Orlando Biotoviski

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A Volta do Poeta Lunático

Estive perdido por um tempo,
tentando me encaixar em espaços que não me cabiam. Me matei por dentro por isso, me permiti sangrar para o benefício de outra pessoa.

As minhas muitas escolhas erradas me levaram à beira da loucura emocional. Logo já não era eu. Por pouco não me sucumbi à loucura dos sensatos, por pouco já não era eu.

A escuridão da solitude foi, por muito tempo, meu lar, mas nesse momento de loucura emocional não conseguia mais me encaixar também na solidão.

Não me encaixei no lugar onde jurei que era o meu, e a solidão não me permitia voltar. Foi estranho estar preso em alguém, mas se sentir sozinho e não poder desfrutar da solidão que tanto amei.

Logo vi que muitas decisões erradas eu tomei, inclusive a que fiz diante de promessas eternas, mas estava prestes a tomar mais uma. Mas essa era romper o laço que eu mesmo escolhi apertar.

A decisão errada, porém certa, que me traria de volta do caos em que vivi. Tenho novamente a virtude da solidão e a contemplo melhor agora, graças à maturidade das experiências com escolhas ruins e caminhos tortuosos.

O poeta lunático, o grande lobo solitário, está de volta ao lar.

Cada pôr do sol é único e carrega consigo uma beleza única.

Cada pôr do sol, à sua maneira, se põe
e me lembra que eu também tenho muitas versões.

Assim como cada pôr do sol depende do ponto de vista
de quem o observa para revelar sua beleza,
eu faço o mesmo:
minha beleza depende do ângulo de quem me vê.

Muitas versões,
bonitas para muitos,
no ângulo certo.

Eu costumo sorrir bastante, as pessoas me consideram uma pessoa feliz.
Mas a verdade é que sorrio para todos para que não percebam o vazio que há em mim.

Solidão e Gratidão

Fiquei de frente ao espelho, mas não consegui olhar o reflexo.
A imagem que o espelho refletia era a imagem que escondo do público.
Alegre por fora, dilacerado por dentro, emocionalmente cansado.
Eu já aceitei que sou uma pessoa melancólica que aprecia a solitude.
É melhor aceitar e abraçar aquilo que não conseguimos controlar ou lidar.
Porém, às vezes, sinto que preciso deixar o meu lado melancólico sair.
Como fazer isso diante da imagem de homem forte que construí?
Se eu fizesse isso, como aqueles que aceitei como amigos reagiriam?
Será que ao menos eu seria notado e ajuda seria fornecida?
Eu sei que a resposta para tudo isso seria positiva, afinal, eles me amam.
Então por que não consigo me soltar por inteiro em momentos tristes como este?
A verdade é que tenho medo de que eles vão embora se me virem assim.
Mesmo sabendo profundamente que não irão. Apenas não quero ser um fardo.
Eu ouvi que “o meu brilho estava voltando.” Fiquei contente por isso.
Afinal, foi um elogio sincero de alguém que está me ajudando a me curar.
Mesmo que indiretamente, as pessoas que escolhi para me rodear estão me curando.
Este pensamento não tem rima, não segue uma ordem, pois são os pensamentos mais crus e sinceros que estou sentindo nesta fatídica noite.
Uma espécie de solidão por estar só, mas, ao mesmo tempo, gratidão por ter em quem me apoiar.

A Cura

A cura para muitos momentos ruins de nossas vidas é, na verdade, a companhia das pessoas certas — daquelas que amamos ter por perto.

É verdade que estar só, em alguns momentos, também pode nos curar. Mas, se ficarmos muito tempo no abismo da solidão, corremos o risco de ficarmos presos a nós mesmos.

Já a cura por meio das pessoas certas nunca será demais. Todo tempo próximo daqueles que amamos e que nos fazem bem é, na verdade, pouco tempo.

