Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Não sou sectária, segregadora, usurpadora e nem cláusula pétrea.
Sou flexível, aberta e compassiva.
Não gosto de grupos, guetos e nada que compartimente seres humanos.
Tenho a nítida impressão de que fiquei presa em alguma teia do passado. Não sou uma pessoa estática, tampouco inflexível. Gabo-me de ir acompanhando a evolução das coisas e ir além disso, gostar das modernidades. Mas acho que fiquei bastante emaranhada naqueles anos pretéritos, pois pego-me frequentemente comparando algo atual com seu similar mais antigo e o que é mais antigo ganha de goleada em charme, elegância, sentimento, glamour e eternidade.
Se hoje sou o que não fui ontem e amanha tendo ser mais que hoje é por que me contemplo com ânsia de saber.
Sou livro. Não descobri ainda em que página ou em que capítulo deixo de despertar qualquer interesse. Nessa altura acho que não descobrirei mais...
Não sou do tempo das paqueras em coretos e nem dos "footings", mas por intermédio de leituras e relatos de pessoas mais antigas sinto nostalgia por algo que não vivi.
Ganhamos muito em tecnologia, avançamos em todas as matérias exatas. Pena é não poder dizer que andamos nem um centímetro sequer nas questões humanas, principalmente no que tange as relações humanas. Estamos pagando um preço caro. Pessoas solitárias, carentes e que têm todas as condições de encontrarem a quem amar e por quem sejam amados estão cada vez mais assustadas, e calam-se preferindo perder a chance de encontrar a pessoa que caminhe ao lado, tendo afinidades e peles que se atraem pelo simples pavor de receberem um não. E assim, ao invés do olho no olho, da conversa que denuncia afinidades, dos coretos e "footings" engrossam cada dia mais as estatísticas de aplicativos que permitam a paquera. Será que ser moderno é algo de que devemos nos vangloriar?
Revendo meus conceitos sobre mim descobri que sou muito insignificante, perfume que não fixa a fragrância, um vinho de qualidade inferior, uma coxinha de festa, daquelas engorduradas que se quer logo livrar do sabor, Sou música que não dá vontade de dançar, e que nem ao menos fica na memória. Sou mais descartável do que as lâminas do gênero. Acha que fiquei triste? Bingo! Mas como toda moeda tem duas faces o choque de realidade chegado avassaladoramente me atropelando foi muito bom, assim me situei e vi que não sou o macarron remanescente da "Fauchon". Descobri que sou apenas a mulher ideal para mim mesma. Ia me esquecendo que sou perfeita também para a mais completa solidão.
O Silêncio não é pleno,posso vaguear junto com o fluxo,mais não sou o fluxo,posso sentir, mais não sou.
Não me culpes jamais:
Não me culpes, se em minha pequenez me revelo um ser incompleto, se não sou o conjunto de suas expectativas, se não me faço o suficiente.
Não me culpes, por não ser capaz de oferecer a beleza que desejaste, por não ter a perfeição do príncipe sonhado, muito menos as riquezas do imperador encantado.
Não me culpes, por sentir, amar e esperar. Não me culpes por estar perdido neste deserto de ilusão jogado a ironia de um destino sem sentido.
Não me culpes jamais, por sofrer num universo de decisões que não são minhas, por esperar ser visto e notado, por acreditar nos sentimentos, mesmo quando eles não existem.
Não me culpes, jamais, não me culpes, pois o que há dentro de mim, não é fruto de minhas escolhas e sim razão de sua incompreensão.
Não me culpes jamais, pois no fundo tudo o que há mim só pertence a você...
"SOU OU TALVEZ NÃO SOU"
Sou como sou mais nada
Sou ou talvez não sou
Sou endiabradamente sossegada
Não sei ser conformada
Sou exigente comigo
Não sei calar-me
Sou calmamente apressada
Não sei ficar quieta
Sou efusivamente tímida
Não sou possessiva
Sou terrivelmente doce
Não sou amargurada
Sou duramente sensível
Não consigo deixar os outros sofrer
Sou o que sou, feliz mais nada
Sou ou não sou, como sou mais nada.
Sou guiada pela consciência, o que pensam de mim não é problema meu, sinto dizer, vai contra os meus princípios se preocupar com que os outros pensam.
Não sou de poupar palavras, nem mesmo omití-las, a vida só faz sentido quando a gente fala o que sente, quando a gente é capaz de falar do que esta esta dentro do coração.
Simples assim!
Vou sair de casa andar
Sem destino se me verem
Na rua não me confundam
Com um mendigo
Sou um jovem
Solitário sem amigo
