Nao Ha Passageiros na Nave Espacial Terra
Há pessoas que não tem asas, mas tocam nossa vida com tanta leveza e verdade que só podem ser anjos de almas. Elas chegam silenciosas , acolhem com o olhar, curam com palavras e permanecem dentro da gente, mesmo quando estão longe.
Quando o profundo chama o profundo
Há um lugar onde tudo se cala.
Onde as palavras não podem entrar,
onde os pensamentos se dissolvem
como névoa diante do sol.
Ali, não sou só eu…
sou mais do que imagino ser.
Sou finito, mas carrego dentro de mim
a saudade do infinito.
É ali que o ser humano e Deus se encontram,
não como dois que se falam,
mas como profundidades que se reconhecem.
O abismo da alma chama o abismo de Deus.
O vazio que dói é, na verdade,
um espaço sagrado que só Ele pode preencher.
Não é um diálogo de frases,
é um diálogo de presença.
Ele não me responde com palavras,
mas com silêncio que acolhe,
com paz que não se explica,
com mistério que me envolve.
Quando me sinto submerso
pelas ondas da vida,
é Ele que me afoga para me purificar,
é Ele que me mergulha para que eu veja
que há algo mais fundo que a dor.
E, pouco a pouco, compreendo:
não sou eu que alcanço a profundidade de Deus.
É Ele que, sendo profundo,
desce até o mais íntimo de mim.
No fim, tudo o que é humano e divino
não se tocam pela superfície,
mas pelo fundo.
E é nesse fundo
que encontro o que sempre procurei.
Há vezes. Ora somos caminho, ora pedra. Um momento porta, noutro pedágio. Ser fronteira aberta não implica em ser visitado.
Não há nada que seja feito para Deus em vão, tudo está guardado na nuvem e em breve choverá sobre a sua vida.
Não estar sozinho vai muito além de ter alguém ao lado. Há solidões que resistem à presença humana. Quando falo em não estar só, refiro-me à alma sem Deus, porque a ausência d'Ele é a mais profunda forma de vazio que se pode experimentar.
Não estar sozinho é mais do que ter alguém ao lado. Há vazios que nem a presença humana é capaz de preencher. Quando digo que não estejamos sós, refiro-me à comunhão com Deus, porque é Sua presença que verdadeiramente preenche a alma, e Sua ausência, o mais profundo abismo que o coração pode sentir.
Não há República sem servidores públicos livres. Não há Estado Democrático de Direito quando o medo e a opressão substituem a técnica e a ética. É urgente denunciar o extermínio moral dos servidores que ousam fiscalizar, questionar e cumprir com retidão o seu dever constitucional.
Silente mundo
Se há coisa que não dá pra a sério levar é o mundo.
Ele muda todo dia de tempo e lugar....
Mudo... não deixa de mandar... não deixa de se mudar.
Um pra lá... outro pra cá.
Quem nele vive é o compasso que tem de bailar.
E de nada adianta reclamar.
Fincar os pés no chão... se rebelar.
O mundo suas voltas vai continuar a dar...
O mundo está deveras imundo.
Ar poluído.
Rios conspurcados.
Caminhos profanados.
E a culpa? Quem dela é?
Do homem que tudo destrói.
E, da destruição, sempre algo constrói.
Polui, polui e polui...
E no mundo inteirinho é que mais dói.
O mundo tranquilamente a girar...
Se está todo mundo tonto...
O mundo não está nem aí...
Por que haveria de se importar?
É o mundo que manda.
O resto obedece.
Nasce... cresce... e um dia desaparece.
E o mundo continua a rodar.
Consciente de que o homem é que no fim as contas vai pagar.
Se um problema aparecer, vamos tentar procurar uma solução. Só não há solução para a morte.
🌳 Tempo de Raízes
Por Joaquim Luzano
Há estações em que a árvore não dá frutos.
O tronco parece cansado, os galhos se curvam
e as folhas, antes vivas, se despedem levadas pelo vento.
O impulso natural, tanto na árvore quanto em nós
é o de tentar resistir florescendo —
mostrar vida, mesmo quando por dentro tudo está em silêncio.
Mas há momentos em que crescer para fora
é menos sábio do que mergulhar para dentro.
Quando a chuva demora e o sol castiga
a árvore sabe: é hora de investir no invisível.
Ela não se preocupa em parecer bonita.
Ela não compete com outras árvores.
Ela simplesmente desce.
Fortalece aquilo que os olhos não veem.
Ela mergulha suas forças para baixo, para dentro da terra.
Para as raízes.
É ali, nas profundezas, que ela se sustenta.
É ali que ela bebe, em silêncio, a água que outros não alcançam.
