Poemas de Solidão Amor Não Correspondido
SOLIDÁRIOS & SOLITÁRIOS
Se ainda não leram o “Fenómeno Humano” do jesuíta e filósofo francês Pierre Chardin (1881-1955), recomendo vivamente. Teilhard de Chardin foi uma “persona non grata”, na sua época, tendo sido ostracizado pela Igreja, de um lado, e pela Ciência, do outro, e acabando por ser submetido ao exílio na China.
Só mais tarde, com João Paulo II, Bento XVI e, mais recentemente, pelo Papa Francisco, é que a sua obra foi reconhecida e citada.
Deixo-vos descobrir livremente o autor e a sua obra. Apenas desejo realçar uma simples e curta frase da sua autoria: “a alma humana é feita para não estar sozinha.”
De facto, não viemos a este mundo para nos sentirmos sós. Viemos, tal como todos os seres humanos, com uma força invisível que nos une. Uma certa magia grandiosa nos liga, nos prende e nos vincula. No fundo, acabamos por não estarmos sós. Como podemos sentir-nos sós, quando conhecemos o caminho similar e tão profundo da condição humana?
Hoje, com a pandemia que assola o mundo, sentimos que essa força tão viva, tão acesa e tão frágil está presente.
Cada vez estamos mais próximos uns dos outros, porque um mesmo desígnio anda a planar sobre as nossas almas. E cada vez mais sentimos a necessidade do calor humano, do abraço, do beijo, do olhar, do diálogo, da compreensão e da solidariedade de todos. Sentimos a necessidade profunda de dar e de receber, não de bens materiais, mas sim de afetos, de amor, de vida!
Hoje, começamos este caminho individual e global; esta aventura de nunca nos sentirmos sós, mas de nos sentirmos UNOS, mais do que nunca. Mais do que nunca!
A todos, os meus votos de uma encantadora caminhada, cheia de alegria e de esperança, nas vossas almas nunca sós.
2020, José Paulo Santos
#COVID19
Foi sempre querer demais, esse foi o motivo...querer por inteiro, não querer dividir, não saber lidar com a divisão- egoísmo!
Não querer que arrume amiga e sem explicação, as quais apareciam 'do nada' , querer a atenção só pra si, não querer que ele conversa-se mais com a prima do que comigo - hipocrisia
Tentava achar graça de tudo, de todas as piadas, fingir que vivia num mundo feliz sem problema nenhum - mentira
Tentava ignorar seu corpo flácido, pessoas mais bonitas por perto, mais bonitas com ele, mais bonitas ao lado dele - ciúmes
Foi feliz?
Claro que foi
Pensou que daria certo?
Acreditou um tempo que sim
Pra sempre?
Não, ela surtara ao envelhecer, não lida nem com o corpo atual
Mas se resumisse, do que sentiu falta exatamente...
Conversar
Ser abraçada
Procurada pra ficar em silêncio, apenas se olhando, se cuidando
Ser cuidada
Ser mimada
Ser única...ter só pra si
Vai ser sempre assim, todas às mulheres da sua vida?
Ser lembrada
Se não pode estar lá fora
Entre todos que te viu passar,
Encontre agora em mim
Mais que um lugar para ficar...
Mas se for outro o seu lugar,
Deixa ao menos que eu lembre de você...
Melhor é ser lembrada
Por alguém que não te esquece,
De que cercar-te tantos outros
Que nunca venha te lembrar.
O sussurro que nos cerca
Não nos calam o coração,
Nem quebra o silêncio dos teus olhos
Em que eu consigo me encontrar.
Não importa se não veio pra ficar,
O que importa é saber,
Que mesmo estando longe,
Sempre juntos vamos estar...
Edney Valentim Araújo
1994...
Arrogância
De novo estou voltando,
Voltando pra mim mesmo...
Onde eu era tão pequeno
No mundo grande que havia.
