Poemas de Mistério
Que olhos são esses, morena?
Negros sem distinção.
Tão negros que, nem o meu reflexo posso enxergar.
Tão negros que, nem sei admitir se realmente existe um fim.
Nossa morena, é tanta escuridão que você carrega nesse olhar, que resolvi te chamar pra dançar.
E daí, se não tem música, ou som, ou ritmo ?
Eu quero dançar.
Nós vamos dançar.
E o que dançaremos? Dançaremos a noite sem luar, escura e profunda, como seu olhar.
Que beleza sublime é essa que me atrai?
Tão oculta, misteriosa e sombria.
Morena, não feche esses teus olhos, por favor!
Porque hoje, eu te farei bailar.
Ele é confusão,
Aturde, deprime e consola.
Ah!, como ele me amola,
Mas sem ele a tarde perde a graça
Ele é depressão,
devaneio, erudição
Ele é falsa delicadeza,
sutileza e inapropriação
Conhece-lo de todo é improvável
Desconhece-lo de muito é imprevisível
Dissimulado e cândido
Rubro no pensar
Difícil de tolerar
Bom de abraçar
Quão ruins são os desalentos que o amor nos causa.
Que loucura é o verbo amar, em todos os tempos.
Já dizem especialistas que conjugar esse verbo causa cegueira sem previsão de cura;
Causa também dores internas, não identificadas por exames médicos;
Em busca de laudos muitos procuram solução divina, porém outros acreditam que o Deus tempo é o único capaz de arrancar essa dor, há quem discorde.
A angústia sem sentido comprovado, provoca tonturas, enjoos e delírios.
Um estudo de centenas de anos não seria o suficiente para entender a fundo as causas, o tratamento e a cura.
Fica no ar esse grande mistério.
Amor não tem teto
tem raiz,
pois cresce ao inverso
versa, conversa
e conduz ao todo
o tudo.
Pois o fim do amor
se chama início.
Eu tenho um sonho.
Se esse sonho se realizar,
deixarei de ser quem sou e passo a ser meu sonho.
Se eu passar a ser meu sonho, serei perfeito.
Mas, se eu for perfeito, não serei humano,
pois humano não poderei ser, já que humano não é perfeito da forma como eu quero ser.
Eu quero ser um mistério
para os olhos de outrem.
Viver, sendo este sonho que outrora desejei.
Pode parecer egoísmo, mas acredite, não o é.
O mistério torna bonito
as palavras que eu disser.
Não acredito em sonhos que não forem acontecer.
Sonhando em me tornar um sonho, eu vivo sem parar, vivendo em prol do sonho, estou aqui para quem desejar.
O segredo está escondido, assim como deve ser,
Segredos não se revelam à quem os quer saber.
Eu conto meus segredos Através de contos e poesia.
Quem sabe você não descobre o que eu tanto dizia.
Você é a oitava maravilha, mas disso ninguém vai saber.
Você é meu segredo, E para sempre vou esconder...
A ESTRELA MAIS BRILHANTE DO CÉU
Ela me mostrou o Universo
Me deu a estrela mais brilhante do céu
No seu doce olhar de mistério
Me transmitiu um pedaço do seu véu
Faz muito tempo
Mas eu posso me lembrar
Como se fosse ontem
Daquele seu cantar
Eram nas noites de lua
Que sua voz invadia a minha alma
Abençoava todo o meu Ser
E me trazia a mais pura calma
Deusa da sabedoria
Com tanta ternura e harmonia
Me banhava com aquela água
Que o Sol irradiou energia
Ela foi embora
E ficou saudades
No meu coração
Nada foi em vão
Deixou comigo a sua melhor parte
O Amor era a sua mais bela Arte
O seu abraço era um canto de paz
Tem coisas que não voltam mais
[27/05/2015]
O teu olhar
tem mistérios
que não consigo
desvendar.
Tem um quê
de desejo no ar.
Estes são seus olhos
este é o seu olhar.
Flor da lobeira, fruta-de-lobo ou guarambá,
São majestosas e cercadas de mistérios,
Onde o fruto da lobeira está tem lobo-guará
Ao tenta matar o lobo o fruto o matará;
A Flor esconde o milagre do fruto da lobeira,
Que representa a metade da dieta do lobo
Que alcunha para aquele que não faz mal!
