Oi tudo bem

Cerca de 154731 frases e pensamentos: Oi tudo bem

Viva o agora! Viva-o já!
Amanhã!? Bem, amanhã...
posso ser displicente
ser diferente
ou talvez eu me reinvente...
mudando pra sempre...
afinal, já falei... sou consistente
e vivo o presente...
e cada dia é diferente... concorda?


Viva o agora! Viva-o já,
antes que o instante se dissolva
na esquina invisível do tempo,
antes que o sonho se esconda
sob a poeira dos dias.


Amanhã? Bem, amanhã
posso ser displicente,
posso ser diferente,
ou talvez me reinvente,
mudando para sempre,
como quem troca de pele
sem deixar de ser semente.


Afinal, já falei: sou consistente,
feito rio que segue adiante,
mas guarda nas margens
a memória de cada nascente.
Vivo o presente —
este milagre breve,
esta chama que arde
entre o que fui e o que serei.


E quando penso ter partido,
quando o passado parece distante
e o futuro se abre, gigante,
há uma voz, terna e persistente,
que atravessa o silêncio,
me alcança de repente,
e ainda insiste
em me chamar pelo nome.


Então eu paro.
Respiro.
Escuto.


Porque talvez viver seja isso:
não fugir do tempo,
mas abraçá-lo no instante exato
em que ele passa —
e, por um segundo,
também me abraça.

"Eu cheguei"


A vida brota bem pequena,
como uma folha a desdobrar.
Cresce serena e crescida,
no tempo certo de chegar.
​Acolhe o pingo da chuva,
busca o abraço do sol,
descansa no colo da noite,
espera a luz do girassol nas manhãs.
​Nas tardes mansas de vento,
na primavera eu floresci.
O verão trouxe o seu calor,
no outono as folhas vi cair.
​No inverno fiz meu abrigo,
calmando os passos da corrida.
Venci cada desafio,
sarando as dores da vida.
​Esqueci velhas feridas,
fiz das cicatrizes paz.
Guardando meus lindos sonhos,
olho a estrada e sei: cheguei.

Encantar não é fazer algo grandioso. É fazer o básico tão bem que pareça extraordinário.

O Bem que Você me Faz!



Quando paro para pensar no bem que você me faz,
descubro que tua presença é meu abrigo, minha paz.
Cada palavra trocada, cada instante a florescer,
é um silêncio bonito que me ensina a viver.


Não sei se devo entender ou apenas sentir,
essa calma tão rara que me convida a existir.
Só sei que, se o tempo pudesse um instante parar,
eu faria dos teus braços o meu eterno lugar.


Saudades de você... saudades de mim,
de quem eu me torno quando estás perto de mim.
Porque em teu afeto encontro o que nunca perdi:
a parte mais bonita que renasce dentro de si.


Você colore meus dias com tua alma de menina,
feito sol que amanhece e toda sombra ilumina.
Teu sorriso frouxo, tão leve ao florescer,
faz o mundo inteiro mais bonito de se ver.


Teu abraço é porto seguro, calmaria depois da ventania;
tua doce teimosia transforma sonho em poesia.
E, sem perceber, faz o impossível acontecer,
como se amar fosse apenas um jeito bonito de viver.


Se isso tem nome, não preciso descobrir;
há mistérios que nasceram somente para sentir.
Enquanto houver teu riso para meu peito aquecer,
que nunca tenha fim o bem que existe em te querer.

Minha vida


Minha vida quero viver
bem do jeito que eu quiser...
sem nenhum controle -
descontrole total...
ela é minha afinal.


Quem manda nela sou eu -
eis um fato beeemmm real!


Beleza, amigo...
segure as rédeas na sua mão,
escolha você a direção...
siga na mão...
ou na contramão...


Você é o piloto
sua própria vida pode pilotar,
seu próprio ar a própria hélice girar,
e deixa o mundo a rodar, a rodar, a rodar
e você com ele se entontear.

"Somos herdeiros de um legado de luz, mas apenas o trabalho no bem nos torna dignos de transmiti lo às gerações futuras."