Vivia a vida como vinha
Um pouquinho a cada dia,
Querendo estar lá fora
Onde tudo acontecia...
Um dia eu fui pra fora,
Pensando eu saber
Que tudo conhecia...
Só a arrogância a mim precedia.
Vejo agora tão distante
Que meu mundo era grande
E na infância todo ele eu conhecia...
Agora homem velho
Nesse mundo tão pequeno
Nada mais eu já conheço.
Edney Valentim Araújo
Queria ser um sonhador,
Mas as pegadas do deserto,
Me levaram até você!
Desejei ter ódio, mas só tive amor!
Vi ao longe um oásis por perto,
E ali perto chorei olhando para o céu,
Com minha visão embaçada pelas lágrimas.
Gritei para me levarem embora,
Mas quando voltei a mim,
Falhei em te deixar,
Naquele instante fez tudo parar.
La estáva você sem respirar.
BREU PROFUNDO (soneto)
Em cada estrela no céu a palpitar
Na imensidão do breu profundo
Me sinto agora em outro mundo
Quase sem ruído, tudo a silenciar
Noite. De um negror moribundo
O veto proceloso na greta a uivar
E o sonho sem ter como sonhar
As horas mais lentas no segundo
E a voz da solidão no abandono
Que nas sombras se escondem
Azoado, sinto o hálito do sono
Minha alma tal como um refém
Devaneia na saudade sem abono
Na escureza velando por alguém
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01/04/2020, 19’29” - Cerrado goiano
Eu escolheria
Se me fosse uma escolha
Escolher quem não me escolhe,
Eu escolheria você...
Pra te entregar o que eu não tive
Que de mim
Sempre foi teu.
Mas que faço eu?
Se não é meu meu coração
Que já se foi com o teu.
Edney Valentim Araújo
1994...
" Declaração"
Vazia vagava pela vida
Achando que a felicidade não haveria de existir,
Ou que estava num copo de whisky!
Dele me enchia
A felicidade por minutos me aparecia
E eu acreditava que era feliz
Mesmo que por pouco tempo
Mesmo vazia... Sozinha... Sem nada!
O pouco me era tudo...
Já me contentava...
Olhava-me no espelho, só o reflexo enxergava
Não havia mais o que enxergar
Além de um alguém que só queria se encontrar...
Ou que alguém, queria encontrar
Para que assim, houvesse um motivo para sorrir
E houve!
Foi quando te conheci, que tudo mudou em mim
Senti que tudo era por um bom motivo:
Primeiramente o fel... Depois o mel!
Conhecer-te, foi como conhecer o céu!
Seus olhos me lembravam a ele
Iluminado e puro...
Pude neles enxergar-me, pois tu me enxergavas
Como nunca ninguém fez...
Com você pude ver que tudo que eu queria, poderia estar num só ser
Tudo que eu buscava, encontrei em você
Quando eu já estava prestes a desistir
Quando já havia cansado de procurar
E que não tinha mais motivos para sorrir
Você me apareceu, e encheu meu coração
Vi-te como minha salvação!
Pois do Drink, minha paixão passou a ser um homem...
Chamado Rick!
O Homem que transformou a menina triste, numa mulher feliz...
E que hoje, quando se olha no espelho
Consegue ver um brilho no próprio olhar
O brilho que nasceu, quando aprendi a amar...
E após isso, não houve mais vazio
Meu coração cheio está!
A solidão se foi...
Você ocupou o lugar...
Hoje eu tenho tudo o que eu não tinha...
E que vivia a sonhar...
Alguém para amar...
E me ajudar a caminhar...
O mais próximo talvez
Finalmente consigo respirar, algo que, em tempos antigos era quase impossível.
Minhas únicas testemunhas foram as mais puras estrelas que brilham no céu.
O céu foi o meu único refúgio em tempos sombrios, ele me entende, não questiona, e me dá o suporte preciso, sua grandiosidade, não me intimida, ao contrário, me abraça como se fosse um velho amigo.