É nas raízes que a vida continua — mesmo quando o exterior parece sem vida.
Assim também somos nós.
Há dias em que parecer forte não é o mais importante.
Há fases em que a luta é subterrânea.
Em que não se trata de mostrar frutos,
mas de não deixar a alma secar.
Não é fraqueza recuar.
Não é derrota se recolher.
Às vezes, é apenas tempo de raízes.
Porque quando o vento vem — e ele sempre vem
o que nos mantém de pé não são os aplausos
nem os galhos vistosos.
É aquilo que está debaixo da terra.
Aquilo que ninguém vê.
A árvore que resiste ao deserto
é a que, um dia, escolheu investir naquilo que não aparece.
Que você tenha coragem de fazer o mesmo.
De crescer para dentro.
De fortalecer sua base.
De cuidar do que sustenta tudo — mesmo em silêncio.
Porque o tempo de raízes
é o que prepara a árvore para a próxima estação.
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🌾 Quando a escassez é o solo da providência
"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação."
— Habacuque 3:17-18
Deus nunca prometeu uma vida sem luta, mas garantiu presença em cada lágrima, propósito em cada perda e provisão onde ninguém mais vê saída. Quando as portas da terra se fecham, é sinal de que os céus estão prestes a se abrir. Não é vergonha passar necessidade; vergonha é duvidar de um Deus que nunca falhou.
O justo não vive do saldo bancário, vive da fé. A irmã que hoje chora pelo emprego perdido é a mesma que amanhã vai testemunhar a porta que Deus abriu — maior, mais justa e com propósito. Porque Deus não trabalha com sobras, Ele trabalha com glória. E onde o homem diz "acabou", Deus diz: "Agora é comigo".
Espere, confie, persevere. A providência de Deus é certa — mesmo no deserto, Ele manda maná. Mesmo na fornalha, Ele aparece. Mesmo na cruz, Ele ressuscita. E mesmo no desemprego, Ele proverá.
Autoria: Purificação
✝️
Não há cristãos, que eu saiba, explodindo prédios. Não tenho ciência de nenhum cristão terrorista-suicida. Não tenho conhecimento de nenhuma grande denominação cristã que acredita que a punição para a apostasia é a morte. Tenho pensamentos confusos sobre o declínio do cristianismo, à medida que o cristianismo poderia ser um bastião contra algo pior.
"Não há um único modo de ensinar ou aprender. O saber se constrói de muitas formas, e cada um percebe a verdade e o sentido da vida de um jeito único."
Sinto-me incompreendida.
Mas não lamento por isso.
Há algo de esplêndido em ser um enigma aos olhos do mundo, desde que eu mesma saiba decifrar quem sou.
E eu sei.
Há momentos em que minha consciência de mim mesma se torna tão nítida que beira a liberdade.
Uma liberdade estranha, que não se prende ao tempo nem ao espaço.
Ela apenas paira sobre mim, dentro de mim. Como uma presença que observa em silêncio.
Por vezes, essa liberdade se afasta.
E quando percebo, estou presa outra vez.
Correntes invisíveis, não sei de onde surgem, tentam me conter.
Mas eu resisto.
Penso: será que parar me faria bem?
Talvez.
Ou talvez me arrastasse de volta para os becos escuros da minha mente, onde me perco de mim mesma.
Por isso sigo.
Não interrompo os sintomas da liberdade, deixo que ela se manifeste, mesmo quando assusta, mesmo quando me desorganiza.
Sei que sou incompreendida por olhos comuns.
Mas isso não me entristece.
Afinal, diante dos meus próprios olhos, reconheço: há beleza na minha excentricidade.
NOITES COM SOL
Há noites em que o escuro se rende,
e o sol acende febre entre os corpos.
Não é manhã, tampouco é alvorecer —
é fusão de peles em silêncio e luz.
Nada dorme. Tudo arde.
O tempo hesita, a razão se afasta.
Há calor demais para ser sombra,
há desejo demais para ser calma.
São horas em que gestos se prolongam,
palavras se derretem antes de soar.
Olhares se encontram sem direção,
sabores se acham no idioma da pele.
A pele vira mapa, e o toque, viagem.
Suspiram janelas, suam espelhos.
Respira-se como quem mergulha fundo,
e volta à tona entre lençóis em combustão.
Nessas noites, o amor ganha nome,
o prazer não pergunta, apenas se revela.
Não há princípio, nem fim exato —
há uma dança que começa... e se enlaça em carne e tempo.
E quando, por fim, o silêncio sorri,
o sol ainda pulsa, morno e inteiro.
É noite, mas o lume segue oculto na carne,
como um sol que repousa — à espera de novas
noites com sol.