AGASALHO DE TERNURA.
Vem, porque me fazes bem, vem sem demora,
como a paz que à minha noite se incorpora;
desces mansa qual agasalho de ternura,
revestindo de esperança a noite escura.
Toco a tua pele — pétala macia,
onde o céu aprende o nome da harmonia;
cada gesto teu, tão puro e tão singelo,
faz da própria luz o mais perfeito anelo.
Teu sorriso, silencioso, é primavera,
que à tristeza antiga, enfim, já não impera;
e, ao surgir em teu semblante a claridade,
florescem jardins na minha eternidade.
Caem brandas as cerejeiras em flor,
como bênçãos desprendidas do amor;
cada pétala, rendida ao teu encanto,
vai bordando de perfume o meu recanto.
Se me olhas, já não temo a ventania,
pois teu peito é meu abrigo noite e dia;
se me calas, teu silêncio ainda diz
o segredo de tornar-me mais feliz.
Vem, e fica, sem promessa nem adeus;
que o infinito cabe inteiro entre os teus.
Pois amar-te é descobrir, em cada alvor,
que a ternura é a forma mais perfeita do amor.

Pra bem viver a vida
de vez em quando é preciso
Aprender
A enxergar com os ouvidos
Saber dizer com o olhar
e, na maior parte do tempo
Fazer que não viu
e fingir que não ouviu
Fechar os olhos
e assim
Se calar

Eu sinto a tua presença
Aqui, bem pertinho de mim
E penso também assim
de um jeito que você mesma
Poderia deixar-se ficar
Abismada
Sem explicação, nem nada
Por pensar que nem você pensa
Quando sozinha
Escuridão à meia-luz
Um denso silêncio
Entristece as madrugadas
Mesmo assim
Eu sei que ri
Sabendo-se também aqui
Pois esta minha imensa vontade
Me traz a sua presença
e põe aqui, pertinho de mim
E não me sinto mais, tão sozinho
E é muito doce
Essa presença
que meu pensamento trouxe
Enquanto isso...compromisso
Em olhar os ponteiros lentos
Contar momentos
e devorar cada hora que separa
A mim mesmo dessa alegria
Há tanto tempo adiada
de simplesmente olhar
e saber o quanto é bom
e respirar o mesmo ar
na escuridão da madrugada
Te olhando e olhando
e mais nada

Edson Ricardo Paiva

A sublime essência de ser quem somos, faz-nos reconhercer lugares na qual não somos bem-vindos

O Tempo da Recompensa


Ajustiça divina não falha e o universo nu
nca esquece o bem que plantamos em segredo. Ao longo do caminho, passamos por invernos rigorosos onde pensamos que nossos sonhos haviam morrido e que certas vitórias nunca bateriam à nossa porta. No entanto, a vida possui uma sabedoria própria e silenciosa. Chega um momento sagrado em que tudo aquilo que você plantou com amor, paciência e honestidade começa a florescer. O que parecia impossível acontece. A vida devolve cada gota de suor e cada lágrima derramada em forma de paz e colheita farta. Nada se perde quando agimos com o coração limpo.

⁠Minha razão
sem pai
nem mãe:
Diz ser
bem resolvida
quando na chegada
ou na saída
resolve embirutecer;
Cala-te boca!
Não vês
que esse assunto
tornou-se sigilo
e cobra-se
erro com erro,
falta com falta,
eu seria um canalha
ao tentar
lhe esquecer!

Que partas
de ti
e também
de mim:
O encontrar-se bem!
⁠

⁠Ser "do bem"
já quita
nossas dívidas.

Vista-se
de amor
e o resto
"mande pro ralo",
é um tal
de bem-me-quer
que consulta
o caso raro;
Eu te digo:
Tem coisas que deixam
"⁠em linha de frente"
um romance
pouco divulgado.

(A)mar
os males
que vem
pra bem,
sei de mim agora
que toda perplexidade possível
não seria suficiente
para expressar
por mim
o mais dócil
dos sentimentos
e a voz
que grita
na maioria
das vezes
pede socorro
de forma sutil.⁠

