Moradores de Rua
"SABER NEGOCIAR É BOM: "QUANDO TRABALHEI COMO TAXISTA A NOITE, PASSANDO NA RUA MAXUEL NA TIJUCA (2 HORAS DE MANHÃ), 1 JOVEM ME ABORDOU, ELE ENTROU E PEDIU PARA PARAR MAIS A FRENTE PARA LEVAR MAIS 2 COLEGAS: QUANDO ENTRARAM, EU PERGUNTEI QUAL O DESTINO? O LIDER ME DISSE: JACAREZINHO (COMUNIDADE), OBSERVEI, ESTAVAM ARMADOS, EU LOGO ME MANIFESTEI: "VOCÊS SABEM QUE ESTE CARRO E O MOTORISTA SÃO VELHOS, MAS PERTENCEM AO HOMEM LÁ DE CIMA ( UM DELES FALOU), AO SENHOR JESUS?, EU DISSE A ELE MESMO, E ESTÁ EMPRESTADO PARA EU GANHAR O PÃO PARA SUSTENTAR A FAMÍLIA. NA ENTRADA DA COMUNIDADE PEDIRAM PRA PARAR, UM DELES OLHOU PARA O TAXÍMETRO QUE MARCAVA $. 32,00, JOGOU $. 20,00 NO CHÃO E ENTRARAM NA COMUNIDADE. EU SEM RECLAMAR; PENSEI; ALELUIA SENHOR. OBRIGADO". Ademar de Borba.
O preço alto, o mercado caro
Na rua, a incerteza, um disparo.
Guerra mental, mundo animal,
É letal a dor no tribunal.
Julgam sem mesmo conhecer:
Direita ou esquerda, o que fazer,
Se é sempre o povo quem vai perder?
10 de julho de 2024
"Sonhei com uma rua cheia de gaiolas, com passarinhos dentro, nesse mesmo sonho bandidos estavam perseguindo meu marido que saiu para fazer xixi no banheiro do lado de fora, eu fui atrás dele, a fim de protegê-lo e consegui entrar em uma portinha, onde havia uma fechadura e consegui fechar a porta e pôr o ferrolho enquanto o bandido apontava a arma para meu marido. "
Às vezes caminhamos pela rua e vemos um rosto que parece familiar. Por alguns segundos, nossa mente tenta encontrar uma resposta. Já vimos aquela pessoa antes. Temos certeza disso. Mas de onde?
Então percebemos que o tempo passou.
Os cabelos mudaram. O rosto mudou. O corpo mudou. A forma de se vestir mudou. E, muitas vezes, até a expressão mudou. Aquela pessoa que um dia reconhecíamos instantaneamente agora parece uma estranha carregando apenas alguns traços de alguém que conhecemos no passado.
É curioso pensar nisso.
Passamos anos acreditando que conhecemos as pessoas, mas a verdade é que ninguém permanece exatamente igual. O tempo trabalha silenciosamente em todos nós. Ele modifica nossa aparência, nossos pensamentos, nossos sonhos, nossas crenças e até a maneira como enxergamos o mundo.
Talvez o mais impressionante seja perceber que isso não acontece apenas com os outros. Acontece conosco também.
A pessoa que fomos há dez anos não existe mais. Talvez nem a pessoa que éramos há dois anos exista. Continuamos carregando o mesmo nome, algumas lembranças e certas características, mas estamos em constante transformação. Somos versões temporárias de nós mesmos.
Por isso, às vezes, encontramos alguém que foi importante em determinado momento da vida e percebemos que já não sabemos mais quem aquela pessoa é. E ela também já não sabe quem nos tornamos.
Não existe necessariamente tristeza nisso. Existe apenas a realidade da existência humana.
A vida não foi feita para permanecer imóvel. Ela se movimenta. Ela muda cenários, muda caminhos, muda pessoas. Algumas permanecem próximas. Outras seguem por estradas completamente diferentes. E tudo isso faz parte do ciclo natural das coisas.
Talvez seja por isso que o autoconhecimento seja tão importante. Se o mundo muda, se as pessoas mudam e se as circunstâncias mudam, precisamos aprender a acompanhar nossas próprias transformações. Precisamos, de tempos em tempos, perguntar a nós mesmos quem estamos nos tornando.
Porque enquanto tentamos reconhecer os rostos que o tempo transformou, existe uma pergunta ainda mais profunda esperando por nós:
Será que reconhecemos a pessoa que vemos hoje no espelho?
A vida passa. Os anos passam. As pessoas passam. E talvez a verdadeira sabedoria não esteja em tentar impedir as mudanças, mas em aprender a crescer junto com elas, aceitando que tudo está em movimento e que é justamente essa impermanência que torna cada encontro, cada memória e cada fase da vida tão valiosos.
A rua não rouba apenas o teto de alguém. Ela interrompe sonhos, silencia talentos e faz muita gente acreditar que não tem mais valor.
Quando os emissários do demônio saem pra rua para pedir intervenção militar
Fica evidente que o inferno assumiu o poder e o diabo está governando
"O MUNDO GIRA: EM RELAÇÃO AO COMÉRCIO -- OS SHOPPINGS PREJUDICARAM O COMÉRCIO DE RUA, O E-COMMERCE (VENDA PELA INTERNET) ESTÁ DERRUBANDO OS SHOPPINGS. QUAL SERÁ O PRÓXIMO CAPÍTULO?" Ademar de Borba
Fui casa caída, bandeira ao vento,
fui rua sem nome e jardim sem dono.