Três longos anos se passaram, e tudo o que posso dizer é que o tempo cura. Há três anos atrás, eu me culpava, por não ser capaz de viver socialmente, eu me moldava para que outros me aceitassem, mudava minha personalidade, formando um persona. Eu odiava quem eu me tornava perto de outras pessoas, mas odiava ainda mais a solidão. Sim, ela me acompanhou por um longo tempo, ela era minha única e inseparável companhia.
Quando estava em frangalhos e a solidão me acompanhava, tive apenas a minha própria sombra, à espera de uma salvação. Mas ao mesmo tempo em que a solidão me abraçava com seu manto escuro, ela me matava de pouco em pouco, matando minha personalidade, minha autoestima, minha autoconfiança e o pior, meu amor próprio.
Sinto que finalmente estou em paz comigo mesma, agora, eu respeito os meus limites, meus sonhos, ambições, meu corpo e cada pequena imperfeição tão perfeita. E depois de cada luta, lágrima, e pedidos de socorro, eu finalmente posso dizer que amo a mim mesma.
Mal secreto (soneto)
Se o vazio que sente, na saudade que mora
No peito, e sufoca cada gesto recordado
Cada olhar do passado, que a dor devora
Pouco será a imensidão do vasto cerrado
Pra que se possa ecoar tal tristura sonora
A sensação que chora, e a lágrima da face
Que escorre, e que chameja a toda hora
Na recordação, sem que haja desenlace
Se se pudesse, do ser a ventura recrear
Da alma só felicidade então aí dimanar
Tudo seria melhor neste amor inquieto
Mas, está cólera que espuma, e jorra
Da ausência, e a solidão que desforra
Nos cala, e estampa um mal secreto...
(2020, 01 de agosto)
Sei que mora em mim, uma poesia.
Tímida, magoada, vazia.
Tem tempo que não a vejo…
Mas sei, está lá…
Queria muito escrevê-la.
Preenchê-la com a minha alma.
Ela simplesmente se esconde.
Sei, está lá…
Contarei o ocorrido, foi numa tarde fria…
Ela estava lá, radiante, linda, intrépida, falante!
A pobrezinha, pronta para ser escrita…
Foi, traiçoeiramente ferida.
Daquele dia em diante, procurou o fundo do meu ser.
Escondeu-se, emudecida, sem ver sentido em ser escrita.
Desde esse dia a procuro, reviro-me pelo avesso.
Ele disse-me certa vez, que não vê sentido em suas próprias palavras.
Porque quando se perde o amor, perde-se o ânimo e a graça.
Somos tomados, pela dor e a falta…
Ontem procurei por ela, vasculhei cada cantinho de mim. E nada.
Encontrei um bilhetinho, que me deixou franca e gentilmente…
“Só saio por amor. Do mais puro e verdadeiro. Não vale ser escondido, metade ou
não-correspondido. Se queres escrever-me, desencante-se, cure-se e ame, pois bem se sabe que com solidão, medo e dor, jamais escreverás um doce poema de amor”.
Quero saber se o vento soprar aonde vou parar,
Mesmo sem ter você aqui pra me segurar,
Quero mesmo poder te abraçar,
Chegou o dia pra mim chorar,
Você foi mais cedo que eu e agora vou te soltar,
Quero cantar, mas me faltou ar,
Tenho que me deixar levar,
O vento não deixará parar.
Já vou chegar.
Astronautas olham a Terra
Na lua distantes no espaço
Por lá eles não têm guerra
E também não têm abraço
Talvez eu nem queira esse espaço a sós, esse vago.
E entenda que alguns desejos e almejos,
estão fortes em meu peito.
Tiram-me o sono, me aprisionam, entristecem...
Talvez eu nunca entenda essa dor, da falta,
quando se tem tanto a dar.
E eu me perca mais e mais no tédio de estar só,
sem querer estar.