Impressão equivocada seguida de asneira;
Assim é a Flor da lobeira e o lobo-guará
Imponentes na sua inofensiva solidão
Distante do homem preferem ficar,
Sem perder a elegância que paira no ar.
Sagração
Era uma tarde chuvosa de fevereiro,
a janela aberta revelava um céu alvacento
enquanto escutava melodias suaves de piano e flauta.
Uma poetisa apareceu-me de repente. Uma senhora nascida num final de primavera.
Conversamos. Ela declamou-me poesias e, como mágica, as palavras tinham cores e sons.
Eu disse a ela que seus versos me falavam de Deus. Confessei-lhe também que a poesia é mais redentora que os dogmas da religião.
A senhora sorriu um sorriso interrogador aguardando a minha explicação.
Respondi que os dogmas são sempre certeiros. Infalíveis. Escritos por teólogos que sabem definir o Mistério.
A poesia não. A poesia não define o Mistério, a poesia o torna sagrado. E em seguida o lança nos ares do imaginário.
Os teólogos sangram a vida com preceitos. Os poetas, ah, os poetas sagram a vida que o teólogo sangrou.
Então a senhora dos versos sagrados se lançou no desconhecido de minhas próprias palavras e desapareceu.
Vida frágil
Já parou para pensar o quanto a vida é frágil ? Que o que têm hoje, podem sair do nosso alcance amanhã? Que tudo que construimos podem ser destruidos em questão de segundos?
A gente acostuma em ter o que têm. Mas na verdade não é. Em questão de horas a vida pode tirar de nós tudo aquilo que era tão normal existir para você, assim como pode colocar algo que nem imaginava ter um dia.
A vida pode tirar da gente aquilo que é mais precioso da nossa vida. Por exemplo, pode perder alguém muito querido amanhã, assim como conhecer algúem que será seu parceiro por toda sua vida, e que depois que conheceu, não consegue entender como vivia sem esta pessoa ao seu lado.
Assim também descobrir uma doença ou que ganhou na loteria. Em ser assaltado ou ser convidado para trabalhar onde sempre sonhou. De descobrir traição ou ficar famoso com um vídeo no internet.
Cinco anos atrás, você imaginava que estaria trabalhando/estudando onde está hoje? Imaginava se vestir, se relacionar ou frequentar local onde frequenta hoje?
A vida pode te surpreender quando você menos espera... Única certeza na vida é que todo começo tem um fim.
Ela é um mistério. Por isso é tão bela.
Se não está satisfeito com algo, lembre-se : você está vivo. Significa que pode muda-ló ainda!
Valorize tudo que tem e tudo que não tem, pois nada é por acaso !
Se tendo a ser intenso, penso. Se tendo à compaixão, comparo a mim. Gosto de viver, fluir o rio do tempo, deixar transparecer. Como mortal, almejo a felicidade no mais íntimo do meu âmago e também na sua plenitude reluzente, que me transborde mas que nunca me deixe faltar em mim. À mim, minha liberdade, minha dor, meu mistério.
Queres me entender? Estou estampado nos contos de Paulo Coelho, eu sou a dor que Clarice transpassa, guio o mistério como feito nos poemas de Carlos Drummond de Andrade. Sou tudo ou nada, meio termo não faz sentido.
Eu sou o fogo, apraz dessa dor / labareda / te atraio, assim como a mariposa, que pousa no decesso.
(...)
E para o amante, uma dica: O perigo me compete. Desfruto e contemplo a tormenta. E a faço.
eu acredito numa força maior
algo inexplicavelmente misterioso
pode nos afundar ou fazer melhor
depende do quão tu és curioso
a vida por si só
vai nos deixando loucos
então cautela no que vasculhar
pequeno gafanhoto
-Angélica-
E quem é essa que vem chegando
Trazendo a luz por esses cantos
Com seu corpo angelical
E vestida somente por seu manto
Mal sabe o risco que está correndo
Percorrendo por essas bandas
Moça bonita e toda delicada
Segue seu caminho sem se preocupar com nada
Faz o tipo ‘mulher de barão’
E carrega consigo muita coragem
Eis mulher de patrão
Provocante e selvagem
Chama a atenção por onde passa
Esbanjando toda a sua graça
Famélica por sentimentos
Quebrando todos os regulamentos
E quem é ela?
