em contínuos despachos
Tal como as nossas despedidas
Os ventos também assopram
Pra longe os sonhos empoeirados
Ficando outros que aportam
Nos galhos dos nossos fados
Pois o de direito, é nosso, ancoram...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
perdulário
gastei todas as rimas ao sonhar...
gastei todos as ilusões ao amar...
me sobrou o poetar.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
SOLIDÃO
Sem você, tudo é
Opaco. Minha
Liberdade sente-se
Inundada de uma
Decisão (in)voluntária de estar
Agarrada e presa à saudade do teu
Ostentoso abraço.
Nara Minervino
balé
o vento no cerrado gosta de bailar...
vai bailando entre os galhos tortos,
e desafinado é o seu trotar.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
bula
a vida não tem ponteiro
marcando o andamento
nem letreiro,
guiando o sentimento
divirta-se!
tudo é momento!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
SONETO DO VERBO POETAR
Da oração inspiração o verbo poetar
conjuga-se com amor, dor, ínclito
uma flexão enunciada do espírito
um evocar eclodindo de um versar
Vem primeiro o dito pelo não dito
pra no manuscrito ter ato de criar
o invisível em tangível no lapidar
e o sendo se ordenando em rito
Nesta norma gramatical vem amar
numa proposição avessa, um delito
também enumerado, sofrer, chorar
E assim, na conjugação do inédito
une-se sentimento e muito idear...
O verbo poetar vai além do infinito
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Junho de 2016
Cerrado goiano
SONETO DE UM AMOR EXCÊNTRICO
Estranho amor este que hoje eu sinto
a saudade incorporou a coisa amada
acorda comigo depois de ser sonhada
e de mãos dadas paira pelo ressinto
E quando lembro, a alma fica apertada
o coração acelera triste num instinto
que não sossega nada o que pressinto
e as tais lembranças põe-se na risada
Carrasco este amor meu, já extinto
me lança aos desejos sem morada
me fere com o passado tão faminto
E numa paixão delirante de um nada
me faz poetar pra este amor destinto
num acorde de excêntrica doce toada
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
14 de junho, 2016
Cerrado goiano