A ORIGEM DO BEM E DO MAL: A LEI DIVINA, O LIVRE-ARBÍTRIO E O PROGRESSO MORAL DO ESPÍRITO
UMA REFLEXÃO À LUZ DE ALLAN KARDEC EM
“A GÊNESE”
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre os grandes questionamentos da humanidade, poucos despertam tanta reflexão quanto a origem do bem e do mal. Desde os tempos antigos, o ser humano busca compreender por que existem o sofrimento, as imperfeições morais, as injustiças e as dores que acompanham a trajetória terrestre.
Allan Kardec, em A Gênese, apresenta uma análise profunda e racional desse problema, afastando tanto a ideia de um Deus criador do mal quanto a existência de um princípio eterno destinado exclusivamente à maldade. Para a Doutrina Espírita, Deus é a inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas; sendo infinitamente perfeito, justo e bom, tudo aquilo que procede de sua vontade traz em si a marca de sua sabedoria.
O mal, portanto, não pode ter origem em Deus.
DEUS E A IMPOSSIBILIDADE DO MAL COMO CRIAÇÃO DIVINA.
Se o mal fosse atribuído a um ser independente e eterno, haveria a necessidade de admitir uma potência contrária a Deus. Existiriam, assim, dois princípios absolutos em constante oposição: um voltado para o bem e outro destinado ao mal.
Essa concepção, porém, seria incompatível com a harmonia observada na criação, pois significaria aceitar uma disputa permanente entre forças equivalentes. A ordem universal, entretanto, revela unidade, equilíbrio e finalidade.
Se, por outro lado, esse ser fosse inferior a Deus, teria necessariamente sido criado. E, nesse caso, o problema permaneceria: Deus teria criado um Espírito destinado ao mal, o que contrariaria sua bondade infinita.
A visão espírita conduz a outro entendimento: o mal não é uma criação divina, mas consequência das imperfeições do Espírito em sua marcha evolutiva.
O MAL E SUAS CAUSAS.
Kardec distingue dois grandes grupos de males que atingem a humanidade:
aqueles que independem diretamente da vontade humana, como os fenômenos naturais;
aqueles produzidos pelo próprio homem, através de suas escolhas, paixões e imperfeições.
Muitas vezes, o ser humano julga determinados acontecimentos como injustos porque observa a realidade apenas sob uma perspectiva limitada. Sua compreensão alcança somente uma pequena parte do conjunto dos acontecimentos.
A criatura humana vê o momento presente; Deus contempla a totalidade da evolução.
Aquilo que parece sofrimento sem finalidade pode possuir uma função educativa dentro das leis divinas. A dor, quando compreendida espiritualmente, não representa abandono ou punição arbitrária, mas instrumento de aprendizado e transformação.
A DOR COMO INSTRUMENTO DE PROGRESSO.
A inteligência humana recebeu recursos para enfrentar as dificuldades da existência. Ao longo da história, as necessidades estimularam descobertas, desenvolveram conhecimentos e impulsionaram o progresso.
As dificuldades despertam a capacidade de pensar, criar e superar obstáculos.
Sem desafios, o Espírito permaneceria estacionado. A experiência dolorosa, embora muitas vezes difícil de compreender, impulsiona o desenvolvimento das faculdades humanas.
A dor funciona como um chamado à renovação interior.
Ela revela limites, corrige caminhos e desperta valores que permaneceriam adormecidos.
AS VERDADEIRAS RAÍZES DO MAL.
Segundo Kardec, grande parte dos sofrimentos humanos nasce das próprias imperfeições morais.
O orgulho, o egoísmo, a ambição desmedida e a busca exagerada pelos interesses pessoais estão na origem de muitos conflitos individuais e coletivos.
