Memórias

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Infância
foi o tempo em que te amei sem saber o nome do amor.


Memórias
hoje me visitam à noite, como fotos que o coração insiste em guardar.


Última
carta escrevo com a mão trêmula de quem ainda sente.


Infelizmente,
o adeus chegou antes do esquecimento.

Folhas Secas


Somente ecos ficaram,
como folhas secas levadas pelo vento, memórias queimando em silêncio nas chamas de um verão que não volta.


Teu amor se evapora,
era um rio que prometia oceanos
e se desfazia em gotas mornas
antes de tocar a minha margem.


Ainda assim, meu coração insiste,
como lua que insiste em nascer
sobre noites que não lembram o dia,
buscando a luz que já não me alcança.

Apagar fotos antigas,
é deletar memórias sem
utilidade pra vida.

Guarde isto: um dia, a única herança dos seus filhos serão as suas memórias. Esteja lá, com o cabelo desalinhado ou a roupa que for. A vida não é sobre estética. Eles não querem saber de roupagens; eles só querem enxergar o seu rosto!

E se nada tiver acontecido? Apenas memórias...

As Cinzas da Memória

Há memórias que repousam nos livros.

Outras recusam o papel e preferem morar no coração.

Quando caminho pelas páginas da História, não encontro apenas datas, batalhas ou decretos. Encontro passos descalços sobre a terra quente. Escuto correntes que ainda tilintam dentro da consciência humana. Vejo mãos rachadas pelo trabalho erguendo a riqueza de um mundo que jamais lhes pertenceu.

O café perfumava as mesas dos poderosos.

O cacau adoçava os paladares da abundância.

A cana oferecia sua doçura aos mercados do mundo.

Mas, antes de tudo isso, havia o sal invisível das lágrimas.

Cada grão colhido escondia um nome esquecido.

Cada campo verde carregava um sofrimento que a paisagem insistia em ocultar.

A História costuma celebrar os vencedores.

Eu prefiro escutar os vencidos!!

Porque são eles que ensinam o verdadeiro preço da dignidade.

Às vezes me pergunto quantas estradas foram abertas por pés acorrentados. Quantas igrejas foram erguidas por mãos que nunca puderam escolher onde rezar. Quantas casas senhoriais foram construídas sobre sonhos que jamais conheceram um amanhecer de liberdade.

E, então, compreendo que o tempo não enterra todas as injustiças.

Algumas permanecem vivas.

Mudam apenas de roupa.

Hoje já não ouvimos o estalar do chicote com a mesma frequência, mas ainda existem palavras que ferem como açoites, salários que aprisionam, preconceitos que acorrentam e indiferenças que condenam pessoas a uma existência sem voz.

As correntes aprenderam a esconder-se.

Por isso se tornaram mais difíceis de romper.

Penso naqueles que incendiaram os canaviais.

Talvez não desejassem destruir plantações.

Talvez quisessem iluminar a noite para que alguém, finalmente, enxergasse sua dor.

O fogo era um idioma.

Era a linguagem desesperada de quem descobriu que o silêncio protege mais os opressores do que os oprimidos.

Penso também nos que fugiram pelas matas.

Cada passo era uma oração.

Cada rio atravessado era um pequeno batismo em direção à esperança.

Cada quilômetro percorrido dizia ao mundo que viver de joelhos nunca foi o destino da alma humana.

Muitos morreram.

Mas há mortes que fracassam.

Porque a liberdade possui uma estranha capacidade de sobreviver até mesmo aos túmulos.

Ela continua caminhando na memória dos filhos, dos netos e de todos aqueles que recusam esquecer.

Talvez seja por isso que essas histórias me façam chorar.

Não são lágrimas de quem observa um passado distante.

São lágrimas de quem reconhece que a dor do outro também lhe pertence.

A humanidade é um único corpo.

Quando uma parte sangra, todas as outras deveriam sentir.

O problema é que aprendemos a admirar monumentos, mas esquecemos de ouvir os ecos que ainda saem das senzalas.

