Pessoas Nostálgicas
Momentos nostálgico, lembrança boa de tempos que ficaram no tempo, não esquecidos, mas distantes o bastante para serem alcançadas. O gosto do sentir e o saber que não há como voltar no tempo e reviver o passado, vida que segue.
Frase de Islene Souza
Sopro da saudade
Senti o vento
Que traz nostalgia
Sensações únicas
Preciosidade simples
Abraça um tempo que não volta.
O ar está quente, as emoções inquietas,
pensamentos que vem e vão,
por vezes nostálgicos, outros idealizados.
Nessa poesia chamada vida, os sentidos se confundem com tanta agitação.
Não é só o respirar de mais um dia, mas uma responsabilidade abraçada que por vezes sufoca.
Ser o que precisa ser, o comprometimento com o necessário que compromete o tempo
que deveria ser dedicado a você.
São lacunas abertas que aumentam no decorrer, deixar de sentir, é não viver.
Não viver a saudade, não viver o sorrir
Apenas ser o que precisa ser
Entregar-se ao instinto, já não é uma opção
São falas de decepção
Um negativismo que impera a razão
Amor que não tem que ser
Sentir de uma desilusão
Ah, o universo conspira
E que situação
Coloca gente no caminho
Só para testar a emoção
Não sentir faz sentido
Está fechado o coração
É mais fácil seguir
Quando sou apenas razão
Lamúrias de um pesar
Saudades que vai passar.
Poesia de Islene Souza
Está acabando
As sensações de cada dia
Há alegria
Há nostalgia
Há tristeza
Mas há sintonia, maresias
Mar envolve meu ser
Revoltas e histórias.
O paraíso nostálgico é o preço mais alto que o coração paga; é a balança injusta que só pesa na memória.
Cantos do mar
O som das ondas do mar
Ecoa a nostalgia de um tempo distante
Ao observar as estrelas na praia, reflexões surgem
E a lua se torna minha confidente noturna
A areia da praia, tão clara e suave como o amanhecer
As rochas do mar ocultas pela maré alta que está à chegar
O frio que sinto, um abraço do vento
E segredos do mar sussurrados pelo vento
Segredos guardados na imensidão azul
A água da chuva cai, cristalina como o mar
Em cada gota, memórias e desejos
Refletidos na dança das ondas
DOR E AFETO
Me vem ligeiramente na mente,
uma nostálgica lembrança.
Tempo em que os pés viviam empoeirados.
Poucas atribuições, muita ciranda.
Avistava as andanças pela fresta do
portão .
As mesmas pessoas rotineiramente por ali passavam, enquanto eu, ansiosamente lhe esperava descer da condução.
Infância que dói, sentimento que constrói.
O semblante é nítido da pureza,
e com tantas pedras no caminho,
esqueceu-se da dor e voltou a brincar de vida.
Reencontro de Saudades
Nas memórias, o tempo se desfaz,
A nostalgia de revê algo que gostamos.
Entre saudades, o coração jaz,
Num reencontro, sonhos reavivamos.
A saudade é uma borboleta que pousa na flor do tempo em dias de nostalgia e nos traz memórias lindas.
Vamos aproveitar a beleza que o Outono nos oferece ao olhar, provocando uma nostalgia boa, saudosa, que a sua presença vai fazendo em nossos corações, que seja um beber doce e lento, que acabe com as nossas tristezas e, que não ofusque a nossa felicidade.
Lembranças, são momentos gravados pela mente. Algo que te faz nostálgico, com desejo de revivê-las, ou não. Transparecendo a infelicidade de viver o real, o indesejado sentir. E pensar em não lembrar, faz a moldura perfeita da saudade, feito escultura em sala, transparente de forma Visível. Quanto à humilhação que se importou menos ainda com os assuntos triviais do coração, um grito a escapar e tudo é música, leve como pluma, quente como fogo. As palavras atormentam a mente cheia, a lembrança quase vaga de alguma alegria vivida, porém esquecida. A menor partícula do coração aos espelhos, tocando a superfície da ferida. Vozes, falando mais do que podem, jurando a eternidade em peito curado, um milhão entre milhares de detalhes, como quebra-cabeça que se completa, eu estou inteiro, uma coisa sublime, entre tocar e sentir, amar e querer. toque que se sente nos ossos, arrepiam a pele e a mente, rápido porém eterno. A divindade profana que permanece por tempo não calculado. E mesmo que eu vá, todas as coisas ficarão gravadas, não em ti, mas em mim.
Nostalgia
Conta pra tua tristeza
Que ela é um rio,
Que deságua, em alto mar,
E, por vez, parece forte,
Como se fosse zarpar,
Entremeando a brisa fria,
Em busca do horizonte.
