Poemas e Poesias
O mundo não é feito de pessoas, nem de casas, nem de coisas.
O mundo é feito com palavras perfiladas
como pedras
sobre pedra e
em cima de outra pedra, ainda.
São de palavras de pedra, as paredes do mundo:
direitas e exactas como um fio de prumo.
Se nos tiram a língua,
as várias línguas que tem a nossa língua:
esta língua com que te falo,
a língua com que te beijo,
esta mesma língua com que digo esse nome que tu és,
roubam-nos mais mundo ao nosso mundo.
E um mundo rente, sem paredes, raso ao chão,
que não se tenha de pé e num pé direito
tão alto que lhe caibam todas as palavras empilhadas
é um mundo do reverso e do regresso
em que ao privilégio absurdo de viver se segue
o direito adquirido de sofrer.
RUAS DE QUINTANA
Tantas vezes cruzei por ti
na rua de teu andar
que pena!
não te reconheci
agora te encontro sempre
nas ruas que não andastes
naquela rua encantada
que nem em sonho sonhastes
PECADOS CAPITAIS
Os pecados capitais?
cometo alguns...
mas sou parcimonioso
cometo um de cada vez
não gosto de fazer muitas coisas
ao mesmo tempo...
isso me cansa.
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
TEU CHEIRO
Quero te abraçar de novo
e sentir teu cheiro
de canela e "flor de laranjeira"
quero beijar teu rosto
acarinhar teu corpo
e sentir teu gosto
quero levar teu cheiro
de canela e "flor de laranjeira".
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
Ser professor é ensinar e aprender,
É ser e fazer,
É crer e transformar,
É mudar o mundo e o jeito de pensar...
É se dedicar,
É poetizar conhecimento,
É expandir as fronteiras dá imaginação,
É formar profissiões,
É amar o que faz!
O Poeta e a Inspiração
Se o Poeta sente
quer então escrever
fala do que sente
e por quem sente.
Poeta que faz do silêncio
uma inspiração!
E com a caneta no papel
descreve seu coração.
Poeta que faz da dor
uma experiência
que rima com persistência,
que faz da desilusão
um dueto com a superação.
Poeta que ama amar
que gosta de sentir,
e que tudo faz rimar e inspirar!
Firmei mais que apreço
Santa
Irmã
Candura
Ternura
Consoladora
Profetiza
Ungindo
Sacramentando
Teus pecados mais vis
Doce amor comparsa
Mãos límpidas de minh´alma
Que desconsolada caminha
Por entre os versos e memórias
E agora somos apenas eu e minhas pernas errantes
Similar a pedra solitária
Sem seu melhor camarada
Ambos mazelando a amizade
Toma lá teu caminho
A teia construída se arrebentou
Por meio dos laços quebrados deste fraterno amor
Outrora me edificarei em braços castos ou sozinha
Sem vestimentas de ilusões
Certa que nossa casa não está de pé sob a areia
Rochoso é o nosso solo
Seguiremos avante
Cada um por seu percurso
Braços fortes e relutantes
Pernas vigorosas
Cabeças erguidas
Mãos sempre a germinar o doce caule torto
Das nossas existências
Cumpriremos nossa sorte
Sob membros fortes
Sem choros ou melúrias
Visto que tudo foi esplêndido
Cruzaremos outros caminhos
Outros destinos
Dentro de mim tudo vai cortando
Rasgando
Dilacerando
Um punhal de dor trinchando por dentro
Ferindo
Abrindo
Raiva
Ódio
Dor
Lamento
Confundindo tudo
Sentimentos puros
Perturbando o tino
Entre mim e meu mais fiel amigo.
"O Proibido"
A fala proibida;
O pensamento proibido;
O ato proibido;
A vida proibida;
A felicidade proibida;
O todo proibido;
Se libertam em forma de arte!
Cidade de Goyas (Goiás Velho)
Hoje, eu fui o menino de cabelos brancos,
que andou na ponte da menina feia (Aninha)
poetando suas lembranças em cânticos
do rio vermelho e das serras que recitam poesia em ladainha
E lá em sua janela a figura dela, Coralina, de versos românticos
tão meigo, tão terno, tão teu... que alegria
poder caminhar nos teus passos semânticos
das ruas indecisas, entrando e saindo em romaria
em trovas dos teus larguinhos e becos tristes
ouvindo os cochichos das casas encostadinhas
fui cada trepadeira sem classe, que vistes
cada morro enflorados, lascados, grotinhas
fui cada muro da ruinha pobre e suja, momentos tão teus...
Eu,
só quero te servir de versos, meus...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
A Cora Coralina (paráfrase)
Após minha primeira visita a sua cidade
09/06/2015, 19’13”
Cidade de Goyas
Movimento
Você poder ver oque tá
aconteçendo
ou
oque está
surgindo!
Algo
sempre
nos construindo
Reparo
Eu fui um animal solitário
Numa outra vida
Ensinei os meus filhos a andar, beber água e caçar
Antes de tudo por si mesmos
Depois, liberei-os para o mundo.
A RODA
Bendita invenção que nos conduz
por caminhos premeditados
a destinos tão desejados
nos leva com pressa
para cumprir um dever
sem pressa
para cumprir um prazer
bendita é a roda
que tanto roda…
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
ÁRVORE
O vento afaga tua infinita beleza
entre sussurros, acenas com leveza
Noite e dia cresces sem parar
Quantos em teu seio
conseguistes abrigar?
Este estar sempre no mesmo lugar
te faz sorrir e te faz chorar
Meus olhos não querem parar de te olhar…
Quem te plantou neste lugar?
