Menino e Menina
Faço-me o teu menino para te seguir por aonde vá e faço-me teu para comigo fazeres o que bem entendas;
Prossigo em linha reto sem pestanejar as minhas certezas do meu coração, me arriscando para colher bom fruto que o tempo pode me dá;
Entregar-me ao próprio destino e sentir o prólogo que me faz o teu inocente menino;
Muitos vêem por fora um menino brincalhão que julgam nunca ter responsabilidades na vida, mas insistem não perceberem que por dentro há um homem digno e honrado pelas atitudes;
Que pode surpreender palas suas próprias capacidades que poucos conhecem!
Pequeno como um grão
Sou um menino perdido no meu mundo
Às vezes sozinho, às vezes sonhando
Vago e vago buscando inspiração
Se sentindo esquisito com tanta ilusão;
Dentre os olhos alheios
Vejo maldades e anseios
Reinado de curto amor
Frustrações que causam dor;
Sou visto tão pequeno
Por quem não me tens amor
Agradeço a quem me ama
E peço mais sinceridade, por favor;
Menino tão só e perdido sou
Caminho de um lado para o outro
Procurando o meu amor
Tenho sonhos de voar
Para buscar a minha felicidade
Vou vagando em meu mundo
E ser amado de verdade!
O CABELO
A muito tempo atrás eu era um menino novo indo pra Vitória da Conquista ver minha família por parte de mãe e meu irmão mais velho que era como um herói em quadrinhos pra mim. No tempo de minhas férias que eu fiquei com meu irmão foram incontáveis as pessoas que pediram para ele cortar o cabelo que estava em fase de crescimento, ele queria deixar do tamanho do de minha irmã, porém por ser “duro”, escuro”, “ondulado” e ser homem tinha um aspecto “estranho” para a maioria das pessoas. Eu ficava impressionado como ele levava as críticas com muito humor e determinação, não era de forma alguma atingido, por mais que a crítica fosse desconstrutiva. Eu no auge de minha adolescência naquela época achava incrível a forma como ele levava sua vida, sempre sem medo e orgulhoso de suas ideias. Mesmo assim no final de minhas férias, preste a voltar para Salvador e já um pouco irritado pelas pessoas que encheram seu saco eu fiquei curioso para saber como ele mantinha aquele cabelo depois de todas as críticas sem ficar abalado…
Ele apenas respondeu: “Irmão toda vez que pedem pra eu cortar esse cabelo cresce uma determinação incontrolável para deixar ele crescer. A minha vontade dobra toda vez que me pedem pra cortar.” Naquela época eu era um menino novo e eu não tinha percebido, mas já tinha aprendido que a sociedade pode te tachar sempre como “louquinho”,”transgressor” ou “Sem juízo”, mas na maioria das vezes ela apenas está frustrada com sua falta de capacidade de tomar atitudes práticas perante sua própria vida.
Vivam sem arrependimentos. E se eu pudesse deixar uma moral para essa memória seria: Nunca deixe ninguém lhe dizer o que fazer sobre seus sonhos e metas. Sejam sempre impermeáveis ao choro das opiniões …
Todo o homem devia ser como o menino, que, quando é esperto desconfia sempre do que lhe dizem, procura a confirmação da verdade no seu coração.
O Reino de Deus pertence as crianças.Não aos moleques! É pureza de espirito. E não orgulho de menino.
A dias que sei que já cheguei por este mundo como velho e que não nasci como a maioria, menino. Por isto, talvez, que tenham me colocado por nome de batismo, Abdias. O nascimento, a vida e a partida, ocorre bem diferente para certas pessoas.
Sinto com coração de menino o som que a paz te tocou enquanto mulher, te vibro a existência como homem, disposto e exposto, ao sentimento que sem medo lhe levo aos pés. Ave bela e liberta, com jeito de menina, se um dia eu for tua sina, me encontrará a sua espera, antes de pensar, até na primeira esquina, eu pronto pra ser teu homem e tu a minha mulher.
Guerrilha da vida
Ei! menino...
Você está aí carcomido?
Está precisado de uma semideusa?
Por afugentar seus pensamentos
Necessita de um Deus para a sua semiologia?
Por que?
Desapegou o seu olhar aflito das estrelas...
Desdenhou da única possível certeza...
Amesquinhou a lógica da natureza...
Abominou o coquetel molotov que criou...
Ei! menino...
Tem de dar conta da rosa
E não esquecer dos espinhos.
O vergel é lindo mas têm daninhas
Pisoteie somente o que for preciso
Mesmo sendo no pomar do agreste
A escolha não pode ser antagônica.
A bomba cai e, muitas vezes acerta o alvo
Nenhum movimento é sempre preciso
Mas não subestime os pressupostos
Que pode ser o míssil direcionado
Ao não contestável.
Ei! menino...
Acertaram precisamente no seu coração?
E nem se importaram?
Sentiu o sangue na garganta?
E você não morreu?
Então, porque não levanta?
Sabe menino...
Não se ergue por não saber que foi atingido
A arma está em sua mão.
Não treinou o suficiente
Seu aprendizado foi apenas disfarçado
A sua escolha é ficar amotinado
Protegendo os que estão em seu patamar ideologizado.
Ei! menino...
Engole esse sangue amargo
Ajude a alguém a carregar as pesadas armas
Mostre o seu ânimo mais aguerrido
Ao menos assim, poderá não ser um alvo surpreendido.
Onagro
Menino malandro
Tentei de todo jeito
Mudar os teus trejeitos
Até com castigos e cinto na mão.
