AGASALHO DE TERNURA. Vem, porque me... Marcelo Caetano Monteiro
AGASALHO DE TERNURA.
Vem, porque me fazes bem, vem sem demora,
como a paz que à minha noite se incorpora;
desces mansa qual agasalho de ternura,
revestindo de esperança a noite escura.
Toco a tua pele — pétala macia,
onde o céu aprende o nome da harmonia;
cada gesto teu, tão puro e tão singelo,
faz da própria luz o mais perfeito anelo.
Teu sorriso, silencioso, é primavera,
que à tristeza antiga, enfim, já não impera;
e, ao surgir em teu semblante a claridade,
florescem jardins na minha eternidade.
Caem brandas as cerejeiras em flor,
como bênçãos desprendidas do amor;
cada pétala, rendida ao teu encanto,
vai bordando de perfume o meu recanto.
Se me olhas, já não temo a ventania,
pois teu peito é meu abrigo noite e dia;
se me calas, teu silêncio ainda diz
o segredo de tornar-me mais feliz.
Vem, e fica, sem promessa nem adeus;
que o infinito cabe inteiro entre os teus.
Pois amar-te é descobrir, em cada alvor,
que a ternura é a forma mais perfeita do amor.
