Nao Alimentar Esperancas

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Não compactuo com a morte. Meu pacto é com a vida.

Não ignore o alerta de uma pessoa só porque ela não prticipa do seu dia a dia, a visão de uma ilha para quem está afastado e posicionado estrategicamente é muito mais nítida do que a da pessoa que está dentro dela.

Não leve ao pé da letra a afirmação de que "quem espera sempre alcança", movimente-se, mesmo que devagar.

O Caminho para o Céu não é mais iluminado para o sábio do que para o ignorante.

O tempo não é borracha que apaga o que foi feito.

Pensamento lateral não é inventar uma saída. É investigar se o problema foi formulado corretamente.

Escrever pra alguém que não vai ler dói de um jeito diferente de falar contigo aqui. Aqui você responde. O papel não.

Não é pra ela. É pra mim, pra fechar um assunto que ainda tava em aberto dentro de mim, mesmo que só dentro.

A arte e a cultura não estão condicionadas à classe social, etnia ou credo; sujeita-se às manifestações de um povo que preserva seus costumes e respeita sua gente.

A letargia não edifica pontes; imobiliza e separa a aptidão da mediocridade.

A solidão tem uma vantagem prática:você não se decepciona com ninguém.

O mundo não é unilateral; personalizá-lo à nossa imagem é negar sua pluralidade.

A lua daqui

Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.

Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.

Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.

A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.

A política partidária nacional chegou a um estágio em que já não se escolhe o melhor candidato; resta a cada eleitor optar pelo menos ruim, segundo sua própria avaliação.

Não sou seguidor de Dídimo; acredito em muitas coisas que sei estarem longe de existir.

Onde a felicidade não tiver espaço, crie canais de amabilidade e logo ela vai aflorar.

Uma casa onde você não escuta o tilintar de panelas e frigideiras é algo desanimador.

O “não” dos outros converte-se em impulso, não como negação de sua essência, mas como expressão do prisma equivocado deles.

Algumas pessoas brilhantes permanecem invisíveis não por demérito, mas pela ausência de um palco adequado.

Quando a própria companhia lhe traz paz, não a evite nem hesite; apenas não abdique do esforço de socializar.