As guerras, as injustiças, as opressões e grande parte dos desequilíbrios sociais têm como fundamento o afastamento do homem em relação às leis divinas.
Deus estabeleceu leis perfeitas, cujo objetivo é conduzir o Espírito ao bem. Essas leis estão inscritas na consciência humana e são constantemente recordadas pelos ensinamentos dos grandes mensageiros espirituais.
Jesus, como guia e modelo da humanidade, apresentou o caminho da renovação moral através do amor, da humildade, do perdão e da caridade.
O MAL COMO AUSÊNCIA DO BEM.
Uma das mais profundas afirmações de A Gênese está na compreensão de que o mal não possui existência própria como força independente.
Assim como o frio representa a ausência do calor, o mal representa a ausência do bem.
Não existe uma essência criada para o mal. Existe o afastamento voluntário do bem.
Quando o Espírito escolhe caminhos contrários às leis divinas, experimenta naturalmente as consequências de suas próprias escolhas.
O sofrimento decorrente das más decisões não representa vingança divina, mas resultado educativo da própria lei de causa e efeito.
Deus não condena o Espírito; oferece continuamente oportunidades de aprendizado e renovação.
O LIVRE-ARBÍTRIO E A RESPONSABILIDADE MORAL.
Uma das maiores dádivas concedidas ao Espírito é o livre-arbítrio.
Deus poderia ter criado seres automaticamente inclinados ao bem, sem possibilidade de erro. Porém, nesse caso, não haveria verdadeira conquista moral.
A perfeição adquirida pelo esforço próprio possui valor superior à perfeição recebida sem participação consciente.
O Espírito progride porque escolhe, aprende, corrige-se e transforma-se.
A responsabilidade pelo mal praticado pertence ao próprio ser que, utilizando sua liberdade, escolheu caminhos contrários à lei divina.
AS PAIXÕES E O PROCESSO EVOLUTIVO.
Kardec explica que as paixões, em sua origem, tiveram uma função necessária no desenvolvimento humano.
Nos estágios iniciais da evolução, o instinto de conservação predominava. A busca pela sobrevivência era uma necessidade natural.
Entretanto, aquilo que foi útil em determinado estágio pode tornar-se prejudicial quando permanece sem controle em fases superiores.
O problema não está na existência das tendências naturais, mas no abuso delas.
A inteligência deve conduzir os impulsos, elevando o Espírito acima das necessidades exclusivamente materiais.
O progresso espiritual ocorre quando o ser aprende a dominar suas inclinações inferiores e direciona suas forças para o bem.
CONCLUSÃO:
O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO INTERIOR.
A origem do mal, segundo o Espiritismo, não está em Deus, nem em uma força exterior criada para corromper o homem.
Ela encontra-se nas escolhas equivocadas do Espírito ainda em processo de evolução.
Mas, ao lado do mal, Deus colocou o remédio: a consciência, a inteligência, o aprendizado, a experiência e a possibilidade permanente de renovação.
O mal não é o destino do Espírito. É apenas uma etapa superável no caminho do aperfeiçoamento.
A criatura humana carrega dentro de si a capacidade de transformar-se. Quando compreende as leis divinas e decide praticar o bem, inicia a verdadeira libertação interior.
A grande vitória do Espírito não é jamais ter enfrentado dificuldades, mas ter aprendido, através delas, a escolher conscientemente o amor, a justiça e a fraternidade.
FONTES.
KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Capítulo III — “O Bem e o Mal”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — Das Leis Morais.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V — “Bem-aventurados os aflitos”.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Capítulo IX — “Os Demônios”.

