O Velho Poema
Coração
O que tem sido de você, meu velho companheiro, os batimentos quase imperceptíveis, sujeito de parcos sentimentos, sumido no horizonte arrítmico transcendendo em razão.
Coração de menino bobo,
atitude de homem velho.
Se divertindo nos esportes,
caindo, mas se alevantando.
Nem os monstros amedrontam ele
apenas os sentimentos, que há dentro dele.
Abraços dele protegem-nos do mau
e do frio da névoa que nos encara.
Tire do seu pensamento
que grandões tem coração forte,
eles podem ser mais delicados
que cinza de cigarros.
Para: Rafael Gutjahr
Todos querem renascer, mas ninguém quer morrer.
Deixar morrer o velho homem é edificar nova morada em solo limpo.
É abrir a mão para poder tocar o universo.
É transcender o estar e morar no ser.
Prece de fim de ano
Senhor,
não vivi
o tempo do Ano Velho,
com a devida inteligência,
devo confessar,
gastei dias
abençoados demais
me equilibrando
nos vários empecilhos
da incompetência,
nos vendavais
da concorrência,
no medo de tropeçar.
Senhor,
dá-me outro Ano Novo,
sei que não mereço,
não aprendi a ficar mudo
nas adversidades
e provocações
pelo caminho,
nem sei como viver as novidades
sem chorar;
reconheço, a pequenina força,
se lutar sozinho,
sem orações,
não percebo tudo,
prometo melhorar
e nem um dia
me afastar do altar.
A guerra é
O jovem cansando
E o velho lucrando
O jovem chorando
E o velho cantando
O jovem morrendo
E o velho falando
O tempo passa e deixa marcas profundas em nossas vidas .
Traz consigo o novo e leva o velho e muitas vezes arrasta tudo.
Deixa lacunas de sentimentos,quando por engano nos deixa esquecidos num canto da vida .
Só espero que um dia ele mesmo se encarregue de colocar tudo no seu devido lugar,deixando assim a vida como uma casa arrumada pronta para ser novamente habitada e que sentimentos como amor, paz e harmonia nela façam morada.
Escrevendo aos 70
Pode-se estar com setenta, mas nem por isso sessenta num velho e arcaico assento circunflexo, conquanto se tenha o respectivo reflexo de trinta. Mirando-se ao alvo duma cabeleira alva pode-se aplicar a tinta, que não vai atingir o alvo daquele que minta. Até se pode tingir a mente; tisnando a alma sem atingir o alvo. Tampouco, esclarecer o que já está claro e alvejado, e de branco acurado pela idade. Uns envelhecem aos vinte, outros encanecem aos trinta, outros aos oitenta continuam pelintras, haja vista à sua cega vista recheada de trincas, paridas pelo mal de sua ignávia vida malgrada, a qual será onusta de ferida robusta, enrubescida de muita burrice já quase na hora de sua triste partida.
É... Meu velho será cobrado pela sua própria vaidade num triste momento da eternidade, e ver-se-á escaravelho velho chafurdante no esterco abundante de seu adquirido tesouro à besouro folheado a ouro.
Envelheceu à penariz, sem ser feliz. Correu atrás do vento em seu empolgante evento, ensacou muita fumaça pra não desmentir à raça, e receberá por graciosa graça a sua taça intumescida de dejeto, bem merecida pela desgraça distribuída e pela qual estivesse imbuído em plena burrice clássica...
Sinto muito, meu velho você não passa de traça tracejada em quebrado espelho de vilanesca raça.
Ainda bem que esta vida passa tão rápida como ninguém...
Viver implica em saber, para o bem-viver!
jbcampos
E vou andando nesta minha vida,hoje me sinto
feliz ando meio velho pra começar algumas
coisas,mais as suas oportunidades estão ai e
darei todas elas a você... E continuarei a minha
caminhada.
...foi quando o céu foi fechado,
...refletindo um passado reservado,
...era jovem velho e bastardo,
...la de baixo viu o povo alienado,
...aguniado, apressado e ferido,
...estava cheio de ódio e ungido,
...no perigo e preso na corrente,
...seu grande irmão o bateu de frente,
...ja agonizando e fardado a derrota,
...faz 1000 anos que ele bate a sua porta,
...no mais alto furor do trovão,
...a furia adormecida cravou seu caixão,
...o bater das asas do gavião,
...era negro e pairava na solidão,
...e no rungido do leão faminto,
...ele virou lenda no choro distinto.
Água Preta
O rio da minha infância
liko Lisboa
No velho água preta
Subia e descia canoa,
Era a coisa mais bonita
Água quebrando na proa,
Homem rio fauna e flora
Conviviam numa boa.
No rio da minha infância
Pesquei traíra e beré,
As antas e capivaras
Corriam de jacaré,
Passarim batia asas
Com medo de caburé.
Meu anzol de linha longa
Ia onde não dava pés,
Era no poço dos anjos
Entre os verdes aguapés,
Que morava o temido
O maior dos jacarés.
