Morre Lentamente Marta Medeiros
Viver intensamente e amadurecer lentamente é prerrogativa da juventude, que vive no hoje, como se não houvesse amanhã.
Esperança
Lentamente carregada pelo vento
A folha se deixar levar
Sem jamais se esquecer de onde partiu.
Eu quero viver
Ao seu lado eternamente
Queria que esses anos
Passasem bem lentamente
Para que eu pudesse de maneira
Mais que detalhada te analisar
Para que eu possa saber a hora
Certa de falar e de calar
Por toda minha vida
Vou tentar de qualquer maneira
Me encaixar e quando parecer perdido
Quase impossível eu posso até chorar
Mas sei que o que aprendi
De cada detalhe seu
Vai nos eternizar
É assim... Todos os dias ela caminha lentamente até a janela do seu quarto e fita a rua ainda silenciosa. Olha de um lado para o outro e nada. Nenhum rasto sequer do seu amado.
Duas quadras dali está ele, contido em seu lugar, sentado naquele sofá, assistindo um filme qualquer com os olhos fixo no celular à espera de uma ligação, de uma mensagem sequer e nada.
Uma briga simples rotineira e mais uma vez o “culpado” da separação era o ciúmes. É assim desde o término do namoro: ele a espera, ela também o ama, mas o silêncio é a única coisa que os dois trocam.
- Como ela foi me esquecer tão rápido? - Questiona ele olhando fixamente aquela foto que tiraram num fim de tarde naquela pracinha. Uma das muitas lembranças daquele amor que continua vivo no coração de ambos.
- E aquelas palavras? Aquelas juras de amor, onde estão? - Sussurra ela, deitada em sua cama com a cabeça no travesseiro que mais parece uma esponja de lavar louças de tão molhada que está com as amargas lágrimas que derrama enquanto tenta descobrir o motivo pelo qual uma história tão linda de dois anos teria acabado de uma forma tão banal.
Um quer o outro, os dois se amam, mas lhe falta uma única coisa: Coragem.
Talvez não lhes faltem coragem. Talvez não lhes faltem nada. Talvez até sobre: orgulho.
O tempo vai passando e cada dia mais os dois começam a pensar a mesma coisa: o amor do outro havia acabado.
Numa noite chuvosa, está ele mais uma vez assistindo televisão. É inútil perguntar qual programa se passa nesse momento. Ele vê as imagens, mas não consegue pensar em mais nada a não ser naquele sorriso lindo, naquele olhar meigo, naquelas palavras doces de sua amada que há tempos não vê.
Afogado em pensamentos, ele adormece ali mesmo sem perceber...
Já é tarde. Só se escuta o silêncio da noite e o cantar dos grilos lá fora. A televisão está muda. A emissora já havia saído do ar há horas. De repente ele acorda assustado com o som do celular que toca uma breve música. É uma mensagem... Ainda sonolento, ele pega o celular e qual não é a sua surpresa quando percebe que não era uma mensagem qualquer, mas sim, uma mensagem da sua amada, uma mensagem que há tempos ele esperava.
O sorriso largo é inevitável, o coração acelerado também.
“Lembrei de você. Boa noite.”
Nada de “eu ainda te amo” ou “eu preciso de você”. Não. Mas aquele sorriso não sai do seu rosto. Várias recordações se passam em sua mente nesse instante. As juras de amor, os abraços apertados, os beijos que antes de chegar à boca, se refletia nos olhos de ambos, os fins de semana naquela pracinha... Não dá pra conter. Ele passa a mão nos olhos pra enxugar as lágrimas... Lágrimas de um sentimento ainda vivo, porém silenciado pelo orgulho.
Ainda sem acreditar ele responde a mensagem: “Fiquei surpreso com sua mensagem. O amor que sinto por você ainda continua vivo aqui dentro. Eu te a...”
Apaga. – É melhor não. Talvez ela nem pense mais em mim. Talvez isso seja até uma gentileza da parte dela. Talvez eu tenha só que aceitar que tudo na vida um dia passa.
Ah, os talvez da vida... Se soubéssemos o quanto esses “talvez” nos têm feito perder chances de sermos felizes....
Com o texto apagado, ele começa a reescrever sua mensagem: “Boa noite.”
Embora a vontade de mandar um “eu te amo” fosse grande, a resposta que ele dá é um simples boa noite.
O celular toca. Ela ansiosa para ler a mensagem, pega o celular e...
- Ah, ele não me ama mais...
