Nem tudo que Balança Cai
AMOR COMERCIAL:
É fria e úmida a chuva que cai
Madrugada adentro.
E eu a senti-la aqui sozinho
Encontro esse poema, meu alento,
Esse poema comercial... Ele versa o amor
Fala do amor? Ou de amor?
Ah! Quem falar do amor seria capaz?
Sobre a vidraça em brumas que nos separa
Eu posso exprimir seu rosto,
Meu sonho é comercial!...
Porque assim são iguais todos os textos,
Todas as cenas, e todos os temas,
De amor... São iguais.
Do amor que se expele que se explicita.
Eterno (...). Que como o ódio, e como a libido,
O homem prova para reprovar
E falar de amor é comercial.
Também é comercial,
A criatura que não é do criador.
Deveras minha poesia é comercial.
Gosto de estar sozinho; consigo contemplar bem essa virtude.
O que não gosto, e não me cai bem, é a sensação de ser sozinho.
A lágrima é chuva particular:
quando cai, ninguém vê o céu nublado…
mas por dentro já trovejou faz tempo.
"A paz não cai do céu, ela nasce no chão que a gente pisa, através das escolhas que fazemos a cada segundo."
Obrigada pai, pela chuva que cai
Um pássaro a planar lindamente pelo ar.
Lá fora, existe um mundo real; e aqui dentro, um surreal.
De repente, uma conexão, projeção, por sob meus olhos e coração.
Como naquele dia em meio aos prantos, o céu estava lá para me confortar, aquelas todas estrelas a me iluminar. E sua presença a chegar.
(Poema para Deus)
LÁGRIMAS DE CHUVA
(Quando o pranto da mãe cai do céu)
Olhos pesados que pestanejam em cintilações,
decorrentes de uma noite insone
que vejo no olhar de meu filho autista...
Aí percebo que minhas lágrimas
misturam-se à chuva que cai do lado de fora.
O mundo dorme um sono alheio,
enquanto o nosso tempo é outro, suspenso no escuro.
Como cúmplices, apenas a quietude da madrugada
e os pingos da tempestade que agora caem como orvalho.
Não há distinção entre a água do céu e o meu pranto;
ambos lavam a alma que, por instantes, levita
e recebe o refrigério divino...
Ele fecha as pálpebras, finalmente em paz,
sob o som da natureza que nos abraça e nos acalenta...
Eu fecho os olhos e continuo em prece!
Lu Lena / 2026
Nesses últimos dias eu fui como está árvore, cai me machuquei, fiz barulho... mesmo não tendo ninguém para escutar (e acredito que com você não foi diferente). porém pra mim mais importante do que ser ouvido, é poder voltar a te escutar, suas alegrias suas tristezas suas dúvidas seus sonhos, talvez eu não consiga te impedir de cair, mas eu sempre vou estar ao teu lado para te ajudar a levantar quantas vezes for necessário
Carrego em mim o silêncio do outono,
onde cada folha que cai, me ensina a deixar ir.
Sou feita de pausas, de raízes e de
renascimentos.
- Edna de Andrade
AMOR É DESAPEGO
Te amo. Sério, não cai nessa de que não é amor. É amor sim, é amor pra caralho.
Não é pouca coisa. Só não é o mesmo amor que você conhece, mas ainda assim, é amor.
Te quero bem, te quero livre e, às vezes, te quero longe.
Eu sei que é estranho, mas é isso.
Te quero longe porque te quero bem, porque nem sempre perto sou a melhor pessoa, tenho defeitos aos milhares, as vezes eles não cabem numa mala.
Parece estranho porque o amor que a gente conhece, não é amor, é apego.
O apego é o excesso do querer.
É te querer ao meu lado independente de tudo, acima inclusive, do teu querer.
Não podemos cometer o erro de tomar posse um do outro.
Por isso, quero te propor um amor livre, daqueles que ficam, mesmo sem precisar ficar.
Quero te ver sorrindo pra mim, mas quero que o mundo conheça o teu sorriso. Ele é lindo demais para que seja apenas paisagem dos meus olhos.
Quero que você conheça o mundo, do mesmo jeito que eu o conheci, e volte, para me contar.
Eu sempre estarei por aqui, esperando ansiosamente as suas grandes histórias, com um bom dia e o café-da-manhã pronto.
Vá viver o mundo, conhecer pessoas. Tenha certeza que a felicidade que você procura realmente está aqui e não em outro lugar.
É que escolher amar alguém para a vida toda é mais complexo do que comprar um sapato.
Vá aprender que a vida não é só as quatro paredes do teu quarto.
Você precisa sentir coisas que nunca sentiu e experimentar momentos que nunca imaginou que aconteceriam.
Vá crescer espiritualmente.
Quero tua liberdade como ninguém, porque te prender faz sentir-me culpado.
Esse negócio de te chamar de minha é bom na cama, naqueles momentos íntimos. Seja de você e do mundo, minha quando quiser.
Vamos nos amar com desapego.
Não me olhe com essa cara desconfiada, é que o desapego que você conhece na verdade é indiferença.
Não cai nessa que desapego é frieza ou algum tipo de desamor.
Não cai nessa que só a presença constante traz o amor, se fosse assim o que seria dos amores a distância?
Desapego não se trata de esvaziar o coração, mas de mantê-lo cheio de um amor livre.
Às vezes nos machucamos tanto com algumas pessoas que começamos a praticar a indiferença com elas e em tudo. Assim, nos tornamos pessoas rasas, viciadas em relacionamentos superficiais, daqueles de uma noite, que nos tiram o gosto do desejo, mas fica por isso mesmo. Talvez a gente mereça uma sorte melhor.
E se a nossa tentativa de amar junto não der certo, a gente se ama na distância mesmo, ficamos naquela torcida silenciosa para que a vida do outro dê certo, em homenagem aos bons momentos, em respeito às vezes que brincamos de amor.
Vem cá, me dá a mão pra gente se amar?
Deixa eu ser o aeroporto preferido dos seus voos, a torcida que comemora o gol.
Vem que eu te ensino a desapegar de mim e te mostro o quanto pode ser bom.
Desapego também é amor.
Lembro-me de mim mesmo quando criança, brincando à noite, pulando degraus. Caí e chorei muito naquela noite, com feridas que sararam logo. Não sei se o degrau era muito grande ou eu muito pequeno, mas tinha um braço ao qual correr e uma pessoa a quem me socorrer.
Me espanta como cresci, e me espanta mais ainda como os degraus crescem. Hoje já tenho em mente que sou pequeno mesmo sendo grande, e vejo degraus em forma de arranha-céus. Porém, os choros dessas noites já não são mais, talvez, pelos arranha-céus, e sim pelo colo não mais presente, pela ausência sentida e pela dor que aumenta.
“Quando a narrativa do ego cai, a verdade não precisa mais gritar para existir.”
Do livro O Observador Interior, de Nina Lee Magalhães de Sá.
Quem cai na armadilha da solidão está a viver na dependência, pois não existe vida sem o contato com o outro.
É, a vida é um adversária peso pesado que atingida com força não cai e apenas pode ser vencida por pontos no último round.