Talvez eu nem queira ser preenchida,
e sim, toque, abraço, olhar...
Tenho a falta de um luar, de amar,
de um simples enroscar de mãos...
Talvez eu nem queira algo sério, só a seriedade de estar
Não importa com quem eu esteja;
Não importa onde eu vá;
Não importa o que eu faça;
Esse sentimento de solidão estará sempre comigo.
O curioso caso
O curioso caso da pessoa que se interessa nos seus interesses chatos,
E escolhe assuntos que a anulam: os teus simples fatos.
Senta-se à mesa da empatia, à espera do instante em que sairá de sua própria apatia.
Ela se inteira, mais outro fato.
Ora escuta sua música favorita, ora lê o livro que você indicou, ora maratona a série que você tanto se amarrou.
O curioso caso da pessoa que quer ser um bom ouvinte.
Mesmo quando o assunto de outrem passa para o dia seguinte.
Vive disponível à porta de quem quer tanto escutar e senta-se sozinho à mesa da dona empatia, portanto se importar.
Olha a cadeira vazia e não encontra quem há de querer se anular.
Descobrira, por fim, que há o curioso caso de quem não se interessa, enfim.
Eu pensaria
Eu pensaria em outro alguém,
Se um motivo eu tivesse pra viver
Que não fosse te amar.
Já não me procuro
Onde eu possa me encontrar
Que não seja em teu olhar.
Mas aprendi
Que tudo tem o seu lugar
Mesmo sem o alcance de um olhar.
Edney Valentim Araújo
1994...
Quem sente
Já não ouço a sua voz
Mas não me cala
Esse alarido
De quem tem
Por um momento
O grito incontido
Desse amor
Que é infinito.
O vento sopra
Sem dizer de onde vem
Nem revelar pra onde vai,
Mas deixa sempre
O bom perfume de uma flor
Que não se perde pelo ar...
Quem sente seu aroma
Nunca deixa de ama-la.
Edney Valentim Araújo
1994...
Minha amada, minha flor
À vista dos meus olhos
Floresce a mais linda flor,
Os campos que te cercam
Transbordam o teu perfume
Na essência desse amor...
Nos teus olhos há o brilho
Mais intenso e reluzente
Que já me veio iluminar...
Neles mora a menininha
Que me fez apaixonar.
O tic-tac do relógio
Já não parece importar,
O tempo que se passa
Só me faz
Mais e mais te amar...
A cada dia um novo dia,
A cada ano esse amor...
A flor que me encanta
Não perdeu o seu louvor.
Minha amada, minha flor...
Edney Valentim Araújo
1994 / 2019
12 de junho
►Campos Floridos
Estou sentindo aquele vazio
Estou escutando os meus suspiros
Aquele medo que antes eu sentia,
Está retornando, mais intenso, quem diria?
Aquela solidão que outrora me tinha,
Hoje está voltando mais forte do que eu lembrava
Adeus à alegria, autoestima ou estima
Estou em afogando em depressão, em dilúvio
Queria escrever uma canção de amor
Porém, estou mudo, em total desuso.
Todos esses versos voariam ao vento,
Se ela estivesse aqui, mas, faz tanto tempo
Não consigo me lembrar de nossos momentos
Arrancados e destroçados pelo tempo violento
Minhas lágrimas fazem serenas ao se recordarem dela
Minhas palavras se dedicam descrevendo minhas sequelas
Deixadas por aquela que sempre me fazia sorrir
Deixadas por aquela que fazia eu me sentir feliz
Aquela, que hoje não está mais aqui.
Deus, me diga, para onde o senhor a levou?
Por que, senhor, ela se foi e me abandonou?
Não me deixou uma simples carta em despedida
Não me deixou um só fio em minha coberta macia
O que farei agora? Se amá-la era o que eu mais adorava
Se amá-la era o que eu sabia e apreciava em minha vida?
Como continuarei esse conto romântico sem a atriz preferida?
