Nao Gosto do que Vejo
O HOMEM
Lá vai o homem andando
Na senda do seu viver,
Querendo chegar bem cedo
Antes do amanhecer.
Lá vai o homem cantando
A canção que aprendeu,
Sonhando com o dia claro
Onde o sol apareceu.
Lá vai o homem chorando
As dores do envelhecer,
Esperando a semente
Do fruto que irá colher.
Lá vai o homem sonhando,
Lembrando do que aprendeu,
Das lições da vida
Que o amor lhe concedeu.
Desperta o homem, outro dia,
Da luta que abraçou,
Trabalhando com coragem
No ofício redentor.
Lá vai o homem cantando
A canção que aprendeu,
Sonhando com o dia claro
Onde o sol apareceu.
Se o meu amor fosse canção
Se o meu amor fosse canção
Seria música de Tom Jobim
Seria música de Tom Jobim
De natureza, bela, de luz e de sol
Seria pra mim sinfonia perfeita
Do começo ao fim.
Se o meu amor fosse canção
Seria ópera de Wagner
Romance de Isolda e Tristão
Queixa do Caetano
“Qualquer Coisa” vã
Travessia do Milton
Sina do Djavan.
Se o meu amor fosse canção
Seria assim, cheia de defeitos
Melodia incompleta
Rascunho de poeta
Poema sem som.
**Nos Teus Olhos**
Nos teus olhos, um brilho sereno
Um sorriso que invade o silêncio
E cada gesto tão pequeno
Transforma o mundo em meu alento
Quando me abraças devagar
E deixas teu calor ficar
Tudo em mim se acende
Tu dizes palavras tão tuas
Simples, mas tão nuas
Que o meu peito compreende
Tu chegaste como a luz
Desvendando o que seduz
E dissipando o escuro
És tudo em mim
Eu em ti sem fim
Promessas ditas no olhar mais puro
E quando o teu rosto se aproxima
Uma chama em mim se firma
Meu coração se derrama
Há nos teus passos uma dança
Um caminho onde a esperança
Se deita e sonha contigo
E cada dia ao teu lado
Faz do meu destino encantado
Um poema vivo
Tu és meu céu, minha terra
Meu começo e fim de espera
E sempre que o amor chama
És tu quem eu proclamo
AINDA ESTOU AQUI
Ainda estou aqui,
mesmo que tua surdez me negue.
Ainda estou aqui,
ecoando no vazio do teu silêncio.
Falo o que sinto,
palavras partidas,
versos ocos.
Mas teus ouvidos são muros,
e meus gritos, sementes no asfalto.
Ainda estou aqui,
em cada sombra que ignoras,
no peso do ar que não te toca,
no intervalo entre os gestos que evitamos.
Ainda estou aqui,
e não me calo.
Sou o eco do que já fomos,
o rastro de uma chama esquecida.
Falo porque existir é insistir,
mesmo que o som se dissolva no abismo.
Ainda estou aqui.
Tu me ouves?
SEM TER VOCÊ
Quando o vento da saudade
balançar meu coração,
vou cantar uma canção pra você.
Vem me tirar desse sofrimento,
não aguento este momento
que passa o tempo sem ter você.
O rio no peito está secando,
porque o sol da solidão está queimando.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.
IPANEMA
Ipanema, Ipanema
Sem Vinícius
E Tom Jobim.
Ipanema, ai que pena
Só restou isso pra mim
A leitura de um poema
Ipanema, mar sem fim.
Na imensidão do do céu
Olha o mar um querubim
A lamentar esta cena
Ipanema tão pequena
Sem Vinícius e Tom Jobim.
Ipanema me distraio
Vendo a praia, cai a tarde
E o sol tem pena...
Nada cura esta saudade,
Deste amor que sempre invade Minha alma tão pequena.
