Memórias
Se você sobreviveu a uma grande provação amorosa, nunca mais volte a esse local, suas memórias vão ficar confusa e você abalado.
A ilusão e a esperança decepcionadas, são pai e mãe da loucura.
Há três memórias em mim que eu desafio o tempo a apagar: o seu sorriso, a melodia da sua bela voz e a física daquele dia em que te conheci, quando o meu mundo mudou de eixo.
Que os muros do tempo
Aprisione as memórias
De uma desejada história
Que não passou de estória
Fantasia da mente
Só existe no pensamento
Sufoca a realidade
Invernia do momento
Com a cara e a coragem
Se apaga a imaginação
Apenas um sonho acordado
Uma grande ilusão
“O cérebro não guarda apenas pensamentos; ele registra caminhos, dores, memórias e possibilidades de reconstrução.”
Do livro Neurônios — O Fio da Consciência: Neurônios, Ciência e o Limite do Humano, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“Há memórias que se apagam da mente, mas continuam vivas no corpo, na música, no afeto e na presença de quem ama.”
Do livro Alzheimer — Se Eu Não Lembrar, Me Abrace Mesmo Assim. Eu Ainda Estou Aqui, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Eu não estou sozinho, vivo com minhas memórias e arrependimentos, esse é o meu lar. Esta é a minha verdadeira liberdade. Expresso todos os sentimentos que fazem de mim o que sou hoje e espero encontrar paz neles. Parece que eu já parti a muito tempo, parece que me perdi, parece que o perdi meu caminho.
A vida tem o estranho hábito de transformar momentos comuns em memórias insubstituíveis sem qualquer aviso prévio.
Talvez a verdadeira sabedoria esteja em tratar cada encontro como um presente e cada despedida como algo que merece ternura. Afinal, o tempo passa para todos, mas a atenção genuína é um dos poucos gestos que permanecem.
Há Muita Dor, Mas Há Mais Amor
Sorrateiramente, memórias da infância me invadem e me fazem romper com o cotidiano.
Na lembrança, apresenta-se uma figura aterrorizante, um clichê de tirano.
Do meu quarto, sinto o odor do cachimbo, enquanto o desprezo em seus olhos exala ódio.
Mas ainda posso ouvir, da janela, apesar da tarde taciturna, as vozes das outras crianças brincando.
Do terceiro andar, fantasio-me brincando com elas no térreo, pois nem concebo a ideia de descer.
Por instinto, aguardo o déspota adormecer ou sair de casa, para que eu possa me divertir.
De repente, o interfone toca. Ele atende e, após alguns berros, sai depressa pelas escadas, entra no carro e me liberta.
Faço meus afazeres escolares; minhas irmãs dormem, minha mãe está no trabalho — e agora desobedecer é o mesmo que viver.
Viver é muito melhor que sonhar, e entrego-me de corpo e alma às brincadeiras, com minha pipa e meu pião.
Já estou sujo de terra como os amigos; ganhei pipas, perdi o pião, e acendi a chama do meu coração.
Minha alma é invadida pela alegria de ser criança — sinto que venci o mal.
Porém, subitamente, escuto a cavalaria do inferno através do escape velho e barulhento.
Corro mais rápido que no pega-pega, subo as escadas para que não perceba que estive brincando.
Entro direto no banheiro, tomo banho e começo a chorar, pois sei o que está por vir.
Você entra, espera que eu termine o banho e me surra com a mangueira que usou para lavar o automóvel.
E sofro mais uma das infinitas violências daquele a quem um dia chamei de pai.
Por esses episódios, passei a vida acreditando que não deveria ser pai, pois às vezes me via reagindo de forma igualmente inclemente.
Entre tantas escolhas, esse pensamento sempre permaneceu, por temer que um dia eu me tornasse como ele.
Arrependo-me profundamente, porque as decisões que tomei castigaram minha alma e me amaldiçoaram até recentemente.
Ainda que tardiamente, ser pai foi a melhor ventura que me aconteceu.
A importância de sê-lo é reconhecer a mudança e lançar esperança ao futuro.
Mas o mais especial para mim foi descobrir que, apesar de toda a dor que carrego, ainda sou capaz de dar e receber amor.
DRAL
A vaidade do viver
O viver é
vaidoso
se veste
de momentos
e memorias
e sem mais nem menos
se despede de você.
Eu lamentava o peso das minhas memórias, até que encontrei alguém que não possuía sequer um ontem para carregar.
“Quando partimos não temos como controlar as reações e sentimentos dos que ficaram. Nossas memórias pessoais ficarão aos poucos vagas ou esquecidas. Um dia tudo deixará de existir assim como nós. Mas se cuidarmos hoje de nossa espiritualidade, sendo bom agora, perdoando, agindo com correção aos atos em vida, nossa alma viverá em paz na eternidade.”
#bysissym
Não lembramos das coisas como elas realmente aconteceram, por isso, muitas de nossas memórias nunca existiram.
E o fato de ter absoluta certeza da lembrança não garante sua veracidade.
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