Moradores de Rua
Olhei lá fora, a rua toda vazia, nenhuma cadeira na calçada, nenhuma criança no carrinho, só eu. Ah, e a lua detrás da nuvem.
Tem uma lua diferente
Que só nasce na minha rua
Ela pode parecer igual
Pra toda gente
Não pra mim, que a vejo de lá
E quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
E prossigo vendo as coisas do meu jeito
Pois desse jeito, eu sei, não sofro tanto
Não ponho leveza onde não há
Não aumento a tristeza onde há
Tem um azul claro vibrante
Tem um céu assim, pra mim
Quando eu o olho de lá
E quando eu me molho na chuva de lá
Não me sinto menos rico
Por não ter um guarda-chuva igual
Não desejo nunca mais ultrapassar as portas
De cujas maçanetas
Eu jamais devia ter me aproximado
Às vezes, fico até de madrugada
Olhando estrelas da calçada
A lua brilha na areia do chão
Como na areia da praia
Mas é preciso olhar pro chão
Como quem olha pro céu, para vê-las
E não desejar que caiam estrelas
Todas elas vão cair um dia
Nesse dia, eu vou morar na estrela
Para ver minha rua distante
Como distantes serão meus olhares
E vai tudo estar do mesmo jeito
Ou, talvez, até melhores
Não sei
O melhor lugar do mundo
Fica atrás dos meus olhares
Sob a chuva sem guarda-chuva
Na qual, fatalmente, eu apenas me molho
Eu apenas vivo assim
As emoções pequenas
Nas asas da ilusão, eu viajo pra bem longe
Mas, quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
Minha paz, meu coração
E o melhor lugar deste mundo
Será sempre onde eu estiver
Pois estou contente em minha companhia.
Eds
Preso em monólogos, rótulos, vou pra rua
e a vida nos cobrando respostas sem dar as perguntas.verdades são nuas e cruas.
Rotina ofuscando a retina que ainda brilha,
mas o brilho também é resistência, conduta e disciplina
.
Medos batem no peito como tambores,
e a coragem nasce no compasso,
Moldando amores e dores.
Cada cicatriz eu transformo em poesia,
Verso que ecoa, ferida que nos guia.
Caminhando sozinho por dentro dos meus pensamentos,
às vezes lento, mas sempre em movimento,
observo o tempo sempre correndo.
Acelerado, paro e conto até três, me acalmo,
mesmo no caos, busco a paz que torna alvo.
Buscando sempre a paz que me livra dos alarmes falsos.
Respiro fundo, guardo a brisa fria no peito,
mesmo em campo pequeno, chuto a bola meu jeito.
A cada batida, minhas rimas são espadas estilo esgrima,
a cada corte machuca, porém, também ensina.
Não desistir, persistir,
se seu sonho é grande você também precisa evoluir.
No ringue da vida não existe plateia,
suor no rosto é chama que clareia.
Cada queda ensina, cada dor constrói,
quem luta de verdade jamais se corrói.
Minha voz ergue muros, derruba mentiras vazias,
bloqueando sombras que iludem almas frias.
Cá entre nós, nunca estamos a sós,
quem ontem me ignorou, hoje implora minha voz.
Olho nos olhos, não fujo da briga,
verdade é flecha, mentira fadiga.
Quem hoje aponta, amanhã admira,
quem fecha a porta, um dia suplica a saída.
Eu não paro, eu insisto,
cada rima é fogo, cada verso é grito.
Do silêncio eu faço poesia,
das feridas sangram minha energia.
Deitado no divã de rosto para cima
Se apossava dele certa letargia
E chegava da rua um tal de alarido
Enorme e tristonho que vinha sorrindo
deitado no divã de rosto para cima
se apossava dele certa letargia
e chegava da rua um tal de alarido
enorme e tristonho que vinha sorrindo
e ouvia toda noite da sua janela
o batuque do samba lá na casa dela
e entre tantos chapéus via o seu vestido
dançando no salão como um anjo caído
Eli apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
rodava no salão com seu vestido lindo
Eli apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
dançava no salão com seu vedtido lindo
Elí apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
girava no salão seu vestido lindo
- “Ex Governanta”...começou subitamente Lagosta.
Eu te amo tanto que caminho na rua
Sempre conversando no mundo da lua
Sempre passando tempo expressando ideias
Sempre jogando jogos de tabuleiro com estratégia
Para prolongar nossa linda vida bela
Sempre em comunhão para ter uma lógica
Mas quando não concordava
Sempre tinha uma revolta
Para expressar ideias
Para beneficiar
Sempre um e outro ajudar
Mas hoje em dia
Você me largou
Largou a todos nós
Você nos deixou
Você me recusou
Ex Governanta!
Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas
Você nos deixou
Nos revoltou, mas sofremos calados
As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Por que você se afastou
Porque nós nunca lutou a sua ida!
Não volta mais a vida
A revolta não é mais ocorrida
Entre seus problemas
Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você, porque?
Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população vai se calar
Todas as minhas lágrimas derramadas
Lembro das agonias que nos protestava
Lembro dos momentos que não nos resguardava
Sinto a nossa falta
EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA
Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas você nos deixou
Mas sofremos calados
As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Porque você se afastou
Porque nós nunca se revoltou com a sua ida
Não volta mais a vida
A luta não é mais ocorrida
Entre seus problemas
Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você. Porque?
Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população volta a se calar.
EX GOVERNANTA.
Apitou o sinal, e Gabiroba ficou apavorado ao ver tantos pés passando apressados, pra lá, pra cá, por todo lugar. A quadra era coberta e o barulho ficou insuportável, ele se escondeu até o alvoroço acabar, olhou para cima e viu o gambá dormindo bem sossegado no galho da goiabeira.
Na rua todos tinham medo quando ele passava sorridente com aquele saco de estopa muito bem fechado, nem sabia para onde ele ia mas muitos olhos medrosos o seguia até sumir na esquina da trilha.
Ele sempre saia de tardezinha quando a noite brotava azulada e devagarinho tudo escurecia deixando as lâmpadas e os postes onde elas acendiam um pouquinho mais claro para quem ia e vinha.
Ao amanher o dia ele voltava com o saco de estopa quase vazio e algumas vezes nem o saco trazia mais debaixo do braço e todos se perguntavam o que estava acontecendo e o que ele tinha naquele saco que todos os dias enchia oculto pela privacidade da sua pequena casinha.
E como lá dentro daquela casa cabia tantas coisas para ele colocar naquele saco de estopa todos os dias? A curiosidade muitas vezes nos faz comportar como idiotas presunçosos mas foi essa mesma curiosidade que me fez seguir o homem do saco naquele dia e decobrir que ele não roubava criancinhas mal criadas como minha avó sempre dizia...na verdade ele era um Emprestador de Ombros! E o saco estava cheinho de ombros amigos que ele emprestava todas as noites para consolar que voltava para casa e encontrava a tristeza...e não tinha nenhum ombro amigo para chorar.
DO OUTRO LADO DA RUA.
Do Livro: Atravessando a Rua.
Autor: Richard Simonetti.
Durante a existência inteira residiu em frente ao Centro Espírita.
Ano após ano observou o movimento de gente que entrava e saía, dirigentes, colaboradores, simpatizantes, aprendizes, doentes, pobres...
Nas noites quentes de verão, sentado em confortável poltrona, na ampla varanda, ouvia ao longe a palavra de vibrantes oradores e impressionava-se com a lógica dos conceitos espíritas na definição dos problemas humanos... Chegara a proclamar-se adepto da Doutrina dos Espíritos!...
E aquela gente que ali cooperava! Que dedicação! Quanto desprendimento! Em qualquer tempo, com chuva ou frio, sucediam-se as equipes de trabalhadores, na distribuição de alimentos, na visitação aos enfermos, no socorro aos desabrigados!
Mas NUNCA SE DECIDIU A ATRAVESSAR A RUA, perdendo preciosas oportunidades de serviço e edificação...
Espírita, é preciso ATRAVESSAR A RUA!...
Não nos acomodemos na poltrona da indiferença, a ouvir de longe os apelos da Espiritualidade!...
No Centro Espírita está o nosso ensejo maior de participação como aprendizes e colaboradores. Fortalecê-lo com a nossa presença! Engrandecê-lo com o nosso trabalho! Sublimá-lo com a nossa dedicação,eis as metas intransferíveis, se aspiramos a um futuro de bênçãos!
Façamos do Centro Espírita a nossa escola, a nossa oficina, o nosso templo, para que não tenhamos de ver nele o hospital, atormentados por males e frustrações que afligem os que NÃO ATRAVESSARAM A RUA!
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QUANDO UM ANJO DORMIU EM MINHA CASA.
Era uma casa simples, situada numa rua tranquila onde o tempo parecia caminhar mais devagar. As paredes guardavam marcas de anos vividos, risos antigos e algumas lágrimas silenciosas. Ali morava um homem de espírito cansado, daqueles que carregam na alma mais perguntas do que respostas.
Certa noite, depois de um dia longo e pesado, ele apagou as luzes e deixou que a casa mergulhasse no silêncio. O vento tocava levemente as janelas, e a madrugada aproximava-se com aquela serenidade que somente as horas profundas sabem trazer.