O BEM E O MAL
- SEGUNDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
A LEI DIVINA COMO GUIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA ( 621 L.E. )
Marcelo Caetano Monteiro.
No estudo da moral espírita, Allan Kardec dedica especial atenção à compreensão do bem e do mal. As questões 629 a 646 de O Livro dos Espíritos apresentam uma profunda análise filosófica e espiritual sobre a origem das escolhas humanas, a responsabilidade do Espírito e o papel da inteligência no discernimento moral.
Para o Espiritismo, o bem e o mal não são forças independentes ou princípios eternos em oposição. Existe uma única soberania: Deus, princípio supremo de justiça, amor e sabedoria. O mal surge como consequência do afastamento voluntário do Espírito em relação às leis divinas.
A MORAL COMO REGRA DE CONDUTA.
Na questão 629, Kardec pergunta:
“Que definição se pode dar da moral?”
Os Espíritos respondem:
“A moral é a regra para bem se conduzir, isto é, a distinção entre o bem e o mal.”
A moral, portanto, não é uma simples convenção humana ou um conjunto de costumes passageiros. Ela está fundamentada na lei de Deus, inscrita na consciência do Espírito.
O homem age moralmente quando compreende que sua existência não está isolada, mas ligada ao bem coletivo. Fazer o bem significa harmonizar-se com a ordem divina.
COMO DISTINGUIR O BEM DO MAL.
Na questão 630, encontramos uma definição essencial:
“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus, o mal tudo o que dela se afasta.”
A distinção entre bem e mal não depende apenas das opiniões humanas, pois a criatura pode equivocar-se segundo seus interesses, paixões ou limitações intelectuais.
Deus concedeu ao Espírito a inteligência justamente para que ele desenvolva o discernimento. Conforme esclarece a questão 631, o homem possui os meios de distinguir o bem do mal quando busca compreender a vontade divina.
A consciência é o instrumento interior dessa orientação.
A REGRA DE JESUS: A RECIPROCIDADE.
Na questão 632, Kardec questiona como evitar o erro na avaliação do bem e do mal.
A resposta dos Espíritos recorda o ensinamento de Jesus:
“Vede o que quereríeis que vos fizessem ou não vos fizessem: eis tudo.”
Essa é a lei da reciprocidade, fundamento da convivência moral. O homem compreende o bem quando consegue colocar-se no lugar do semelhante.
A pergunta essencial para nossas atitudes deve ser:
Eu aceitaria receber do outro aquilo que estou oferecendo?
O LIMITE DAS NECESSIDADES HUMANAS.
A questão 633 apresenta um ensinamento de grande profundidade:
“A lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento.”
O sofrimento, muitas vezes, não representa uma punição arbitrária de Deus, mas a consequência natural do desequilíbrio criado pelo próprio Espírito.
O excesso, seja material, emocional ou moral, produz desarmonia.
A lei divina estabelece limites porque conhece aquilo que conduz verdadeiramente à felicidade.
POR QUE DEUS PERMITE O MAL?
A questão 634 trata de uma das maiores indagações humanas:
Por que Deus não criou a humanidade em condições perfeitas?
A resposta espírita afirma que os Espíritos são criados simples e ignorantes, destinados ao progresso através das experiências e escolhas.
A perfeição adquirida pelo próprio esforço possui valor superior à perfeição recebida sem participação.
O Espírito aprende a valorizar o bem porque desenvolve, gradualmente, sua consciência.
A RESPONSABILIDADE É PROPORCIONAL AO CONHECIMENTO.
Na questão 637, Kardec pergunta sobre a responsabilidade daquele que pratica o mal sem compreender plenamente seus atos.
Os Espíritos esclarecem:
“O homem é mais culpável à medida que sabe melhor o que faz.”
O Espiritismo ensina que a responsabilidade moral acompanha o desenvolvimento intelectual e espiritual.
Quanto maior a compreensão, maior o dever.
Um erro cometido pela ignorância não possui a mesma gravidade de uma falta praticada conscientemente contra aquilo que já se conhece como correto.
O MAL E O LIVRE-ARBÍTRIO.
Um dos pontos centrais do capítulo está na afirmação de que o homem possui liberdade de escolha.
Deus não criou seres destinados obrigatoriamente ao bem, pois isso eliminaria o mérito da conquista moral.
A evolução espiritual ocorre justamente porque o Espírito aprende a escolher o bem por vontade própria.
O livre-arbítrio é uma das maiores dádivas concedidas ao ser humano, mas também traz consigo a responsabilidade pelas consequências das escolhas realizadas.
NÃO BASTA EVITAR O MAL.
Na questão 642, Kardec pergunta:
“Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus?”
A resposta é clara:
“Não, é preciso fazer o bem no limite de suas forças.”
A moral espírita não é apenas negativa — não prejudicar, não ferir, não cometer erros.
Ela é essencialmente ativa:
auxiliar;
compreender;
servir;
amparar;
contribuir para o progresso do semelhante.
O bem que deixamos de realizar quando temos condições de fazê-lo também representa uma responsabilidade.
TODO SER HUMANO PODE FAZER O BEM.
Na questão 643, os Espíritos afirmam:
“Não há ninguém que não possa fazer o bem.”
O bem não depende exclusivamente de grandes realizações.
Ele está nas pequenas atitudes diárias:
uma palavra consoladora;
uma atitude de paciência;
um gesto de fraternidade;
uma ajuda silenciosa.
A oportunidade de praticar o bem acompanha todos os caminhos da existência.
CONCLUSÃO.
As questões 629 a 646 de O Livro dos Espíritos apresentam uma visão elevada da moral humana.
O bem é a harmonia com a lei divina. O mal é o afastamento dessa lei pelo uso equivocado do livre-arbítrio.
Deus não criou o mal; criou Espíritos capazes de aprender, escolher e evoluir.
A caminhada espiritual é justamente a transformação gradual da ignorância em sabedoria, do egoísmo em amor e das imperfeições em virtudes.
Como ensina a Doutrina Espírita, o destino do Espírito é o progresso. E esse progresso acontece quando a criatura, iluminada pela consciência, escolhe conscientemente o caminho do bem.
Referência principal:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — Das Leis Morais. Capítulo I — Da Lei Divina ou Natural. Questões 629 a 646. Paris, 1857.

REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858. JÚPITER:
UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA
REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858.
JÚPITER: UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA.

TEMA:
A DIFERENÇA DE EVOLUÇÃO ENTRE OS ESPÍRITOS, OS HABITANTES DE JÚPITER E O CONTRASTE MORAL COM A TERRA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Existe uma diferença entre olhar para Júpiter com os olhos da curiosidade e contemplá-lo com os olhos do estudo espírita.
A curiosidade pergunta:
Como são os habitantes de Júpiter?
O estudo pergunta:
O que a condição desses habitantes revela sobre o progresso do Espírito?
É nessa segunda perspectiva que a descrição apresentada por Allan Kardec na Revista Espírita de abril de 1858 adquire verdadeira profundidade.
O texto integra as chamadas “Conversas familiares de além-túmulo” e registra uma comunicação atribuída a Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, evocado em 9 de março de 1858. Kardec afirma que, por evocações anteriores, já sabia que Palissy habitava Júpiter e observa que as informações recebidas coincidiam com descrições anteriores obtidas por diferentes médiuns. Ele considera essa concordância uma presunção de exatidão.
Mas existe uma frase que deve permanecer como chave de leitura de todo o estudo.
Ao ser perguntado sobre a finalidade dos desenhos que transmitira por intermédio de Victorien Sardou, Palissy responde que o objetivo era inspirar os homens a se tornarem melhores.
Portanto, antes de perguntarmos como é Júpiter, precisamos compreender por que Kardec publicou a descrição de Júpiter.

OS NOMES DOS ESPÍRITOS ASSOCIADOS A JÚPITER.
É importante não generalizar nem acrescentar nomes que as fontes não apresentam.
Na comunicação de abril de 1858, o Espírito que fala é Bernard Palissy, que afirma habitar Júpiter.
O próprio Palissy menciona ainda São Luís quando Kardec pergunta se poderia nomear Espíritos habitantes de Júpiter que tivessem desempenhado uma grande missão na Terra. A resposta é simplesmente:
“São Luís.”
Assim, dentro dessa comunicação, temos explicitamente Bernard Palissy e São Luís associados a Júpiter.
Posteriormente, na Revista Espírita de agosto de 1858, ao tratar das habitações de Júpiter, Kardec menciona expressamente Palissy ou Mozart como habitantes daquele mundo, convidando o leitor a confrontar as informações por meio das evocações.
E, em setembro, a Revista publica observações relacionadas ao desenho da casa de Mozart em Júpiter.
Portanto, considerando exclusivamente essas referências da Revista Espírita de 1858, encontramos associados a Júpiter:
Bernard Palissy - São Luís - Mozart.
É importante, contudo, fazer uma distinção: eles não aparecem todos da mesma maneira na comunicação de abril. Palissy é o comunicante; São Luís é citado por Palissy; Mozart surge posteriormente nas matérias da Revista relativas a Júpiter.
Essa precisão é necessária para que o estudo não transforme referências diferentes em uma única comunicação.

POR QUE HAVERIA ESPÍRITOS MAIS ADIANTADOS EM UM MUNDO DO QUE EM OUTRO?
Aqui entramos no cerne da questão.
A doutrina espírita não apresenta os Espíritos como seres criados prontos, acabados e desiguais por determinação arbitrária de Deus.
Eles percorrem uma trajetória de desenvolvimento.
É por isso que a descrição de Júpiter não pode ser separada da questão 222 de O Livro dos Espíritos.
Nela, Kardec desenvolve extensa consideração sobre a pluralidade das existências e sobre a necessidade de compreender a vida humana dentro de uma perspectiva muito mais ampla do que uma única encarnação.
A existência atual não encerra a história do Espírito.
Isso permite compreender, dentro da lógica espírita, por que existem diferenças tão profundas entre os seres: conhecimento, experiência, tendências, aptidões e conquistas morais não surgem todos simultaneamente.
O Espírito progride.
E, se progride, é natural que existam diferentes graus de adiantamento.
(Ver também O Livro dos Espíritos, questões 100 Escala Espírita,114, 115 e 121.)
É justamente essa chave que permite compreender a passagem da Revista Espírita em que Kardec pergunta sobre os habitantes de Júpiter.
A resposta não diz que todos são absolutamente iguais.
Diz que são todos bons, todos superiores, mas existem diferentes graus, relacionados à soma de conhecimentos e experiências.
Isso é extraordinariamente importante.
Ser superior não significa ser perfeito.
Mesmo num mundo mais adiantado existem Espíritos mais adiantados que outros.

A EVOLUÇÃO NÃO É UM PRIVILÉGIO: É UMA CONQUISTA.
Essa concepção impede uma interpretação equivocada.
Não existem, segundo a doutrina espírita, Espíritos criados para serem eternamente superiores e outros destinados eternamente à inferioridade.
O que existe é uma trajetória.
Um Espírito que hoje se encontra em condição inferior não está condenado a permanecer nela.
E aquele que alcançou uma condição elevada não recebeu um privilégio gratuito: percorreu um caminho.
É por isso que a existência em mundos superiores deve ser entendida como consequência do progresso.
(Ver O Livro dos Espíritos, questões 100, 172 a 188, sobre as diferentes condições das existências nos mundos.)
Júpiter, nessa perspectiva, não é simplesmente “um planeta onde moram seres especiais”.
É apresentado como um mundo correspondente a um grau mais avançado de desenvolvimento espiritual.

