Nem tudo que Balança Cai
Caí tantas vezes que aprendi o voo antes de voar, conhecer a queda ensinou o desenho do ar, da repetição do levantar nasceu a técnica do subir, assim voei com mais certeza e menos pressa.
Quando a fé vacila, ela cai em silêncio como lâmpadas queimadas. Mas o que sobra não é escuridão absoluta, é colo de noite. Aceito a noite com a convicção de que o dia foi apenas adiado. E finjo acreditar até que a fé ensaie um recomeço. Porque crescer também é saber fingir esperança com verdade.
Não temo mais minhas falhas, elas moldaram minha identidade, sei onde piso porque já caí lá, sei quem sou porque me quebrei, e sei o que quero porque sobrevivi.
Cada lágrima carrega uma história que o mundo nunca ouvirá. Mas ainda assim ela cai, insistindo em provar que a dor merece saída. É o corpo aliviando o peso que a alma não suporta sozinha. E isso também é coragem.
Às vezes sinto que minha alma é um piano de cauda abandonado sob a chuva, onde cada gota que cai sobre as teclas evoca um acorde de saudade que ninguém mais sabe tocar. A música que resta em mim não é para os ouvidos do mundo, mas para o silêncio dos que já se perderam de si mesmos.
"A mentira de Satanás cai por terra diante da luz de Cristo; ele fala contra Deus porque sabe que sua sentença é a morte, mas nós servimos Àquele que ressuscitou e é a única Verdade eterna."
AMOR COMERCIAL:
É fria e úmida a chuva que cai
Madrugada adentro.
E eu a senti-la aqui sozinho
Encontro esse poema, meu alento,
Esse poema comercial... Ele versa o amor
Fala do amor? Ou de amor?
Ah! Quem falar do amor seria capaz?
Sobre a vidraça em brumas que nos separa
Eu posso exprimir seu rosto,
Meu sonho é comercial!...
Porque assim são iguais todos os textos,
Todas as cenas, e todos os temas,
De amor... São iguais.
Do amor que se expele que se explicita.
Eterno (...). Que como o ódio, e como a libido,
O homem prova para reprovar
E falar de amor é comercial.
Também é comercial,
A criatura que não é do criador.
Deveras minha poesia é comercial.
Cada bomba que cai em Gaza e no Irã é uma memória dos Arquivos de Epstein que faz questão de lembrar.
Memória da flor do Jacarandá
A flor do Jacarandá
cai sobre a memória,
A existência se desfia
e as estações desafia
a trama da História,
porque crê na vitória.
Com toda a sutileza
para que você venha
ser a minha a glória,
a refinada paciência,
e busco por excelência.
O teu poder absoluto
desejo ter para sentir
a poesia da travessia,
eleita para o jogo alto:
a escolha da tua vida.
A mentira se move com rapidez, mas, de tão afoita, cambaleia e cai; a verdade caminha a passos lentos, sábios e certos.
A chuva cai e traz teu rastro no ar,
O cheiro da terra molhada me lembra teu olhar.
Cada gota que toca o chão é um segredo teu,
Que meu coração guarda, silencioso, fiel.
O vento sussurra teu nome entre folhas e flores,
Misturando o aroma da chuva aos nossos amores.
Fecho os olhos e respiro teu abraço distante,
Sentindo que estás aqui, mesmo que hesitante.
O perfume da terra desperta memórias antigas,
Como o primeiro toque, o primeiro sorriso, as brigas.
Tudo se mistura, chuva, saudade e desejo,
Transformando a distância em um doce ensejo.
E assim, sob o céu cinza e molhado,
Meu coração te procura, meu corpo fica encantado.
O cheiro da chuva é ponte entre nós dois,
E cada gota caindo me lembra o que sou a sós.
A casa respira quando a noite cai,
paredes rangem segredos que ninguém contou.
O relógio bate horas que não passam,
e cada sombra parece saber meu nome.
No corredor, passos sem dono se repetem,
o espelho sorri quando eu não sorrio.
Há olhos no escuro, famintos de memória,
lembrando pecados que eu jurei esquecer.
Quando o silêncio finalmente fala, é tarde:
o medo não bate — ele já mora aqui.
E ao fechar os olhos, eu entendo o horror…
o monstro nunca esteve fora de mim.