Meu Pranto
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
A dor que dói deixa a marca sem furar
E eu não consigo um minuto me calar
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Meu violão não aguenta mais sofrer
Quebra as cordas com saudade de você
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Não tem papel nem caneta pra escrever
Falta argumento pra que eu possa te dizer
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Ecos de Silêncio
Caso te bata a saudade
ou talvez a insuportável
abstinência de cafeína ou de mim,
passe aqui em casa.
Resolveremos, quem sabe,
uma dessas urgências.
E se ao chegar ainda houver
silêncio ou hesitação,
preparei café e uma conversa
para espantar a solidão.
O medo sufocou nosso desejo,
e ainda hoje perco o sono,
lembrando da covardia
que me impediu de aceitar
aquele beijo.
Tuas mãos trêmulas,
teu peito ofegante,
e eu, mudo, fiquei inerte,
morri calado, sem dizer
que te queria,
mesmo que fosse
o mais grave dos pecados.
Nas noites solitárias, quando o mundo se aquieta e o ruído do dia se vai, as estrelas assumem um papel especial. Elas parecem sussurrar segredos que só conseguimos compreender quando nos afastamos do familiar, quando deixamos para trás o cotidiano e nos permitimos mergulhar na quietude
Queime-me
Queime-me,
porque sou pó, e ao pó devo voltar,
mas escolho o fogo, o calor que consome,
não como morte, mas como transformação.
Queime essa matéria que me veste,
esse corpo que habitou a alma,
que pulsou em cada verso,
em cada nota, em cada instante de festa
vivido como se amanhã nunca viesse.
Porque amanhã, talvez, não estarei.
E tudo que fui, que amei,
será cinza ao vento,
um sopro que fertiliza o infinito.
Queime-me,
pois o que é eterno já vive
nas palavras que ergui,
nas obras que de mim nasceram,
abstratas, físicas, eternas.
Queime essa matéria,
mas não a memória,
não a alma secreta que me habitou.
Pois enquanto há quem ame,
quem viva, quem cante,
sou mais do que cinza—
sou fogo que arde no coração do mundo.
Estou Prenhe
O pôr-do-sol, uma luz flamejante,
Desce sobre o meu horizonte.
Dentro de mim, há um inalcançável deserto,
Perdi, em algum lugar,
O que os homens chamam de paz.
Meu eterno buscar
Veio com mais força que antes,
Como um vulcão que dormira por milênios.
É assim que ruge,
No fundo d’alma,
Meu espírito inconstante.
Às vezes penso:
Algo muito grande
Vai sair de dentro de mim.
Não pode ser outro poema,
Nem um livro.
O que esperneia no meu ventre
É algo assustador,
Mesmo para quem está acostumado
A dar à luz filhos estranhos.
Mesmo para um espírito criador,
Esta sensação
É deveras incomum.
Um longo período de gravidez
Produziu em mim,
Ou alimentou dentro de mim,
Um ser bizarro.
Soneto ao meu amor
A lua brilha, espelho do luar,
Reflete a luz que vem do seu senhor.
Assim sou eu, que busco o teu olhar,
E encontro em ti a fonte do amor.
No céu sereno, a lua em esplendor,
Inspira sonhos, faz o mar cantar.
Mas, sem o sol, é triste e sem valor
Perdida e fria, não pode brilhar.
Assim era eu, sem tua luz em mim,
Um ser sem rumo, triste a vagar.
Contigo, amor, conheci vida enfim,
E em teu carinho, volto a resplandecer.
És meu sol, que me faz renascer
E sem ti, não saberia sequer viver.
Quando a noite se despede da luz e as estrelas bordam o céu com sua tímida claridade, a saudade emerge como uma brisa suave, sussurrando o seu nome ao vento. É nesse silêncio profundo que o seu rosto se desenha na minha memória, cada traço tão vivo, cada detalhe tão nítido, que quase posso sentir o calor do seu olhar e o toque delicado da sua presença. A lembrança se torna meu refúgio, um lugar onde o tempo se curva e a distância se dissolve, trazendo você para perto de mim.
