O dia em que o meu mundo parou não teve... Valdir Enéas Mororó Junior

O dia em que o meu mundo parou não teve trilha sonora de filme, nem trovão no céu. Foi uma dor bem esquisito, desses que fazem o ouvido zumbir. Lembro do peso do meu próprio corpo, como se a gravidade tivesse triplicado de valor e me empurrasse direto para o chão. Naquele segundo exato, eu tive a certeza matemática e absoluta de que a minha vida tinha acabado de vez. Sabe quando o peito aperta tanto que o ar não acha o caminho de volta? Foi assim. Eu olhei para o teto e pensei: "Pronto. Daqui eu não levanto mais.
A gente passa a vida inteira achando que é forte, construindo certezas em cima de areia, jurando que tem o controle de tudo. Bobagem. A verdade é que a gente só descobre o tamanho da nossa fragilidade quando o chão some. Eu me vi ali, despedaçado, catando os cacos de quem eu achava que era, sem saber como colar as partes de novo. Chorei um choro feio, pesado, daqueles que vêm do estômago e rasgam a garganta. Achei sinceramente que a dor seria o meu endereço definitivo.
Mas aí o tempo passou. Não como um milagre, mas como um mestre severo. E a grande lição de vida que me quebrou ao meio para depois me refazer foi entender isto: o fim de um mundo não é o fim da vida. Às vezes, o nosso mundo precisa acabar de vez para que a gente pare de sobreviver no automático e comece, finalmente, a existir de verdade. A dor não veio para me matar, veio para me limpar de tudo o que era ilusão. Eu precisei perder o meu chão para descobrir que eu tinha asas.
Hoje, olhando para trás com os olhos ainda marejados, eu entendo o mistério. Aquele dia terrível não foi o meu ponto final. Foi o início do capítulo mais bonito e maduro da minha história.