Enquanto houver um ser humano tratado como instrumento, enquanto houver quem seja reduzido à cor da pele, ao dinheiro que possui ou ao lugar onde nasceu, a escravidão continuará mudando de nome para não ser reconhecida.

Por isso, olho para a História não para alimentar ódio, mas para impedir o esquecimento.

O ódio reproduz os grilhões.

A memória os quebra.

A compaixão impede que sejam forjados novamente.

E acredito que Deus, silencioso como quem contempla os séculos, não pergunta quantos impérios construímos.

Pergunta quantas correntes tivemos a coragem de romper.

No fim, descubro que essa história também é minha.

Não porque tenha sentido o peso do ferro nos pulsos, mas porque carrego a responsabilidade de não permitir que a dignidade humana seja novamente colocada à venda.

A verdadeira civilização não será lembrada pelos palácios que ergueu, nem pelas riquezas que acumulou.

Será lembrada pelo dia em que nenhuma pessoa precisou fugir para provar que nasceu livre.

Ps. Acredito que toda grande nação precisa aprender a olhar para sua própria história sem negar suas feridas. A memória não existe para alimentar ressentimentos, mas para cultivar justiça, compaixão e responsabilidade. Quando damos voz aos que foram silenciados, ajudamos a construir um futuro em que a liberdade deixe de ser um privilégio e seja, de fato, um direito de todos.

As Memórias e os Segredos do Relógio
​Por Celso Roberto Nadilo
​Muito antes do que se vê hoje, o antigo Mercado da Vila era apenas um galpão vazio, coberto por teias de aranha, onde às vezes eu tirava um cochilo no silêncio da tarde. Lembro-me do tempo das casas de solteiros, pousadas simples onde a gente descansava. Eram épocas distintas: lembro de ver onças caçadas sendo expostas perto do cinema, marcas de um tempo em que a mata ainda ditava suas regras com violência.
​A Fazendinha fazia parte do caminho da Sabesp, e na ponte de madeira o perigo era constante: cobras cascavéis ou corais surgiam entre as tábuas. Nos pés de chuchu, jararacas e surucucus se escondiam para comer os brotos, e os acidentes com picadas eram quase parte do cotidiano. Ao redor da vila, o cenário se completava com indígenas vendendo seu artesanato, hippies de passagem e ciganos acampados nas redondezas.
​Foi exatamente nessa época que ouvi a história do velho maquinista. Ele estava prestes a se aposentar quando sua esposa, netos, nora e sogro morreram em um trágico acidente de carro. Aquela seria a sua viagem de despedida nos trilhos. O que ninguém sabia é que ele também já havia partido: era o seu próprio espírito que conduzia a locomotiva desgovernada. Hoje, o campo de futebol serve de pátio para a sucata dessa mesma locomotiva, que chegou sozinha ao seu destino de descanso eterno.
​Mais acima, o emblemático relógio da estação parece flutuar sobre as nuvens. A história conta que ele foi trazido peça por peça da Inglaterra — e há quem jure que Jack, o Estripador, veio escondido na mesma embarcação para recomeçar sua trajetória trágica no Brasil. Afinal, como diz o ditado, o lobo muda de pele, mas não perde o vício.
​Há também o enigma do escravo que morreu nas engrenagens do relógio após descobrir ouro nas entranhas da serra; um segredo rapidamente enterrado, pois as lendas alimentam o próprio mito da caverna. E quando o grande engenheiro chefe finalmente faleceu, seu corpo foi embalsamado e levado de volta ao seu país de origem. Porém, sua alma nunca deixou Paranapiacaba: permanece na vila como um vigia eterno, observando a memória de sua família passear pelas ruas de pedra sob a neblina.

Memórias sãos perdidas mais os fatos históricos marcam o profundo da alma...
(...) Sinopses dos mortos somos culpado pelo fato de sermos alienação e enganado, o custo foi nossos parentes, pais e mães . Serem mais uma vez omissos... e alienação intelectual sera uma nova apologia do nosso mundo contemporâneo...