Em uma manhã qualquer acordei e, de imediato, percebi:
algo havia mudado dentro de mim.
Não existia medo, tristeza, solidão
nem o vazio que carreguei por anos.

Tentei entender o que estava acontecendo.
Será que me curei?

Logo eu?
O Poeta Solitário.
Eu?
O pobre garoto abandonado.

Minha mente transcendeu,
as engrenagens finalmente se encontraram.
Todo o quebra-cabeça se encaixou
de uma forma que me encantou.

Eu finalmente estava emocionalmente bem,
e aquela sensação parecia não querer partir.

Me maravilhei com tudo isso.
Afinal, mudei a chave
e sei exatamente quem me ajudou a girá-la:
“a família que escolhi.”

Um conjunto de amigos incríveis,
com qualidades únicas,
que permaneceram ao meu lado
quando eu estava no fundo do abismo,
mergulhado no meu próprio caos e solidão.

Eles estenderam a mão.

Voltei a sorrir de verdade.
Deixei meu alter ego adormecer.

É incrível como pessoas escolhidas
podem reconstruir alguém.

Todo tempo perto daqueles que escolhemos
para caminhar ao nosso lado é pouco.

Deixo aqui minha mais sincera gratidão
a vocês,
que hoje carregam partes da minha história

… Me remete ao pôr do sol, intenso internamente, ao ponto de poucos se aproximarem. Ainda assim, demonstra beleza, paz e segurança.
Lembre-se de que, assim como o sol, você também precisa se pôr. Precisa permitir-se descansar, para que amanhã possa continuar brilhando com toda a sua força.
Não há nada de errado em descansar.

Por muito tempo, sentimentos como solidão e vazio
dominavam aquilo que eu escrevia. Ainda sou um garoto solitário,
mas agora não dependo apenas da solidão para escrever.

A verdade é que chega um determinado momento em que precisamos crescer.
É necessário deixar para trás velhas feridas; precisamos parar
de cutucar aquilo que nos causou dor. É tempo de respirar.

Tempo de aproveitar as coisas boas que aparecem em nossas vidas,
principalmente os amigos que nos resgatam e nos dão asas.

Meu voo já não é tão solitário;
não me encontro mais no abismo.

Gosto de estar sozinho; consigo contemplar bem essa virtude.
O que não gosto, e não me cai bem, é a sensação de ser sozinho.

Homenagem a Biotoviski

Entre cinzas, ferrugem e café frio,
existia um homem
tentando permanecer humano.

Ninguém percebeu de imediato.
A maioria apenas viu o silêncio,
o olhar distante preso em lugares
que não estavam na frente dele.

Mas dentro…
dentro existiam tempestades inteiras
aprendendo a andar em silêncio.

Ele colecionava ausências
como quem guarda cartas antigas dentro de gavetas,
não por apego,
mas porque certas dores
quando sobrevivem demais
criam raízes.

E ainda assim,
continuava.

Continuava afinando a própria fé
como quem segura uma vela acesa
durante um vendaval.

Continuava escrevendo mensagens escondidas
em poemas que ninguém lia corretamente.

Continuava tentando amar
sem assustar ninguém com o peso
que carregava no peito.

Talvez esse tenha sido seu maior milagre:
não endurecer.

Porque o mundo tentou.

Tentou nos dias escuros.
Tentou nas despedidas.
Tentou quando ele se sentiu sozinho
mesmo ouvindo vozes ao redor.

Mas ele continuou oferecendo gentileza
com mãos cansadas.

E poucos entenderam
que algumas pessoas não demonstram sofrimento chorando.

Algumas demonstram…
continuando.

No fim,
ele parecia uma dessas estradas mineiras durante chuva:
silenciosa, fria, longa…
mas estranhamente bonita
para quem realmente parasse para olhar.


Uma Homenagem ao meu eu introspectivo, que foi capaz de expressar muitas das minhas dores.
Obrigado! Biotoviski
19/05/26

Inserida por OrlandoBiotoviski