A TERRA NÃO É UM FRACASSO.
Essa comparação também não deve produzir desprezo pela Terra.
A Terra é um mundo de provas e expiações dentro da classificação apresentada pela Codificação, e seus habitantes ainda carregam numerosas imperfeições.
Mas estar num mundo inferior não significa estar abandonado.
Significa estar em processo.
A própria lógica da reencarnação dá sentido à luta.
O Espírito que ainda não alcançou determinado grau terá novas oportunidades de aprendizado.
É justamente por isso que a questão 222 possui importância tão grande.
A pluralidade das existências impede que uma única vida seja transformada em medida absoluta da justiça divina.
O que hoje parece desigual quando observado apenas através de uma existência ganha outra dimensão quando considerado através da trajetória do Espírito.

“MAS JÚPITER? ISSO NÃO É ABSURDO?”
É possível que alguém leia essas páginas e zombe.
Pode achar estranha a ideia de habitantes de Júpiter, de corpos menos densos, de comunicação pelo pensamento, de cidades e habitações em outro mundo.
Mas há uma diferença entre questionar e ridicularizar.
Questionar é legítimo.
Investigar é saudável.
Discordar é possível.
Ridicularizar sem conhecer o objeto da discussão, entretanto, não constitui estudo.
E há uma razão adicional para a prudência.
Kardec não apresenta essas descrições como se fossem resultado de uma viagem física ao planeta.
Ele está tratando de comunicações mediúnicas, submetidas ao método de observação que empregava em seus estudos.
Em março de 1858, ao escrever sobre Júpiter e outros mundos, Kardec já explicava que as informações deveriam ser consideradas à luz da escala espírita e do princípio do progresso dos Espíritos.
Mais tarde, em agosto, ao publicar “As habitações do planeta Júpiter”, Kardec registra inclusive que havia pessoas que consideravam aquilo motivo de gracejo e afirma que as informações poderiam ser confrontadas por novas evocações.
Isso revela algo muito importante sobre o próprio procedimento de Kardec:
ele não exigia que o leitor abandonasse o raciocínio.
Ao contrário, convidava-o a examinar.
Esse é um ponto que frequentemente se perde quando se fala superficialmente do Espiritismo.

NÃO PRECISAMOS INVENTAR PARA DEFENDER A DOUTRINA.
Também não é necessário exagerar.
Não precisamos dizer que a descrição de Júpiter constitui uma fotografia astronômica.
Não precisamos afirmar que a ciência terrestre contemporânea confirmou cada detalhe da comunicação.
E não devemos acrescentar nomes de Espíritos que as fontes aqui consultadas não apresentam como habitantes de Júpiter.
A força do texto está justamente em outra parte.
Está no quadro moral.
Palissy descreve um mundo em que não há guerras; em que o necessário não falta a ninguém enquanto outro possui o supérfluo; em que os dirigentes são superiores pelo grau de perfeição; em que os habitantes se unem pelos laços do amor; em que a principal ocupação dos Espíritos superiores inclui auxiliar os habitantes dos mundos inferiores.
Isso é muito mais importante para a reflexão espírita do que uma discussão precipitada sobre detalhes físicos.

JÚPITER NÃO É APENAS UM LUGAR.
Observe-se a diferença.
Na Terra, ainda encontramos a guerra.
Em Júpiter, a comunicação a apresenta como desconhecida.
Na Terra, o egoísmo ainda estabelece profundas barreiras.
Em Júpiter, o progresso moral já modificou as relações.
Na Terra, a riqueza pode conviver com a miséria.
Em Júpiter, a resposta afirma que ninguém possui o supérfluo enquanto outro carece do necessário.
Na Terra, a autoridade frequentemente se apoia na força.
Em Júpiter, ela é relacionada ao grau superior de perfeição.
Na Terra, muitas vezes o conhecimento é utilizado para dominar.
Em Júpiter, os mais adiantados dedicam-se também a auxiliar os menos adiantados.
A comparação não foi feita para humilhar a humanidade.
Foi feita para mostrar uma possibilidade de futuro.

