Coleção pessoal de LucianoBentoPoesia

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A Metamorfose do Afeto


​Há um silêncio sagrado nas coisas que não se explicam apenas pela lógica, mas que encontram morada na sensibilidade de quem sabe escutar o mundo com os olhos da alma. É nesse território onde a espiritualidade do eu se funde à espiritualidade com a natureza que se compreende a verdadeira dimensão da existência. As árvores não questionam suas raízes; apenas sustentam o peso do vento com uma força ancestral, ensinando que a autoconfiança e a autoestima não nascem do aplauso alheio, mas da certeza silenciosa de quem aceita o próprio ritmo e a própria coerência.


​Às vezes, perde-se nas ilusões de um amor platônico, idealizando silêncios e distâncias que só existem na curva dos pensamentos. Mas a vida, em sua infinita sabedoria, devolve ao chão fértil do real quando transforma esse amor platônico em um amor de amizade — aquele que se disfarça de carinho cotidiano e se sustenta no cuidado mútuo de quem não exige nada, senão a presença. É o verdadeiro amor amigo, que chega sem estrondo, trazendo a certeza do bem querer e a paz de um abrigo seguro.


​Nessa troca genuína, descobre-se o valor raro da reciprocidade. Não há balança pesando o que se dá ou o que se recebe; há apenas o fluxo natural de duas almas que se reconhecem e se validam. É a manifestação viva de um amor verdadeiro, despido de vaidades, que lembra que ninguém caminha só neste vasto labirinto da vida.


​Por tudo isso, fica o profundo agradecimento à terra que sustenta os passos, ao vento que sopra o supérfluo e às mãos amigas que se unem quando a tempestade ameaça. Viver é a arte de traduzir em versos o que o coração, com seu ouvido absoluto, capta na sinfonia do universo.


Luciano Bento

O Mar de Dentro


O peito às vezes pesa, o horizonte estremece,
E no silêncio da noite, a angústia aparece.
Vem com passos discretos a tal melancolia,
E esconde, por instantes, a luz que antes guiava o dia.


Mas nenhuma nuvem é eterna no céu do coração,
Sempre há espaço para o abraço da superação.
Se a tristeza hoje insiste em ser visita ou maré,
Amanhã o chão se firma na força da minha fé.


Renasce nos pequenos gestos a pura alegria,
Que brota como semente, sem ter hora nem dia.
Lembro quem sou, acolho minhas próprias dores,
E rego a auto-estima pra florescer novas cores.


Resgato a autoconfiança em cada passo que dou,
Firmando a alma no chão de quem eu sempre fui e sou.
Entre o medo e a esperança, deixo fluir o amor,
Que cura os desgastes e transforma toda a dor.


Sem pressa do amanhã, sem carregar o passado,
Vivo o tempo presente, com o peito abençoado:
Só por hoje eu sinto, cuido de mim e sigo em paz,
Pois sei que dentro de mim reside o ser que é capaz.


Poesia:
Luciano Bento

Laços do Tempo e do Espaço


No entrelaçar de dois caminhos e olhares,
Nasce a amizade sincera e sem véu,
Que atravessa a amplidão dos mares,
E ilumina os dias sob o mesmo céu.


Há um carinho leve que a vida nos dá,
Feito de pura e serena afetividade,
Um ponto seguro onde a alma está,
Unida pelo dom da reciprocidade.


Mesmo quando os passos traçam a distância,
E a estrada parece longa a caminhar,
Preserva-se a essência e a elegância,
Daquilo que o tempo não pode apagar.


Sua falta vira verso, vira saudade,
Mas não há ponte que a memória não cruze,
Pois o verdadeiro amor é tempestade,
E ao mesmo tempo a luz que nos conduze.


Pois onde há afeto verdadeiro e forte,
Nem a distância desfaz o nó do desejo:
Onde quer que estejas, no sul ou no norte,
Teu abraço será sempre o meu aconchego.


Luciano Bento

⁠No jardim do tempo, há flores raras,
E entre tantas, te encontrei,
Doce encanto, brisa clara,
Meu destino, minha lei.

Seja estrela na minha estrada,
Sol que aquece sem tardar,
Que esse sentimento -AMOR- seja jornada,
E jamais deixe de brilhar.

Aniversário

Mais um ciclo finda,
a primavera em flor
Já se tornou lembrança,
suave calor.

Senhor, a Ti a prece,
em gratidão profunda,
Por este dom sagrado
que em mim redunda:

Sentir pulsar a vida,
em cada fibra, forte,
Viver a própria vida,
encontrar minha sorte!

Porque vivo a vida,
em cada novo instante,
De viver, simplesmente,
vibrante e constante!

⁠"Elo de carinho"

⁠Amizade é um laço, um elo de carinho,
Um porto seguro, um caminho.
É cumplicidade no olhar, é riso e choro,
É o aconchego que acalma, é o amor que adoro.

Amizade é um ombro amigo, sempre a esperar,
Para acolher as lágrimas, para ajudar a superar.
É cumplicidade nas horas de alegria e dor,
É o amparo de um abraço, é o calor do amor.

