O Poeta e o Passarinho
Quando o erro se apresenta com clareza,
não o escondas nem o abraces.
Ele não foi dado para ser morada,
mas lição.
Deus permite o tropeço
para ajustar a rota,
não para aprisionar o homem
na repetição do desvio.
Quando Deus te afasta de um lugar,
não julgues apressadamente como perda.
Muitas retiradas são proteção,
e muitos cortes, são cuidado oculto.
Há vínculos que sustentam o apego,
mas enfraquecem a alma.
Deus remove não para ferir,
mas para preservar
o que ainda pode continuar vivo
Nova Poética
Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.
O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfa, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.
Como já disse o poeta:
"Tenha fé em Deus, tenha fé na vida.
Tente outra vez"
Deus renova o dia para que possamos ter
mais uma chance de vencer, de corrigir
nossos erros de amar quem magoamos,
pois ao amanhecer Deus nos mostra
que as coisas antigas se passaram
e que o raiar do dia nos trouxe coisas novas.
Então aproveite o Hoje e: TENTE OUTRA VEZ.
O sonho (realizável) do poeta: Um dia vai haver um mundo sem classe ou imposto... Sem mar nem derivativo!
HOJE NAO HAVERA POESIA.Hoje nao havera poesia.Nao pode o poeta cantar amor no peito que reina so melancolia.N'alma despedacada em que se agita,Qual escravo punido que sofre e grita sob o latego cruel do seu senhor.HOJE NAO HAVERA POESIA.Se quebrada do poeta a lira fora.Padecendo em trista agonia,Dor que rompendo-lhe o peito qual ferida.E ofuscando-lhe a mente,despedida de deusa maior e musa inspiradora.HOJE NAO HAVERA POESIA.Tambem o passaro canta impotente acordes de divina harmonia.Se cala,ante a bala, que de repente da alma ferroz do cacador.HOJE NAO HAVERA POESIA.Manto da desesperanca hoje cobre de negra solidao o espirito pobre,do poeta que ontem cantava alegria em doces encantos do amor mais puro.Que iguais nao ha noutra musa que procuro.HOJE NAO HAVERA POESIA.TALVEZ...nascendo radiante a alvorada,Trazendo de volta da vida a alegria.No dorso enfim a deusa amada e de resto me traga ainda a lira inteira,para cantar a FELICIDADE VERDADEIRA...cyro vercosa
Traição
Entrou no banheiro
Sem olhar para os lados
Os lábios molhados
De um liquido qualquer.
Linda mulher
Com o peito em chamas
Queimava de raiva
Gritava sacana.
Riscou um poema
No espelho embasado
Batom cor de sangue
Um tom revoltado.
Cega de amor
Insana perdida
Entre a cruz e a espada
Pobre menina.
Puxou uma carreira
Sozinha de canto
Em questão de segundos
Caia em pranto.
Iludida na vida
Não acreditava
Foi traída pela amiga
Dentro da própria casa.
a vontade de beijar
os dois sozinhos
os olhares
as intenções
as mãos viajando os corpos
as sensações que emitem de um ao outro
e o beijo
carregado de desejo.
rastro
onde passamos
alguns deixam vaidade...
outros deixam pegadas, eu...
deixo poesia e amizade...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
FIM DO ANO
E o número assim termina
outra vez, cada vez mais voraz
É o tempo em sua sina
Que seja, então, mais eficaz
O novo floresce, o velho declina
Vai-se mais um, vem-se outro atrás...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Dezembro 2017
Cerrado goiano
EXÍLIO
A saudade que suspira, separada
Do teu cheiro, nos olhos a chorar
Me vejo, com a dor ali estocada
De um coração sufocado a gritar
Não basta saber que pude amar
Nem só a paixão ter sido alada
As amarguras tomaram o lugar
Dos gestos, a alma está talhada
Na ausência, de teus beijos, dor
As desventuras que fazem sofrer
Me consomem neste torto poetar
É um exílio cheio de amargo clamor
Em ter a emoção distante pra valer
Neste silêncio de não poder te tocar.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
18 de maio, de 2018
05’30”, Cerrado goiano.
CAOS
No fundo do meu eu, o meu efeito
São noites, entardecer e alvoradas
Enlevos, suspiros e dores sepultadas
Devaneios engasgados no meu peito
Retas alongadas, curvas e lombadas
Mas, de repente, o esperado desfeito
Refeitos, rajadas do eu ser imperfeito
Clamor, as regras, retintim das ciladas
E nos motins, glórias e nada absoluto
Choro e hosana... Com o dito estrovo
Numa sina dum salmo agreste e bruto
E há no poetizar, de que me comovo
Gritos, festa, agonia, meu eu matuto
Incertezas, e o recomeçar de novo!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2018, outubro
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
"Em volta da mesa estava ele, aguardando que os convidados chegassem. Aos poucos foram chegando; assentou-se o amor, arrastou suavemente a cadeira, a elegância. A leve (e forte) luz acendeu o candelabro para o jantar. E a harmonia reinou absoluta na cabeceira. Todos os convivas se olharam e se amaram, como se fosse a primeira vez." (Convidados - Victor Bhering Drummond)
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Era de Amor que Falávamos
Imaginava ser de amor que falávamos,
Quando fitávamos-nos em olhares de profundo silêncio.
Assim como os sorrisos que surgiam das formas mais imprevistas...
Éramos realmente livres, de alma e coração,
Sempre com um cantar suave que brotavam em nossos logros...
Era de amor que falávamos,
Também lambiscávamos dos melhores murmúrios,
Em beijos alucinantes, deixando nossos corações em disparada,
Fazendo-nos abafar o trilho da estrada,
Assim o doce perfume fluía,
Na mais gostosa das excitações.
Jmal
2013-10-29
neuroma
caminho no cerrado entre o aroma do sertão
e os sonhos...
do planalto central, neuroma.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol
FEVEREIRO...
... majestade
verão, folia
fantasia a divindade
mês de alegria
confete e serpentina
batucada na esquina, simpatia
é CARNAVAL, saia da rotina...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
fevereiro 2018
Cerrado goiano