Espinhos da madrugada
Ecos do coração embriagado.
Flores que sangram
memórias tais lembranças.
Fogo arde queima a paixão...
Vultos na parede do quarto
Devido devido a fumaça do cigarro.
Delírio da bebida vangloriar
Os espinhos da madrugada...
Flores que sangram nas sombras dos quarto.
Vago meus pensamentos perdidos
No transe profundo torna navegante.

O escuro é o lugar onde se encontram as lembranças.
Pois os olhos se tornam cegos e as memórias vivas como guia.

Existem estruturas sustentando nossa vida que também não conseguimos enxergar.
Memórias.
Experiências.
Crenças.
Medos.
Esperanças.
Valores.
Relacionamentos.
Tudo aquilo que sustenta nossas decisões, embora não apareça como uma parede ou uma coluna.

Colecionar boas memórias em vida é a melhor forma de honrar uma despedida.⁠

ANJOS

A vida conduz histórias
Vamos contando ao viver
Guardando nas memórias
Fazendo por acontecer.
Encontramos gente boa
Seguem firme os passos
Tiram do marasmo a toa
Livram de perniciosos laços.
Tais são esses anjos
Tiram de nós a dor
Pois em seus arranjos
Nos completam com puro amor!

João Batista Barbosa

JUGULAR DO TEMPO!!!
Nos esconderijos das memórias
Nas veredas de seus atalhos
Envolvidos em tantas histórias
Entrelaçadas entre retalhos
Na jugular do tempo marcado
Profecias ditadas ao sopro do vento
Eterno poder antes julgado
Direção eterna do pensamento
Tantos enigmas já decifrados
Esquecidos entre vários escombros
Da liberdade entre muralhas
Passado, presente indicando o futuro.
Espectros digitando a sorte
No dissabor da hipocrisia
Revelações diluídas novamente
Cavaleiros da própria morte!!!
AUTOR JOÃO BATISTA BARBOSA

“O tronco da árvore permanece — testemunha muda das memórias que nenhum vento tocou.”

“A areia da praia guarda pegadas que o mar ainda hesita em apagar — memórias de passos que o tempo não ousa levar.”

“O barco à deriva segue o rio sem rumo — como a alma que flutua entre memórias que ainda não se decidiram.”

⁠Ao som do badolim se guarda memórias e se encontra no seu lugar, enquanto se rompe a madrugada e a vida continua assim.

Memórias póstumas e sua beleza


"Tempo que foi, não volta. Tempo que vem, mas que nunca chega.


Tempo que tudo leva e nada deixa; nada além de memórias póstumas e sua beleza. Tarde demais nos ensinou a amar, tarde demais nos ensinou a aproveitar.


Segundos parecem tão pouco, mas daria algumas décadas para ter de volta um segundo do seu riso. Lembro do gosto do seu bolo de trigo. Fui a um excêntrico chef em Paris, mas ele não conseguiu replicar o gosto daquele bolo.


Talvez não se trate de gastronomia. Talvez sejam suas mãos, mágicas e cheias de amor. Seja o que for, nada me trará novamente aquele sabor. Tentei ir a um show de humor, mas nem mesmo a melhor piada já contada me faria rir como você me fez.


Talvez, um dia, eu ame, delire de amor e escreva versos apaixonados.


Mas nenhuma amante poderá me presentear com os seus cuidados. O seu colo era um lugar sagrado, onde, em questão de segundos, o homem virava outra vez menino. Sinto falta daquilo.


Ah, tantas palavras que gostaria de ter dito, mas que hoje são só versos escritos; doce delírio da eternidade, em que, mais uma vez, encontrarei seu riso, em que, de novo, teremos aquela tarde com café e bolos de trigo, onde serei, novamente, o teu menino.


Teu doce e distraído menino.


Amo-te. Sonho que saiba."


Miguel Espinoso

"Lembranças são memórias
e recordações do passado
Saudade é a falta que esses
momentos causam quando
foram bons"