Choro na amizade, é como chuva no verão,
Lava a alma, renova o coração.
O verdadeiro amigo, é como um farol no mar,
Guia-nos na tempestade, ajuda-nos a navegar.

Abrigo na amizade, é como lareira em noite fria,
Aquece a alma, traz paz e harmonia.
Carinho na amizade, é como melodia infindável,
Toca o coração, faz a vida mais afável.

⁠⁠"Flor de Maracujá"

⁠Em um jardim de segredos, uma paixão floresce,
Por uma flor delicada, que o coração aquece.
Uma paixão inebriante, um amor secreto,
Como o perfume de uma flor, doce e discreto.

A flor, com suas pétalas de veludo,
Guarda um amor profundo, mudo.
Um amor que, como o orvalho da manhã,
Brilha silenciosamente, em uma canção profana.

A paixão é como a abelha, que busca o néctar,
Na flor, encontra o amor, seu elixir eterno.
Um amor secreto, um sentimento interno,
Como a semente que sonha em ser um cedro.

Inebriante paixão, como o vinho da primavera,
Embriaga a alma, faz o coração acelerar.
Por uma flor, uma paixão secreta,
Um amor que, como a flor de maracujá, espera.

"Amizade Sincera, Amor Platônico"

Em um jardim de amizade sincera, floresce um amor platônico,
Como uma rosa rara, bela e simbólica.
Um sentimento silencioso, mas tão poético,
Em cada gesto, em cada olhar, algo tão idílico.

Amor platônico, como uma estrela distante,
Brilha intensamente, mas permanece constante.
Em uma amizade sincera, é um tesouro escondido,
Um segredo guardado, um sentimento não dito.

A amizade é o sol, que ilumina o dia,
O amor platônico, a lua, que guia a noite fria.
Juntos, criam um céu de emoções diversas,
Uma sinfonia de corações, uma constelação de conversas.

Amor platônico em uma amizade sincera,
É como uma melodia suave, uma canção etérea.
Um sentimento puro, uma chama que não se apaga,
Um amor platônico, uma amizade que se destaca.

⁠Escolhas

Na encruzilhada da vida, onde os caminhos se bifurcam; o coração hesita; a mente se debate. Escolher é como folhear um livro antigo - cada página revelando um destino - um enigma.

Escolho o sol que me aquece, a chuva que me lava, as estradas lamacentas e os atalhos incertos. Nas mãos, a liberdade de traçar meu próprio mapa, de dançar com o vento e abraçar o desconhecido.

Escolho o riso que ecoa, o olhar que me escolhe, a amizade que floresce e o amor que transcende. Não por acaso, mas por afinidade, escolho aquela que também me escolhe.

E assim, entre as encruzilhadas da vida, caminho com passos firmes e olhos atentos. Escolho ser eu mesmo, autêntico e inteiro. Porque a maior escolha é aquela que nos faz verdadeiros.

⁠Rosa Cinzenta

No jardim das cores raras,
Surge a rosa cinzenta,
Entre tons de luar e brumas,
Sua beleza se apresenta.

Não é vermelha de paixão,
Nem branca de pureza,
É a cor da transição,
Da vida em sua sutileza.

Pétalas que contam histórias,
De dias que se transformam,
Entre cinzas e memórias,
A rosa cinzenta se adorna.

Ela é o abraço da calmaria,
O silêncio entre a tempestade,
A poesia que se fazia,
Na quietude da saudade.

Rosa cinzenta, flor singular,
No jardim do tempo, és especial,
Entre o claro e o escuro,
És a beleza do futuro.

⁠Na Janela da Alma

Em cada janela que se abre,
Espalhe amor, a semente nobre.
Que a amizade floresça e cresça,
E a saudade se esqueça.

Com um sorriso sincero e terno,
Abrace o mundo, seja eterno.
Em cada gesto, em cada olhar,
Espalhe amor, a vida celebrar.

Na janela da alma, a luz se acende,
A amizade eternamente transcende.
A saudade se transforma em lembrança,
Em cada abraço, a esperança.

Espalhe amor, a melodia da vida,
Que a amizade seja a partitura escolhida.
Na janela do tempo, a saudade se desfaz,
Em cada amanhecer, um novo compasso se faz.

⁠"O que é a vida?"

O que é a vida, senão um sopro ao vento,
Uma chama que arde, um eterno momento?
É o riso e o choro, a dor e o contentamento,
É o tecer do tempo, é o nosso alimento.

A vida é um rio que corre sem cessar,
É o sol que se põe, é a lua a brilhar.
É o amor que floresce, é o medo de amar,
É o sonho que nasce, é o desafio de sonhar.

A vida é um livro, cada dia uma página,
É a busca da verdade, é a mais bela viagem.
É a esperança que renasce, é a fé que nos embala,
É a força que nos move, é a paz que se instala.

O que é a vida, senão um presente divino,
Um mistério profundo, um destino tão fino?
É a arte de viver, é o maior ensino,
É a canção que ecoa, é o nosso hino.