No rio das estripulias
Numa tarde eu vi Bita,
Fugindo dos soldados
Rumo a Manoel Batista,
Um salto mortal da ponte
Num mergulho sumiu Bita.
Guilermina e o água preta
O água preta e Guilermina,
Confundem a minha cabeça
Mas depois tudo germina,
O que fizeram com o rio
Fizeram com Guilermina.
Mas que pecado cometeu
Pra receber tal castigo,
Quando era um rio bonito
Tinha o povo como amigo,
Hoje velho e decrépito
É sinônimo de perigo.
O velho água preta
Era de utilidade pública,
Servia todos e a cidade
Como isso hoje explica
No seu leito perecendo
E ninguém vê a sua súplica.
O meu rio de contos
De belezas naturais,
Era o mais bonito
De todos mananciais,
Hoje agonizando
Em coliformes fecais.
O rio água preta
Velho triste e doente,
Mesmo morrendo a míngua
Ainda serve humildemente,
Carregando dia e noite
O lixo de nossa gente.
O novo quando chega
O que tá vira passado,
É preciso evoluir
Mas que fique explicado,
Rio é como provérbio
Nunca fica ultrapassado.
Liko Lisboa.
DE TUDO QUANTO É VELHO
O MAIS VELHO É O AMOR
TANTO MAIS VELHO QUE O HOMEM
NASCEU ANTES QUE O MUNDO
QUE A LUA E O SOL
E NINGUÉM É O SEU DONO
NEM O SEU INVENTOR
TÃO VELHO
QUE COM OS INÍCIOS SE CONFUNDE
É FEITO BALÃO DE GÁS
OU BOLHA DE SABÃO
NA MÃO DE UMA CRIANÇA
ENCANTADA E QUE BRINCA
EM ASSOPRAR E ESTOURAR
AS BOLHAS DE MATÉRIA
LUMINOSA NO ESPAÇO
FLUTUANTE E SEM FIM
O AMOR TALVEZ SEJA ESSA CRIANÇA
QUE TUDO CAUSE E NADA SOFRA
QUE POR TUDO PASSE INDIFERENTE
QUE VEIO ANTES QUE TUDO
QUE NUNCA ENVELHECE NEM MORRE
E NÃO RECONHECE ASCENDÊNCIA
O AMOR –
UM VELHO MENINO BRINCANDO COM VIDA…
O trovão rola no espaço
Debaixo daquela ponte
mora o velho Quim Fonte.
O trovão rola no espaço
Esgarçando o pensamento
do ex-jovem dono do laço.
Qual fora o seu sacramento.
Quim já fora fazendeiro,
jovem laçador-trigueiro,
recheado de dinheiro.
Naquele seu último paradeiro
o qual faz divisa com o ex-fazendeiro.
Aquela ponte fez ponte pra muito dinheiro
hoje debaixo vive o despacho do guerreiro.
Um dia a vida vai rejeitando o pobre,
o rico-nobre e qualquer coisa que sobre.
O orgulho, a empáfia, a ráfia, o tesouro.
Soçobrarão os montes de ouro.
A morte dá o norte e na campa todos se igualam.
As mentiras se atiram pelas bocas que falam,
donde o miasmático exala o próprio desdouro.
Assim é a vida que passa,
traspassando a ilusão
do velho-jovem e sua visão,
cegando-o por inteiro.
Rosalva, mulher caprichosa,
falsa e indecorosa fez-se airosa
ao jovem aventureiro,
deixando-o na mão e sem dinheiro.
À rato de porão juntou-se à multidão,
enquanto, Rosalva se salva da praga,
porém, não da velhice maga
qual a prostra sobre a poeira do chão.
Assim a morte iguala
essa grande ilusão,
onde todos os mortais
tornam-se iguais
dentro da multidão,
ofuscando suas opalas...
O trovão rola no espaço,
enquanto, o velho tempo passa,
produzindo suas graças
e desgraças a todas as raças.
É bom ser positivista, mas jamais hipócrita...
Jbcampos
Do livro: Dom sucesso
jbcampos
(parábola de tempo)
Existia um velho homem apelidado de "Espelho".
Então, quando estava prestes a completar seus 98 anos de vida foi perguntado sobre o que gostaria de ganhar em seu aniversário.
Esperou, pensou e nada falou. Calado, apenas olhou pro seu bisneto e sorriu de leve como quem viu Chaplin fazer graça.
Tentando levantar-se da cadeira de balanço, ficou cansado com as tentativas e achou melhor ficar sentado e olhar o tempo.
O garoto deixou Espelho em frente ao tempo que passava lentamente e buscou um violão para cantar uma música para ele.
O dono da casa velha sentiu o som das cordas tocarem e arranharem sua alma fadigada e chorou como quem viu Charlie recitar um poema bonito de amor.
Ele olhou no rosto do seu amado bisneto e refletiu os sentimentos.
O garoto chorou em frente ao Espelho que mostrava-se infinitamente amoroso naquela hora.
