Moradores de Rua

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⁠Porta trancada,
alma acalmada.
O pensamento flutua,
longe da rua.
Um nó que desata,
o tempo em pausa.
A casa é a mata,
a paz é a causa.

A rua da memória sempre me recebe do mesmo jeito:
um beco torto, desses que fingem não conhecer ninguém.
As minhas pegadas — educadas como sempre
apontam discretamente para mim,
como quem indica o culpado que já nasceu pronto.


O alvo mudou, claro.
Mas a corda bamba continua ali,
com aquela generosidade silenciosa
que oferece tropeços como lembranças grátis.
E eu, que já fui pele exposta querendo posar de metal,
ainda caio no truque.


Dizem por aí que esforço salva, silêncio ilumina, amor acerta.
Engraçado.
A verdade vem com farpas e ainda querem que a gente sorria ao morder.


Aprendi a trancar a língua antes que ela fale demais.
E a coragem… bem, essa eu mantenho no bolso, dobrada.
Troco trevas por tropeços, puxo o prumo para o fundo,
faço aquela coreografia conhecida:
nada firma, nada fixa.
Até meu rosto erra o próprio caminho
quando eu digo “tanto fez”,
sabendo que foi exatamente o contrário.


Cada um costura seu casulo com o fio que sobrou.
Depois finge que observa de longe
o afogamento alheio, testando a água
como quem não está com a respiração pela metade.
E ainda distribui sentença, sermão, palpite
tudo embrulhado na convicção
de que a verdade cabe numa mão fechada.


Mas a verdade…
ah, essa prefere escorregar.
Não cabe em palma nenhuma.
E morde.
Principalmente quem jura que não sente.

Tu é só eu sou a rua do amar para sempre

Se não somos reconhecidos quando andamos pela rua, sorte a nossa.

Charles Bukowski
Sobre a escrita. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2023.

"Há quem precise de segurança armada para andar na rua; o homem verdadeiramente culto anda protegido pela autoridade inabalável do seu próprio caráter."

A minha cor é pre...

A minha cor é do mendigo na rua
A minha cor é de presos na cadeia
A minha cor é periferia
A minha cor é da exclusão
A minha cor é de escravidão
Minha cor se tornou verde e amarelo

Meus ancestrais foram trazidos
pra cá contra sua vontade
Roubaram a nossa liberdade
e mais de 300 anos,
deste então nunca
fomos bem-vindos aqui
e somos obrigados
a fingir,
ignorar
que não somos
julgados,
vigiados,
condenados,
querem culpar até
nosso existir
e tirar nosso sorrir
nunca fomos bem-vindos aqui,

ainda sem oportunidade
há uma ameaça constante
de nossa liberdade,
a minha cor é suspeita
e muita gente não respeita
a minha cor começa com pre...
a minha cor é preconceito.

Eu sou o outro.

Sou esse morador de rua.
Sinto sua fome,
sinto o frio, o calor, a chuva.
Sinto sua vergonha,
sinto sua humilhação,
sinto o perigo, a indiferença,
sinto a sensação de não ter valor.

Sou essa mulher agredida —
em palavras e no corpo — pelo marido.
Sou essa mulher que trabalha na rua e em casa,
e ganha menos apenas por ser mulher.
Sou essa mulher que, por tanto tempo,
viu suas escolhas serem decididas sempre pelos homens.

Sou essa criança no mundo,
que sofre por ser frágil, por não ter força.
Sinto o sofrimento violento que os adultos causam.

Sou esse doente na cama,
sofrendo de dor, desenganado pelos médicos,
com apenas a morte esperada no futuro.

Senti a dor do Holocausto judeu,
senti a dor da escravidão do negro.

Eu sinto a dor do outro.
Eu sou o outro.

Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.
✨
Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.
✨
Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.
✨
Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.
✨
Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.