⁠Ser emotivo(a) e emocionalmente vulnerável não é o que os "acéfalos" ignorantes de sensibilidade denominam de “mimimi”. É uma expressão autêntica de sentimentos e emoções. Essas pessoas têm a capacidade de se conectar profundamente com os outros e experimentar o mundo de maneira intensa. A vulnerabilidade emocional, quando entendida e respeitada, pode ser uma grande força - permitindo empatia, compreensão e autenticidade. É importante respeitar e validar as emoções das pessoas, pois cada um de nós tem uma maneira única de experimentar e expressar nossos sentimentos.

⁠A saudade de ser "locão" ou "locona" reflete uma nostalgia por momentos de desprendimento e liberdade, onde a espontaneidade e a alegria de viver eram as únicas bússolas. Essa sensação remete a tempos onde as preocupações eram menores e a disposição para se jogar nas aventuras da vida parecia inesgotável. Importante é reconhecer que a loucura boa, aquela que nos faz sentir vivos e conectados com o mundo de forma autêntica e vibrante, não tem prazo de validade. Ela pode se manifestar em diferentes formas e intensidades ao longo da vida, adaptando-se à nossa evolução pessoal e às circunstâncias. Permitir-se momentos de descompromisso, de riso fácil, de fazer algo inesperado ou simplesmente viver com menos rigidez, são formas de manter a chama dessa loucura boa acesa, independentemente do gênero ou da idade.

⁠A vida, em sua essência, é uma tapeçaria complexa tecida com fios de dúvidas e indecisões, onde cada nó representa uma escolha, um caminho a ser seguido. As ambiguidades são as cores que dão profundidade a essa obra, desafiando-nos a encontrar beleza na incerteza e a aprender com o desconhecido. Acertar as irresoluções, então, é o processo de dar forma ao nosso destino, de encontrar clareza no caos. É um exercício contínuo de crescimento e adaptação, onde cada decisão tomada é um passo em direção ao entendimento de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Assim, a vida se revela não apenas como um emaranhado de questionamentos, mas como uma jornada de descobertas, onde cada dúvida e indecisão nos convida a explorar novas possibilidades e a moldar com nossas próprias mãos o tecido de nossa existência.

Eu sou música, poesia, arte... (parte 2)
Eu sou a melodia que se desenrola suavemente no ar, a poesia que dança entre as palavras, tecendo significados profundos e emocionantes. Sou a arte em sua forma mais pura, expressando a essência do ser, capturando a beleza efêmera da existência.
E minh'alma veio a este mundo movida por uma busca incessante pela felicidade, um anseio profundo de viver cada momento com intensidade e propósito.
E em cada passo dessa jornada, meu desejo é compartilhar essa luz, essa inspiração, contigo. Encantar-te é mais do que um objetivo; é uma missão, um chamado do coração.
Através da música, da poesia, da arte, eu me revelo, buscando tocar as fibras mais sensíveis da tua alma, despertando sentimentos, sonhos e possibilidades. Porque, no fim das contas, ser música, poesia, arte...
...é ser ponte entre os corações, é ser luz na penumbra, é ser amor em movimento.

⁠A fluidez do tempo é uma constante fascinante na experiência humana, onde o futuro rapidamente se transforma em presente e, quase sem percebermos, se sedimenta como passado, tecendo a rica tapeçaria da nossa história pessoal e coletiva. Essa percepção nos convida a refletir sobre a importância de cada momento vivido e cada interação que temos. Ser parte da história de alguém, assim como permitir que outros façam parte da nossa, é um lembrete poderoso da nossa conectividade e da influência mutua que exercemos uns sobre os outros. Essas conexões, por mais breves ou duradouras que sejam, contribuem para moldar quem somos e como percebemos o mundo ao nosso redor. Valorizar essas interações e reconhecer o papel que desempenhamos na vida das pessoas e vice-versa, é um convite à empatia, ao respeito e ao amor, fortalecendo laços que transcendem o próprio tempo.

⁠Na vida:
a mudança é inevitável;
a perda é irremediável;
a felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo.
Resiliência é a única ação que temos, para caminhar nas nuances que a vida nos dá.
O luto é preciso, e, cada um - individualmente - saberá como passar por esse processo!

⁠Todo gole amargo de cerveja carrega a triste história de um trigo que poderia ter sido um doce e delicioso pão...

⁠O Cavaleiro da Triste Figura

Dom Quixote, o cavaleiro sonhador. Nas páginas de Cervantes, ganhou vida, com armadura e lança; ele partiu em busca de aventuras - coragem renascida.

Dulcineia, sua musa imaginária, inspiração para lutas e desafios. Sancho Pança, fiel escudeiro, acompanha-o com sonhos nos olhos.

Moinhos de vento, gigantes se tornam, ovelhas, exércitos em sua mente. Quixote, o “Cavaleiro da Triste Figura”, persiste, mesmo quando a derrota é iminente.

Louco ou visionário? A linha é tênue, entre realidade e fantasia. Dom Quixote, símbolo de liberdade, nos ensina a valorizar o que realmente importa, dia após dia.

Seu legado transcende as páginas, pinturas, poesias, emoções e canções. Dom Quixote, eterno e imortal, voa além dos moinhos, em nossos corações.