Na solidão desse instante, uma lágrima tímida escapa, carregando consigo o peso de um amor que as palavras jamais poderão conter. Ela desliza lentamente, traçando caminhos invisíveis em minha pele, como se fosse uma prece silenciosa, uma oferenda à mulher que domina meus pensamentos e faz o meu coração pulsar com intensidade.
E assim, no santuário erguido por essa lágrima, encontro um abrigo onde você reina absoluta. Ali, entre as sombras da noite e a luz da lembrança, você permanece viva, imortalizada no espaço sagrado que o amor construiu em mim. Cada batida do meu coração é sua, e cada pensamento meu é guiado pela sua doce existência.
Aceitar que o tempo é tanto amigo quanto inimigo, e viver cada momento com paixão e gratidão, e talvez, no final, não somos vítimas, mas heróis, pois estamos desafiando o tempo, criando uma história que ficara marcada e, quem sabe, talvez o tempo, ao observar essa dança, sorria e conceda-nos um vestígio da nossa história.
Absolutamente ninguém precisa ser sábio para praticar e mostrar sabedoria, e o mais elegante disso, é que... Se praticarmos e mostrarmos a sabedoria podemos com certeza ser um sábio.
Oração do Silêncio
Ouvi o som do vazio, meu amor,
o eco de mundos suspensos no espaço,
como se o universo guardasse um segredo
no instante em que tua prece tomou forma.
Era um murmúrio antigo,
feito da respiração das estrelas,
um canto sem voz
celebrando a existência
num espelho onde o infinito se reflete.
Nos teus lábios, senti o renascer da matéria,
não como milagre, mas como fluxo,
como se o beijo fosse a maré se entregando ao vento.
Era a força que tudo move,
o gesto eterno que o cosmo repete
quando o dia se dissolve em sombras
e a noite se abre em promessas veladas.
Na reverência do teu gesto,
teu amor, meu amor,
era mais que oferenda:
era força que unia nossos mundos,
era órbita e atração em harmonia,
era o corpo compreendendo os ciclos do tempo
no instante em que se curvava.
Tu me tocaste com a alma entregue,
não em servidão,
mas na dança de corpos celestes
que encontram equilíbrio na troca.
Fomos constelações em convergência,
não por acaso,
mas porque o universo escolheu
aquele momento para ser eterno.
E ali, onde o vazio tornou-se canção,
onde a matéria renasceu em ternura,
aprendi que amar é dançar com o cosmo,
sem nunca precisar de respostas.
Fico pensando: será que realmente se importam comigo? Acho que todos já tiveram esse pensamento. A vida parece uma caixinha de surpresas, sempre trazendo novos desafios, novas pessoas ou até mesmo trazendo o passado de volta. Às vezes, me pego refletindo na janela do meu quarto. Fico pensando em como o tempo passa rápido, em como as estações mudam, as pessoas mudam, e eu também. Parece que ontem eu tinha 15 anos, e agora já tenho 18.
Já terminei a escola, saí do meu emprego, amei, me machuquei, enfrentei traumas. Passei por tudo isso sozinha... mas aqui estou eu, escrevendo novamente. Hoje já é 5 de janeiro de 2025, e parece que o ano novo ainda não começou de verdade, como se estivesse preso em um longo "recomeço". Às vezes, sinto que estou tão perto do sucesso, mas ao mesmo tempo sinto uma sombra de perigo por perto. É estranho.
Uma coisa que sempre ouço é: "Ninguém sabe o dia de amanhã." E é verdade... ninguém sabe. Fico imaginando: e se todos soubessem o que vai acontecer amanhã? Será que alguma coisa mudaria? Ou a vida continuaria do mesmo jeito, repetindo os dias, como hoje, ontem, anteontem e os anos que já passaram?
Não estou tentando dar conselhos, só estou seguindo os meus pensamentos e sentimentos, aqueles que guardo dentro de mim e raramente compartilho. Enfim, como será o meu amanhã?