Sandro Paschoal Nogueira

Você anda…passa por Sulacap, Vila Valqueire, Madureira…muda de rua, muda de direção.Mas a sua mente continua no mesmo lugar, presa no que você tenta deixar pra trás. No fim, não importa onde você pisa…se por dentro, você nunca saiu.


DeBrunoParaCarla

Lapidar
"" Moldar a pedra bruta
cheia de vida
tal qual o brilho
da rua
num instante
o pormenor
da lua
brilhante...

A casa e a rua em que você vai morar vão influenciar diretamente nos seus resultados e saúde mental.

Não há crescimento sem passar pela rua escura.

A rua ensina cedo, sem livro e sem lição,
que o destino de muitos já vem na contramão.
Sonhar parece erro, viver vira missão,
num jogo desigual que já começa sem opção.
Helaine machado

Hexa, hexa, a nação inteira canta,
cada rua vira arquibancada.
No peito a esperança balança
feito bandeira iluminada.
As torcidas são milhões de treinadores,
cada grito uma oração.
Todo mundo entende de futebol
quando joga a seleção.
Helaine Machado

"Rua debaixo?"

por Márcia Reis Nazar

Valentim em Cascais não se segura
Manda a localização: "Estou aqui"
Ela ri indignada: "Só podes ser louco!
Rua debaixo? Que pensas que sou, pá?"

Borboletas por dentro, dignidade por fora
Vitória foge pra não cair na tentação
Romance, drama e riso na mesma rua
Só faltava a trilha sonora no coração.Eu te devoro...



© Direitos Autorais Reservados
Márcia Reis Nazar
marcianazar5@gmail.com

" No amanhecer ouço pássaros cantar um friozinho da manhã andando pela rua com um silencio absoluto ouço apenas pássaros cantar sobrevoa no céu o sol já no alto clareando aos poucos o céu vai ficando cor de rosa e azul admiro o belo dia vejo as casas tudo com portas fechadas algumas casas com luzes acesas gente despertando já cedo e a vida continua Assim"

Na mesma rua


Eu passo
e o chão lembra.
Não é você..
É o eco do que doeu.
As paredes sabem,
o ar pesa,
e meu peito responde
como se fosse agora.
Mas não é.
Você ficou
no que eu sobrevivi.
Eu sigo
no que eu me tornei.
E por mais que doa
te cruzar no mundo,
já não existe
lugar em mim
onde você mora.

Há lembranças que não vão embora.


Elas ficam na música,
na rua,
no silêncio entre uma mensagem e outra.


Algumas ausências ocupam mais espaço
do que muitas presenças.


Mas a vida continua.


O rio segue seu curso,
o vento atravessa as estações,
e o tempo não pede permissão.


Talvez a coragem não esteja em esquecer.


Talvez esteja em seguir em frente,
carregando as memórias
sem permitir que elas carreguem você.






Lucci Santz

Trânsito Livre


Acordei rapidamente, troquei de roupa e sai de carro rua afora;
As estradas sem buracos, os motorista educados, o trânsito não demora;
Os pedestres transitam na faixa, os policiais a quem precisa orientam;
A cidade cresce, o numero de acidentes desce e a vida alimentam.

Os motoristas respeitam-se, os motociclistas trafegam com cuidado;
Onde não há semáforo, ao atravessar a rua todos olham para o lado;
Sigo por estes caminhos, trafegando calmo e sossegado.
Andamos mais devagar e com mais atenção quando o piso esta molhado.

No fim do dia todos retornam para suas casas,
Seguem o trânsito sem ficar pedindo asas,
Na há filas, discussões, xingamentos e desavenças.
Os pais chegam felizes em suas casas para abraçarem as crianças.

Trriiinnnnnnnnn..... Despertou o relógio. Acordei. Era sonho.
Olho pela janela e vejo um transito enfadonho;
Sai pelas ruas rezando para que consiga ao meu destino chegar.
Quem me dera um dia ver tudo isso sem ter que apenas sonhar

No meio do caos e do barulho da rua,
Minha alma sossega ao encontrar a sua.