O nome dela é Angélica....
"Um navio viajando pelos mares do mundo
Sonhos navegando pelo espaço dos mistérios
Sentimentos ingressando nas fileiras da conquista,
Amores de um viajante de navios que navega pelo espaço
dos misteriosos sonhos em busca de um amor."
Devaneios
Tua ausência me espanta, já que juraste amor.
Teu sorriso me encanta quando diz-me algo com voz de criança.
A noite pensando, me vem a lembrança, como é Bom ser adulto com sorriso de criança.
Tu és mistério, te confesso, lhe entender é caso sério!
Tu me juras amor, este tão complicado feito o da Lua e o Sol, pois só se esbarram no passar do dia pra noite.
Será que tens amor? Será que tem de ser de fulgor? Me parece amor do Sol e da Lua em que só nos eclipses a se tocar e se amar.
A Lua ilumina minha solidão, vou me perdendo em amores vãos cada dia mais lançado pela utopia de tua mudança!
Tu tens uma ausência tão presente quanto os meus dias de solidão perdido em beijos e abraços frívolos.
Tua frieza me incomoda, amores perdidos em nossa amarga contemporâneidade, virou moda?
Guimarães Sylvio
C ada vez que
A natureza se identifica em mim
T ento não demostrar o cinza da minha
A lma que me dilacera e me
R eprime a cada palavra
I mpensada, a cada silêncio de abismo
N a sulitude dos meus instantes
A quiéto-me no meu silêncio
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M as nos contornos do destino
A minha alma naufrago num
R io de emoçoes de àguas
T urbulentas onde as làgrimas
I nvadem o céu do meu olhar
N um murmúrio de desalento de um
S onho por germinar
autor: Nanda Hansen
Quanto do teu ser
Quanto do meu querer
Enquanto ainda espero?
Quanto está por vir
Quanto por desistir
Quando então, é sincero?
Quanto do meu sentir
Quanto do teu prazer
Quanto de amor, êxtase, paixão?
Doce mistério...
Insinua, desperta,
mas não se revela.
Desculpa minha elegância!
Minha composição não é "química" de laboratório, me comprometo mais com a "gramática" real da linguística...
Tenho nas veias uma doença "crônica", adoro fazer lirismo com os meus assuntos cotidianos.
Tenho versos e poesias diagnosticados como tosse aguda, cuspo sempre sons de sonetos pelos vácuos da humanidade.
Sou doida, com quadro clínico em sandices literárias e ainda moro na lua, quando tenho tempo de escrever meus triviais argumentos que não têm fim, portanto, perde tempo em tentar discutir comigo.
As dosagens dos remédios são diárias em injeções de bipolaridade do amor, uma opção minha, melhor que viver de injeções de amargura e insensibilidade.
É...
Eu sou bipolar inflexível na "arte" de amar, amar o próximo, o próximo da fila do banco, o próximo que gosta de animais, o próximo a ler um bom livro, o próximo que é fã nato de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e entre tantos renomados e ou assistir uma boa série de terror, de amor, os próximos dos próximos e mais os próximos estão na minha lista diária de amor...
Sou de outro tempo...
Talvez eu fui para Pasárgada e me recusei voltar, será?
Talvez ainda esteja pendurada na lua desde a última visita...
Talvez alguém desvende os mistérios que fazem clareza nos meus dias e noites de estações tipicamente inconstantes e necessárias às minhas oscilações e contradições, esse jeito autêntico que grita no meu silêncio e desatina enxaqueca quando não me ponho a declamar...
Suor, desejos que escapam nos gemidos;
Lábios, boca, a língua lá;
sensibilidade que se liberta a cada toque
macia, quente, molhada, doce lábio?
no puxa e coloca;
aquece a pele das almas;
tinha um incrível néctar divino,
o sabor era de mistério.
Eu posso brincar com tudo
Com as palavras que escrevo
Ou com moedas que derrubo
Posso brincar de esconder os sentimentos
Das pessoas que me olham
Ou de olhares bem atentos
Posso brincar de ser criança
Sem pureza, muito menos, inocência
Amando lentamente
Ou apaixonada na indecência
Posso ser brincalhão
Ser taxado de idiota
Ou um covarde sem ação
Um rosto sério
Perturbado pelo tempo
Trazendo em si, mistério
Acorrentado com o vento.