O coração acelerado pela ansiedade de ler um “eu te amo” se transforma em um coração sangrando, em pedaços. O choro é inevitável e mais uma vez ela recorre a um amigo muito conhecido dela: o travesseiro.
O tempo vai passando. E na verdade, ele não resolve nada. O tempo é apenas uma fração de momentos que temos para tomar certas decisões que por muitas vezes não tomamos.
O tempo é apenas uma palavra esperando sua atitude.
Cada dia que passa o sofrimento dos dois é inevitável. Nenhum quer dar a “cara pra bater”.
Mais uma vez o tempo passa e nenhuma atitude é tomada...
E mais uma vez o orgulho separa dois corações que se amam.
O final desta estória é triste, mas ele não precisa se repetir com você. A sua vida é apenas consequência de suas escolhas.
Caso não haja a válvula propulsora que nos faz sair desse buraco mental, morreremos lentamente sem perceber o mal que causamos a nós mesmos!
as águas que correm do monte se acalantam lentamente entre as pedras e se jogam oferecidas ao infinito.
ainda há sangue nas feridas que causou logo pela manhã o destino, quando cantava o novo dia o assobio de um passarinho.
haverá chuva e sol, assobios e caminho, um dia encontraremos nosso ninho...
minhas lágrimas aos poucos umedecendo e o meu suor escondendo minha dor, lentamente te esquecendo, pra você viver algum amor...
As estrelas brilham de repente,
no silêncio das noites indormidas,
a solidão escorre lentamente,
nos acenos das despedidas.
Comoventemente, as estrelas brilham de repente,
no azulado céu escuro adornado de cachecol,
O sereno principia sua ausência lentamente,
Adormecendo com o nascer do sol.
O pêndulo, depois de acumular energia potencial, começa lentamente a ganhar energia cinética e se mover para o outro lado.
(2020-02-02)
'CÂMARA DE GÁS'
O trem caminha lentamente fazendo sempre o mesmo decurso. Gelos sob os trilhos são esmagados, Não tão qual semelhante a sua carga inóspita revelando sentimentos futuros. A câmara de gás espera suavemente todas as pessoas. Abraçando sintomas apáticos o tempo todo. Como piscinas, Pessoas entram nela diariamente. Cantarolando. Balbuciando martírios. Existencialismos...
O gás é artificial. Nunca existira! Não há ares sufocantes. Mas há armas de todos os tipos espalhadas sobre o chão. É preciso determinação para encontrar as suas. Seleciona-se as melhores. As mais significativas e necessárias. Não precisas apertar os gatilhos. O gás é extremo psicológico. Aprisiona, Derruba. Faminto forjando janelas no fim do túnel. Estar-se próximo a um colapso anímico. Guerras internas, apocalípticas...
O campo de concentração é extenso. A sopa rala está sobre a mesa sempre farta [de escrúpulos]. Sentados, expele-se ar de prisioneiros. Todos livres às suas escolhas. Libertos no sofá da sala assistindo seus programas preferidos. O luxo e o lixo abruptam-se nessas câmaras que, Em pouco espaço de tempo, Tornam-se sapatos molhados. Camisas listradas. Todos com suas escolhas já prontas, escolhas sem sentidos. Desejos de significados...
TRAVESSIA
A chuva fina caí em direções variadas. Às sete da manhã, caminhando lentamente, ele dobra à esquerda numa travessa sem nome. Há muitas pessoas na chuva tomando seus destinos...
Uma senhora de idade carrega uma criança no colo a passos rápidos, tentando atravessar a rua. Mas a rua é ligeiramente escorregadia e íngreme. Esboça-se um ar de complacência...
Mas à frente, ele dobra à direita. Deixando a rua com suas escolhas e impulsos, rude e indelicada. Agora impulsivo, espera-se a próxima travessia dilatando o corolário, súbito à espera de um milagre...
Deveria haver uma cama no mar
pra que eu pudesse
rebolar em você
lentamente
me mover a cada ondulação
reverberar sobre seu corpo
misturando nossos sons
com o do ambiente
sentindo as gotas
salpicando sobre meu corpo
as do mar
e as suas
que nesse momento
seriam quase
como a mesma coisa
A morte é um cometa que vagueia lentamente pelo universo imaginário da mente humana, com rota certa de colisão.
ALÉM DA MORTALHA
Lentamente cai a mortalha
A um novo ano promissor
Tempo atorado com navalha
Só resta olhar o que ficou
Um perdoar às próprias falhas
E acreditar no que mudou
Pra enfrentar novas batalhas
Ressurreição que acordou!