Sentado na pequena sala, ele pensava na vida. Pensava nos caminhos que tomara, nos erros que ainda lhe doíam e nos sonhos que pareciam ter ficado para trás. Havia dentro dele uma mistura de cansaço e esperança, como se a alma buscasse algum sinal que lhe devolvesse confiança no amanhã.
Antes de dormir, fez algo que havia muito tempo não fazia. Curvou levemente a cabeça e falou em voz baixa, quase como quem conversa consigo mesmo.
“Se houver ainda alguma luz para mim, permita que ela encontre esta casa.”
Depois disso, recolheu-se ao quarto e adormeceu.
A noite passou silenciosa. Nenhum ruído estranho, nenhuma visão extraordinária, nenhum fenômeno que pudesse impressionar os sentidos. Apenas uma paz incomum que parecia repousar sobre o telhado, sobre as paredes, sobre cada objeto simples daquele lar.
Naquela madrugada, porém, algo sutil aconteceu.
Enquanto o corpo descansava, o espírito encontrou-se envolvido por uma serenidade profunda. Não houve palavras audíveis, nem formas visíveis. Houve apenas uma presença silenciosa, como se uma inteligência benevolente estivesse ali, velando pelo descanso daquele coração cansado.
Era como se uma luz suave tivesse atravessado a casa inteira sem acender lâmpada alguma. Uma presença que não perturbava, que não exigia atenção, que simplesmente permanecia.
E assim a noite seguiu tranquila.
Quando o amanhecer chegou, o homem despertou com uma sensação estranha. Não havia acontecido nada que pudesse explicar. A casa era a mesma. A mesa continuava no mesmo lugar, as janelas estavam fechadas como sempre.
Mas algo dentro dele havia mudado.
A inquietação que o acompanhava há tanto tempo parecia menor. O peso que carregava nos pensamentos estava mais leve. Ele levantou-se devagar e caminhou pela casa em silêncio, como quem percebe que aquele espaço simples estava diferente.
Não porque algo tivesse sido acrescentado.
Mas porque algo havia sido suavemente purificado.
Sem saber explicar por quê, ele sorriu pela primeira vez em muitos anos. Sentiu vontade de abrir as janelas, deixar a luz entrar e começar o dia de outra maneira.
Enquanto preparava o café da manhã, uma ideia atravessou-lhe o pensamento como um sopro delicado.
“Esta noite um anjo dormiu aqui.”
Talvez ninguém pudesse provar aquilo. Talvez nenhum olhar humano tivesse visto aquela presença silenciosa.
Mas certas verdades não precisam de testemunhas.
Elas revelam-se apenas através da paz que deixam no coração.
E naquela casa simples, naquela madrugada tranquila, alguém despertou para a vida com a certeza silenciosa de que, mesmo nas noites mais comuns, o bem ainda encontra caminhos para visitar aqueles que não desistiram completamente da esperança.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
“ Eu amava do outro lado da rua, e era um amor de fotografia: não se podia tocar. Quando eu via, sorria, minhas mãos suavam por nós dois, e eu ficava pequena, ridicula e inteiramente viva.”
Livro “ O quarto dos Poetas “
Por Maysa S. Barrocal
Era sábado à tarde, primavera e Caetano cantava "Queixa" enquanto ele atravessava a rua de mãos dadas comigo e eu segurava o vestido com a outra mão para o vento não levantá-lo. A música invadia a praça, as pessoas cantavam, riam, bebiam e ele me girava numa dança improvisada. Caetano parecia cantar para nós e eu nem sabia quem tinha arrasado quem nessa nossa atração magnética, hipnótica, apocalíptica...
racismo velado.
Só porque sou preto você me olha com nojo se passo na rua você comenta de novo olha lá o Criolo desde 1500 o racismo começou nossos ancestrais lutavam por uma justiça incessante e até hoje a luta não acabou 1800 princesa Isabel assinou o termo mas tem uma coisa que me dá nos nervos racismo velado.
F***-se a norma culta porque na senzala ler e escrever era só uma forma oculta de ser usado como peão pelos senhores de engenho que colocavam os manos contra os próprios irmãos, aí mano isso dói no coração só porque você é branco não significa que é melhor que ninguém não.
Pior ainda é ter que ficar calado vendo a sociedade decaída e o racismo desgraçado droga de arrogância que nunca acaba todo ano tem uma data consciência negra, no papel é bonito mas na realidade quase ninguém se importa o ser humano prefere continuar com a maldade e a empatia segundo eles não importa