Mas reguei minha ausência com esperança,
e plantei amor até no chão do abandono.
Pettrulho. Pedro Soares Ribeiro
O aposentado sai na rua e é assaltado; fica em casa e é roubado pelos ladrões do INSS. Que vida doida meu Deus!
Benê Morais
Não importa se é rua, vila ou cidade: quem abandona o próprio lugar paga caro, As eleições estão batendo à porta e o povo não esquece, voto não se compra, se conquista. Negligência vira castigo nas urnas.
Benê Morais
Teu riso mora em detalhes esquecidos:
uma rua qualquer, um fim de tarde sem pressa,
o silêncio confortável entre duas almas
que não sabiam que já se despediam.
Entre Linhas
Se eu pudesse escolher
um lugar pra morar,
não seria casa, rua ou cidade…
eu moraria no intervalo do teu riso,
onde o mundo esquece de doer.
Teu olhar tem algo de horizonte,
quanto mais eu olho,
mais longe quero ir.
E no silêncio entre um segundo e outro é teu nome que meu coração aprende a repetir.
Há em você uma calma rara,
tipo mar quando o vento decide descansar.
E quando tua mão encontra a minha,
até o destino parece parar pra olhar.
Se amor fosse tinta,
eu pintaria o tempo inteiro com você.
Porque desde que teu sorriso me encontrou, minha vida virou poesia
que só faz sentido…
quando rima com você.
Joga com ginga ( Brasil )
Azul e amarelo riscam o céu,
Na rua o batuque escreve no papel,
No peito um país que aprende e insiste, Cai, levanta, apanha…
mas não desiste.
Tem fé na voz rouca da multidão,
No pé descalço virando canção,
Cada esquina guarda um sonho inteiro,
De um povo teimoso, bonito e guerreiro.
Brasil, Brasil,
coração na palma da mão,
Entre o suor e o sorriso,
é só emoção,
Brasil, Brasil, quando a bola vem,
Até o mundo aprende a sambar também.
Brasa, fogo no coração,
joga com ginga
— é arte em ação.
E quando a bola rolar,
É mais que jogar…
É rua, é raiz, é lembrar
De onde a gente vem.
Brasa, deixa o fogo levantar,
Joga com ginga, o mundo vai parar”
É nossa hora de conquistar,
Mais uma estrela pra eternizar.
A peste chegou
a Rua dos Fracassos
e vem se espalhando.
Até a Rua das Putas está vazia.
Minha mãe cisma que uma boa sopa de legumes cura tudo.
Arrancou todos os que tínhamos na horta e segue levando para os doentes.
Junto vou me arrastando.
Parece que o vírus contamina
o corpo e o psicológico.
E a presença da mãe anima
os doentes, renovam suas forças e alguns até melhoram,mas eu estou arrasada.
Ela trouxe até um maltrapilho, que diz ser escritor,
para morar junto no quartinho.
Nossa casa fede velas e orações.
E seus joelhos ganharam marcas escuras
ajoelhados no chão.
-Deus deve ser surdo,digo a ela, porque nada faz.
As pessoas seguem morrendo,
os corpos enrolados são colocados
em caixões de papelão
na vala dos indigentes.
E a vontade de gritar aumenta, a impotência
e o medo diante do que está acontecendo.
Então faço a única coisa que posso.
Subo no alto do morro
e grito até perder a voz.
Já sentiram o desespero?
Ele fere, marca o coração,
a alma e a pele.
Tem algo que parte
levando pedaços doloridos
a que chamo de arte.
Ferindo a alma e a carne
até que sangre
poesias do íntimo.
Eu não sabia,
que toda vez que escrevia
eu dava forma
ao que doía.
Andréa
A Rua dos Fracassos
A Rua dos Fracassos guarda os desmemoriados,
minha mãe diz que Deus
apaga a memória da gente
porque não quer ver ninguém sofrendo.
Deixa só uma marquinha no corpo.
Eu fico contando as marcas da minha mãe,
pensando no tanto que Deus teve que apagar.
O rosto macilento e enrugado dela exibe
marcas feias do tempo e das coisas que passou.
Depois de ir ao médico,voltou estranha
e cabisbaixa.Meditativa, calada e determinada
cismou de me ensinar a ler.
Força meus olhos na bela grafia e nada entendo.
Paciente,ela tenta me ensinar mas sou um bicho solto
e impaciente.Louca para fugir e brincar,invejando
os colegas que riem à solta na rua lá fora,
enquanto estou presa,sozinha com ela e os
lápis e cadernos.
Laboriosas letras,desenhadas a perfeição,
que me faz repetir
até doerem os dedos.
Seu olhar perdido,enquanto me diz que um dia
vou ser uma grande escritora.
Eu detesto,mas fico com medo dela
estar enlouquecendo
igual a vizinha que vive penteando
os cabelos na rua e falando sozinha.
Então consigo rabiscar o meu nome
e ela me olha tão feliz
Eu me sinto tão culpada e não digo a ela o que fiz.
Assustada com os tremores nas suas mãos.
A dificuldade ao levantar até um copo.
Então,eu chorei...por não conseguir ser
o que ela sonhou para mim.
As vezes,o fracasso mora junto com a gente.
E não dá para escapar.
O que ela diria,se dissesse
que vendi o corpo
para comprar o jantar?
Andréa