Meia noite, meio dia,
Sol que nasce atrás do monte
Neblina turva e brilhante
Cai na madrugada fria,
Lua cheia, lá no céu
E em meu peito nostalgia.
Pensa que não sei lhe esquecer
E acha que ainda sofro por você
Mas não vê que eu
Não estou ligando
E ficou até me perguntando,
Como eu pude perder tanto!
Tempo com você?
Que não sabe o que é querer
Que não sabe dar valor.
Vaga-lume
A varanda, nostálgica,
tem sombras balançando
ao entardecer
a memória se enche
de lembranças:
a erva, o carijo
a mão
(de pilão)
calos
artérias salientes
o barulho do trem
― distante ―
as águas do Jacuí.
Sou simplesmente um cosmopolita nostálgico tentando intender a imensidão do vazio em um mundo preenchido pela a indiferença.
A saudade de ser "locão" ou "locona" reflete uma nostalgia por momentos de desprendimento e liberdade, onde a espontaneidade e a alegria de viver eram as únicas bússolas. Essa sensação remete a tempos onde as preocupações eram menores e a disposição para se jogar nas aventuras da vida parecia inesgotável. Importante é reconhecer que a loucura boa, aquela que nos faz sentir vivos e conectados com o mundo de forma autêntica e vibrante, não tem prazo de validade. Ela pode se manifestar em diferentes formas e intensidades ao longo da vida, adaptando-se à nossa evolução pessoal e às circunstâncias. Permitir-se momentos de descompromisso, de riso fácil, de fazer algo inesperado ou simplesmente viver com menos rigidez, são formas de manter a chama dessa loucura boa acesa, independentemente do gênero ou da idade.
MEMÓRIAS DE JUNHO
Junho, você chegou!
Junto a ti a alegria e a nostalgia, uma relação difícil de explicar, é coisa de sentir, só quem conhece sabe falar.
Ah junho, eu estou tão longe do meu berço, do teu cheiro tão marcante, do teu sabor irresistível e da tua energia contagiante, tão distante.
Mas, você ocupa um espaço vitalício no terreno das minhas memórias, das mais doces e lindas histórias que experienciei na minha infância, junho é uma dança que nunca esquecerei a coreografia.
Não posso te chamar de mês seis, seis é metade e você é inteiro, completo, infinito dentro de mim.
Você é o mês que tem cheiro, gosto, som e veste xadrez.
Senta aqui, vamos conversar!
Quanta história temos pra contar...
Eu ouço o barulho da lenha quebrando, do meu avô derretendo plástico, dos meus olhos enfeitiçados com a cena; coração acelerado, que alegria! Não importa de quem é o dia, Junho chegou, é São João.
Acordar em junho era sempre flertar com a expectativa, nada era programado, mas tudo que desejávamos simplesmente acontecia. Junho nunca me decepcionou.
Hoje é a festa do colégio, eu vou usar a bota do ano passado e o conjunto que Cosme fez. Eu vou levar refrigerante, porque tia Lú já vai levar bandeja... Vó tá aqui brigando vendo tia Lú vasculhando a gaveta, é que pegaram três panos de prato ano passado e nunca devolveram.
Tudo pronto, vamos subir. Cadê Deni que não chega com Fernanda?
Liga lá pra saber, o final é 37.
Camila, “segunda dessa que vem a oito” é a feira de São João, não gaste com besteira, senão vai ficar sem fogos pra soltar na fogueira.
Já são quase 4:00pm.
A carroça de toco chegou, chama pra mim teu avô.
O banho era cedo, antes do sol se pôr, fazia parte do ritual perfumar os cabelos molhados com a fumaça da fogueira e ouvir vó gritar: ‘’menina sai da barra do vento tu acabou de tomar banho quente’’.
E assim eram os dias de Junho, ruas repletas de fogueira, sorrisos e crianças vivendo em plenitude a infância. Sem medo, sem maldade, sem ostentação...
Eu nunca enxerguei Junho como um mês, Junho era um estado de espirito que eu desejava que fosse milagrosamente infinito.
O ruído da internet discada é nostálgico, porque, hoje, conectada de forma ilimitada, a humanidade se afoga em dados, entre verdades e mentiras indistinguíveis.
NOSTALGIA (num dia de chuva)
Como a chuva se compõe angustiante
Nublada, penosa e tão cheia de teor
Que torna o céu de acinzentada cor
O fôlego se ausenta por um instante
O chão encharcado e tão ressonante
Causa na sensação pulsação e temor
Na batida da chuva, num tom maior
Pingo a pingo, ela, estronda meliante
Também, ermo, também, n’alma toca
E a emoção relenta e, no peito sufoca
Em um versejar que saudade contém
Junto, pois, o meu pranto, e a agonia
Chove lá fora, respingando na poesia
Nostalgia, é chuvarada, nela alguém!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19 janeiro, 2025, 14’08” – Araguari, MG
