Cleison Harlos
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25 do total de 48 pensamentos de Cleison Harlos
O corpo é um dedo-duro desgraçado.
Aquele sorriso que antes era o meu porto seguro e que agora parece uma faca amolada.
Os olhos vão continuar sendo os mesmos. Os mesmos que viram ela ir embora.
Eu não tô mais esperando ela voltar. Eu tô esperando eu mesmo voltar pro meu corpo.
Eu me sinto um museu vivo de uma história que já faliu.
O algoritmo é o ex mais tóxico que eu já tive.
Hoje eu percebi que eu parei de cair. Não que eu esteja de pé, firme e forte, mas eu parei de despencar.
É como se eu tivesse achado um degrau no meio do poço e resolvido sentar ali por um tempo.
Agora ela é como aquela cicatriz de infância que tu sabe que tá ali, que dói se bater o tempo, mas que já faz parte do teu corpo.
Eu virei um profissional em carregar esse luto sem deixar ele transbordar no meio da rua.
Hoje a cor que eu quero é o dourado dessa cerveja, que é a única coisa que brilha sem me cobrar um sorriso de volta.
Eu sou o único responsável por colorir o meu dia de novo. Ninguém vai vir com uma paleta de cores me resgatar.
O problema é limpar o corpo. Como é que se deseduca uma rotina de anos?
Hoje eu preciso de uma bebida que não tenha história, que não tenha safra e que não me lembre de nenhum brinde que a gente deixou de fazer.
Eu me sinto um passageiro clandestino no trem da maturidade.
Os meus planos tinham o tamanho do sorriso dela.
Meio capangando, meio cinza, mas cheguei.
A dor mudou de formato, cara. Ela não é mais aquele soco na boca do estômago... Agora ela é uma presença silenciosa, tipo um vizinho barulhento que tu acabou se acostumando a ouvir através da parede.
A gente tem uma capacidade meio assustadora de se acostumar com a falta de ar.
Eu continuo aqui, firme no balcão, batendo o cartão na minha própria dor.
Hoje a gente não comemora a alegria, a gente só respeita a caminhada.
Tem dias que a ausência não é uma falta; é uma presença física dentro de casa.
O problema de entrar no automático é quando o dia desacelera e o script acaba.
Tu percebe que passou doze horas fingindo que tá tudo bem, mas a verdade é que tu só estava empurrando as horas com a barriga.
Dá uma raiva danada perceber o quanto de energia eu gasto só pra parecer um vivente normal aos olhos dos outros.