Então, quando estava prestes a completar seus 98 anos de vida foi perguntado sobre o que gostaria de ganhar em seu aniversário.
Esperou, pensou e falou: - Não quero uma janela pra enxergar o mundo. Quero um periscópio que me faça ver sobre a alma.
Ao som do velho Dilermano
Pois é, meu mano, alta hora, se acordado não me engano, estou agora perto da aurora a ouvir o Abismo de outrora e também o já ausente Altamiro com seus lábios quentes e ao som de Carrilhões de muita gente presente. Parece até brincadeira, neste silencio mavioso e com a paz de estar contente e pleno a sentir o som sereno, enquanto, serenamente o tempo lá fora refresca a minha velhaca mente velhacamente insistente a sorrir ao ouvir o sorridente John a me fremir levemente: Essa sua vida é um grandioso mistério mentiroso-verdadeiro, porém, airoso...
Viva mais um pouco, meu velho, o dia está para sair...
Enquanto, o primogênito Vivaldi, num canto, com seu arco, atrapalhadamente sisudo aplaude o momento lúdico com seu espírito de gênio.
jbcampos
O bom (e velho) Carlos Andrade!
Só existe um Carlos Andrade que, aliás, está completando mais um ano de vida. Por isso, desde já, lhe dou os parabéns! Efusivamente!
Repito: só há um Carlos Andrade! O resto é imitação e, portanto, não merece crédito ou confiança.
O bom (e velho) Carlos Andrade é único. E essa unicidade, com o passar dos anos, ficou ainda mais patente. E admirável.
Por ser bom (velho) e único, Carlos foi conquistando a admiração de todos à sua volta. Graças a seu talento, imprimiu seu nome na história das cidades de Itanhém e Teixeira de Freitas, para as quais escreveu os hinos oficiais.
De Teixeira, recebeu o título de Cidadão Teixeirense. De Itanhém, receberá a Medalha Eloino Moreira Lisboa.
De mim, o bom (velho) e único Carlos Andrade sabe que pode contar, agora e sempre, com a AmiZade zarfeguiana.
O QUE FAZ O BALÃO SUBIR
Era uma vez um velho homem que vendia balões numa festa.
Para atrair compradores, o homem deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares.
Estava ali perto um menino.
Estava observando o vendedor e, é claro apreciando os balões.
Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e finalmente um branco.
Todos foram subindo até sumirem de vista.
O menino, de olhar atento, seguia a cada um.
Ficava imaginando mil coisas…
Uma coisa o aborrecia, o homem não soltava o balão preto.
Então aproximou-se do vendedor e lhe perguntou:
– Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?
O vendedor de balões sorriu compreensivamente para o menino, arrebentou a linha que prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse:
– Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.
A diferença da nossa vida não está na aparência e sim no conteúdo.
Era uma vez um velho
Que se chamava Cérebro
E uma doce criança
Chamada Coração,
E eles viviam brigando,
Já se mutilaram,
Se esquartejaram.
Pois é... ainda brigam
E dentro de mim,
Esfacelados e deturpados,
Não sei qual vai vencer
Só espero que parem.
Jovem velho
O tempo é implacável,
“o tempo é atemporal”,
pode-se achar paradoxal,
porém, de repente
dormitamos e acordamos
após grandioso temporal.
O alerta aqui é valioso
para mostrar o óbvio,
a revelar o opróbrio.
que às vezes não
não sequer rever.
Basta ficar no portal
de cemitério de ricos,
ou de pobres nobres,
para o óbvio aprender.
Denotar com idades
vencidas pela morte,
mentirosas verdades
quais não fazem sorte.
Viver o momento
execrando o tempo
é viver a eternidade
destituída de idade.
Além da vida, até o tempo
não passa de mera ilusão.
- Com licença, o que está fazendo aí, velho homem?
- No momento, observando o penhasco e o mar abaixo, ouvindo as ondas do mar. Acabei de lançar uma moeda contra as rochas.
- Ótimo. E o que isto significa?
- Que alguém irá encontrá-la. Mais cedo ou mais tarde, procuramos valor nas coisas que perdemos.
MESTRE
Formei-me professor na universidade
ainda antes de sentir-me velho demais na vida,
em admiração a um mestre que tive nos tempos de colégio.
Hoje, sou dono de um belo diploma com letras douradas,
que pode ser visto a olho nu na parede mais feliz de minha humilde casa.
Casa, comprada a prazo, num financiamento feito a perder de vista
e pago com o suor de uma vida toda.
Vida, dividida em três jornadas,
com intervalos breves, apenas para piscar os olhos.
Hoje,ainda antes de me achar velho demais...
Um alguém, do qual não me lembrava, elevou o tom de voz e me disse confiante:
- Formei-me professor na universidade, ainda antes de sentir-me velho demais,
por admiração a um mestre que tive nos tempos de colégio.
E, hoje...Estou aqui para que você me diga, Mestre,
em que parede devo pendurar o meu diploma!