O ESPÍRITO SUPERIOR NÃO ABANDONA OS INFERIORES.
Esse talvez seja um dos pontos mais belos.
Kardec pergunta quais são as principais ocupações dos habitantes de Júpiter.
A resposta afirma que eles procuram os mundos onde existem infortúnios, para auxiliar aqueles que ainda lutam.
A elevação espiritual, portanto, não conduz ao afastamento dos que sofrem.
Conduz à aproximação.
Quanto mais o Espírito se liberta do egoísmo, mais compreende a solidariedade.
Isso se harmoniza profundamente com a moral de O Evangelho Segundo o Espiritismo, particularmente com os ensinamentos sobre caridade, amor ao próximo e aperfeiçoamento moral.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulos XI, XV e XVII.)

A DIFERENÇA ENTRE OS ESPÍRITOS NÃO É UMA CASTA.
Há aqui uma distinção essencial.
Se existem Espíritos em diferentes graus de desenvolvimento, isso não significa a existência de castas espirituais.
A diferença é dinâmica.
Hoje um Espírito pode estar atrás.
Amanhã poderá estar adiante.
O progresso não é um privilégio reservado a poucos.
É uma lei.
E justamente por isso a comparação entre Terra e Júpiter pode ser lida sem humilhação.
Júpiter representa aquilo que o Espírito pode alcançar.
A Terra representa uma etapa de sua caminhada.
E nós, individualmente, estamos em algum ponto desse caminho.

O TEMPLO E O CULTO.
No final da comunicação, Kardec pergunta se existem diferentes religiões em Júpiter.
A resposta é particularmente significativa:
“Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.”
Depois de toda a descrição, corpos, alimentação, linguagem, animais, habitações, autoridade, riqueza, organização social, a comunicação termina onde o Espiritismo sempre precisa retornar:
na moral.
Não basta saber.
É preciso transformar.
Não basta falar sobre o bem.
É preciso realizá-lo.
Não basta admirar os Espíritos superiores.
É preciso caminhar na direção daquilo que eles representam.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII.)

O QUE JÚPITER NOS PERGUNTA.
Talvez essa seja a maior contribuição dessa página da Revista Espírita.
Ela nos obriga a inverter a pergunta.
Não:
“Será que existem pessoas em Júpiter?”
Mas:
“Que espécie de humanidade precisaremos nos tornar para que a Terra deixe de reproduzir aquilo que ainda nos prende aos mundos inferiores?”
Não:
“Como vivem Palissy, São Luís ou Mozart em Júpiter?”
Mas:
“O que esses nomes representam na perspectiva do progresso espiritual?”
Não:
“Por que eles seriam superiores a nós?”
Mas:
“Que distância moral ainda precisamos percorrer?”
Essa é a lucidez espírita.
Nem credulidade ingênua.
Nem zombaria ignorante.
Nem fantasia.
Estudo, comparação, prudência, raciocínio e consequência moral.
Kardec oferece o quadro.
A doutrina fornece os princípios.
E a consciência de cada um precisa decidir o que fazer diante deles.
Júpiter, então, deixa de ser apenas um mundo distante.
Torna-se uma pergunta dirigida à Terra.
E, sobretudo, dirigida a cada um de nós.
Porque se a diferença entre os Espíritos é diferença de progresso e não de criação, então ninguém está condenado a permanecer para sempre onde hoje se encontra.
O caminho permanece aberto.
A evolução continua.
E talvez seja precisamente essa a mensagem mais luminosa escondida entre as páginas antigas da Revista Espírita:
o Espírito não está pronto; está a caminho.
FONTES:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, março de 1858 — “Júpiter e alguns outros mundos”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, abril de 1858 — “Conversas familiares de além-túmulo — Bernard Palissy (9 de março de 1858) — Descrição de Júpiter”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, agosto de 1858 — “As habitações do planeta Júpiter”, por Victorien Sardou.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, setembro de 1858 — “Observações sobre o desenho da casa de Mozart”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 222 e questões relativas à pluralidade das existências, progresso dos Espíritos e pluralidade dos mundos.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões,100, 114, 115, 121 e 172 a 188.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Princípios referentes à natureza das comunicações e ao exame das manifestações espíritas.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulos XI, XV, XVI e XVII.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Primeira Parte — considerações sobre o futuro e as consequências dos atos.
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"Aprendamos, pois, a buscar menos o bem-estar ilusório e mais o estar bem verdadeiro, cultivando a alma, praticando o bem e iluminando nossa consciência."
Escritor: Marcelo Caetano Monteiro.