O Poeta e o Passarinho
Rasgo o peito para fazer da carne,
o papel, e do sangue, a tinta.
Mas não importa.
Esse é só mais um poema qualquer,
que escrevo por motivos quaisquer.
Amanhã talvez, mas hoje não.
Não importa, eu ainda não morri;
não completamente.
Tudo que eu sei,
se resume em quase nada.
Mas eu sei o suficiente para sentir
a dor e a alegria de existir.
Eu sei.
O poema só vive de verdade
depois que poeta morre literalmente.
FANTASIA ...
Sempre achei que faria versos um dia
E quando, assim, então, me inspirava
Fingia que criava e vestia de fantasia
O motivo, mas, ainda nada inventava
E, notei que até numa lhana poesia
Da palavra o encaixe ali me faltava
Era desbordada, fria, sem a magia
Mesmo privado, insistia e sonhava
Tudo em vão, carente de comunhão
Dispersas as rimas, vazia a sensação
Pois, eu só tinha um mundo genuíno
E, pra se ter poeta tem de ter ilusão
Senão, nenhum verso traz emoção
E nenhum estro poético será hino...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24/02/2021, 09’29” – Triângulo Mineiro
“Uma bela rosa que nunca saberei entregar
numa distância que a noite faz o seu lar
no dia aonde o sol embeleza nunca serei…
um poeta, aonde a rosa cai o escritor…
— Se faz de instrutor sem ao menos uma dose de dor, dores que o pintor manifesta sem nenhuma explicação, mas com uma característica que trazes emoção.
Com um pingo de consideração com a minha pessoa, que transmite uma pequena existência de poeta, escritor e pintor; nunca saberei o que
— realmente é conversar com dor sem ao menos sentir pavor.”
(Conversa com as dores)
Oque eu poderia dizer sobre a indigência social deste mundo?;o individualismo a causou e dês de que foi inventada nunca mais sessou.
Passarei despercebida por essa terra;mesmo meu que meu nome estivesse escrito na história dos homen;quem homem restará para lembrar da história?
Mesmo quem me amou me esquecerá;pois o tempo e a morte irão garantir que isso aconteça.
Terei pouco tempo antes que tudo aconteça; para ser lembrado antes de tornar ao pó e tudo desapareça.
Os laços do amor são os laços da liberdade aliada à verdade, que transforma tudo em leveza. Não são os laços da tortura, são os laços do presente que é o céu lindo de reconciliação e paz ou desprendimento e paz.
A Antimística na Poesia-Reflexiva de William Contraponto
A poesia de William Contraponto é um território onde o sagrado não entra. Não por intolerância, mas por lucidez. Ele escreve a partir da fratura, não da fé. Seus versos não pedem bênção nem anunciam milagres. Não há promessas de luz nem pactos com a transcendência. O que há é pensamento. Pensamento cru, sem disfarces, atento ao jogo de forças que molda o mundo e os corpos.
Sua poesia é uma forma de resistência simbólica à sedução do absoluto. Em lugar da mística que apazigua, Contraponto oferece a dúvida que desinstala. Ele não canta a alma em êxtase, mas a consciência em ruína. A espiritualidade aqui não se eleva. Ela desce, interroga, desmonta. Busca no chão as perguntas que a metafísica costuma esconder sob mantos dourados.
A antimística de William Contraponto não é um gesto de negação vazia. É uma recusa pensada. Ele sabe que toda crença carrega um custo. Sabe que muitas vezes o conforto da fé é comprado com a moeda do silêncio, da obediência, do autoapagamento. Seus poemas não atacam a religiosidade individual, mas a indústria da redenção. Não zombam da busca por sentido, mas expõem os atalhos fabricados para controlá-la.
Não há espaço para o milagre onde o poeta vê estrutura. O que se apresenta como sagrado, ele examina como construção. O que é vendido como divino, ele desmonta como discurso. Sua escrita se nutre do desconforto de pensar em vez da segurança de crer. Não há salvação. Mas há clareza.
Na poesia-reflexiva de William Contraponto, a ausência de Deus não é um vazio. É um convite. Um convite a suportar o mundo sem muletas metafísicas. A construir sentido sem terceirizar o olhar. A habitar o tempo sem desejar estar fora dele. Sua poesia não é ascensão. É travessia. E cada verso, uma pegada crítica sobre a areia movediça daquilo que chamam verdade.
Seus poemas não consolam. Mas acordam. E isso, por si só, é um gesto profundamente humano.
Não perca o seu tempo lembrando das coisas ruins que aconteceram no passado. Lembre-se de olhar para frente sempre, pois só desse jeito conseguirá enxergar o caminho, que te levara de volta para os braços da felicidade.
Eu não me enganei, eu apenas cansei de tentar!
Eu já te falei, eu cansei de chorar,
Por varias vezes eu te pedi e é melhor você nunca mais voltar!
Nunca procure motivação nos outros, pois a expectativa será lúdica. A motivação deve e só poderá vir de você mesmo, e isto só será possível quando definir onde queres chegar.
