Observar
IRÔNICA LIBERDADE
Preso à janela do trem,
Observo uma paisagem.
Estranha para mim.
Chamo-a, natureza,
Chamamos-la, Deusa.
Entre tanto primitivismo,
Descobri um pouco de vida
Nas pequenas plantas
Que margeiam a estrada,
Por onde passa esse trem.
Há no campo, lá distante
Uma pequena e rústica casa.
Rústica como o que a cerca.
Porém, os ventos sopram,
Carregando um imenso amor,
O amor do mundo todo, para lá...seu lugar
Como eu gostaria de poder ficar...me deixar ficar.
Ficar como ?
Sou um homem da cidade,
Transbordando direitos e deveres,
Imerso em obrigações engravatadas,
Com códigos e posturas...para ir ao banheiro
E ainda chamam-me de livre.
08/03/1975
Uma das coisas que observo há tempos. É a capacidade que a alguns tem de fazer sofrer quem tanto ama. Fazendo cobranças ou expectativas que nunca serão atingidas.
E isso por anos!
Transformando toda uma vida num suplicio interminável que só resulta em doenças crônicas ou psicossomáticas para a vida inteira.
Esse é para mim o suicídio mais lento que já ouvi falar.
TEMPO
Escuto o tempo
O homem, o vento
O amor, o equilíbrio
Observo o tempo
O homem , o vento
O eco, o vazio
Perdido sem riso
No choro do tempo.
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dias de calor
no sentimento sombrio,
alma que se magoa...
sempre nos melhores
momentos observo.
os espaços vazies na minha alma...
neste no que diria a voz ecoa
no atroz do coração.
desdenho singularmente na solitude
até sois super compreendida
pois o amanha é enigma
para o qual desejos se dispersam...
na beleza do teu amor,
perco me nos dias te acho na noite,
sobretudo sois a vida...
no clamor dos meus sonhos,
nas sombras a luz revida
tudo que resta...
vultos sussurros...
estão meramente aos redores
se arrastando... implorando
por amor, estagnado numa poça de aguá
suja nas profundas dogmas do querer,
as todavia se presume...
nesse destino reluto o resumo...
a vozes superam qualquer sentido.
passa se momentos que tem sabor novo...
que vagueia entre o tempo...
a solidão se disfarça no amor.
eu sempre me olho
me observo
me esclareço
me endereço
um simples
e ao mesmo tempo
complexo olhar
no espelho da alma
aquele que reflete
minha transparência
em curta e clara evidência
em longa e destemida distância
de mim mesma
daquela que sempre fui
e que não pretende retornar
mais a este plano
porque cansou de ser enganada
esganada com as poucas
e intensas palavras não profanadas
e percebo mais detalhadamente
que a minha insana mente
reluz, recria e resguarda
meus pensamentos íntimos
e eu me policio e sentencio
faço um sacrificio
de me aceitar sem me julgar
me dou um ultimato
em último caso vou morrer
de tanto me amar
e me livro do seu amor descabido
aquele que não me cabe mais
me dou um habeas corpus
viverei livre, linda e tranquila
ser feliz é o que me compete
e competindo com a vida
ela sempre vence
quando o assunto é (auto)amor
e então dou de ombros
olho pro espelho da vida
e vou retocar meu batom!!!
Não é questão de querer ser melhor que ninguém. Eu observo a situação e a oposição e fico pensando como alguém conseguiria a proeza de ser pior do que eles.
*TRISTEZA MÓRBIDA
Atrás da cortina da noite, observo...
- está chovendo!
Chuva de lágrimas cristalizadas pela tristeza
Pingos grossos de sangue no peito
Cultuando a solidão incrustada n’alma
Levando os prazeres ao obsoleto
Dias tingidos de cinza, tétricos
Alma vagando no vazio
Calafrios que percorrem as vértebras
Persistindo ainda nesse mundo de mortais
Em dias e noites de agruras
Nessa dolorosa existência do ser
Lutando comigo mesma para sobreviver
Volto meu olhar opaco na chuva da noite...
-sorrio!
Sorriso sem vida, acuado, desgastado
Sorrio diante do infortúnio que me abraça
Palidez na face, tez fragilizada, envelhecida
Esperanças sinistras que beiram o abismo
Onde vai se perpetuando a tristeza mórbida
Penso em ti, e não consigo dormir
Observo a sua foto
E noto
Algo que nunca imaginei
Escrevo
E vejo as inúmeras belezas que o seu ser tem a revelar
Questiono-me...