A vida airada é a quê contemplas
Banhar-se no lago profundo, imundo
Recrear-se com as facilidades
Nos lugares em que os humanoides se ostentam.
Menino, agora de malandro a malvado
Cria tramas e conspiras
Vestes o lodo, vê-se em brilho
Olha e sorri com um sorriso calhado.
Menino vadio, teimoso
Não fizestes a lição da maneira correta
Em tuas cabalas um monstro emerge
Afia a faca, descasca batatas
Num porão cheio de baratas.
Como te sentes, probo?
Estás alucinado...
Marcando-se com ferro em fogo
Feito um jumento.
O baú do arco-íris
Olá meu doce menino
Onde você estava enquanto eu lutava
para encher o baú do arco-íris?
Você estava no paraíso das alucinações
viajando na ponta do arco-íris
Meu doce menino
Onde você estava enquanto eu lutava
para termos um pouco do verão, céu azul
e noites estreladas?
Você só estava a espera do resultado do meu sacrifício
Meu doce menino
Assim não se pode ter o céu azul,
nem noites estreladas
nem verão
nem nada
Meu doce menino,
hoje o céu não tem arco-íris
e eu tenho o verão que quero
onde quero
conforme o meu sacrifício.
As lágrimas do poeta escrevem o seu ser.
Elas fazem do menino o homem ancião.
Criam momentos que se imortalizarão.
E vestem de azul os negros olhos de minha escuridão.
Não entendo porque Deus deixou meu menino fazer o que fez. Não entendo porque eu não estava lá para impedir. Não entendo porque ele fez aquilo consigo mesmo. Ainda não tenho as respostas.Uns dias após sua morte eu gritei muito com Deus. Sei que é pecado, porém, gritei,questionei com aquela dor profunda em meu coração. Eu disse: Deus! Eu te falei que podia fazer tudo comigo para que eu não me perdesse, a minha vida está em suas mãos, não tenho nada nem ninguém além de ti. E naquele momento não tinha mais nada mesmo. Perdi meu bem mais precioso. Perguntei: Porque tantas coisas ruins acontecendo? Eu disse a Deus Por que? Por que? Até quando vai me castigar? Até quando vou pagar tão caro pelos meus erros? Precisava ser meu filho? Tua Palavra diz que não há um justo sequer sobre a terra. Tu és Deus e poderia ter impedido! O silêncio foi a resposta.
Me perguntei muitas vezes porque não fui eu a morrer. Eu morreria no lugar do meu filho.Mas como escreveu Elaine Martins: Deus é Soberano!
(pensamento escrito no facebook em 09/05/2019)
Sempre fui um menino sombrio,
A vida me fez sofrer muito,
Caminhei entre sombras e frio,
Com um coração sempre em luto.
As estrelas brilhavam no céu,
Mas na minha alma, escuridão,
Cada sorriso era um véu,
Ocultando profunda solidão.
O vento sussurrava segredos,
De um mundo de dores sem fim,
Meus olhos, cansados e negros,
Procuravam um raio de sol, enfim.
Mas entre as trevas surgiu uma luz,
Uma faísca de esperança, um refrão,
Que aos poucos a tristeza seduz,
Transformando em amor, o coração.
E assim, nesse caminho estreito,
Aprendi a viver, a lutar,
Mesmo com um passado desfeito,
A vida, eu voltei a amar.
Esperança é um menino de pés descalços brincando entre nós. Não se contenta em esperar, mas age com a simplicidade dos pequenos gestos. Vive o presente como quem descobre um inseto no quintal, agradecendo ao passado sem se deixar aprisionar por ele. O passado é um rio. A vida segue. O futuro deve ser olhado com a calma de quem observa nuvens. Algumas coisas mudam com nossas mãos; outras, como o tempo, nos cabe aceitar. Isso é esperança.
Em uma manjedoura
Um simples Deus menino.
Santa mãe descansa,
após dar à luz a esperança dos homens.
O pai embala o seu Natal vivo.
Santo Deus menino!
Céu cadente ao alcance das mãos.
Quando o verbo se fez poeta
a poesia virou sinônimo de Deus.
Aprendimento
Os mais antigos diziam:
— menino que se rala vira sabedor.
E eu virei sabedor de queda.
Sabedor de chão.
Sabedor do peso das palavras
que não se ouviram.
Porque antes do som da queda
vem um barulho de silêncio —
é quando a vida avisa
com cochicho.
Mas eu,
desobediente das alturas,
só aprendo na unção da poeira.
No sermão das formigas.
No degrau que fere meu joelho.
Alguns precisam beijar o chão
pra entender que não se pisa em tudo.
Aprender é descalçar o orgulho
e fazer verso com a cicatriz.
No meu aprendimento,
comi esse doce de fel.
Era azedo como boldo,
mas, no fundo,
tinha gosto de aurora.
Sentado á mesa, de frente para um prato de fava com farinha, minha tia me olha e diz: O menino come de tudo! e eu à respondo: Mas tia se eu for escolher eu vou ficar com fome!
Meu sertão.
Menino, menino!
Dorme meu filho,
Nesse teu sono, tranquílo
De pequenino...
Dorme, dorme criança!
Nessa tua infância...
Dorme! Porque o vento, ainda não sopra.
Só o rouxinol, música sua, toca.
E quando fores homem,
Sê menino, ainda,
Nesse estado de ordem...
Ouve música d´arpa!
Por campos, verdes, faz tua saída!
Continua, brincando na neve alva!
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