Observar
Quando apresento me a mim mesmo, observo longamente e assustado, choro por perceber nessa pessoa que sou eu, tanta controvérsia reparada ate então, somente em todos os outros a minha volta.
Daqui eu observo essa noite me instigando dizendo ''me ame'' mas hoje não vai dar seus prazeres suas loucuras não vai rolar...
Estranha a sensação de que há algo a se criar, que vai mudar tudo. Observo, rabisco, escrevo e ouço. Está claro, mas não percebo.
O maior "problema" nas pessoas é a forma em que eu observo cada uma, logo, as pessoas não tem problemas, o problema está em mim.
Na boa? O problema é meu! Sou eu!
NO BARCO DA VIDA
Sentado às margens deste negro rio.
Observo a negritude da noite
A cair fleumaticamente.
Ouço o farfalhar das folhas
Se enamorando com o vento.
Sinto o frio gélido e sereno
Da noite sombria que se aproxima.
Tento soerguer-me não consigo.
Sair de onde estou, não posso.
Um espectro se aproxima
Me assusta e aterroriza.
Não, não é a morte.
É apenas uma brisa.
Um arrepiante e gélido zéfiro.
Desses que te sobem
Pela espinha dorsal
E adentra as entranhas da alma.
O rio segue lentamente
Em seu curso silencioso e monótono,
O seu eterno caminhar.
Leva consigo para além-mar
Os sonhos, as quimeras
E todos os tipos de visagens,
Utopias e ilusões.
As alucinações e devaneios,
Não são da alma humana,
Mas, da vida dos mortais vivos.
Traz em si as vicissitudes da existência.
Por ele os nautas peregrinos,
Singram com suas naus.
Não há, para o rio,
Entre eles distinção.
São todos iguais.
Não há pretos novos,
Nem brancos velhos.
Não há mestiços, nem crioulos.
Não há bons, nem maus.
São todos iguais.
Estão todos no mesmo barco.
Estrangeiros não há
Forasteiros também não.
No barco da vida,
Onde vive a ilusão,
São todos iguais,
Somos todos irmãos.
No passado...
Ainda espero ver você voltar
Observo o caminho da sua partida...
Na esperança de ver voltando.
Sei que bobeira minha
Ter uma esperança
Todos dizem que não volta
Eu ainda, peço ao Universo
Que você volte!
Porque a esperança é a ultima que morre.
Shirlei Miriam de Souza
As flores
Nas flores observo
a paz, a felicidade
pois trazem-me uma
espectacular tranquilidade
As flores tem uma beleza
que ate parecem uma princesa
com o seu cheiro
que e tao ligeiro
As flores sao fantásticas.
Quando paro e observo a inocência de uma criança, eu volto a acreditar que sempre haverá um futuro.
Depois que comecei a plantar eu observo
se o dia está ensolarado
ou se está nublado
observo minhas plantas
mas elas nunca crescem
crescem, mas não vejo
quando percebo estão em posição diferente
sinto a dor delas
de murchar
do amarelado
e do solo que não está fértil e preparado para elas
quando deixo-as no sol
logo a noite elas estão destrochadas
pelo vento
pela mudança climática
quando é a noite preparo-a para dormir
de acordo com o tempo
deixo em um lugar com condição climática adequada
fico ansiosa com as sementes
estou feliz e preparo a terra com carinho
não quero esperar meses para que cresça
conforme os dias elas criam ramificações e conseguem criar vida sozinha
mas quando as vejo mesmo depois de tantos cuidados
me doi
vê -las morrendo
mesmo, com tanto amor.
Assim acontece quando amo alguém, o amor é como uma planta que vc cria com carinho mas com incerteza ela da resultados incertos
Sentado, observo:
indiferentes, passam todos,
e ela ali, lúgubre...
Das leivas úmidas esvoaça
Sobre as calçadas pisoteadas,
Ela voa em fuga,
As cores se misturam
No predomínio do azul,
Timidamente pousa,
Sem ruflar,
Apenas silêncio...
Não há movimento,
É o último voo,
E aquela que fora casulo, e voou belamente,
Agora se despede da vida,
Apenas curta, curta o seu voo...
Observo o céu da minha cidade e começo a perceber todas as conexões que o universo faz, como se as galáxias de alguma forma estivessem conectadas. Sinto que minha consciência vai e volta, acho que estou fora de sincronia, como se estivesse em outro mundo, outra realidade. Estou sozinho, e me sinto bem, mas de repente, surge a minha volta uma sensação estranha, de decepção, de tristeza eu tento não sucumbir a ela, mas não consigo, é mais forte que eu, parece inevitável e dolorido, como apagar uma brasa com a mão. É o mesmo sentimento que tenho ao tentar não me apegar as pessoas, porque elas sempre vão embora e eu fico sozinho. Estou em um ônibus, com uma amiga ao meu lado, eu quase beijo ela, mas algo, alguma coisa, impede isso, não sei exatamente o que, eu saio de lá, entro em outro ônibus e vou embora, ao que parece dessa vez sou eu quem vai embora. Domingo nasce, e com ele vem a sensação de perda. Esse sonho foi um dos mais simples.
Eu observo você
com o desejo de lhe ter
Medo das verdades
que oculto
Tenho que me afastar
deste sentimento que brotou
no meu coração!
Shirlei Miriam de Souza
Flutuando uma pandorga livre no ar com seu colorido rebolando pra lá e pra cá, observo a criança feliz com seu brinquedo, que em outros tempos me pertenceu.
Caleidoscópio
Pela fresta observo a dança das cores
nos vidros recortados.
Separam-se, aglutinam-se,
desenham maravilhas
Como se bailassem calçando sapatilhas.
A cada movimento, uma surpresa,
a mesma flor concebida com destreza,
em seguida se espalha e se desfaz.
Por trás de seu processo giratório,
o caleidoscópio avisa:
a forma é fugaz e imprecisa
e o colorido de hoje é provisório.
O teu sorriso doce.
A tua cicatriz que ainda observo.
Mesmo tentando esconder
com a sua barba.
Ainda assim, consigo ver.
A tua boca desenhada.
O teu olhar, que encanta.
Vontade de tocar no teu rosto.
E beijar suavemente os seus lábios.
Sempre afirmo que o silêncio é sagrado principalmente quando observo que os que mais ousam falar de tudo e de todos são os que menos sabem resolver suas vidas.
“ A noite é tão silenciosa que ouço até às batidas do meu coração, observo até onde os "com-passos" ritmados me levam, tomo assim as rédeas, escolhendo a direção. O coração é minha bússola, mas eu sou seu "caminhante". ”