Vem o sono
Olho a sua foto
Devaneio na sua beleza
Anoto
Perco-me nos detalhes
Esqueço-me da rima
Vem à mente o quão a sua beleza me fascina
E me faz lembrar da beleza que tem a sintonia
Do sol com o luar
O Sol
Eu observo o pôr do sol
Enquanto ele se esconde atrás das montanhas
Tão volátil quanto um álcool
E que o sumiço faz doer-me as entranhas
A escuridão começa a surgir
Tudo começa a tremer
O medo me começa a emergir
E nada sobra, além de gemer
Então busco a luz
Sem saber onde encontrar
Então o resto se reduz
A me esconder com o medo de findar
Os segundo são incontáveis
Me desejo começa a me enlouquecer
Pensamentos que me tornam incontrolável
E em fim o sono me faz adormecer
E então começo a acordar
E vejo a luz batendo em minha face
E com um leve acorde de alaúde a soar
Um sorriso começa a brotar
Agradeço pelos meus desejos concedidos
Então parto em busca do Sol
E com meus pobres pés a me fustigar, doloridos
Tentarei encontra-lo e assim completar meu caminho sem fim
E por fim fazer meu desejo
De o nome dele conseguir
Para a nunca mais a escuridão se tornar o pesadelo
De minha pobre vida a esvair
Apenas observo o comportamento de algumas pessoas ao meu redor, e posso dizer, tenho pena de tua natureza, pois assim como o sorriso faz bem a tua alma é entristecida!
Um olhar decifra o mais intimo de uma pessoa, lhe observo através da vidraça, chovestes hoje, amanhã talvez deixe na cabeceira meu óculos...
Olhando a maternidade nas circunstâncias do dia a dia, observo a tamanha complexidade, na criação do ser humano, frente a sua humanidade. O poder se configura, a relação se perpetua, as peculiaridades definem personalidade, bem sabe aquela mãe, que desde sempre nas suas incertezas, vivência com sua cria, as destrezas, as indelicadezas da monotonia da criação que se desenrola para as certezas de outrora afugentarem a alienação, o nepotismo, o autoritarismo, a completa destruição das relações de gratidão.
De dentro do meu eu, observo atentamente a vida, vejo as luzes da cidade, ao tempo que aprecio a sinfonia de pirilampos ao campo. Eu vejo coisas, imagino lugares, rabisco o script da vida ao tempo que Deus me convida á sair de cena; imagino dois mundos e se em um eu vivo é porque no outro só vegeto, há como eu quero gritar, e gritando penso eu ser ouvido, mais é engano quem ouviria alguém como eu?
te observo mas não sou visto, te anseio mas não sou desejado, corro pra ti mas me sinto afastado, agora já e tarde de mais pois já estou cativado.
São somente olhos
Mas sempre que posso os observo
São somente fios
Mas sempre que posso os aliso
É somente uma pele
Mas sempre que posso a toco
É somente uma pessoa
Mas sempre que posso a amo
É somente um amor
Mas sempre que posso me apaixono
É somente uma paixão
Mas sempre que posso a lembro...
cabelos ao vento
e eu observo
o horizonte infinito
com borda infinita
com emoção infinita
que bate num coracao
que sangra infinito
que ama infinito
e olhos que choram infinito
e a alma que sente infinito
e o mar transborda infinito
e a natureza linda e infinita
e meu anjo com paciência infinita
e meu ser com existências infinitas
com memória infinita
com lembranças infinitas
e persistência infinita
com saudades infinitas
e amizades infinitas
e familia infinita
e sonhos infinitos
paixões infinitas
desejos infinitos
e um estudo infinito
dentro de um corpo finito
mas o voo é infinitamente
maior do que o espírito
preso
recluso
encarcerado
encarnado
que um dia vira pó infinito
um pó de estrelas infinitas
é o brilho da minha luz infinita
no universo infinito
tudo faz sentido
qdo eu resolvo
sentir infinito!!!
Eu aqui mero anjo triste observo, este tempo ridículo em que o amor pode ser comparado ao dia-a-dia de um trabalhador de classe média;
Com relações apertadas e sufocantes, como um ônibus pela manhã,
Cansadas e desgastadas, como os pulmões de um velho,
Banais e chatas, como relatórios de final de mês,
E mais uma vez como um fumante cansado, deixaram de correr atrás do que é verdadeiro e apenas sentaram- se em um banco de praça e se lamentaram por mais um dia perdido com um falso amor de classe média.
tudo o que vejo, olho, observo e admiro
fica registrado e tatuado na minh'alma
fica um significado puro, de amor extasiado
fica uma flor dentro do meu coracao, enterrada
fica uma dor no espírito elevado
fica uma cor no desenho tatuado
fica um jardim interior bem cuidado
fica um frio na espinha, exagerado
fica uma alma sensível e silenciada
fica uma fé incrível e estimada
fica uma vontade de amar e ser amada!!!
