Mim Mesma
'Entrei numa de mergulhar em mim mesma e descobri que o naufrágio cá de dentro dói bem menos que os causados exteriormente; conclusão: vivo num silencioso autonaufrágio.'
Se eu tivesse a oportunidade de dizer algo a mim mesma, anos atrás, diria: Não tenha pressa do amor .
O amor é leve e chega feito vento de manhã cedo, a gente só sente quando ele nos toca.
Nildinha Freitas
Toda manhã, quando eu abro os meus olhos, eu digo a mim mesma:
Eu, e nada mais, tenho o poder de me fazer feliz ou infeliz hoje.
Eu posso escolher entre os dois. O ontem já se foi, o amanhã ainda não chegou. Eu só tenho um dia, hoje, e nesse dia eu vou ser feliz.
"Eu o conduzi pelo caminho da sabedoria e o encaminhei por veredas retas. Assim, quando você por elas seguir, não encontrará obstáculos, quando correr, não tropeçará." Provérbios 4:11-12
Não posso fugir de mim mesma,
sou a soma de todos os meus
atos e pensamentos,
resultado do meu passado
e do aqui agora, e vivendo
na intensidade de mim
tornei-me única.
Olhei feio para mim mesma em frente ao espelho, mudei semblantes, treinei falas e gestos, parecia uma atriz passando o texto, ficava incrédula até onde a minha imaginação me levava. Sim. Eu tinha que imaginar a resposta do outro. Meus ensaios não eram um monólogo.
E daí que parecesse doida, maluca ou com parafuso a menos. Pouco me importava, o que de fato importava e muito era ter o controle da situação.
Eu queria uma demonstração dele de paz, queria entender o seu lado, será que para ele tudo suaria como natural? Será que apenas eu tinha dificuldade de por esta amizade de pé?
Coloquei tentação no meu caminho, comecei a namorar, a construir um relacionamento entre o atual e meu casal de filhos e a amizade com o pai das crianças que ao meu ver estava super fortalecida, desabou. A guerra começou.
Ele tocava em mim e dava alguns indícios de que tínhamos uma amizade colorida, ele ia além, só não estava comigo porque não queria, segundo o convencido de uma figa.
Não estou fugindo de você ! Estou fugindo de mim mesma.
Fugindo dos meus medos, dos meus erros, da hipocrisia, da falsidade.
Fugindo da certeza que tudo está errado e da minha fraqueza de não conseguir lutar pelo que desejo, preciso e acredito para ser feliz.
Sinto a minha felicidade ao percorrer,
meus caminhos em poesias,
segura de mim mesma que reconheço neste todo meu viver.
Sei que o caminho do meu crescimento começa em meu coração e continua numa busca incessante até encontrar as mãos do meu próximo...
Bebi uma dose cavalar de mim mesma. Embriaguei-me no meu eu mais frágil e íntimo.
Adormeci e, ao despertar, a ressaca moral já gritava, batendo na porta da minha consciência, lembrando-me que, no meu novo eu, não há mais espaço para o velho.
Aqui estou eu de novo, encarando a mim mesma e ainda tentando entender por que estou aqui — novamente.
Querendo expressar o inimaginável, querendo dizer o que não sei como dizer. Tentando buscar letras, formar palavras que ainda não fazem sentido.
Será que minha expressão seria arte? Uma música, uma dança desleixada, uma poesia solta… ou talvez a junção de todas elas? Dançando sobre o solo, cantando em forma de poesia o que sinto — leve, e ao mesmo tempo tão pesado.
Agora me diga: será que, ainda assim, você conseguiria entender? Saberia como me acompanhar, sem me achar lunática, sem me ofender de alguma forma? Ou agiria como muitos — apenas normalmente?
Você sempre me resgata, e eu não sei por quê. Mas todo dia eu digo a mim mesma que minha vida deve valer alguma coisa, porque você sempre me salva.
A dor me escapa e se esconde para além de mim mesma. Liberta da opressão, posso expressar com lirismo todos os sentidos ofuscados. Sou calma e a calma é o meu jeito de estar no mundo. Prezo passos mansos, mãos delicadas e palavras sussuradas. Nada que desperte a natureza, tão coerente em seu ritmo. Posso ser um pássaro, uma flor, um fruto. Posso ser um ser integral em comunhão com tudo que me cerca. Admiro a paciência das árvores, crescendo lentamente. Não quero ferir o silêncio. Por isso meus dedos são suaves e não fazem alarde.
E se me soubesse corria atrás de mim mesma..
para evitar que me perca novamente nessas esquinas esquisitas e sem vida..
Se me soubesse, daria a mão a mim mesma e seguiria os imensos caminhos que se apresentam por essas estradas vicinais..
Se me soubesse, me atirava da cratera do Fuji Yama, não para morrer-me, mas para experimentar a coragem de voar sem asas..
Se me soubesse evitaria os discursos vazios tão longamente repetidos nesses meus ouvidos cansados..
Exauro-me, às vezes, do peso das vaidades e dos egos..
E tendo a ser tão generosa comigo que já não me atraem os bobocas, quiçá os babacas..
Tendo a ser outra e mais outra e outras tantas ainda.. todas elas Danielas..
Não a menina que subia nas árvores e fazia experimentos com seus peixes..
Mas esta, que numa tarde qualquer, pulou do nono andar e saiu, de saias, só para contar e escrever sua própria vida..
Ensaios sobre a queda do número 830 - os momentos em que se largam as muletas e consertam os pesos dos vazios - julho renascentista/21 - aos egoístas e suas vísceras rosas..
Prometi a mim mesma não mais correr atrás de ninguém, tanto me faz quem seja. A reciprocidade é a primeira regra para relacionamentos saudáveis!!
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