Menina que Existe dentro de Mim
ALMA VIVENTE
Meiga, alma gêmea, minha cara-metade
Vives em mim firme de dentro para fora
Co'os lábios cor de vinho como aurora
Não morrerei de amor, és tu fidelidade.
És tu crucial para o meu afago do agora
Espelho da vida itinerária, preciosidade
Do semblante reencarnado da Antiguidade
Onde viveste a filosofia clássica sem hora.
Alma que pesa em si raios de anos-luz
Primazia feita de grinalda, tulipa e lírios,
Margaridas e flores de laranjeira, reluz
Um trajeto de pétalas, desvio de delírios,
Incredulidade com sermão que conduz
A multidão confiante nos grandes círios.
Você vive em mim, junto comigo, dentro de mim, neste coração confuso.
Universo Introspectivo
Dentro de mim, há mais do que o olhar alcança,
Sou um Mar profundo de pensamentos, em tempestades de emoção,
Navego por esses mares, como estrelas guias,
Que brilham como a luz da introspecção.
Ah, essas noites longas, em que me debruço sobre mim,
Onde o silêncio fala mais alto do que qualquer grito,
Descubro nas sombras que me cercam,
Ecos do meu eu antigo, sussurros de um destino esquecido.
Nessas horas, o mundo externo adormece,
Torna-se mero espectador de um drama íntimo,
Onde eu sou o ator e a plateia, mas sem diretor e a crítica,
Em um teatro onde cada pensamento é um ato e cada suspiro, uma cena.
E nesse palco, luz e sombra dançam,
Entrelaçam-se em um abraço de revelação,
A cada movimento, um mistério recôndito surge,
Numa coreografia de descobertas e transformações.
Em mim, o universo se expande,
Sou uma galáxia de possibilidades em um sistema solar de sonhos,
Cujo os pensamentos, tal qual um cometa errante,
Perdem-se em sentimentos em sua própria órbita.
E assim, nessa dança universal,
Encontro a verdadeira essência da existência,
Não no mundo lá fora, mas no universo aqui dentro,
Na revelação interior, onde cada estrela é um pedaço do meu ser.
Lá fora o sol se pôs, mas aqui dentro de mim ainda brilha a luz da esperança de uma noite tranquila, um sono revigorante e um amanhecer abençoado.
A cada dia que passa a raiva aumenta cada vez mais dentro de mim. Não sei se é porque sou uma pessoa complexa demais e não sei lidar com as mudanças ou se é pelo simples fato de não saber lidar com certas injustiças. Muita responsabilidade para pouca idade. Sinto vontade de socar tudo e todos, por algum motivo. Talvez eu esteja sobrecarregada, porque qualquer mínimo barulho me irrita, qualquer toque físico me irrita e por aí vai.
Sou amplo e dentro de mim vive multidões, é difícil fazer com que todos, juntos e unidos, tomem a mesma decisão.
Tem algo dentro de mim que sempre diz: "Não pare! Não desista dos seus sonhos! Deus tem mais para dá, do que o diabo para tirar!"
Tenho encontrado um silêncio dentro de mim, motivado nalgumas vezes pelas experiências da vida. Furucuto,2024.
O verdadeiro caminho do amor foi sentido entrando dentro de mim ao dar uma volta meu coração tocou mais forte , cheguei mais perto meu coração mudou para sempre ao olhar você , te amei sem mesmo antes de me apresentar para você!
as palavras se perdem
no meio do caminho
e sobram ecos vazios
algo avulso dentro de mim
que não consigo compreender
e tento derramar na poesia
na esperança
em que eu possa me encontrar
comigo mesmo.
Sempre tentei fugir do surrealismo, mas o surreal estava mais dentro de mim do que eu imaginava. Pois, meu inconsciente é a mais pura manifestação do surreal, e sem o surreal, o real seria insuportável.
Quando os sentimentos negativos começam a se acumular dentro de mim, sinto uma necessidade urgente de liberar essa carga. Mas, ao invés de deixar que essas emoções transbordem e acabem ferindo as pessoas ao meu redor, encontro alívio em colocá-las em palavras. Escrever se tornou meu refúgio, um espaço seguro onde posso despejar o que me pesa sem causar dano a ninguém.
É estranho como, ao transformar esses sentimentos em texto, eles perdem um pouco do poder que têm sobre mim. As palavras que escolho são precisas, mas vazias, porque sei que elas não têm a intenção de ferir, de atingir. Elas apenas existem, como um eco daquilo que sinto, mas sem a força de um grito ou a dureza de um confronto.
Escrevo para mim mesmo, talvez para entender o que estou sentindo, mas também para esvaziar essa dor antes que ela se transforme em algo destrutivo. É como transferir o peso de dentro de mim para o papel em forma de tela, tornando-o menos sufocante, menos denso. E, ao fazer isso, sinto uma calma tomar conta de mim, como se as palavras que antes queimavam por dentro agora fossem apenas cinzas.
Desviar meus sentimentos negativos para textos me dá uma sensação de controle. Sei que não estou ignorando o que sinto, mas também não estou permitindo que esses sentimentos se voltem contra as pessoas que amo. As palavras, mesmo que vazias, são o meio que encontrei para processar e liberar tudo isso, sem deixar cicatrizes em ninguém.
E, ao final, há um alívio em saber que consegui lidar com o que estava me consumindo de uma maneira que não machucou ninguém. É um conforto silencioso, mas que me traz paz. Afinal, encontrei uma forma de expressar o que está dentro de mim sem deixar que isso se torne uma arma contra os outros, ou contra mim mesmo.
Meu destino era carregar dentro de mim um tumor do tamanho do punho de um homem grande. Esse tumor inchava e distorcia meu estômago, dificultava minha alimentação e meu sono, e eu estava sempre consciente dele [...]. Mas o mais terrível não era o fato de esse tumor pressionar e deslocar os órgãos adjacentes. O que era mais aterrorizante nele era o fato de exalar venenos e infectar todo o corpo.
E, da mesma forma, todo o nosso país foi infectado pelos venenos do Arquipélago. E só Deus sabe se um dia ele conseguirá se livrar deles.
Luta interna
Razão
e Emoção
lutam dentro
de mim, girando,
girando, sem
parar, numa espiral
que não termina, não
cessa, não alivia.
Dúvidas voltam,
se misturam, colidem, eu
em um ciclo que consome,
que não acha solução,
que busca uma saída,
mas retorna ao
mesmo ponto.
Neide Rodrigues