Amor dos deuses
Eu juro em nome de Zeus,
com a força de Hércules,
a sabedoria de Atenas
os sonhos de Ícaro.
a determinação de Ulisses
que sempre irei te amar.
Com a bênção de Afrodite
flechado por Cupido, eu digo que
o meu amor é infinito como
os mares de Poseidon radiante
como a carruagem de Apolo
Alto astral como Dionísio.
E se mesmo assim tu não me queiras,
eu lutarei com o comando de Ares,
na companhia de Nike
Só para garantir a vitória.
Encaminharei Hermes para tu,
com escultura do nosso amor,
no aço que aprendi a manipular com Evaristo,
para que tu vejas como são As várias formas
do meu amor por te.
Enquanto tu estiveres do meu lodo,
por ironia das Moiras eu ficar sem a tua presença,
Invejarei Orfeu indo ate o lar de Hades,
só para tê-la de volta para mim.
Quero te apresentar o meu esforço, dedicação, doação, o meu querer, a minha simplicidade em te aceitar na minha vida, fazer o amor permanecer, superar as lutas, pegar na sua mão.
LIVRAMENTO (soneto)
Leia-me! O meu verso árido e nefando
Que queima o meu peito, e dá arrepio
De quando teu paleio vem me cevando
Nos embustes sorrateiros, vis e tão frio
Olha-me! Não temas, pois, sou brando
Já não busco o poetar num belo feitio
O meu ser ainda permanece, radiando
Já o senso, é tal qual um céu sombrio
Fala-me! Verdades, não simule pranto
Pois, as flores do cerrado têm candura
As agruras, não vão ser, minhas pupilas
E se escrevo este soneto, enquanto
Escorre nos versos a minha tristura
O meu amor, desobriguei das quizilas...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25/01/2020, 17’33” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
MASMORRA (soneto)
A vida expira assim como os ventos
Tal a dor e alegria do pensamento:
Fugaz, vagos clarões, sentimentos
Nas venturas, ausentes, eu invento
Vidas que não tem vida, lamentos
De pó, para o pó somos momento
Em vantagens e em detrimentos
Num sopro espalhado a portento
Mas, as sensações sem ter vida
Desengana, extermina e alucina
São almas vazias, e com rancor
Calam as quimeras, põe de saída
A ilusão, numa inércia assassina
Expropriando o coração do amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/01/2020, 09’35” – Cerrado goiano
Olavobilaquiando
FIRMAMENTO (soneto)
Por tantos amores, desvairado e descontente
O teu, eu reconheci naquele exato momento
Pois, o meu coração, ficou aflito e diferente
E, que estaria no meu constante pensamento
Que ainda agora mesmo, no peito, és presente
Em um arfar, infinito, suspirante e tão violento
Que sei que ali, havia amor, que a alma sente
E que aquele “oi”, seria para gente, portento!
Piedoso Bragi, que a minha solidão sentiste
Na poesia deste bardo, que havia sofrimento
Agora, inspirai as boas sortes não pungentes
E que então o poeta seja alegre, e não triste
E que caia sobre ele a ventura do firmamento
Com as rimas apaixonadas e beijos ardentes
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
MY BLAME (soneto)
Imagino às vezes diferente, os amores
Que deliciei atado em trabalhoso laço
Penso no que fiz e o que não mais faço
Levado pela brisa do avezar com dores
Penso nos tão verdadeiros sofredores
Dos quais, eu, sou apenas um pedaço
E no abraço dos que deixei por cansaço
E nunca mais pude mandar-lhes flores
Imagino os que fiz ter momentos infelizes
Onde não tive raízes, e então tão dispersos
E, no peito deixei-lhes com ásperas cicatrizes
Penso nas escritas, ditas: - exclusivos versos
Se na verdade eram sentimentos aprendizes
Com lados de bondades e quinhões perversos
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
CONTUDO
Contudo vai haver um poema rimando tudo de mim
Contudo vai haver um eco ressonando tudo de nós, assim,
Tenho pressa
Tanta coisa, nada, o fim
Tudo interessa
A lua, as estrelas... enfim,
A lágrima que rola que me resta
Neste novelo de: não e sim
Me basta um olhar pela fresta
Do amor, inflamando outro estopim.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Fevereiro de 2015 - Cerrado goiano
FRENESI (soneto)
Medo, mas pro amor não cabe dúvida
No seu o meu olhar eu assim o queria
E, em teus abraços minha alma o poria
Em frêmitos, sem vacilar, toda a vida!
Ausência, no desejo é uma poesia ferida
E no peito os suspiros é uma desarmonia
E assim, aos ventos trovas de amor diria
Pois, se tem vontade deve ser obedecida
E nestes versos de um carinho infinito
Não se pode ter rimas com teor aflito
Se grito: é porque só quero te ter aqui...
Então, vou trasladar esse doce lamento
De paixão, e tão repleto de sentimento
Pra saudade. Dessa distância. Um frenesi...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
